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Heavy metals in precipitation

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5 Conclusion for organic contaminants

6.1 Heavy metals in precipitation

No final do século XIX e grande parte do século XX, na linha do pensamento que mitifica a importância dos avanços tecnológicos das sociedades ocidentais (Nisbet, 1986, 1994), a sociologia adoptou o pressuposto, pelo menos implicitamente, que o desenvolvimento tecnológico, o crescimento económico e o progresso seriam as soluções para o desenvolvimento das sociedades.

As mudanças na forma e no espaço em que as pessoas viviam, especialmente os processos de industrialização e de urbanização e o distanciamento da agricultura, reforçaram a noção de que as sociedades modernas se estavam a tornar cada vez mais independentes do seu ambiente biofísico. De facto, nas sociedades industrializadas criou-se a ideia de que o ambiente era uma fonte inexorável de recursos naturais e que os humanos podiam manipulá-lo e controlá-lo para responder às suas necessidades. Dunlap (2002) caracteriza estas perspectivas como um “paradigma antropocêntrico, tecnologicamente optimista e profundamente anti-ecológico”.

O insucesso dos modelos de crescimento económico e o reconhecimento do carácter multidimensional do desenvolvimento, deu origem à procura de novos modelos capazes de integrar as dimensões económica e social, mas também a ambiental.

O conceito de desenvolvimento sustentável surgiu com o reconhecimento de que o ritmo e intensidade da utilização dos recursos naturais era superior à sua capacidade de regeneração da natureza, pelo que no futuro, a sua utilização estaria ameaçada.

No processo de sensibilização mundial e de tomada de consciência sobre a degradação ecológica existiram quatro marcos fundamentais: o Relatório do Clube de Roma, nos anos setenta, as Conferências das Nações Unidas sobre o ambiente em 1972 e 1992 e o Relatório Brundtland em 1987 (WCED, 1987), que divulga amplamente o conceito de desenvolvimento sustentável. As questões ambientais tornaram-se um dos temas dominantes das agendas políticas e das preocupações sobre a sobrevivência humana e do planeta a longo prazo.

O conceito de desenvolvimento sustentável pressupõe que se equacione a forte ligação entre economia e ambiente (Tietenberg, 2000). De facto, a utilização dos recursos naturais baseou-se em modelos de desenvolvimento que assentavam em princípios de expansão industrial e, neste processo, o crescimento económico assenta na extracção, transformação e consumo dos recursos naturais. O ambiente fornece à economia as matérias-primas, que são transformadas em produtos de consumo pelo sistema de produção, e a energia, que permite esta transformação. Por último, estas matérias- primas e a energia voltam ao ambiente sob a forma de resíduos ou poluição

O facto de os recursos serem um bem escasso e a capacidade da Terra para absorver os resíduos e a poluição ser limitada, obriga os decisores a medidas de gestão ambiental que procurem equilíbrios entre as dimensões económica e ambiental (Carley, 1993). Simultaneamente, o aumento do conhecimento científico sobre os limites da capacidade de carga dos ecossistemas13 torna evidente a necessidade de reduzir, através de políticas

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O conceito ecológico de capacidade de carga é definido por Catton (1983) como a quantidade de utilização (de um determinado tipo) que um ambiente particular pode suportar, ano após ano, sem a degradação da sua sustentabilidade para essa utilização. Assim, a capacidade de carga consiste numa relação multidimensional entre ambientes e utilizadores, ou seja, a definição de capacidade de carga implica a dimensão do impacte per capita, a dimensão da “deficiência ambiental”, a “dimensão temporal” e a “dimensão da degradação”. Este conceito é, segundo Catton, fundamental para compreender a relação entre o ambiente e os seus utilizadores, pressupondo que o ambiente é finito e que utilizadores e utilizações se multiplicam. Assim, capacidade de carga significa a extensão pela qual o ambiente pode tolerar um dado tipo de utilização por um dado tipo de utilizador. Caso haja uma sobre-utilização, o

efectivas, os padrões de consumo e de adoptar práticas de conservação dos recursos naturais (Bartelmus, 1999).

