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3   INNHENTING AV OPPLYSNINGER

3.4   Helsemessige forhold

Juventude

Joana Vieira

Mestre em Intervenção e Animação Artísticas – ESECS.IPLeiria Maria de São Pedro Lopes

NIDE.IPleiria Rui Duarte Santos CICS.NOVA.IPLeiria

resumo

As Expressões Artísticas representam avultada significância na intervenção socioeducativa, con- tribuindo para reforçar inúmeras competências e para propiciar a confluência de sujeitos de inter- venção com proveniências múltiplas.

A educação das crianças e jovens acolhidos nos Lares de Infância e Juventude representa um grande desafio para os profissionais, uma vez que a estrutura residencial deve ser tão semelhante quanto possível à do meio familiar, no que diz respeito às práticas educativas e acompanhamento individualizado, transcendendo a satisfação das necessidades básicas.

Considerando à factualidade em apreço, foi criado e implementado um projeto de intervenção artística associada à investigação, denominado “Projeto ExperienciARte: A Expressão Dramática como forma de Intervenção com Jovens acolhidas em Lar de Infância e Juventude”, no sentido de determinar uma potencial estratégia de intervenção socioeducativa, aferindo Qual é o contributo da Expressão Dramática no desenvolvimento pessoal e social de jovens acolhidas em Lar de Infân- cia e Juventude? Este projeto teve lugar num Lar de Infância e Juventude, envolvendo um grupo de estudo constituí- do por sete jovens acolhidas que evidenciaram o desígnio de participar. O processo criativo evoluiu, desde Janeiro até Abril de 2016, tendo sido notável o envolvimento, criatividade, gratificação e valorização pessoal, partilha e trabalho em grupo por parte das participantes ao longo das expe- riências de Expressão Dramática que vivenciaram.

Foi adotada a metodologia de Investigação-Ação, edificada na análise das informações recolhidas através dos instrumentos aplicados, designadamente questionários iniciais e finais, diários indi- viduais das participantes e diário de bordo da investigadora que, por sua vez, contribuíram para reforçar a intervenção socioeducativa e para a obtenção de determinadas constatações.

Os resultados finais corroboram a relevância atribuída à Expressão Dramática e indiciam que esta componente artística aprimorou a autoestima, as estratégias de Coping e resolução de problemas, a criatividade e o sentido de pertença e integração social das participantes.

Por fim, cumpre reforçar a crescente relevância e aplicabilidade das Expressões Artísticas na inter- venção socioeducativa dos profissionais que se encontram associados aos mais diversificados con- textos, direcionados aos sujeitos de intervenção com as mais diversificadas características, segundo as investigações que têm vindo a ser operacionalizadas na área em apreço, atendendo ao impacto consequente que contêm.

Palavras-chave: Expressões artísticas; acolhimento institucional; jovens em risco; intervenção.

AbstrAct Artistic Expressions represent significant significance in socio-educational intervention, contribu- ting to reinforce innumerable competences and to foster the confluence of people with multiple and divergent backgrounds. The education of children and young people in foster care homes for children and youth represents a great challenge for professionals, since the residential structure should be as similar as possible

383 382 Investigação, Práticas e Contextos em Educação 2017 Investigação, Práticas e Contextos em Educação 2017 to that of the family environment, with regard to educational practices and individualized super- vision, transcending the satisfaction of basic needs. Considering this factuality, was created and implemented a project of artistic intervention asso- ciated with research, called “ ExperienciARte Project: Drama as a form of Intervention with Young People in a foster care home”, in order to determine a potential socio-educational intervention, assessing What is the contribution of Drama in personal and social development of young people that live in an institution of children and youth? Founded on this issue, the project took place in a youth foster care home, involving a study group consisting of seven young people who showed the intention to participate. The creative process evolved from January to April 2016, with the remarkable involvement, creativity, gratification and personal appreciation, sharing and group work by the participants throughout their expe- riences of Drama. Moreover, it was added that the Research-Action methodology was adopted, based on the analysis of the information collected through the instruments applied, namely initial and final questionnai- res, individual diaries of the participants and the researcher’s logbook which, in turn, contributed to reinforce the socio-educational intervention and to obtain certain findings. Therefore, these final results corroborate the relevance attributed to Drama and indicate that this artistic component has improved the self-esteem, Coping strategies and problem solving, creativity and the sense of belonging and social integration of the participants. Finally, it is necessary to reinforce the increasing relevance and applicability of the Artistic Ex- pressions in the socio-educational intervention of the professionals that are associated to the most diverse contexts, directed to people with the most diversified characteristics, according to the inves- tigations that have been carried out in the area under consideration, given the consequent impact they contain.

