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6.4 Noen veier til økt kunnskap

6.4.6 Helhetlig undervisning

Depois de dar forma ao “beiço” e às “asas” do vaso, este permanece secando à sombra por um período de tempo cuja duração varia segundo as condições climáticas (mais demorado na estação chuvosa), mas que geralmente se situa entre 24 a 48 horas. O local de secagem é o mesmo recinto em que os vasos são modelados, na residência do “loiceiro”, que pode aproveitar esse período de secagem para realizar o acabamento final (pós-secagem) em outros vasos anteriormente “armados”, ou pode ainda cuidar de suas tarefas agropecuárias e domésticas, se for o caso (Figura 16 a,b).

Quando julga que o vaso está suficientemente seco, o “loiceiro” volta a aplicar- lhe tratamentos de superfície, que se diferenciam conforme os implementos e o modo de operação: “rapar”, “grosar”, “alisar”, “passar a pá”, “tapar buraco” e “arrancar pedras”. Para “rapar”, usa uma “aspa de ferro de barril de água”, com a qual fricciona externamente o vaso (“para afinar a panela”), tirando o excesso de barro e as “pedras” remanescentes32. Durante essa operação, formam-se várias depressões (“buracos”) na superfície externa, devido à presença de bolhas de ar, ou à retirada de pedras. Uma mão permanece dando apoio por dentro da panela, enquanto a outra faz a operação de “rapar” externamente (Figura 17a,b).

O trabalho de “grosar” também é feito sobre a superfície externa, visando a “tapar os buracos” formados por bolhas e pedras. Isto é feito aproveitando, em parte, o excesso de barro retirado ao “rapar” o vaso. Usa-se para tanto uma “grosadeira”, que também se faz com “aspa de ferro de barril de água”, operando com as duas mãos na superfície externa da vasilha (Figura 17c,d; 18a). A “aspa” metálica usada para “rapar” é parecida com a de “grosar”, pois ambas são feitas do mesmo material. A diferença é que a “aspa de rapar” é mais estreita e carcomida, por ser usada numa operação mais grosseira que a “aspa” grosadeira. A operação de “rapar” implica em extração de pedras e lascas de barro, e produz uma superfície com

32 Um implemento metálico semelhante também é usado entre ceramistas de El Cercado (La Gomera, Canárias), para dar acabamento em vasos, como informou CABRERA-GARCÍA (1996): “a parede de vasilha é desbastada com um pedaço de arco desses que se usa para reforçar as barricas de vinho”.

saliências e depressões indesejáveis, sendo necessário fazer ajustes (“grosar”) para reduzir essas irregularidades.

O “loiceiro” ainda “alisa” externamente, com “alisadeira”, sendo esta feita de um ramo seco, que pode ser de pereiro (Apocynaceae) ou também de marmeleiro (Croton sp). Pode alisar também diretamente com os dedos. As operações de “rapar”, “grosar” e “alisar” representam, nesta ordem, níveis crescentes de refinamento da superfície exterior e podem também servir para diminuir assimetrias no formato do vaso (Figura 18b). Além dessas operações, também se “passa a pá” internamente, com pá de “caco de cuia” (cuité), diminuindo asperezas e “tapando buracos” no interior do vaso. A superfície convexa da “pá” é pressionada contra o interior côncavo do vaso (Figura 18c,d).

Finalmente, o “loiceiro” deve “fazer o assento”, que consiste em dar uma forma plana ao fundo do vaso, bastando para isso pressionar levemente a base do vaso contra uma superfície plana, que pode ser a mesma tábua já usada para apoiar a vasilha durante a modelagem (Figura 18e). Feito isto, o vaso é deixado novamente secando à sombra, por 24 a 48 horas, após o quê já estará virtualmente pronto para ser queimado ao forno (Figura 18f). Opcionalmente, aplica-se um revestimento com “toá” (petroplintita) dissolvido em água, após esse segundo período de secagem, imediatamente antes da cocção. Aplica-se o “toá” por meio de um simples banho sobre o “beiço” (Figura 19a), ou de um engobo sobre toda a superfície externa no vaso (Figura 19b). Neste último procedimento, que é usado menos freqüentemente que o primeiro, é necessário “alisar” novamente a superfície com um “xêxo” (seixo de quartzo rolado) coletado no Rio da Pia (Figura 19c). Mesmo quando não se aplica o “toá”, seixos podem ser usados para brunir (“alisar”), principalmente na confecção de tigelas e assadeiras (Figura 19d).

A aplicação de óxidos de ferro sobre a superfície de vasos cerâmicos crus tem sido usada também entre indígenas brasileiros, pois uma índia Kaingang paulista observada por MILLER JÚNIOR (1978) “esfregou a superfície de uma das tigelas secas com um pedaço de hematite (sic), produzindo uma coloracao vermelha irregular depois da secagem”. Também em La Gomera (Canárias), as “vasijas de loza” são comumente revestidas com uma solução de “almagre”, que é “esse barro muito mais vermelho [comparativamente ao barro usado para formar o corpo dos vasos], pela maior quantidade de óxidos de ferro que contém, e mais fino, que dissolvido em água forma uma espécie de mingau” (CABRERA-GARCÍA, 1996). De modo geral, não se usam na Pia métodos de pintura propriamente dita (pós cocção) das vasilhas. A utilização de pigmentos de origem vegetal, como ocorre entre comunidades

indígenas (LIMA, 1987; RIBEIRO, 1988) e suburbanas (CARMO et al., 1997) de outras regiões brasileiras, não foi observada na Pia.

Figura 16. (a,b) uma mesma “loiceira” usando solo como recurso cerâmico e agrícola na Chã da Pia.

Figura 17. “Loiceira” confeccionando panela na Chã da Pia (tratamentos de superfície): (a,b) “rapando”; (c,d) “grosando”. Em ambas as operações usam-se implementos metálicos (“aspas”). Para “rapar”, uma mão permanece dando apoio por dentro da panela, enquanto a outra opera externamente (a,b), enquanto para “grosar” trabalha-se com as duas mãos na superfície externa da vasilha (c,d).

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Figura 18. “Loiceira” confeccionando panela na Chã da Pia (tratamentos de superfície): (a) “tapando buracos”; (b) “alisando”; (c,d) “passando a pá”; (e) “fazendo o assento” (pressionando a base do vaso contra uma superfície plana); (f) vasos secando à sombra (f). O implemento usado para “alisar” é feito de pereiro (Apocynaceae) ou marmeleiro (Croton sp), enquanto a “pá” é de cuité (Cucurbitaceae). Foto (f) por Louanna Furbee.

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Figura 19. “Loiceiros” confeccionando vasos na Chã da Pia (tratamentos de superfície): (a,b) aplicação parcial e integral de solução aquosa de “toá” (petroplintita); (c,d) uso de seixos de quartzo rolado (setas) para engobar e brunir.

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