• No results found

4 Wind Energy Potential 19

5.5 Heat Pump System (Phase II)

Enquanto arquitecto-chefe do faraó Djoser (r. 2667-2648 a.C.) da III dinastia, tornou-se conhecido pela construção da Pirâmide de Degraus.198 Tendo sido também

193 Vd. Von LEIVEN, A., op. cit., p. 3.

194 Vd. RAUE, D., “Sanctuary of Heqaib” in WENDRICH, W. (ed.), op. cit., 2014, pp. 1-15 e SHAFER, B. (ed.), Religion in Ancient Egypt. Gods, myths, and personal practice, Ithaca-London, Cornell University Press, 1991, p. 57.

195 Durante uma viagem ao Egipto em 130 d.C., Antínoo ter-se-á sacrificado como forma de salvar o imperador Adriano da desgraça, atirando-se ao rio Nilo e afogando-se. O imperador manda, então, fundar uma cidade em sua honra no local dos acontecimentos, instituindo-lhe culto na qualidade de herói. De acordo com alguns autores, a morte de Antínoo ocorreu num dia em que se celebrava um festival de Osíris, o que levou Adriano a promover o culto do seu companheiro na qualidade de Osíris encarnado. Cf. FOX, T. E., The cult of Antinous and the response of the Greek East to Hadrian’s creation of a god [BA Thesis], Ohio, Ohio University, 2014; DAVID, R. & DAVID, A. E., A biographical dictionary of Ancient Egypt, s.l., Taylor & Francis, 2003, p. 20; SETHE, K., op. cit., p. 651.

196 Cf. SALES, J. das C., As divindades egípcias. Uma chave para a compreensão do Egipto Antigo, Lisboa, Editorial Estampa, 1999, p. 375.

197 Vd. Von LEIVEN, A., op. cit., p. 4.

198 Esta é considerada a construção monumental de pedra mais antiga da História da Humanidade. Vd. WILKINSON, R. H., The complete gods and goddesses of Ancient Egypt, London, Thames & Hudson, 2003, p. 111.

51

sumo-sacerdote de Ré em Heliópolis199, “ (…) Imhotep era considerado sábio em todas

as ciências do seu tempo, da astronomia à arquitectura, passando pela literatura e pela medicina.”200 A sua ligação à sabedoria e ao ensino valeu-lhe uma associação ao deus

Tot, também ele vinculado à escrita e ao conhecimento em geral.201 Por outro lado, esta

relação levou a que Imhotep fosse representado à maneira dos escribas, como um homem careca ou com um toucado justo, usando um saiote e sentado com um pedaço de papiro assente no regaço.202 Esta representação, para além de transmitir a ideia de sabedoria e

conhecimento, sublinha, de igual modo, a função de sacerdote e da ligação de Imhotep com o deus Ptah.203

Este homem, que viveu durante o Império Antigo, começou a ser venerado no Império Novo, não tendo sido encontrados vestígios da prática de um culto à sua figura no período compreendido entre a sua morte e o início da XVIII dinastia204. A partir de

então, foi-lhe atribuída a autoria de vários textos, sendo mencionado no Papiro de Chester Beatty IV na qualidade de grande escriba.205 O seu nome surge também no Cânone de Turim, lado a lado com o de faraós, onde se diz que é filho de Ptah.206 Na Época Baixa,

esta veneração evoluiu para uma deificação, tendo como principais centros Mênfis e Sakara.207

O culto a Imhotep tornou-se mais expressivo a partir do Período Greco-Romano e a sua reputação como sábio e curandeiro sobreviveu até à invasão árabe do Norte de África, no século VII d.C.208 Foi cultuado um pouco por todo o território egípcio, em

várias capelas e templos que lhe foram dedicados, sendo os principais centros do seu culto Sakara, Filae e Tebas. Estes locais eram visitados por peregrinos, que aí pernoitavam com o objectivo de serem curados das suas doenças ou de entrarem em contacto com o ser

199 Vd. JOSEPHSON, J. A., “Imhotep” in REDFORD, D. B. (ed.), op. cit., vol. 2, p. 151.

200 SALES, J. das C., op. cit., pp. 375-377. A sua forte associação à medicina resultou na identificação com Asclépio, deus da medicina, pelos Gregos. Para saber mais sobre a medicina durante o Período Ptolomaico, consultar LANG, Ph., Medicine and society in Ptolomaic Egypt, Leiden-Boston, Brill, 2013.

201 Cf. WILKINSON, R. H., op. cit., p. 112.

202 Vd. SALES, J. das C., op. cit., p. 377 e WILDUNG, D., op. cit., p. 39, figs. 28 e 29. Veja-se, ainda, WILKINSON, R. H., Reading Egyptian Art. A hieroglyphic guide to Ancient Egyptian painting and sculpture, London, Thames & Hudson, 1992, p. 15.

