3. Forskningsmetode
4.1 Hensikten med samtalen
O BD é o grande volume de informações fornecidas por nós, armazenadas em bancos de dados e analisadas por empresas e profissionais especializados. Um utilizador que costuma praticar corrida de rua faz uma rápida pesquisa sobre um modelo de tênis pela Internet, logo em seguida ao entrar no seu perfil no Facebook encontra outras ofertas de pares de tênis semelhantes ao que procura, no seu correio eletrônico recebe mais mensagens, com ofertas de meias, roupas para corrida e outros acessórios ligados ao esporte. Esse fluxo de ofertas acontece por conta do cruzamento de informações das coisas que procuramos na Internet e das que lá colocamos. Os dados da Internet são fornecidos pelos utilizadores quando acessam conteúdos ou conversam entre si. Assim, toda ação digital gera informação pessoal, a qual é utilizada para oferecer produtos, descobrir novas demandas, entender o utilizador ou identificar novos segmentos de mercado. Os utilizadores estão sempre a produzir algum tipo de dados, pois estão continuamente conectados. Em nosso questionário 78% BR e 60% PT dizem entrar no Facebook várias vezes ao dia, e 67% BR e 66% PT afirmam que conversar com os amigos é o que mais
costumam fazer, sem falar no volume de outras atividades como produzir conteúdos, assim estão sempre a reabastecer o BD de novas informações. Ter acesso e analisar os dados do BD permite as marcas, entre outras coisas, oferecer o produto certo, à pessoa certa, no momento exato. Tais informações possibilitam novas relações com utilizadores e criar diálogos, mesmo antes da existência de qualquer troca de valor monetário.
Podemos envolver os clientes, ou buscar novos em uma conversa e criar maneiras diferentes para eles se envolverem com a gente. Podemos convidar as pessoas para o nosso sítio e saber mais sobre as suas necessidades antes de tentar vender-lhes qualquer coisa. (…) Ferramentas digitais permitem-nos fazer isso melhor do que jamais fomos capazes de fazer antes (Adamson, 2008, Capítulo 2, parágrafo 35, TN).
Quanto mais ativo for o Facebooker, mais informações ele fornece, como esclarece Mckinsey (2013, Capítulo 12, item 1, parágrafo 1, TN), ao afirmar que em cada transação feita pelo utilizador, em compras de produtos, ou os dados fornecidos nas Redes Sociais, assim como os dos cartões de fidelidade, podem revelar informações precisas sobre cada perfil. “Mas agora, as Redes Sociais aumentam sua importância, à medida que as conversas, que uma vez tivera lugar offline, estão a acontecer em redes como Facebook, Twitter e o Google Plus.” (Kantrowitz, 2014, TN); as ferramentas digitais ampliam o que os utilizadores dizem sobre suas vidas, quando um Facebooker fala, sobre sua família, sua carreira profissional, sua preferência pessoal, a causa que acredita, essas afirmações, são representações fiéis de sua personalidade e desejos.
Na era da Internet, no entanto, a informação que os nativos digitais revelam sobre si são bastante detalhadas. Eles incluem coisas como seu número de telemóvel, seu endereço residencial, a data de nascimento, e outros detalhes que ele nunca iria intencionalmente revelar a estranhos no mundo offline (Palfrey & Gasser, 2008, p. 56, TN).
A Web 2.0 é um ambiente democrático, o utilizador se expõe com liberdade no momento que deseja, sente-se confortável para falar, é como um escritório de psiquiatria virtual, um local para partilhar tudo, Redes Sociais, como o Facebook, são laboratórios de investigação, qualquer dialogo pode ser observado e analisado. Assim, as empresas passam a criar mecanismos de monitoramento e controle, “Em um espaço onde o diálogo é rei, é fundamental identificar as conversas mais cruciais para se obter conhecimento sobre o que mais importa para o público” (Adamson, 2008, Capítulo 1, parágrafo 19, TN). Ao monitorar Facebookers, as empresas têm a oportunidade de dar respostas ágeis a diversas questões, antecipando-se a momentos de crise, podendo aproveitar oportunidades comerciais, além de melhorar relações e criar um certo nível de controlo.
O controlo que é feito à espécie de homo cypiens, é um controlo diferente. BAUMAN crê até que as empresas necessitem de uma certa ‘vigilância negativa’ [2011, p. 4], o que
basicamente implica manter os bons consumidores vigiados e afastar os indivíduos indesejados. Deste novo contexto surgem figuras novas (Elias, 2013, p. 8).
A exposição voluntária da sua vida pelo Facebooker sugere que quanto mais informações o utilizador postar sobre si próprio, mais amigos e seguidores terá. Parece que alguns conceitos e desejos de privacidade foram deixados de lado, ou abandonados, como reforçam Palfrey e Gasser (2008, p. 54), em nenhum momento da história da humanidade teve-se tanta informação sobre uma pessoa por conta das suas publicações. Com o Facebook as pessoas passaram a escrever suas autobiografias em tempo real. Esses dados que abastecem o BD são ferramentas para a segmentação de mercado; se sabemos muito sobre nossos produtos preferidos, as marcas nos conhecem profundamente, ao ponto de em muitos casos, nos entregar sugestões as quais realmente nos interessamos. Tudo está a convergir para os mesmos ambientes, no Facebook é possível encontrar pessoas, produtos, ofertas, dialogar, pesquisar, publicar, e os utilizadores estão a tornarem-se acomodados, pois encontram com facilidade o que buscam em um só lugar, está misturado em vários processos, da Cibercultura, ou melhor, a cultura que construímos, dos hábitos que mantemos, dos conceitos que acreditamos e da força que todas essas ações de exposição e Envolvimento têm na nossa vida.
Observar é um passo importante para mecanismos de controle, o que não é uma característica da Era Pós-Digital, mas agora a observação acontece pelo enorme número de dados fornecidos; eles não são buscados, são entregues, fazemos isso por diversão, deixamos rastros, somos definidos pelas marcas, ligados a elas por nossas ações. Como sabiamente ressalta Adolpho (2011, p. 190), o comportamento que um consumidor tem online reflete seus hábitos offline, como já foi dito aqui, não existe mais separação entre esses dois universos, essas distinções são usadas com fins didáticos, quando uma empresa passa a identificar nas informações do BD as características dos Facebookers, seus hábitos e desejos, tem a possiblidade de repensar seus conceitos e, quando necessário, aprimorar suas estratégias de comunicação. Logo, e da melhor forma possível, pode encaixar sua marca na vida das pessoas, assim se criam os Fãs das marcas, indivíduos dispostos a adotar para si as representações culturais que as marcas desenvolvem.