Keywords: Artistic expressions; foster care homes; young people at risk; intervention. ___________

Introdução

As Expressões Artísticas constituem-se cruciais na intervenção socioeducativa. Estas vão para além da Arte, contribuindo para reforçar inúmeras competências, pelo que não é necessário ser-se artista para recorrer às expressões artísticas. Qualquer profissional pode adotar uma ou mais expressões artísticas no seu trabalho quotidiano, reforçando a sua intervenção e criando uma aproximação aos seus destinatários.

Este projeto foi criado no âmbito da intervenção socioeducativa junto de jovens acolhidas num Lar de Infância e Juventude, de modo a compreender o desenvolvimento de determinadas competências pessoais e sociais, resultantes do envolvimento em atividades de expressão dramática.

Neste sentido, este projeto foi edificado no método de Investigação-Ação, de modo a aferir Qual é o contributo da Expressão Dramática no desenvolvimento pessoal e social de jovens acolhidas em Lar de Infância e Juventude?

A importânciA dAs expressões ArtÍsticAs

Desde os primórdios da vida humana que a Arte é utilizada como forma de expressão e de comu- nicação interpessoal, estando presente no quotidiano dos nossos antepassados mais remotos. As gravuras rupestres, por exemplo, refletem precisamente este retrato artístico e comunicativo da re- alidade populacional da Pré-História. Tal como afirma Vygotsky, citado em Bahia (2009, p. 139), “a necessidade de expressão criativa como forma de representação do mundo e de comunicação é parte integrante da natureza humana (…) é universal”.

Cumpre aclarar que, quando integramos as Expressões Artísticas numa perspetiva de intervenção, não se verifica a necessidade de nós próprios sermos artistas com formação técnica nos diversos meios de expressão, nem tão pouco a nosso objetivo é centrado na formação de artistas, ou seja, quando a intervenção se sustenta e integra as Expressões Artísticas o objetivo primordial deverá ser sempre a capacitação interpessoal e a promoção da participação ativa, da criatividade e de inúmeras competências de carácter pessoal, social, educativo e terapêutico. Assim sendo, importa acentuar “a criati- vidade mais do que a criação, o homem mais do que o artista, o cidadão mais do que o especialista” (Fontanel-Brassart e Rouquet, 1977, p. 25).

No que se refere às competências em apreço, é relevante acrescentar que estas se encontram inter- ligadas com os benefícios que diversos autores atribuem ao exercício de uma intervenção pautada pela aplicabilidade das Expressões Artísticas. Exemplificando, Santos (2000, p. 64) defende que “a Educação pela Arte atende, sobretudo, à formação da Personalidade”.

Ainda referentemente aos benefícios pessoais destacam-se o desenvolvimento da expressão, atenção, confiança, sensibilidade, imaginação, conhecimento, criatividade e resolução de problemas, de acordo com os autores Bompastor et.al. (2012),Cunha (2013), McGregor et.al. (1977), Oliveira e Milhano (2010), Sousa (2003), Vianna e Strazzacappa (2001).

