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Conforme apontado por pesquisas e citado por estudiosos, a atividade de escutar música ocupa um lugar central na vida dos jovens (BEHNE, 1997; BOAL PALHEIROS, 2004; BOAL PALHEIROS e HARGREAVES, 2003; HARGREAVES, 1999, 2005; LAMONT et al., 2003; NORTH et al., 2000; REIS e AZEVEDO, 2008; SOUZA e TORRES, 2009; TARRANT et al., 2000). De acordo com investigação feita por NORTH et al (2000) abarcando 2465 jovens entre 13 e 14 anos, estudantes do ensino secundário em North Staffordshire na Inglaterra, escutar é a atividade principal de envolvimento dos jovens com a música e com isso, o consumo de gravações ganhou grande amplitude.

A importância da música para adolescentes é indicada pelos dados coletados nos E.U.A. sobre a extensão do consumo de música por esses sujeitos. Nos E.U.A., as vendas anuais de gravações de música Pop ultrapassaram a marca de 1 bilhão em 1967 (Frith, 1987), a marca de 2 bilhões até 1973, a marca de 4 bilhões até 1978 (Zillmann e Gan. 1997). Estimativas mais recentes colocam estes números em mais de 12 bilhões para 1994 (Geter e Streisand, 1995). Estas vendas traduzem-se em tempos de muita escuta música. Davis (1985) estimou que no intervalo entre a 7ª e 12ª séries, os adolescentes americanos optam por ouvir em média 10.500 horas de música Pop. Um estudo anterior de Lyle

21 […] Both cultures of music, with their emphases on listening technologies, dancing, and samples

of obscure tracks from the recorded history of music are essentially listeners’ musics, dependent on a fan/listener’s sensibility. Not only that, but these musics have depended on and fostered the development of “recycling” communication technologies, which have complicated categories of “performance,”“performer” and “audience.” Where’s the performance when you play a CD with sampled music and beats—in the original performance that was sampled, the performance of that sample, or the playing of the sampled music in one’s living room? Who’s the audience and who’s the performer at a rave, where the DJ responds to the dancers as much as the dancers respond to the DJ?

e Hoffman (1972) relatou que a metade de seus participantes adolescentes do sexo masculino ouviam música durante três horas por dia e que a metade dos adolescentes do sexo feminino ouviam durante quatro horas por dia. Mais recentemente, Brown, Campbell e Fischer (1986) e Sol e Lull (1986) relataram valores semelhantes quanto ao consumo de música pela televisão.

No entanto, há relativamente poucos dados provenientes de outros países. Por exemplo, Frith (1987) relatou que em 1984, 97% dos adolescentes britânicos tinham gravadores de áudio. Da mesma forma, Fitzgerald, Joseph, Hayers e O’Regan (1995) relataram que os adolescentes irlandeses registraram um padrão semelhante de resultados. Bjurström e Wennhall (1991) entrevistram 1.000 jovens entre 16-25 anos de idade sobre os seus interesses de lazer, e descobriram que 94% se descreveram como “muito interessados” ou “bastante interessados” na música. Esta foi uma porcentagem consideravelmente mais elevada do que qualquer outra atividade, incluindo esportes, e o nível era aproximadamente o mesmo quer para meninos quanto meninas. (NORTH et al, 2000, p. 256-257) – (Tradução nossa)22.

Segundo pesquisa realizada por Tarrant et al. (2000) com 245 jovens com idade média de 15 anos, americanos e britânicos, 68% disseram que despendem a mesma quantidade de tempo ouvindo música com amigos ou sozinhos; 27,8% ouviam música apenas sozinhos e 3,7% ouviam principalmente com os amigos. Um resultado similar encontra-se na pesquisa de Boal Palheiros (2004) em que foram entrevistadas 120 crianças/jovens de nacionalidades Britânicas (Reino Unido) e Portuguesas (Portugal) de dois grupos de idades: 9-10 anos de escola primária e 13-14 anos de escola secundária. Dos resultados, ouvir foi a atividade musical mais mencionada sendo que 55% dos participantes ouviam música todos os dias e 29,2% ouviam quase todos os dias. Nesse mesmo sentido, Lamont et al. (2003) em sua pesquisa com 1.479 estudantes (758 meninas e 721 meninos) e

