Encontrada principalmente na sequência metavulcanossedimentar, em rochas calcissilicáticas, granitos anatéticos, além de meta-álcalis feldspato granito.
As calcissilicáticas são marcadas pela alternância entre bandas de diferentes composições além de intercalações com camadas tabulares de anfibolitos e sheets graníticos, de direção NE com mergulhos que não ultrapassam 30° (Fig. 5.3 b). Os granitos anatéticos apresentam segregações minerais em frações leucocráticas e melanocráticas, de direção NW e mergulhos que chegam a 60° (Fig. 5.3 a). Nos metarriolitos, a foliação NW
apresenta mergulhos de 15°, com lineação de baixo ângulo de direção NE imposta no plano de mergulho da foliação, indicando o sentido de transporte durante eventos tectônicos e metamórficos (Fig. 5.3 c). Em meta-álcali feldspato granito, foi encontrada localmente uma foliação de baixo ângulo e direção NE, que foi sobreposta por foliação vertical. As direções preferenciais NE e NW podem ser vistas no diagrama de roseta (Fig. 5.3 d) e o sentido preferencial de mergulho no diagrama de polos (Fig. 5. 3 e)
Figura 51 - A) Granito anatético com foliação de baixo ângulo preservada (CM – 80: 316488 mE/ 9513732 mN); B) Rocha calcissilicática de direção NE e mergulho de baixo ângulo (CM – 208: 314616 mE/ 9512218 mN); C) Metarriolito com lineação de baixo ângulo (CM-13: 313258 mE/ 9518437 mN); d) Diagrama de Roseta indicando a atitude das foliações Sn; e) Diagrama de concentração de polos da foliação Sn, indicando maior número de mergulhos para NE.
Fonte: Elaborada pelos autores.
Os migmatitos, encontrados junto ao limite leste da área, no domínio metavulcanossedimentar, são caracterizados por porções leucocráticas e melanocráticas que sublinham um bandamento metamórfico em padrão anastomosado, de direção geral NW e mergulhos que variam de baixos, em média 30° a totalmente verticalizados.
A definição de um trend regional para o domínio metavulcanosedimentar não fica claro, pois ocorre uma variedade de direções e intensidades de mergulho das camadas, provavelmente relacionadas a processos de soerguimento do terreno e dobras regionais.
Dobras
Ocorrem principalmente em metatexitos e diatexitos, gerando dobras intrafoliais (Fig. 5.4 A e B). É possível também inferir a presença de um dobramento antiforme suave, com ângulo inter-flancos de aproximadamente 120°, ao longo de uma estrada de terra, na porção oeste da área, onde a estrada estaria situada sobre o eixo axial da dobra, de direção NW, com flancos representados por afloramentos acamadados de sheets graníticos e metadioritos, nas laterais da estrada, mergulhando 33° E e 26° N representado em desenho esquemático (Fig. 5.4 C).
Figura 52 - A e B) Dobras intrafoliais em migmatitos (CM-138: 317239 mE/ 9516874 mN; C) Desenho esquemático de dobra visualizada em estrada carroçal (CM-195: 308743 mE/ 9511974 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores.
Um possível dobramento antiforme também pode ser visto no mapa geológico estrutural, na porção inferior leste da área, onde foliações NE aparecem com mergulho suave para NW a norte e SE a sul (Fig. 5.5).
Figura 53 - Recorte do mapa geológico da área, com destaque para provável anticlinal.
Fonte: Elaborada pelos autores.
5.1.2 Foliação Sn+1
Caracterizado por foliações miloníticas, marcadas pelo estiramento de cristais e verticalização da foliação, sendo mais expressivas a oeste, junto ao domínio ortoderivado. Apresenta direção principal NE, como vista nas projeções de igual área (Fig. 5.6 c,d), presentes em meta-álcalis feldspato granito (Fig. 5.6 b), com desenvolvimento de bandas miloníticas e ultramiloníticas, além de metagranodiorito, metadiorito e granitos anatéticos com estiramento mineral (Fig. 5.6 a).
Figura 54 - A) Granitóide intermediário com foliação vertical e desenvolvimento de lineação (CM-93: 307914 mE/ 9518750 mN); B) Rocha granítica cisalhada com porfiroclastos de K- feldspato que indicam movimento dextral (CM-54: 310052 mE/ 9519280 mN); C) Diagrama de Roseta indicando a atitude da foliação na porção oeste da área de estudo, de direção exclusivamente NE; d) Diagrama de concentração de polos, onde a verticalização é mostrada através das aglutinações de polos nas bordas da projeção.
Fonte: Elaborada pelos autores.
De modo geral, os minerais micáceos, sendo a biotita o mais representativo, concentram-se nos planos de foliação da rocha, enquanto porfiroclastos de k-feldspato e/ou plagioclásio atuam como indicadores cinemáticos, encontrando-se estirados e rotacionados, por vezes indicando cinemática dextral para deformação regional.
Figura 55 - A) Granito anatético com desenvolvimento de foliação de cisalhamento Sn+1 a 270° Az, sobreposta por foliação obliqua a 340° Az (CM-14: 313316 mE/ 9518434 mN); B) Meta- álcalis feldspato granito, com desenvolvimento de foliação milonítica, na base de um morrote no contato com Fm. Ipu (CM-173: 305334 mE/ 9512173 mN); c) Porfiroblastos de plagioclásio no metadiorito indicando cinemática dextral (CM-93: 307914/ 9518750 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores.
