podem ser colectados ou observados como parte do estudo de campo e podem fornecer informações importantes sobre o caso em estudo.
3.2 Instrumentos de colecta de dados
Depois de identificado o objecto de estudo, ou seja: ”A representação temática nos sistemas de informação: estudo comparativo entre biblioteca e supermercado ”; foi feito um levantamento para identificar documentos relevantes que pudessem dar a fundamentação teórica para a pesquisa. Entre estes documentos, podemos citar artigos de periódicos, teses, dissertações e livros. Devido à agilidade em localizar documentos electrónicos, assim como à facilidade de acesso ao documento em tempo real, demos prioridade aos artigos disponibilizados na Internet.
As informações foram apreendidas pelos seguintes instrumentos e procedimentos: inquérito auto-aplicados; entrevista não-estruturada com a direcção das bibliotecas e, no caso da Biblioteca Municipal Almeida Garrett, com alguns funcionários; e através da observação.
3.2.1 O inquérito
Devido ao número elevado da população a pesquisar, adoptamos o inquérito auto-aplicado. Como obtivemos um maior acesso ao corpo técnico- administrativo da Biblioteca Pública Almeida Garrett, a eles, além do inquérito auto- aplicado, tivemos oportunidade de fazer uma entrevista não-estruturada, aonde foram levantadas algumas questões indagadas no inquérito; a ideia era perceber a sensibilidade deles sobre o problema exposto.
A preferência por este instrumento de colecta de dados foi baseada na teoria de Gil (1999), sobre as vantagens de se adoptar o inquérito numa pesquisa:
a) possibilita atingir grande número de pessoas, mesmo que sejam dispersas numa área geográfica muito extensa, já que o questionário pode ser enviado pelo correio;
b) implica menores gastos com pessoal, posto que o questionário não exige o treinamento dos pesquisadores;
c) garante o anonimato das pessoas;
d) permite que as pessoas o respondam no momento em que julguem mais conveniente;
e) não expõe os pesquisados à influência das opiniões e do aspecto pessoal do entrevistado.
O inquérito foi composto por questões abertas, fechadas e de múltipla escolha. Na sua elaboração, seguimos as sugestões apresentadas por Young e
Lundberger, através da citação de Silva e Menezes (2001): “o questionário deverá ser construído em blocos temáticos obedecendo uma lógica na elaboração das perguntas”.
Basicamente, o inquérito foi dividido em três blocos: o primeiro deles identificava os inquiridos por faixa etária, grau de escolaridade e sexo; no segundo bloco tratou de reconhecer a relação do inquirido com a biblioteca pesquisada e no terceiro bloco, foram levantadas as questões do problema pesquisado.
Elaborámos um segundo inquérito, mas que foi aplicado apenas à direcção das três bibliotecas pesquisadas. Embora Ghiglione e Matalon (1993) sugiram que:
No sentido de garantir a comparabilidade das respostas de todos os indivíduos, é absolutamente indispensável que cada questão seja colocada a cada pessoa da mesma forma, sem adaptações nem explicações suplementares resultantes da iniciativa do entrevistador.
Em relação ao inquérito preparado para as direcções das bibliotecas, as alterações por nós efectuadas, efectivamente, diziam respeito ao primeiro e segundo blocos, unindo-os em um único bloco, onde alterámos a identificação pessoal, pela identificação da Biblioteca, e procurámos levantar dados específicos de cada biblioteca. No segundo e último bloco desta nova versão do inquérito, aproveitámos as mesmas perguntas feitas no terceiro bloco do inquérito dos demais inquiridos, sendo que, fizemos as perguntas direccionadas aos directores no papel deles como gestor, ou seja, na visão deles enquanto gestor em relação ao problema levantado na pesquisa.
Procuramos elaborar as perguntas, com uma redacção que fosse de fácil compreensão para o inquirido, conforme sugerem Silva e Menezes (2001):
A redacção das perguntas deverá ser feita em linguagem compreensível ao informante. A linguagem deverá ser acessível ao entendimento da média da população estudada. A formulação das perguntas deverá evitar a possibilidade de interpretação dúbia, sugerir ou induzir respostas.
Contudo, na hora de tabular os dados, observámos que a última questão do inquérito, sofreu por parte dos inqueridos, um problema de interpretação, levando-os em sua maioria a fazer uma analise truncada no que de facto se perguntava. Acreditámos que isso ocorreu devido à utilização do termo técnico “indexação”, que certamente deve ser um termo desconhecido dos inqueridos,
levando-os a interpretar e responder, direccionando para o uso do catálogo propriamente dito. Mesmo havendo esta interpretação conflituosa, a taxa de inquéritos respondidos para está questão foi de 91,66%. Sobre a compreensão dos termos usados nas perguntas dos inquéritos, Ghiglione e Matalon (1993) comentam:
[…] não é necessário que cada termo seja entendido, mas seja entendido da mesma forma por todos. Depois, é necessário que a própria questão o seja, porque esta pode ser percebida de forma muito variável, mesmo se cada palavra não colocar, por si só, qualquer problema. Ou seja, em causa esta a questão das diferenças entre grupos sociais e da forma como essas diferenças são representadas.
Antes da aplicação de inquéritos, é aconselhável utilizar o mecanismo do pré-teste, conforme sugere Gil (1999):
A finalidade desta prova, geralmente designada como pré-teste, é evidenciar possíveis falhas na redacção do questionário, tais como: complexidade das questões, imprecisão na redacção, desnecessidade das questões, constrangimentos ao informante, exaustão, etc.
Falamos no início do trabalho, que está pesquisa foi desenvolvida de forma empírica no ano de 2001, na ocasião, também aplicamos o mesmo inquérito, havendo agora para esta versão alguns ajustes necessários, tais como:
Em relação a idade – da primeira aplicação dos inquéritos, no ano de 2001, a questão relativa a idade dos inquiridos foi colocada de forma aberta, ou seja, cada inquerido apresentava sua idade exacta; observamos, na época, uma certa resistência por parte dos inqueridos, em informar este dado, por isso resolvemos, nesta versão dividir as idades num espaço de 10 anos.
Sobre a escolaridade – adaptamos para o esquema de divisão escolar utilizado aqui em Portugal
Selecção das questões – excluímos algumas questões do inquérito original, pois, nesta ocasião, identificámos como desnecessárias para a pesquisa.
Como já havíamos, de certa forma utilizado o inquérito, entendemos que esta utilização anterior poderia nos servir de pré-teste, em relação à ultima questão que citamos acima e que causou conflito; acreditámos que além do desconhecimento do termo técnico, embora seja um termo usual em bibliotecas, houve uma dificuldade de disposição das palavras na hora de compor a pergunta,
decorrente a própria diferença linguística, empregada em alguns termos em Portugal e no Brasil.