B. FISKET I 1995 SAMMENDRAG SAMMENDRAG SAMMENDRAG
4. RESULTATER ETTER DRIFTSFORM
3.2 Helårsdrevne reketrålere Kystreketrålere. Kystreketrålere
Primeiramente, compreendemos o papel da linguagem em relação ao trabalho, conforme proposta de Nouroudine (2002). Tomando por base Grant Johnson e Caplan (1979) e Michele Lacoste (1995), Nouroudine (2002, p. 17) ressalta que a relação trabalho/linguagem configura-se em três modalidades ou em três “práticas linguageiras”: a “linguagem sobre o trabalho”, a “linguagem no trabalho” e a “linguagem como trabalho”. Conforme o autor salienta, a complexidade do trabalho se encontra dentro da linguagem em sua totalidade, no entanto, tal complexidade se traduz diferentemente de acordo com os três modos expostos anteriormente. Como Nouroudine (2002, p. 18) afirma, “os três aspectos da linguagem estão em estreita ligação como práticas linguageiras na situação de trabalho considerada de maneira global, porém cada um deles apresenta problemas de ordem prática e epistemológica bem distintos”. Por outro lado, isso permite-nos identificar mecanismos de funcionamento da relação trabalho/linguagem. O autor acredita que, por meio de um estudo desses aspectos da linguagem, possamos focar melhor os elementos constitutivos do trabalho, dentre os quais está a linguagem.
Segundo Nouroudine (2002, p. 22), a linguagem no trabalho seria “uma das realidades constitutivas da situação de trabalho global na qual se desenrola a atividade”. Além disso, Nouroudine (2002, p. 24) ressalta que “a linguagem no trabalho pode veicular conteúdos de natureza variada, às vezes, distanciada da atividade executada pelos atores em seu coletivo” de trabalho. Um exemplo disso seria uma atividade de interação entre professor e outros colegas profissionais ao conversar sobre a vida pessoal de um ou de outro, sobre problemas da política atual, assuntos estes que fazem parte da linguagem no trabalho, favorecendo trocas na situação de trabalho. Com isso, o autor defende que a linguagem no trabalho corresponde ao que é constitutivo da situação.
A linguagem como trabalho é quando ela é o próprio trabalho, funcionando como parte legitimada da atividade. Com base em Teiger (1995, p. 67), Nouroudine (2002, p. 19) aponta uma hipótese de que a linguagem integra aspectos estratégicos nas situações de trabalho como “fala para si e fala ao outro, para o outro, centrada essencialmente aqui nos desafios da realização do trabalho e da existência da
identidade pessoal dentro e pelo grupo”, atividades essas que são denominadas de “atividades linguageiras”. De acordo com o autor, essas falas no trabalho são estratégicas, ou seja, voltadas para um objetivo, sendo narráveis ou comentáveis. Assim, para entendermos melhor a linguagem como trabalho, Nouroudine (2002, p. 20) sugere dois níveis de linguagem, a saber, de um lado, “os gestos, as falas, que o protagonista utiliza ao se dirigir a seus colegas envolvidos em uma atividade executada coletivamente”; de outro, “as falas que o protagonista do trabalho dirige a si próprio para acompanhar e orientar seus próprios gestos no momento mesmo em que trabalha”. Desse modo, de acordo com o autor, teríamos dois níveis de linguagem como trabalho, as formas de linguagem dirigida ao coletivo e as falas dirigidas a si.
Segundo Nouroudine (2002), a linguagem como trabalho não é somente uma dimensão, dentre outras, mas é revestida de uma série de dimensões. Nessa perspectiva, a linguagem é: econômica, por ser utilizada como meio de gestão do tempo de trabalho; social, considerando a teoria do enunciado de Bakhtin ao postular que “o enunciado é construído entre duas pessoas socialmente organizadas” e que “o discurso é orientado para o interlocutor, orientado ao que este interlocutor representa” (NOUROUDINE, 2002, p. 21). Assim, como Nouroudine (2002, p. 21) enfatiza, “a interação entre o locutor e o interlocutor torna a linguagem fundamentalmente social, integrando, ao mesmo tempo, a coesão e o conflito”. Desse modo, a linguagem permite travar e manter relações sociais entre parceiros nas situações de trabalho. A terceira e última dimensão da linguagem é a ética, que, de acordo com Nouroudine (2002), leva em conta o fato de que a atividade é atravessada por saberes, valores, entre outros aspectos, e que, no caso das situações de trabalho, devemos considerar a linguagem como parte da atividade em que se cruzam constituintes fisiológicos, cognitivos, subjetivos, sociais, entre outros, de modo complexo tornando a linguagem uma marca distintiva de uma experiência específica em relação a outras. Assim, o autor ressalta que a linguagem como trabalho é constitutiva da atividade.
A linguagem sobre o trabalho, diz respeito a uma motivação em falar sobre o trabalho como, por exemplo, por exigências da equipe ou da empresa, ou quando, entre colegas, evoca-se o trabalho para comentá-lo ou avaliá-lo (LACOSTE, 1995). Esse aspecto da linguagem sobre o trabalho, segundo Nouroudine (2002) não seria, portanto, exclusividade do pesquisador, pois devemos levar em conta “quem fala”,
“de onde se fala”, “quando se fala” para compreendermos a validade e pertinência da linguagem sobre o trabalho. O autor apresenta-nos um questionamento importante, que tem relação com a nossa pesquisa, pela seguinte pergunta: “Os protagonistas do trabalho falam do trabalho?” Conforme o autor exemplifica, há uma situação em que geralmente se fala sobre a própria atividade, que é quando os saberes são transmitidos em um coletivo de trabalho, como no caso de uma equipe ou empresa, por exemplo, ou em relações pessoais, como na família ou entre amigos. Com isso, o autor sugere que falar do próprio trabalho, descrevendo-o em suas minúcias para compreender melhor esse agir, pode ser uma atividade pouco desenvolvida. Diante disso, reconhecemos uma possibilidade de contribuição da nossa pesquisa para o desenvolvimento do professor no trabalho ao (re)construir esse trabalho pela linguagem, mais especificamente, pela linguagem sobre o trabalho.
No caso do trabalho docente, a linguagem sobre o trabalho pode ocorrer tanto nos momentos de preparação de aulas ou nos momentos posteriores às aulas, como nos momentos de elaboração ou correção de avaliações. Com isso, marcamos o aspecto de linguagem principal utilizado em nossa pesquisa, que é a linguagem sobre o trabalho”, tanto em relação à do protagonista do trabalho quanto à do pesquisador.
Além disso, Nouroudine (2002, p. 28) levanta a hipótese de que se realmente existe pelo menos duas linguagens sobre o trabalho, de um lado, a dos protagonistas do trabalho, e, de outro, a dos pesquisadores, a pesquisa de uma linguagem sobre o trabalho pode passar “pela realização de um processo dialógico e dialético em que as duas linguagens se confrontarão para ‘co-elaborar’ uma linguagem sobre o trabalho de um novo gênero”. Isto pode levar à de (re)construção das relações entre as práticas linguageiras no interior da formação linguageira do trabalho (BOUTET, 1995).
A seguir, apresentaremos os procedimentos que podem ser utilizados para analisar o agir humano e as figuras interpretativas construídas sobre ele nos textos.