As críticas radicais aos modelos de desenvolvimento economicistas têm influenciado o pensamento contemporâneo dominante. O desenvolvimento sustentável pressupõe a defesa de um modelo de desenvolvimento baseado em padrões de produção e consumo que se possam manter no futuro, sem degradar o meio ambiente e humano. Assim, há uma descolagem da abordagem centrada no crescimento económico, para outra que dá mais atenção ao desenvolvimento social e ambiental.

A adopção do princípio de desenvolvimento sustentável, segundo o qual o aumento do rendimento per capita é apenas um entre muitos objectivos, obriga a que as mudanças se façam no sentido da melhoria das condições de saúde e das oportunidades educativas, da possibilidade, aberta a todos, de participação na vida pública, da garantia de uma administração eficiente e honesta, da salvaguarda do ambiente e da equidade intergeracional (World Bank, 2000:13).

Para Becker (1997), o conceito de desenvolvimento sustentável assenta ainda na definição de “problemas socialmente orientados”, incluindo não apenas as questões da eficiência económica, mas também questões de justiça social e regulamentação política. Este autor considera que o desenvolvimento sustentável deve ser compreendido como uma “contra-posição” conceptual à modernização. Ou seja, contrastando com a teoria da modernização, a ideia de desenvolvimento sustentável “…emphasizes the diversity of societal paths of development, depending on their particular cultural or political as well as their ecological starting points…” (Becker, 1997:10).

Todavia, as formas de atingir este objectivo não são consensuais. Enquanto muitos autores vêem o desenvolvimento sustentável como uma base para um equilíbrio genuíno entre crescimento económico e valores ambientais, muitos ambientalistas, como Paelke (1999), consideram-no pouco mais que uma cobertura política para práticas ambientais de outro modo inaceitáveis. Todavia, Paelke reconhece que a introdução da noção de desenvolvimento sustentável foi positiva como uma forma de rejeição da ideia, preconizada nos anos setenta, segundo a qual o modelo de crescimento económico “zero” era desejável e até inevitável, especialmente a longo prazo. Este autor evidencia ambiente perde a capacidade de uso. Inevitavelmente a sobre-utilização de um ambiente no passado e no presente altera as oportunidades de uso futuro e por isso muda o comportamento futuro.

que as restrições económicas, pelo menos em alguns contextos, podem aumentar mais do que reduzir a degradação ambiental e que o crescimento económico fornece simultaneamente custos e oportunidades ambientais.

Ao contrário das ideias preconizadas pelo Clube de Roma, o conceito de desenvolvimento sustentável pressupõe que um crescimento económico “zero” pode ser tão prejudicial para o ambiente como o crescimento económico descontrolado, introduzindo a ideia de que a luta contra a pobreza, pela justiça e pela qualidade de vida são objectivos essenciais para assegurar a sustentabilidade económica, social e ambiental.

Esta questão é particularmente importante para o objecto de estudo desta dissertação, já que a melhoria das condições económicas e sociais de uma população implicam sempre romper com a ideia de “crescimento económico zero”14.

Do mesmo modo, segundo Pearce e Warford (1993), para atingir os objectivos do desenvolvimento sustentável é necessário ter em conta que o crescimento económico deve continuar a ser um objectivo legítimo dos governos nacionais e da comunidade mundial. No entanto, é evidente que os antigos modelos de crescimento económico não eram sustentáveis, uma vez que não consideravam adequadamente os constrangimentos ambientais e dos recursos naturais.

Apesar dos consensos, o conceito de desenvolvimento sustentável não escapa à ambiguidade inerente ao termo desenvolvimento, que significa um modelo de sociedade, isto é, a generalização de padrões de sociedade construídos pelos países ocidentais (Lourenço, 2001). Neste sentido, o desenvolvimento depende, também, dos juízos de valor dos actores quando percepcionam a realidade social. Daí que os debates sobre desigualdade e desenvolvimento sejam, frequentemente, disputas ideológicas que envolvem escolhas políticas e económicas.