Relativamente aos benefícios sociais decorrentes das Expressões Artísticas, os autores Baldwin e John (2012), Bezelga (2014), Costa (2003), Cross (1983), Cunha (2013),Gallagher (2000), Kowalski (2005), Oliveira e Milhano (2010) e Wagner (1998) ressalvam que estas contribuem para a interação, comunicação, negociação, inclusão, relação com o Outro, trabalho em equipa e projeção da realidade. Considerando os benefícios a nível educativo, os autores, como por exemplo Catterall (citado em Bahia, 2009, p. 142), indicam que as Expressões Artísticas contribuem para “a diminuição do abandono escolar”, afigurando-se como uma medida de reforço do sucesso académico, sendo que, na perspetiva de Cross (1983, p. 99), “o contato das pessoas com as artes ajuda a erradicar a vadiagem e o vandalismo!”. No entanto, Robinson (2010, p. 28) explica que “o nosso actual sistema educativo se- ca-lhes [às crianças] sistematicamente a criatividade”. Isto acontece atendendo ao facto das Expres- sões Artísticas não terem o merecido destaque nos contextos escolares, sendo encaradas generaliza- damente como um complemento a outras matérias consideradas mais relevantes pelo que não lhes é atribuído o interesse e o protagonismo que deveriam ter. Contudo, ressalvando as constatações de Melo (2005, p. 13): não se trata de uma atividade “puramente ornamental ou instrumental”, bem como de Landier e Barret (1994, p. 205): “é necessário reivindicar actividades dramáticas no tempo escolar, nos programas e nas instruções oficiais. Isso não é nem uma actividade marginal, nem uma recompensa, nem um luxo, nem um passatempo; é uma actividade de pleno direito, importante, útil (ainda que lúdica) e, além do mais, agradável, o que não prejudica nem o trabalho nem o esforço”. Por fim, remetendo para os benefícios terapêuticos, Sousa (2000, p. 82) defende que “uma edu- cação eminentemente voltada para objectivos imediatos expressivos, contribui de modo muito signi- ficativo para a manutenção de uma vida mental saudável”.

Atendendo à factualidade exposta, é notável a diversidade de benefícios oriundos das Expressões Artísticas na intervenção socioeducativa, assim como o seu contributo para o desenvolvimento dos sujeitos de intervenção, capacitando-os e proporcionando-lhes oportunidades de se expressarem livremente, exteriorizando aspetos que lhes são intrínsecos, e contribuindo, por conseguinte, para reforçar inúmeras competências, aprimorando o conhecimento de si mesmos e dos Outros, bem como para os envolver na sociedade.

Os âmbitos artístico-expressivos são vastos, pelo que quando é definida uma intervenção assente nestas práticas urge selecionar uma ou mais áreas específicas. Por conseguinte, para o projeto que foi criado e que posteriormente será apresentado selecionou-se a Expressão Dramática como principal componente artística, embora também se denote a presença de outras componentes, designadamen- te a Fotografia, o Vídeo, o Teatro e a Música. Esta opção resultou da afinidade pessoal da autora Joana Vieira com a área de intervenção – Expressão Dramática/ Teatro –, bem como da sua experi- ência profissional com crianças e jovens em situação de acolhimento residencial, paralelamente ao diagnóstico que fora concretizado junto do Lar de Infância e Juventude onde o projeto em apreço decorreu.

De acrescentar que através da análise bibliográfica efetivada, foi possível aferir que existe alguma confusão alusiva à diferenciação entre a Expressão Dramática e o Teatro, não obstante a maioria dos autores, tais como Aguilar (2001), Bento (2008),Lopes in Oliveira e Milhano (2010), McGregor et.al. (1977), Solmer (1999), Sousa (2003), Wagner (1998), se revelar consensual nas suas perspetivas. Por conseguinte, a Expressão Dramática é associada à prevalência das vivências características do processo de criação artística, estando associada às aprendizagens que daí decorrem e ao consequente desenvolvimento integral dos sujeitos de intervenção, e o Teatro, por sua vez, associa-se à prevalência do resultado final, isto é, da representação direcionada a um público, assumindo uma conotação essencialmente performativa e sendo crucial ser detentor de conhecimentos técnicos e formação especializada, dado que fazer Teatro é a profissão do ator. No entanto, a Expressão Dramática e o Teatro encontram-se intimamente ligados, partilhando uma pluralidade de semelhanças, como por exemplo o espaço, o tempo, os figurinos, os adereços e a existência de cenários.

385 384 Investigação, Práticas e Contextos em Educação 2017 Investigação, Práticas e Contextos em Educação 2017 Tendo por base as considerações enunciadas, a escolha da Expressão Dramática como área primor-

dial do projeto que será apresentado centra-se no facto de proceder a uma maior valorização e inci- dência do processo de criação artística, em detrimento do resultado final, contrariamente ao preco- nizado pelo Teatro.

o AcoLhimento residenciAL de criAnçAs e JoVens em risco

De acordo com a Lei de Proteção de Crianças e Jovens em Perigo (LPCJP) – Lei n.º 147/99, de 01 de Setembro, alterada pela Lei n.º 142/2015, de 08 de Setembro, é crucial salvaguardar os direitos das crianças/ jovens em situações de risco/ perigo, fazendo face a todas as situações que comprometam a sua segurança, bem-estar e desenvolvimento integral. A legislação em apreço serve de base à inter- venção do Estado, sendo concretizada com vista a assegurar o superior interesse da criança/ jovem (Carvalho, 2013).

