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Helsefremmende faktorer knyttet til omsorgsperson(er)

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5. Diskusjon

5.1 Helsefremmende faktorer knyttet til omsorgsperson(er)

Minha escolha por esses instrumentais metodológicos e sua utilização também trouxe para a pesquisa alguns desafios, tendo alguns deles sido repensados com o decorrer do trabalho. Um dos fatores que mais influenciou muitas dessas mudanças foi o tempo, que não se mostrou meu aliado em minha jornada. No período em que passei no Andorinha, essa questão se acirrou ainda mais, tanto pela mudança do campo quanto pela duração das vivências.

As atividades estavam acordadas para durarem uma hora e meia; contudo, esse horário, na prática, se mostrou fictício, porque as vivências nunca começavam às onze horas em ponto. Os participantes levavam algum tempo para saírem de sua última aula e para chegarem à sala onde nos reuníamos. Em conformidade, nossas atividades também terminavam, por vezes, antes do horário acordado devido ao almoço. Os funcionários responsáveis pela refeição, muitas vezes, vinham à sala, pedindo para os alunos se dirigirem logo ao refeitório, pois só faltavam eles para encerrar o almoço. Isso fez com que algumas vezes eu esperasse o final da refeição dos jovens para que pudéssemos finalizar as atividades. Com isso, na prática, as vivências tiveram, em média, duração de pouco mais de uma hora.

A alteração do campo de pesquisa também influenciou a pesquisa, porque muitas das coisas que eu havia planejado acabaram tendo que ser reconfiguradas por conta do tempo hábil para sua execução. Eu tinha que me dividir entre a escrita da dissertação, que já estava em andamento, as leituras, a organização das vivências e o trabalho de campo propriamente dito. Esse tempo apertado fez com que eu repensasse a maneira como o diário de campo tinha de ser construído, pois ficar tomando nota de tudo foi uma tarefa que não consegui fazer. Isso me levou a buscar outra forma de trabalhar com esse instrumental, pois sabia da relevância que o diário de campo teria para o trabalho. Assim, passei a fazer os diários via áudio.

Quando eu saía do Andorinha, após as atividades, ia diretamente para a minha casa, tomava banho e deitava-me na rede para relatar no gravador tudo acontecido nos mínimos detalhes. De olhos fechados, embalada pelo balanço da rede, retomava as lembranças ainda frescas, narrando cada acontecimento, impressão e sensação no gravador. No começo, senti um estranhamento, não sabia como falar, o que deveria dizer, como me portar. Tudo só melhorou quando comecei a ter para com o gravador um sentimento de parceria, de vê-lo como o ouvido atento que estava ali para me auxiliar no meu trabalho de campo. Depois disso, percebi como havia sido acertada a minha decisão de mudar a forma como o diário de

campo deveria ser registrado, retomando mais uma vez a assertiva defendida por Machado (2014) de que a metodologia de cada pesquisa deve ser pensada e executada da maneira que melhor contribua para a sua execução. Para mim, a melhor maneira de fazer e manter o diário de campo foi utilizando um gravador, pois ele atendeu à minha demanda de tempo me possibilitando manter os relatos em dia, sem deixar a desejar quanto à qualidade e à riqueza de detalhes.

A observação foi outra técnica abalada pela questão do tempo, por eu não ter conseguido atingir a completude das minhas expectativas. Ela me ajudou para que, durante as vivências, eu mantivesse os olhos atentos para o que acontecia na sala, mas acabou limitando- se apenas aos momentos das atividades e aos momentos em que chegava à escola antes das mesmas. Estar no Andorinha, durante os intervalos das aulas ou em sala, não me foi possível. Primeiro, porque não acordei isso previamente com a escola no momento das negociações, já que, na época, eu não tinha em mente que tais momentos me auxiliariam no andamento da pesquisa. Segundo, porque, por conta das outras obrigações para com o trabalho, como dito pouco acima, não pude passar muito tempo na escola além do tempo das vivências.

Com isso, não quero dizer que a técnica da observação não me auxiliou durante o processo investigativo ou que se limitou apenas ao momento das vivências, mas, sim, que foi principalmente nessas ocasiões que esse instrumental foi utilizado. Provavelmente o recurso pudesse ter sido mais bem empregado por mim, porém, no final das contas, mesmo não atingindo minhas expectativas, a observação foi de grande ajuda durante o processo da pesquisa.