Para tentar ultrapassar estas questões, e sem rejeitar a noção de desenvolvimento sustentável, alguns autores sugerem o uso de sustentabilidade, como um conceito que não carrega uma carga política tão forte (Paelke, 1999).

Sachs (1995) apresenta uma interessante contribuição para a discussão da sustentabilidade. A sua abordagem distingue a sustentabilidade ambiental e social em

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termos de “fora” e “dentro” dos limites da sociedade. Para Sachs, enquanto a sustentabilidade ambiental está ligada aos limites biofísicos das actividades sociais, a sustentabilidade social está ligada à organização interna das sociedades individuais, assim como à comunidade mundial como um todo.

Todavia, sustentabilidade é ainda um conceito complexo e difícil de definir de forma precisa; tal como o de desenvolvimento sustentável, também aquele pode ser considerado equívoco, podendo ser definido de variadíssimas maneiras15. De facto, segundo Hannigan (1995), o que pode ser sustentado é apenas o que as forças políticas e sociais, num determinado alinhamento histórico, definem como aceitável. Redclift (1992) e Lele (1991) salientam que a noção de desenvolvimento sustentável pressupõe que a sustentabilidade não é um processo linear e que não pode ser aferida por um modelo de desenvolvimento único e universal.

Nash (ob. ct. por Redcliff e Woodgate, 1994) critica igualmente a visão do desenvolvimento como um processo linear, que aumenta cumulativamente ao longo do tempo. Na verdade, ele é qualitativo, correspondendo a concepções das necessidades humanas que estão em mudança. O autor critica também a perspectiva altamente etnocêntrica do desenvolvimento, que é difundida pelos valores e sociedades Europeias e Norte Americana. Ora, nem todas as culturas valorizam o desenvolvimento da mesma forma; elas variam de sociedade para sociedade e mesmo nos diferentes segmentos sociais de cada uma. Além disso, nem em todas as sociedades há um aumento da apreciação da natureza com o crescimento económico.

Esta perspectiva critica a transposição de modelos de gestão ambiental, de forma automática, de países do Norte para o Sul (Redcliff e Woodgate, 1994). No mesmo sentido, Lourenço (2001) salienta que a equidade associada à noção de desenvolvimento sustentável surge em duas perspectivas: a equidade intergeracional e a equidade entre países e regiões com níveis de desenvolvimento diferenciados, onde a questão da pobreza adquire particular importância.

Actualmente existe um acordo generalizado de que a noção de desenvolvimento sustentável representa um avanço teórico e conceptual indiscutivelmente positivo e um contributo valioso para a análise do crescimento económico e do desenvolvimento. As

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Sobre esta questão, Munro (1995) defende que a sustentabilidade deve ser o principal critério para julgar o desenvolvimento.

principais razões da importância deste conceito devem-se ao facto de introduzir a ideia de uma forte ligação entre crescimento económico e o ambiente/recursos naturais. Lourenço (2001) salienta ainda o facto do desenvolvimento sustentável reconhecer que esta relação é complexa, e que deve considerar as dimensões económica, social e ambiental da sustentabilidade, e simultaneamente, a necessidade de conciliar os conflitos entre estas dimensões.

Deste modo, o desenvolvimento sustentável exige uma abordagem integrada e interactiva que permita a compreensão das relações complexas entre sociedade e natureza (Lourenço, 2001). Interessa por isso ver quais as principais contribuições da sociologia a esse nível. A seguir privilegiar-se-ão as perspectivas teóricas e metodológicas que respondam às exigências da construção de uma abordagem integrada e interactiva entre os sistemas sociais e naturais. Para tal, abordam-se autores clássicos e contemporâneos que definiram um conjunto de conceitos capazes de constituir um suporte teórico para compreender as relações humanos-meio.

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