Segundo a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima – APAV (2011, p. 161), o regime jurídico consa- grado na LPCJP destina-se a “(…) promover os direitos e a protecção da criança e do jovem quando os seus pais, o representante legal ou quem tenha a guarda de facto ponham em perigo a sua segu- rança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento, ou quando esse perigo resulte de acção ou omissão de terceiros ou da própria criança ou do jovem e que aqueles não se oponham de modo adequado a removê-lo”.

Neste sentido a referida Lei abrange uma diversidade de Medidas de Promoção e Proteção que, por sua vez, são “a providência adoptada pelas comissões de protecção de crianças e jovens ou pelos tribunais, nos termos do presente diploma, para proteger a criança e o jovem em perigo” (LPCJP, Artigo 5.º, alínea e). Por conseguinte: “As (…) medidas de promoção e proteção visam: a) Afastar o perigo em que estes [crianças e jovens] se encontram; b) Proporcionar-lhes as condições que permi- tam proteger e promover a sua segurança, saúde, formação, educação, bem-estar e desenvolvimento integral; c) Garantir a recuperação física e psicológica das crianças e jovens vítimas de qualquer forma de exploração ou abuso” (LPCJP, Artigo 34.º).

Mais se refere que as medidas referenciadas podem ser executadas em meio natural de vida, isto é apoiando o agregado familiar onde a criança/ jovem está inserido, ou em regime de colocação, ou seja encaminhar a criança/ jovem para o acolhimento quer em famílias selecionadas para o efeito, quer em instituições, sendo que neste caso a medida decretada designa-se Acolhimento Residencial. Esta “(…) consiste na colocação da criança ou jovem aos cuidados de uma entidade que disponha de instalações, equipamento de acolhimento e recursos humanos permanentes, (…) que lhes garantam os cuidados adequados (…) à satisfação de necessidades (…) e promovendo a sua educação, bem- -estar e desenvolvimento integral” (LPCJP, Artigo 49.º).

Através do Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens (CASA, 2015) pertencente ao Instituto da Segurança Social, I.P., é possível constatar que o acolhi- mento é efetuado cada vez em idades mais avançadas, contrariamente ao que sucedia anteriormente, do mesmo modo que os principais motivos que levam ao acolhimento residencial são os comporta- mentos desviantes (como por exemplo os problemas de comportamento ou os consumos de substân- cias ilícitas, associados à falta de supervisão e acompanhamento familiar) em detrimento das dificul- dades económicas que no passado eram mais notáveis. Tal como reporta Henriques et.al. (2014, p. 14), “(…) há uma significativa alteração no perfil da criança acolhida em meio residencial: há cerca de uma ou duas décadas atrás, o modelo prevalente era assistencial ou caritativo, recebendo casos de rapazes ou raparigas órfãs, ou vindas de famílias com poucos recursos económicos (…) passando as instituições a acolher um número significativo de crianças e jovens com problemas comportamen- tais, toxicodependência, problemas de saúde mental, debilidade e deficiência mental”. Contudo, é verificável que a negligência por parte dos cuidadores continua a ser outro dos principais motivos que levam ao acolhimento residencial, sendo que esta consiste na falta de prestação das necessidades básicas da criança/ jovem (a nível de alimentação, higiene, vestuário), comprometendo o seu bem- -estar, segurança, cuidados de saúde e acompanhamento educativo.

De salientar que a Medida de Acolhimento Residencial deverá ser sempre uma medida de último recurso, quando esgotadas todas as possibilidades de integração da criança/ jovem numa estrutura familiar estável e estruturada, sendo que o quotidiano nas instituições de acolhimento deverá ser, tanto quanto possível, aproximado ao do meio familiar e o acompanhamento deverá ser individuali- zado, o que nem sempre é fácil, dado que, do mesmo modo que existem instituições que acolhem sete crianças, existem também as que acolhem 40, como é o caso da instituição onde decorre o projeto que

seguidamente será apresentado. Tendo em conta estas afirmações, Amado (2003, pp. 29-30) acrescenta que “as respostas em Acolhimento de Longa Duração devem ser consideradas um último recurso depois de esgotadas todas as possibilidades. Propõe a Lei que os Lares funcionem em Regime aberto e pretende-se que sejam organizados em unidades que favoreçam uma relação afectiva do tipo fami- liar, uma vida diária personalizada e a integração na comunidade”.