203 Sendo esta última simbolizada pelo toucado. Cf. WILDUNG, D., op. cit., p. 43. 204 Sobre esta questão, ver Idem, p. 34.

205 Vd. Idem, p. 35. 206 Vd. Idem, pp. 35 e 38.

207 Cf. JOSEPHSON, J. A., op. cit., pp. 151-152; WILDUNG, D., op. cit., p. 39. 208 Cf. Idem, p. 78 e JOSEPHSON, J. A., op. cit., p. 152.

52

deificado através de sonhos.209 No Período Ptolomaico, o culto a Imhotep chegou até à

Núbia, sendo-lhe construído um pequeno santuário em Debod. Não obstante, este não foi alvo de uma grande adesão popular, não tendo sido difundido de forma expressiva pelo território.210 A sua fama enquanto deus curandeiro levou a que os crentes a si recorressem

para resolver problemas relacionados com a fertilidade e a protecção das crianças.211

O culto a esta figura parece ter sido feito sobretudo pelas classes mais elevadas da sociedade, uma vez que as estátuas que lhe são dedicadas são, na sua maioria, peças de grande qualidade. No mesmo sentido, nota-se que os indivíduos que mandavam dedicar estátuas a Imhotep eram geralmente homens letrados e ligados às actividades patronizadas por este.212 Uma dessas estátuas contém na base213 um calendário de seis

festividades alusivas a fases da vida de Imhotep: “(…) his birth as son of Ptah and Khereduankh, his presentation in front of Ptah and Sachmet, the defeat of the Asiatics by Sachmet (…), his illness and death, mummification, and his apotheosis and proclamation as a god.”214

A figura de Imhotep enquanto grande sábio foi amplamente utilizada na produção literária e na mitologia egípcias. Na literatura, Imhotep surge, provavelmente215, no

primeiro conto de Rei Khufu e os Mágicos, bem como numa composição do Período Greco-Romano, que Kim Ryholt advoga ser uma versão egípcia do género literário grego das vidas, e no qual são relatadas as aventuras de Imhotep e do faraó Djoser.216 Na

209 Vd. WILKINSON, R. H., The complete gods and goddesses of Ancient Egypt, pp. 112-113. Sobre os sonhos no Antigo Egipto sugerimos a leitura de SAUNERON, S., “Les songes et leur interpretation dans l’Égypte ancienne” in Les songes et leur interpretation, Sources Orientales 2, Paris, Seuil, 1959, pp. 17-61 e, ainda, SZPAKOWSKA, K., “The open portal: Dreams and divine power in pharaonic Egypt” in NOEGEL, S. et al (ed.), Prayer, magic, and the stars in the Ancient and Late Antique World, Pennsylvania, The Pennsylvania State University Press, 2003, pp. 111-124.

210 Cf. WILDUNG, D., op. cit., pp. 72-74.

211 Cf. Idem, pp. 43-46 e RAY, J., Reflections of Osiris. Lives form Ancient Egypt, New York, Oxford University Press, 2002, p. 18.

212 Vd. WILDUNG, D., op. cit., p. 46.

213 Parte que se encontra actualmente no Museu Britânico. Para mais informações acerca desta peça, recomendamos a leitura de GAUTHIER, H., “Un noveau monument du dieu Imhotep” in BIFAO 14, 1918, pp. 33-49. Este artigo, embora centenário, revela-se bastante interessante, uma vez que o autor admite existir uma cisão entre os Egiptólogos da sua época relativamente à figura de Imhotep. Alguns estudiosos consideravam que Imhotep era um faraó arquitecto da V dinastia. Já o autor posicionava-se de acordo com os académicos que defendiam que se tratava de uma figura histórica que tinha sido promovida à categoria de herói, durante o Império Novo, e que mais tarde foi deificado.

214 WILDUNG, D., op. cit., p. 50.

215 Teremos oportunidade de esclarecer esta questão no subcapítulo seguinte.

216 Vd. RYHOLT, K., “The life of Imhotep (P. Carlsberg 85)” in WIDMER, G. & DEVAUCHELLE, D. (eds.), Actes du IXe congrès international des études demotiques. Paris, 31 août – 3 septembre 2005, IFAO, 2009, pp. 305-315 e RYHOLT, K., “Late Period literature” in LLOYD, A. B. (ed.), A companion to Ancient Egypt, vol. 2, Willey-Blackwell, s.l., 2010, p. 716.

53

mitologia, vemos Imhotep como um dos participantes do ciclo mítico representado nas paredes do templo de Edfu, ocupando o papel de sacerdote-leitor, que recita fórmulas mágicas enquanto Set é derrotado. A escolha de Imhotep para representar este papel poderá prender-se com a importância do episódio em questão, uma vez que ele era precisamente o mais famoso de todos os sacerdotes-leitores.217