• No results found

Helse- en individuell opplevelse og ressurs

4. Empiri og analyse

4.2 Helse- en individuell opplevelse og ressurs

Nesta seção apresentamos uma análise das atividades presente nos cadernos da Proposta Curricular do Estado de São Paulo que tratam de algum conceito, conteúdo, reflexão acerca do tema “movimentos” dos planetas do Sistema Solar.

Nos cadernos de Ciências da Proposta que apresentam conteúdos de astronomia foram encontradas atividades que exploram os movimentos dos planetas do Sistema Solar apenas nos cadernos da 5ª e 7ª séries. Em tais cadernos, foram encontradas apenas três SAs que propõe atividades sobre os movimentos dos planetas no Sistema Solar, o que representa uma pequena parcela das SAs que tratam de temas de astronomia, cerca de 20%. Tais atividades exploram principalmente os movimentos de rotação e translação da Terra, em que, a partir destes, fenômenos relacionados a tais movimentos, como estações do ano, dia e noite, são problematizados.

Na 5ª série, 4ª bimestre, o movimento de rotação da Terra é problematizado através da SA intitulada: A rotação da Terra e a medida do tempo, que explora a identificação das regularidades do movimento de rotação através do dia e da noite, além de relacionar a existência e variação das sombras com o movimento de rotação da Terra. Já na 7ª série, encontramos duas SAs que exploram o movimento de revolução da Terra: As estações do ano e o movimento orbital da Terra e Calendários.

A SA 5 da 5ª série propõe as atividades É dia no Brasil, mas é noite na China e A Terra, por ser esférica não é aquecida por igual que exploram as maneiras como ocorrem os dias e noites associados ao movimento de rotação do planeta Terra. Tais atividades relacionam as diferenças deste fenômeno com a forma da Terra como um todo, fazendo o uso de modelos tridimensionais, com bolas de isopor e lanternas, para representar a maneira como os raios solares incidem na Terra e evidenciar a desigualdade da quantidade de luz nas proporções de nosso planeta. Além disso, tais atividades problematizam a maneira como ocorre a sombra de um aluno que esteja parado ao longo de um dia, e solicita-se que seja

52

representado o mesmo e observada sua sombra na modelização com o uso de bola de futebol ou basquete, como exemplo.

A partir desta atividade, a Proposta explora a relação entre a variação da quantidade de luz que incide no planeta ao longo de todas as regiões de sua superfície. Ao final desta situação de aprendizagem, descrita anteriormente, é proposta a construção de um relógio de Sol através de um gnômon para problematizar uma possível maneira de medir o tempo a partir das sombras de um aparato ao longo de um dia.

Em relação à 7ª série, a SA 1 denominada As estações do ano e o movimento orbital da Terra, permite relacionar os fenômenos das estações do ano ao movimento de revolução da Terra, além de relacionar este acontecimento à inclinação do eixo de rotação. Além disso, esta SA permite associar o fenômeno das estações do ano aos fatos cotidianos, como o horário de verão e a mudança de comportamento dos seres vivos devido às mudanças climáticas.

Através de uma maquete que representa a Terra, com uma bola de isopor, e seu eixo de rotação, com um espeto de pau, a atividade Um palco para o movimento da Terra ao redor do Sol: o plano da eclíptica discute o plano da órbita do movimento da Terra ao redor do Sol, a eclíptica. Esta atividade também discute a semelhança de planos das órbitas dos demais planetas do Sistema Solar, mencionando o fato de que todos os planetas descrevem planos durante seu movimento ao redor do Sol, e que estes planos estão bastante próximos do plano da eclíptica, e as inclinações dos planos de grande parte dos planetas são menores do que 4º (com exceção a Mercúrio, cujo plano da órbita está inclinado 7º em relação ao plano da eclíptica).

O movimento da Terra ao redor do Sol é associado à presença da inclinação do eixo de rotação na atividade Porque os globos são inclinados? evidenciando a presença desta inclinação na representação da Terra através do globo terrestre didático, possibilitando visualizar a região do equador, evidenciando que o plano em que se situa o equador não é paralelo ao plano da eclíptica, mas faz 23,5º com relação a este segundo plano.

Já na SA 2 da mesma série, Calendários, a partir da representação das posições da Terra e do Sol em uma cartolina e no modelo tridimensional Terra – Sol com bolas de isopor e lanternas, esta atividade simula como seria um ano pensando no movimento de translação da Terra, caracterizando as posições relativas de nosso planeta no início de cada estação.

53

Além da determinação das posições em que a Terra está em sua órbita ao redor do Sol nos primeiros dias das estações, sugere-se que seja estimada a posição de nosso planeta no 1º dia de janeiro do ano, relacionando esta posição com sua proximidade do início do verão, representado na posição do solstício de verão.

Ainda na SA 2, a definição do ano é explorada a partir dos movimentos de rotação e translação da Terra, evidenciando que o nosso planeta não leva exatamente 365 dias para realizar uma volta em torno de nosso planeta (o valor exato é 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46 segundos), o que implica no fato de não observarmos exatamente o inicio de um novo ano exatamente a meia noite dos exatos 365 dias depois de um ano anterior.

2.4. ALGUMAS CONSIDERAÇÕES

No presente capítulo apresentamos uma análise dos cadernos de Ciências do Currículo do Estado de São Paulo voltando nosso olhar para como este material propõem a construção do conhecimento da forma e movimentos dos planetas do Sistema Solar. Com esta análise, pretendemos evidenciar alguns elementos que abrangem o conhecimento acerca do tema explorado nesta pesquisa, exemplificando como este conhecimento é materializado em uma proposta didática elaborada por pesquisadores da área de pesquisa educação em astronomia.