Recorrendo ao Decreto-Lei n.º 2/86, de 02 de Janeiro, referente à definição dos princípios básicos a que devem obedecer os lares, como forma de resposta social dirigida aos menores transitória ou definitivamente desinseridos do meio familiar: “Os lares são equipamentos sociais que têm por fina- lidade o acolhimento de crianças e jovens, proporcionando-lhes estruturas de vida tão aproximadas quanto possível às das famílias, com vista ao seu desenvolvimento físico, intelectual e moral e à sua inserção na sociedade” (Artigo 2.º, n.º 1).

Deste modo, as funções dos Lares de Infância e Juventude são, para além da satisfação das necessi- dades básicas das crianças/ jovens (no que se refere à alimentação, higiene, vestuário), assegurar o seu acompanhamento escolar, de saúde e ainda trabalhar competências de autonomização para que, aquan- do da sua saída, os jovens se sintam confiantes para enfrentar novos desafios e tenham boas perspeti- vas de futuro. Consequentemente, “o acolhimento residencial de crianças sem retaguarda familiar ou que, por razões que fazem perigar o seu desenvolvimento, têm de ser retiradas ao ambiente familiar, é, pois, mais do que dar-lhes hospedagem e garantir-lhes um ambiente seguro até que regressem às suas famílias ou saiam da instituição para se tornarem independentes” (Henriques et.al. (2014, p. 18).

Relativamente às características das crianças e jovens em situação de acolhimento residencial, é possível constatar que, de um modo generalizado, são detentores de histórias de vida conturbadas, marcadas por perdas e ruturas significativas ao longo do seu percurso, pelo que se verifica a au- sência de uma figura de referência permanente, com a qual se possam vincular, dado que as pessoas vão entrando e saindo das suas vidas com muita frequência. Para além disso, verifica-se a separação de fratrias, na medida em que a maioria das instituições acolhe apenas género fe- minino ou masculino, forçando os irmãos de géneros diferentes a separar-se o que, por sua vez, irá agravar o sentimento de perda, solidão ou abandono face à família, com a qual os contactos são esporádicos ou mesmo inexistentes. De acrescentar que muitas das crianças e jovens acolhidos evidenciam culpabilização, atribuindo apenas a eles próprios a culpa de terem sido retirados ao meio familiar, o que pode dever-se à indevida clarificação do motivo do seu acolhimento. Paralela- mente ao referido, existem vários casos de crianças e jovens que já estiveram em mais do que um agregado familiar e/ ou em instituições diferentes, desencadeando uma necessidade de adapta- ção constante a contextos diversificados e instabilidade emocional. Assim, uma avultada parte das crianças e jovens acolhidos apresentam carências afetivas, procurando muitos deles a atenção do adulto e/ ou dos pares, apresentando baixos níveis de autoestima, autoconfiança e valorização pessoal, bem como dificuldades no relacionamento interpessoal, decorrendo grande parte das vezes conflitos.

Projeto ExperienciARte: A Expressão Dramática como forma de Intervenção com Jo-

vens acolhidas em Lar de Infância e Juventude

conceção do proJeto

Este projeto de investigação e de intervenção artística foi criado e implementado no ano letivo de 2015/2016 no âmbito do Mestrado em Intervenção e Animação Artísticas da Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria pela autora Joana Vieira, sob a orien- tação dos professores doutores Maria de São Pedro Lopes e Rui Santos.

Considerando o contexto e as características evidenciadas anteriormente, paralelamente à experi- ência pessoal e profissional da autora com jovens em situação de acolhimento institucional, bem como à sua afinidade com atividades no âmbito da Expressão Dramática/ Teatro, verificou-se a exe- quibilidade do projeto em apreço, de modo a dar resposta à seguinte pergunta de partida: Qual é

o contributo da Expressão Dramática no desenvolvimento pessoal e social de jovens acolhidas em Lar de Infância e Juventude?

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