Uma extensa zona de cisalhamento de direção 15° Az passa pela base da Serra da Ibiapaba, afetando rochas granitoides ácidas e intermediárias que fazem contato com a Fm. Ipu (Fig. 5.8 c,d). Em alguns pontos verifica-se vorticidade dextral do movimento e em outros não foi possível, pois as rochas encontram-se bastante caulinizadas. Esta estrutura pode ser vista através do Google Earth, ao lado de outra grande estrutura pela qual corre o Rio Acaraú, mostrando que a área estudada além de apresentar diversas feições locais de cisalhamento, é também influenciada por estruturas regionais (Fig. 5.8 a,b).
Figura 56 - A) Marcação das Zonas de Cisalhamento vistas pelo Google Earth; B) Imagem anterior sem a marcação; C) Rocha do embasamento fortemente cisalhada no contato com Fm. Ipu (CM-75: 306689 mE/ 9516622 mN); D) Metadiorito cisalhado em detalhe, visto pelo plano X-Y (CM-75: 306689 mE/ 9516622 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores.
5.2) Feições Rúpteis 5.2.1) Fraturas
Representam a feição rúptil mais expressiva na área, acompanhada ou não de movimento paralelo ao plano de ruptura, designadas falhas ou juntas, respectivamente.
As juntas são em geral sistemáticas, formando famílias de até 12 fraturas com espaçamentos relativamente pequenos, sub-verticalizadas, seguindo apenas uma direção ou em pares conjugados, de persistência pequena. Mostram maior afastamento quando preenchidas por líquidos
magmáticos, configurando veios quando preenchidas por material monominerálico, localmente representados por quartzo, epidoto e material argiloso (Fig. 5.9 b). Os pares conjugados possuem origem tectônica e aparecem não preenchidos, com direções preferenciais NE e NW, enquanto os veios apresentam uma distribuição mais aleatória, pois muitos são causados por arrefecimento do material rochoso e fraturamentos hidrotermais localizados.
Figura 57 - A) Fraturamentos conjugados em meta-álcalis feldspato granito e diagrama de Roseta com principais direções de juntas (CM-07: 311890 mE/ 9518792 mN); B) Veio de quartzo em meta-álcalis feldspato granito e principais direções de veios na área, indicados no diagrama (CM-52: 310122 mE/ 9520187 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores.
Quando fraturas são preenchidas por material rochoso, caracterizam diques, que abrangem toda a região estudada, de composição basáltica (Fig.5.10 b) ou granítica (Fig. 5.10 a) e direção preferencial NE.
Figura 58 - A) Dique de composição granítica e diagrama de roseta com principais direções de diques leucocráticos (CM-128: 315968 mE/ 9517336 mN); B) Dique basáltico em contato com Fm.Ipu e diagrama de roseta com principais direções de diques máficos (CM-117: 307120 mE/ 9521547 mN).
Fonte: Elaborada pelos autores.
Foram reconhecidos dois falhamentos em campo, nas rochas metadioríticas. Um inferido pela presença de estrias de falha, que indicam cinemática sinistral em falhamento transcorrente de pequena escala (Fig. 5.11 a) e um Falhamento normal (Fig.5.11 b).
Figura 59 - A) Estrias de falha de direção 87°Az/40° em metadiorito (CM-176: 308882 mE/ 9515097 mN): B) falha normal de direção 328°Az/77° em metadiorito (CM-176: 308882 mE/ 9515097 mN).
6 METAMORFISMO
Como visto anteriormente, na área existem dois complexos metamórficos distintos: i) um dominado por rochas ortoderivadas, representadas por metadioritos, metagranodioritos e metagranitos porfiríticos, parcialmente migmatizados; e ii) outro dominado por rochas paraderivadas, principalmente migmatitos (metatexitos e diatexitos), com ocorrências subordinadas de corpos lenticulares de pequenas dimensões de quartzitos, calcissilicáticas, mármores, anfibolitos, granulitos e metarriolitos, provavelmente, rochas mais refratárias à fusão anatética.
A partir dos trabalhos efetuados em campo foram feitas análises petrológicas dos diferentes litotipos supracitados. Assim, foram reconhecidos quatro tipos de metamorfismo: a) metamorfismo regional predominantemente de fácies anfibolito médio a alto, atingindo localmente fácies granulito médio; b) metamorfismo dinâmico em condições dúcteis e rúpteis; c) metamorfismo hidrotermal; e d) metamorfismo de contato.
As evidências macroscópicas e microscópicas fundamentais que representam o metamorfismo regional são os aspectos texturais e estruturais, como texturas (granoblástica, nematoblástica, lepidoblástica), foliação e bandamento; presença de minerais metamórficos nos litotipos, como granada e diopsídio; feições de migmatização. No caso do metamorfismo dinâmico tem-se milonitização e brechação, com feições microscópicas de recristalização em subgrãos, geminações deformadas e extinção ondulante. Em termos de alterações hidrotermais, as feições observadas são albitização, potassificação, sericitização, sulfetação, silicificação, epidotização, carbonatação e turmalinização. Nos casos de metamorfismo de contato, foram identificadas mudanças texturais nas rochas que estão em torno de corpos magmáticos intrusivos. A seguir, tem-se a descrição dos diferentes tipos de metamorfismo que afetaram a região.