Por sua vez, a utilização das imagens como material a ser analisado não se reduziu apenas às fotografias produzidas pelos participantes durante as vivências. Também foram utilizados como dados imagéticos os cartazes produzidos nos encontros que compunham o mural que foi sendo construído na escola, ao longo do processo de pesquisa, como outras imagens produzidas pelos participantes e que também foram expostas na escola. Cito como exemplo um ensaio fotográfico produzido por eles sobre o livro Iracema, de José de Alencar. Tais dados ajudaram-me a observar e a refletir sobre as concepções que os participantes trazem consigo, pois “el registro visual nos permite descobrir los modos en que el colonialismo combate, se subvierte, se ironiza, ahora y siempre” (RIVERA, 2010, p. 06). De maneira semelhante, essas fotografias me ajudaram a analisar as reflexões e ponderações construídas pelos jovens, a partir das vivências. As imagens nos oferecem interpretações e narrativas sociais, nos oferecem uma perspectiva de compreensão crítica da realidade (RIVERA, 2010).

Outra dificuldade que enfrentei durante o trabalho de campo foi com relação aos participantes, devido à flutuação de alguns deles e à “disciplina”. Quando as inscrições foram realizadas, fiz uma lista com 25 pessoas, mas, ao longo das vivências, nem sempre todos estavam presentes. Dessa forma, nossas atividades tinham, em média, de 10 a 15 jovens daqueles que estavam escritos. Com isso, abri vagas para que outros estudantes pudessem participar se estivessem interessados e isso me trouxe alguns problemas junto à escola. Muitos daqueles jovens só queriam “participar” das atividades para poderem permanecer na escola após o término da aula, o que era vetado a todos os demais estudantes do segundo ano. Contudo, esses “participantes” se utilizavam da pesquisa como desculpa para continuarem na escola para fazer outras atividades, como jogar bola. Por conta disso, fui chamada a atenção por parte da coordenação pedagógica da escola e aconselhada a ser mais rígida quanto à questão da “disciplina”. A partir dessa situação, passei a não mais permitir que os estudantes que não tinham se inscrito nas vivências participassem dela e a evitar novas querelas com a escola.

Uma ferramenta que havia adotado no início do trabalho de campo me ajudou a “controlar” quem eram ou não esses indivíduos. Durante meu primeiro encontro com os jovens, acordamos de criar um grupo no WhatsApp para nossa comunicação. Nele, além dos informes, partilhava também notícias, músicas e vídeos ligados a temática da pesquisa. Por ser apenas eu a administradora do grupo, todas as pessoas presentes ali eram adicionadas por mim, logo, apenas aqueles que me passaram seu contato no ato da inscrição o compunham. Vali-me dessa ferramenta para designar quem eram ou não os sujeitos da pesquisa, deixando de fora os que não haviam se inscrito.

Essa atitude me causou certo desconforto porque desde o principio a questão da “disciplina” me incomodou. Enquanto educadora, discordo dessas tendências que as instituições de ensino têm, pois acho que elas reforçam as hierarquias entre quem manda e quem deve obedecer. Não estou dizendo com isso que a organização não é necessária, muito pelo contrário, mas, quando se fala em disciplina, essa parece ter sempre um sentido militar, destoando totalmente de minha prática docente assim como do meu objetivo nesse trabalho. Ao fim, essa ferramenta, o grupo no WhatsApp, acabou por também me ajudar em outras questões: mesmo não sendo a intenção oficial, o grupo se configurou como um auxiliar na observação e na coleta de dados, através de algumas conversas que os jovens vinham ter comigo, de modo privado, no aplicativo.

Nesse capítulo, transito pelos caminhos da colonialidade, buscando entender melhor esse processo histórico que se inicia com a invasão das Américas e se arrasta até os dias de hoje. No primeiro tópico, farei esse dialogo através de autores que se debruçam sobre a temática, como Quijano (2000, 2006, 2010), Grosfoguel (1948, 2010) e Dussel (2010), para entender as interfaces do projeto de colonização e como, em nossos dias, ele continua vivo e pulsante. Já no segundo tópico, me deterei na questão da educação e em como a colonialidade age nesse campo social.

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