DSC 09A-1 Reconhecimento de Estado Não Ordinário de Consciência – Com substância
Quem nunca? Seja uma cerveja... Álcool pode gerar, você acha que está super rápido o tempo. Quando você entra neste estado alterado de consciência, você entra mais em contato com você mesmo, com as emoções, que as vezes não consegue no dia a dia. E isso tem a ver com as imagens. É difícil definir por palavras... a sensibilidade ficou exacerbada, talvez por esta dimensão física, corpórea... Me sinto fisicamente hipersensível com este tipo de alteração. Consigo perceber traços nas pessoas que eu não percebia; eu consigo perceber reações, captar cenas do ambiente. Ao longo da conversa, da proximidade, da bebida, você começa a perceber coisas que você não percebia antes, pessoas que você sequer conversou, que sequer tem contato, mas que você consegue captar mesmo com uma sentada, em cada ponta na mesa, que uma certa atração, que eles estão estabelecendo um relacionamento ou que o relacionamento está para acontecer. Mas é por onde caminha minha sensibilidade, nestes casos de alteração de consciência. São estágios que eu estava visivelmente mais perceptivo e reativo, em relação ao mundo interno, mas que não chegam a ser caracterizados por visões.
Quanto à questão das imagens, da permeabilidade física, da transparência corpórea, me sinto muito permeável; captar mais as coisas, tanto pelos sentidos, como pelo tato, pelo concreto, é como ir a uma exposição em um estado potencializado pela bebida. Você consegue ter um pouco mais de sensibilidade, ao olhar determinado quadro, que você não teria. Bêbado, quando você não tem controle do seu corpo, parece que cada coisa é uma coisa separada. Tem hora que eu quero mexer meu braço, aí você mexe a perna. Acho que também a gente pode ver por aí as semelhanças.
Me lembrou muito, em algumas das obras, o LSD. Usei LSD só, mais nada. Conheço bastante gente que usa com uma frequência muito grande e me pareceu bem... é porque
acho que as cores intensas e, às vezes, eu olhava para a obra e parecia que ela se mexia sozinha; acho que era porque ela tinha muitos elementos. Não realmente parecia que ela se mexia, mas dava para ver um movimento na obra, intencional ou não. Da primeira vez que eu tomei, eu tomei no Ibirapuera; é que eu gosto de árvore, parque, aí, teve uma hora que eu vi as folhas... estavam caindo várias flores e tinha o asfalto... e parecia que as flores estavam em cima, só que parecia que elas estavam em cima, só que de um jeito diferente... não estava como uma coisa só, a flor e o asfalto... estava o asfalto e a flor por cima; você via de várias perspectivas, como se estivesse em um cenário; você não vê todas as coisas juntas, você vê uma coisa aqui, atrás outra coisa, todas as coisas estão separadas, mas são uma só. Eu lembrei disso na questão da lua, que as coisas que você está vendo fora, se elas estão como elas estão, ou você está vendo desse jeito porque você tem uma mudança de perspectiva. Depois da primeira vez que eu tomei, eu nunca mais vi as coisas do mesmo jeito. Parece que você vai mais além. A realidade que conheço não é a realidade, é só uma outra perspectiva. Foi bom assim... Eu estava vendo as cores mais fortes. Parecia que eu via o mundo como ele era mesmo.
Essa imagem dos círculos... os círculos, para mim, não representariam muito isso, mas, sob o efeito de ácido lisérgico, você sente uns tremeliques dentro do seu corpo... você sente que tem alguma coisa acontecendo, que extrapola o seu corpo. Eu nunca me peguei vendo meu corpo deste jeito... Eu sei que tem gente que fica assim, mas eu percebo meu corpo como uma coisa só: corpo, alma e ser. Está tudo junto. Parece que ele separa em camadas, então você vê os nervos, tem o osso e tal. Teve uma hora que estava passando o efeito, ai, eu via as flores separadas... aí, quando eu voltei, eu fiquei triste, porque parecia que o mundo tinha perdido um pouco com as flores. O ácido só intensifica as coisas... deixa as coisas como elas são... melhores ou piores.
Com certeza as imagens têm esta relação com o uso, por exemplo, com a ayahuasca. É muito evidente o que está construído na obra, inclusive esta sobreposição de planos, que foi uma experiência que eu também tive. Sobreposição de planos e de percepção... a gente está só acostumado com este plano físico, mas a percepção de outros planos, que estão, não necessariamente... talvez... sejam dimensões.
A única droga psicoativa que eu já usei, além das legais, foi maconha. E maconha você perde a noção de tempo. Você fuma e fica, sei lá, dez minutos e parece que passou uma hora. E, às vezes, as pessoas falam com você e você não ouve o que as pessoas estão
falando direito; parece que elas estão muito longe, mas ela estão perto.
Eu acho que, talvez, tinha umas obras que tinham uns pontos que apareceram destacados ou circulados e, às vezes, quando eu uso, eu sinto que algumas partes do meu corpo eu estou sentindo com mais intensidade do que as outras. Então, se eu encosto em alguma coisa que parece que tem a textura gostosa eu posso ficar durante horas sentindo só a textura e não prestar atenção no resto do meu corpo, que pode estar desconfortável.
DSC 09 Estados Não Ordinários de Consciência
DSC 09A-2 Reconhecimento de Estado Não Ordinário de Consciência – Sem uso de substância
Então, acho que qualquer coisa que você faça, seja um simples deitar no parque, para olhar no céu, você sente o aroma, a grama, você vê a lua, então tem várias coisas... acho que são as atividades onde eu mais sinto... sou assim muito natureza. É uma coisa que eu procuro fazer sempre... sempre fiz desde pequena... acho que sim... qualquer coisa que a gente vá fazer... a última é exatamente isso. Principalmente, quando eu estou muito cansada, ou com a cabeça muito estressada, eu tento trazer isso para a minha vida, entendeu? Acho que é uma hora que eu tenho realmente para entrar, ficar em transe, que é o que parece mais com a foto. Ele estava olhando o céu e é uma coisa... você vê de uma maneira diferente... você tem uma coisa com a sua vida... acho que a gente sente muito mais, lembra muito mais do que a substância, que depois passa... você esquece... também não lembra de nada. Você reza, vai para outro estado de consciência, pensa em outras coisas.... no sonho também, parece que é uma coisa irreal. Passa super rápido, mas, tipo... sua noite durou.... apesar que a gente sonha uns vinte minutos só, né? Mas parece que durou muito tempo o sonho e foi super curto. Eu sempre tento fazer pelo próprio cérebro; eu não gosto de usar nada. O estado de meditação, né? Estes outros estados sim. Porque, aí, sou eu mesmo fazendo, não tem o perigo de eu estar me destruindo, com uma coisa que pode ser tóxica. Tudo pode ser tóxico, mas, pelo menos, veio de mim. Na meditação em si, o estado que eu fico em meditação não é... não tem muita relação com esta, é mais uma parte, exatamente, da reestruturação, porque você vê que ele está meditando, mas a meditação que ele faz é exatamente se pôr no plano cartesiano, organizar o interno, colocar os chacras no lugar. Então, este tipo de meditação, que, na verdade, é uma meditação de ordenação, que eu
tenho mais familiaridade.
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