Em função da possibilidade de interação entre pessoas desconhecidas, que podem, inclusive, fazer parte, profissionalmente, das mais diversas áreas, ou ainda, pertencer a regiões distantes, marcadas por regionalismos, o Twitter funciona, também, como um forte meio de propagação de mensagens não apenas de caráter pessoal, mas dos mais variados temas que interessem aos usuários nesse processo de comunicação.
Apesar da aparente ideia inicial de um “ambiente familiar” 9, em função
de deixar os usuários a par daresposta ao questionamento “What do you doing?” (O que você está fazendo?), que dá margem a respostas pessoais e faz com que o usuário se sinta mais próximo do dia a dia de amigos ou familiares mais distantes, as pessoas estão usando-o, cada vez mais, para falar sobre o que estão lendo, ouvindo e pensando, portanto, distribuindo ideias e comentários sobre os temas mais variados e interessantes possível. Os usuários não respondem mais, apenas, à pergunta “O que você está fazendo?”, mas, sim, “Em que você está pensando?” (SANTAELLA, 2010, p. 97).
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Sem dúvida, as redes sociais ampliaram as possibilidades no campo da comunicação. O Twitter é, sem dúvida, uma importante ferramenta que faz do ideal de comunicação um dos grandes valores das sociedades (ou da nossa sociedade), já que uma das suas características, a linguagem enxuta, que exige a síntese na elaboração da informação, possibilita, também, a propagação mais rapidamente da informação.
Para Dominique Wolton (2007, pp.9-10), na obra Internet, e depois?:
Em alguns séculos, a comunicação, realidade antropológica fundamental, no cerne de toda experiência individual e social, evolui fortemente nas duas direções: as técnicas e os valores da sociedade democrática [...] Hoje ela é central por três razões: supõe seres livres para os quais a liberdade de informação e de comunicação está no cerne de todas as relações sociais e políticas.
Registram-se casos de uso do Twitter como ferramenta de marketing e comunicação para empresas e instituições; como ferramenta jornalística e ainda, como meio de mobilização social e política.
Alguns casos motivaram pesquisas acadêmicas, que tiveram os resultados apresentados na Divisão Temática Comunicação Multimídia, do Intercom Júnior – Jornada de Iniciação Científica em Comunicação, evento componente do XXXIV Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. Dentre eles, o trabalho que abordou a criação, pelo Governo da Paraíba, em 2011, do Twitter @govparaiba, que se revelou uma ferramenta de crescente interação, inclusive entre os órgãos diretos e indiretos e o seu público.
Outro analisou as mensagens e a participação da sociedade, no Twitter, sobre os debates políticos que antecederam as eleições presidenciais, em 2010. Os trabalhos mencionados, apresentados em Congressos, encontram- se disponíveis no site http://www.intercom.org.br/papers/nacionais/2011/resumos.
Ainda, em novembro de 2010, o Twitter foi veículo de uma importante ação social, durante a ocupação da polícia no Morro do Adeus, situado no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Adolescentes, moradores do local, desenvolveram um trabalho de informação à comunidade no Twitter, narrando
os acontecimentos em tempo real. A ação ganhou notoriedade na web, pois os jovens, criadores do perfil no Twitter, narravam o que viam pelas janelas de suas casas, numa região onde a imprensa não tinha acesso.
O caso não só recebeu destaque na imprensa, como também motivou trabalhos acadêmicos, como o Discurso e redes sociais: o caso ‘Voz da comunidade’, da UFJF.
A importância dessa mídia social pode ser observada, inclusive, pelo número de obras, nacionais e internacionais, que orientam, quanto ao uso adequado dessa ferramenta, nos diferentes espaços sociais. Dentre os títulos:
Mídias Sociais nas Empresas – colaboração, inovação, competitividade e resultados; A era do Twitter – como a ferramenta de mídia colaborativa mais dinâmica da atualidade pode revolucionar seus negócios; Twitter influenciando pessoas e conquistando mercado; Mil biografias para Twitter, entre outras.
Percebe-se, portanto, que se trata de uma ferramenta em que a informação, em função da mobilidade e da objetividade, atinge, rapidamente, um grande número de pessoas e, portanto, pode gerar sérias consequências, seja uma mensagem de caráter social, político ou pessoal. Um exemplo atual, publicado na revista Veja nº 30, de 25.07.2012,foi o caso da atual primeira – dama da França, Valérie Trierweiler, que, ao escrever no Twitter seu ponto de vista acerca da derrota política de Ségolène Royal, ex-esposa do então presidente francês, François Hollande, seu esposo atual, viu-se obrigada a não participar dos eventos sociais com seu marido, em função da reação do povo francês ao seu comentário postado na rede social. Ou seja, um texto de caráter pessoal, mas que teve sérias dimensões políticas, em função do autor e do meio em que foi divulgado.
Em entrevista, disponibilizada no site da Academia Brasileira de Letras, após a sua posse da presidência da ABL, em 2009, Marcos Vinício Vilaça pontuou, quanto ao uso das tecnologias:
Hoje não só pessoas usam o twitter, mas empresas testam sua popularidade e lançam novidades. Como o senhor vê essa integração da ABL com o twitter?
Se eu tuito, tu tuitas e eles tuitam, a Academia também tuita. O Supremo Tribunal Federal já está nessa, sites de venda on-line já lançam promoções exclusivas, personalidades de todos os meios já criaram uma espécie de “linha direta” com os fãs. Faltava a ABL. Digo faltava, pois não falta mais. A Academia precisa manter permanentemente uma linha direta com os seus seguidores.
Os jovens passam muito tempo no que chamamos de mídias sociais. Este é um filão em que a ABL busca entrar?
[...]
Se é lá que a juventude está, é lá que precisamos ir. Se num primeiro momento os moços não vêm à Academia, então a Academia precisa ir até eles.
A internet seria, então, considerada mais uma ferramenta de incentivo à leitura e à produção textual?
Mas é claro! Há quem diga que é uma ferramenta que faz justamente o contrário, que atrofia. Mas eu não vejo assim. Olhe, se uma pessoa consegue passar toda uma ideia em 140 caracteres, ela é atrofiadaou possui um bom poder de síntese? Então pronto! Não adiantar vir com a besteira que tudo na internet não presta. Isso é mentira! Tem muita coisa boa sim, mas é preciso selecionar. Da mesma forma há muita coisa ruim encadernada e vendida em livrarias. É preciso ter critério.
Em 2010, a Academia Brasileira de Letras lançou, pelo Twitter, um concurso nacional de contos, em que as produções deveriam conter, no máximo,140 caracteres. Tal produção registra um novo gênero na literatura, a
Twitteratura.
O termo Twitteratura tem sido usado para definir todo e qualquer tipo de manifestação literária dentro da plataforma em questão. Há, inclusive, experiências do uso do espaço de 140 caracteres para publicação de microcontos e adaptações de narrativas já publicadas de forma impressa.
Portanto, como observa-se, as RSIs não existem em si com uma função específica, mas sim, com aquela que é criada de uma forma própria por cada povo (SPYER, 2011). Sendo o Brasil, um dos principais países responsáveis pelo crescimento do Twitter, fato que reforça a ideia de que se trata de uma plataforma amplamente utilizada em diversos espaços sociais, deve-se associar esse meio ao espaço acadêmico, para que assim, o aluno torne-se um usuário competente das mídias sociais.