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Helsefremmende endringer etter deltagelse ved frisklivssentralen

Kapittel 5: DISKUSJON

5.2 Funn, tolkning og metodiske implikasjoner

5.2.5 Helsefremmende endringer etter deltagelse ved frisklivssentralen

Ao se conceituar mito, foge-se um pouco do da denominação de fábula, lenda, conto popular, saga e adivinha. Consoante Mircea Eliade61

, podemos dizer que o mito é a narração de uma história sagrada e verdadeira ocorrida nos primórdios do tempo, quando, com ajuda de entes sobrenaturais, uma realidade passou a existir para determinado povo. A realidade existente pode ser total, o cosmo, ou apenas um fragmento: uma pedra, um totem, um rio ou uma espécie animal ou vegetal. O mito conta ao homem algo que não era e começou a ser. Enquanto que as narrativas como a fábula, a lenda, o conto popular, a saga e a adivinha, segundo Brandão (1987:35), são “narrativas de cunho, as mais das vezes, edificante, composta para ser lida ou narrada em público e que tem o alicerce histórico, embora deformado”. Essas narrativas prezam pelo imaginário e visam à transmissão de uma experiência, de um ensinamento teórico ou com uma dosagem de moralidade. O mito não é uma fabulação vã, mas uma verdadeira codificação da sabedoria prática. Observe-se a pirâmide a seguir:

TABELA II

Píndaro, Heródoto e Platão concebem o significado do termo mythos no sentido de ficção por oposição a logos, ou seja, à história verdadeira. Em Heródoto, o termo assume

61 ELIADE, Mircea (2007). Mito e realidade. São Paulo, Perspectiva. Mito História verdadeira ocorrida no tempo primordial Intervenção de entes sobrenaturais Nova realidade: cosmoantropofania (total ou parcial)

85 também o sentido de lenda, narrativa não histórica, chegando mesmo a opor-se à verdade. É ainda consensual admitir-se que mitologias formais como as dos antigos gregos e romanos são explicações, em forma de história, do universo, por meio das histórias heróicas dos deuses.

Mythos e Logos, portanto, são, em uma concepção tradicional, antíteses. Duas formas de o espírito humano se manifestar. Enquanto Logos é a linguagem da demonstração, o Mythos é a linguagem gerada pela imaginação, a gênese.

Produto da imaginação, o mito possui uma cosmologia primitiva. Está na origem da ciência e da filosofia (por deficiência de comprovação) na tentativa de compreensão do universo e da finalidade do mundo e do homem. Segundo Cascudo, fazem parte da alma humana o sonho e o engano:

Confundimos com o real os fantasmas da vida, isto é, os produtos de nossa irrequieta fantasia. Na confusão das sombras mentais se fundam as criações mitológicas que se transmitem diversicoloridas de geração em geração através das idades. Nos meios populares mais simples os mitos evidentemente irisam-se e polimorfizam-se ao sabor da simplicidade dos núcleos a que são referidos em narrações singelas (CASCUDO, 1954:516).

O mito é criação. Brandão (1987:38) sintetiza o mito como: “a linguagem imagística dos princípios. Traduz a origem de uma instituição, de um hábito, a lógica de uma gesta, a economia de um encontro”. O objeto se cria a partir de algo inexplicável por meio de uma pergunta e de uma resposta. Jolles complementa: “é o lugar onde, a partir da sua natureza profunda, um objeto se converte em criação”. Teogonias, cosmogonias, transformações, representações do início e fim do mundo perpassam a mitologia. Gregos, germânicos, hindus são exemplos de povos que criaram uma mitologia, interrogaram o universo com desejo de descoberta. O homem faz a pergunta, o mito responde. No livro do Gênesis, o homem explica a criação do universo que ante a sua criação o interrogava.

O mito não possui outro fim senão a si próprio. Acredita-se nele ou não, à vontade, por um ato de fé, se o mesmo parece “belo” ou verossímil, ou simplesmente porque se deseja dar-lhe crédito. Assim é que o mito atrai, em torno de si, toda a parte do irracional no pensamento humano, sendo, por sua própria natureza, aparentado à arte, em todas as suas criações (BRANDÃO, 1987:14).

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No dia 14/8/08, não fui a lugar algum. Fiquei na fazenda e fiz algumas leituras e transcrições. Dessa maneira, passei alguns dias

refletindo sobre a pesquisa.

No princípio criou Deus o céu e a terra. A terra, porém, estava vazia e nua; e as trevas cobriam a face do abismo; e o espírito de Deus era levado por cima das águas.

Deus disse: Faça-se a luz. E fez-se a luz. E viu Deus que a luz era boa; e dividiu a luz das trevas. E chamou

à luz de dia e às trevas noite; e da tarde e da manhã se fez o dia primeiro. Disse também Deus: Façam-se uns luzeiros no firmamento do céu, que dividiam o dia e a noite, e sirvam de sinais dos tempos, as estações, os dias e os anos [...] E viu Deus que assim era bom (BÍBLIA SAGRADA, GÊNESIS, 1993, VS 1/18).

Na criação do mundo, a experiência e o conhecimento – que precedem todo o conhecimento – correspondem ao saber absoluto. Por meio de uma interrogação, o objeto se cria por si mesmo e manifesta-se na palavra. A força que emana do poder divino cria o cosmo com o uso da palavra profética. O objeto estático adquire movimento. Esse deslocamento denomina-se mito. O universo do caos é substituído por um novo universo. Um objeto sem significado passa a representar um evento efetivo. “Um retalho de pano colorido pode ser símbolo, desde que seja a bandeira que, sob a forma de objeto dê resposta a estas perguntas: Que partido? Que corporação? Que regimento? Que pátria” (JOLLES, 1930:108).

Para finalizar essa breve reflexão sobre o mito, gostaria de citar as passagens clássicas em que Bronislav Malinowski62 tentou demonstrar a natureza e a função do mito nas sociedades primitivas:

O mito, quando estudado ao vivo, não é uma explicação destinada a satisfazer uma curiosidade cientifica, mas uma narrativa que faz reviver uma realidade primeva, que satisfaz a profundas necessidades religiosas, aspirações morais, a pressões e a imperativos de ordem social, e mesmo a exigências práticas. Nas civilizações primitivas, o mito desempenha uma função indispensável: ele exprime, enaltece e codifica a crença; salvaguarda e impõe os princípios morais; garante a eficácia do ritual e oferece regras práticas para a orientação do homem. O mito, portanto, é um ingrediente vital da civilização humana; longe de ser uma fabulação vã, ele é ao contrário uma realidade viva,

87 à qual se recorre incessantemente; não é absolutamente uma teoria abstrata ou uma fantasia artística, mas uma verdadeira codificação da religião primitiva e da sabedoria prática (...). Essas histórias constituem para os nativos a expressão de uma realidade primeva, maior e mais relevante, pela qual são determinados a vida imediata, as atividades e os destinos da humanidade. O conhecimento dessa realidade revela ao homem o sentido dos atos rituais e morais, indicando-lhe o modo como deve executá-los” (ELIADE, 2007:23)