A Proposta explora o tema planeta Terra através de atividades que avançam em relação às imagens e modelos que representam nosso planeta ao relacioná-los com o fato de morarmos em um planeta que apresenta diversas características que nos permitem habitá-lo. Os cadernos analisados propõem atividades que tratam desde o conhecimento sobre a forma esférica de nosso planeta, sua localização no espaço até a ação da atração gravitacional que atua tanto na superfície terrestre, nos puxando para o centro do planeta, quanto na interação Terra-Sol-Lua, abordando também fenômenos como estações do ano e fases da Lua.

A partir do espectro de onze situações de aprendizagem selecionadas, percebemos uma preocupação deste material em explorar a forma esférica de nosso planeta. No entanto, boa parte das atividades que tratam este tema não utiliza observações diretas de eventos astronômicos como exemplo, à visualização da incidência dos raios solares ao longo de diferentes regiões de diferentes latitudes ou então, da possibilidade de vermos a curvatura de nosso planeta através da sombra da Terra projetada na Lua durante alguns eclipses lunares. Fazendo maior uso de materiais como bola de isopor ou globo terrestre para representar a

54

Terra, a Proposta parece fazer pouco uso do fato de vivermos na própria Terra a partir de observações e fenômenos presenciados no referencial terrestre.

A localização do nosso planeta no Sistema Solar e no Universo, por sua vez, é desenvolvida por meio principalmente de atividades que simulam sua presença junto aos demais planetas em escala de distância e tamanho, mostrando que a Terra é um planeta assim como os demais de nosso Sistema Solar. No entanto, percebemos que são poucas as atividades que tratam deste aspecto com imagens de observações feitas em um referencial fora de nosso planeta, o que possibilitaria discutir sua localização no espaço como um todo.

Os cadernos analisados também tratam da gravidade terrestre e da atração Sol-Terra- Lua por meio de atividades que fazem uso de globos terrestres didáticos e bolas de isopor para representar a Terra e a Lua, e de lanternas para simular o Sol e seus raios. Mesmo tendo explorado os significados da força da gravidade terrestre, que nos possibilita morar na superfície de nosso planeta, e as relações entre a Terra e o Sol e a Lua, com fenômenos que presenciamos em nosso cotidiano, como estações do ano e fases da Lua, percebe-se que os cadernos não problematizam a localização da Terra nos diferentes modelos de mundo heliocêntrico ou geocêntrico. Em geral, as atividades encontradas partem do pressuposto de que o Sol está no centro do Sistema Solar e a Terra está atraída por ele, sem que fosse questionada a maneira como explicamos este fato atualmente, que se deve à noção de atração gravitacional.

Ao explorar aspectos dos movimentos da Terra, verificamos estratégias didáticas recorrentes, como o uso de modelos e a representação em desenhos, sendo exploradas poucas ou quase nenhuma atividade que faz uso da observação do céu, de softwares e simulações de computadores, vídeos, leitura de textos e debates em grupo. Percebe-se ainda uma grande ênfase no ato de “imaginar o modelo”, fazendo pouco uso de aspectos observáveis, sensoriais e perceptivos, como é possível explorar ao tratar das estações do ano e do dia e da noite em nosso planeta.

Embora os cadernos de Ciências da Proposta Curricular do Estado de São Paulo proponham atividades que explorem a forma e os movimentos da Terra, este material carece de atividades que explorem, problematizem e discutam de diversas maneiras a forma (não há nenhuma atividade dos cadernos de Ciência sobre este tema) e movimentos dos demais planetas.

55

Ainda que os cadernos de Ciências da Proposta Curricular do Estado de São Paulo careçam de algumas atividades e, dentre outros fatores, não se sabe por quanto tempo ela permanecerá no Currículo do estado de São Paulo, os cadernos analisados parecem constituir um material diferenciado na proposta do tema “planeta Terra”, no que se refere a explorar a forma, seus movimentos e características espaciais de nosso planeta, propondo assim o ensino de características importantes apontadas pelas pesquisas em ensino de Astronomia.

56

C

APÍTULO

3

C

ONCEITOS DE

F

ORMA E

M

OVIMENTOS DOS PLANETAS DO

S

ISTEMA

S

OLAR

:

UMA VISÃO FÍSICA E HISTÓRICA

Neste capítulo apresentamos uma reflexão sobre o significado dos conceitos de forma e movimentos dos planetas do Sistema Solar, buscando esclarecer o que entendemos por estes conceitos tanto na perspectiva física e astronômica, quanto na perspectiva histórica.

O principal objetivo de enunciar uma explicação mais ampla e detalhada dos conceitos de forma e movimentos dos planetas é fornecer elementos para uma compreensão menos dogmática das afirmações: os planetas são esféricos e se movimentam em torno do Sol e em torno de si mesmos. Acreditamos que explicitar os significados destes conceitos poderá contribuir para uma explicação mais completa e sofisticada destes conceitos e que na formação de professores possa contribuir para um conhecimento mais crítico em relação a estes conceitos.

Inicialmente, apresentamos na seção 3.1 estes conceitos a partir das perspectivas física e astronômica, visando explicitar os argumentos que envolvem a forma e os movimentos da Terra usando explicações à luz das explicações físicas e astronômicas.

Na seção 3.2 apresentamos esta discussão ao longo da história da ciência, partindo de estudos feitos por historiadores da ciência sobre os problemas da forma e dos movimentos dos planetas do Sistema Solar, principalmente no período da Grécia antiga, com Aristóteles e Platão, até meados do século XVII, com a ideia de atração gravitacional de Newton e do movimento relativo enunciado por Galileu, dentre outros personagens.