22 The importance of music to adolescents is indicated by data collected in the USA on the extent of

their music consumption. In the USA, annual sales of Pop music recordings exceeded the 1 billion mark in 1967 (Frith, 1987), the 2 billion mark by 1973, and the 4 billion mark by 1978 (Zillmann e Gan. 1997). More recent estimates put this figure at over 12 billion for 1994 (Geter e Streisand, 1995). These sales translate into very high music listening times. Davis (1985) estimated that between the 7th and 12th grades, American adolescents average 10500 hours of elected listening to Pop music. An earlier study by Lyle and Hoffman (1972) reported that half of their male adolescent participants listened to music for three hours per day and that half of their female adolescents listened for four hours per day. More recently, Brown, Campbell, and Fischer (1986) and Sun and Lull (1986) reported similar figures regarding the consumption of music television. However, there is comparatively little data from other countries. For example, Frith (1987) reported that in 1984, 97% of British adolescents owned audio recorders. Similarly, Fitzgerald, Joseph, Hayers, and O’Regan (1995) reported that Irish adolescents placed has reported a similar pattern of results. Bjurström and Wennhall (1991) interviewed 1000 16-25 year-olds about their leisure time interests, and found that 94% described themselves as ‘very intested’ or ‘fairly interested’ in music. This was a considerably higher percentage than for any other activity, including sports, and the level was approximately the same for both boys and girls

idades compreendidas entre 8 e 14 anos, de 21 escolas da Inglaterra, estimou que os estudantes passavam 13 horas por semana ouvindo música. Corroborando com estes dados, pesquisas nacionais também mostram o quanto a atividade de escutar música é comum entre os jovens. A pesquisa feita por Reis e Azevedo (2009) com 84 adolescentes com idade média de 16,3 anos pertencentes a duas escolas particulares e uma escola pública, estudantes do 3º ano do Ensino Médio em Brasília-DF, destaca que a principal forma de vivência musical deles se dá por meio da escuta de música. Conforme dados coletados, um total de 92,8% dos participantes. Outra investigação, realizada por Caimi (2009) em Escola Estadual de Uberlândia-MG com 359 estudantes do 2º e 3º anos do Ensino Médio com idade entre 16 a 19 anos, aponta que a prática musical que se sobressai é a escuta. Dos resultados, 81,3% dos jovens escutam música em casa sozinhos todos os dias, contra 24,6% que escutam música duas a três vezes por semana em casa com amigos e 22,1% escutam na casa de amigos. Referente ao tempo gasto escutando música, 7,3% gastam menos de 1 hora por semana, contra 27,5% que gastam de 1 a 7 horas por semana, 16,2% de 7 a 14 horas, 17,4% de 14 a 21 horas, 14% de 21 a 28 horas, 17,6% mais de 28 horas. No estudo de Rabaioli (2005), que “consiste num survey cujo intuito é o de estabelecer um perfil preliminar das práticas musicais cotidianas extraescolares dos estudantes de Ensino Médio da cidade de Cambé”, Paraná (p. 1), a análise dos dados chegou ao resultado que a prática musical da escuta é “a única que pode ser considerada como exercida por todos os respondentes da amostra” (p. 4).

Portanto, conforme os dados apresentados nas pesquisas de vários estudiosos, tanto nacionais como internacionais, a música tem grande importância na vida dos jovens, além de que a forma mais recorrente de se relacionarem com a mesma é por meio da escuta de música gravada utilizando aparelhos eletrônicos.

Entretanto, será que a escuta de música, mediada por aparelhos eletrônicos, praticada na vida cotidiana dos jovens, sem, por vezes, uma intencionalidade de aprender sobre música (FOLKESTAD, 2006 apud GROSSI et al., 2007), resulta em alguma aprendizagem musical?