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Chapter 2: Conceptual Framework and Literature Review

2.3. Hate Speech

Para o desenvolvimento da investigação levada a cabo por esta tese escolheu-se, como técnica de pesquisa qualitativa, a de grupo de foco (Focus Group), 2 método de coleta de dados que consiste na realização de entrevistas em grupo, conduzidas por um moderador. Os Grupos Focais são grupos de discussão que dialogam sobre um tema a ser estudado, a partir da recepção de estímulos adequados para o debate. Busca-se, através desta técnica, obter a compreensão dos participantes em relação ao tema abordado, através de suas próprias palavras e comportamentos: os participantes do grupo relatam suas experiências e o que pensam em relação a determinadas crenças, percepções e atitudes (CAREY, 1994). Nesse sentido, os Grupos Focais são utilizados como instrumento de análise qualitativa de alto poder analítico.

Morgan (1997) define os grupos focais como uma técnica de pesquisa que coleta dados por meio das interações grupais e que ocupa uma posição intermediária entre a observação participante e as entrevistas em profundidade. Para o autor, o Grupo Focal é um método de pesquisa, com origem na técnica de entrevista em grupo, no qual o termo “grupo” refere-se às questões relacionadas ao número de participantes, às sessões semiestruturadas, à existência de um setting informal e à presença de um moderador que coordena e lidera as atividades e os participantes, e o termo “focal” à proposta de coletar informações sobre um tópico específico.

Para Ruediger e Riccio (2004), o Grupo Focal caracteriza-se pela possibilidade de intervenção em tempo real no curso da análise e de confrontação das percepções dos participantes, em suas similitudes e contradições, sobre um ou mais temas relacionados ao objeto de pesquisa. A ênfase desta técnica não está, pois, assentada apenas nas percepções individuais, mas também naquelas originadas das interações do coletivo, originadas a partir de tópicos específicos trazidos pelo pesquisador e expressas nas estruturas discursivas e na defesa ou

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A técnica de pesquisa com o Grupo Focal foi descrita e publicada no ano de 1926, nas Ciências Sociais, em um trabalho de Bogartus. Em 1946, durante a 2ª Guerra Mundial, esta técnica foi usada por Merton e Kendall para investigar o potencial de persuasão da propaganda de guerra para as tropas. No ano de 1952, Thompson e Demerath estudaram os fatores que afetavam a produtividade de trabalhos em grupo. Na década de 1980, os grupos focais foram utilizados em estudos nas áreas da Saúde e das Ciências Sociais, buscando entender as atitudes dos doentes, o uso de contraceptivos e, também, para avaliar a interpretação da audiência em relação às mensagens da mídia (MORGAN, 1997; VEIGA e GONDIM, 2001).

crítica de temas e aspectos relevantes da pesquisa. A interação gerada no encontro de experiências é, assim, uma das fontes de dados do pesquisador.

A técnica pode ser caracterizada, ainda, como um recurso para compreender o processo de construção das percepções, atitudes e representações sociais de grupos humanos:

Os grupos focais provêem a oportunidade de observar os participantes conduzindo seus próprios testes discursivos, negociando sentidos, confirmando ou desafiando modos apropriados de percepção. [...] (LUNT e LIVINGSTONE, 1996, p. 88)

Eles podem revelar premissas cognitivas ou ideológicas que estruturam argumentos, os modos como vários discursos estão enraizados em contextos particulares e experiências específicas são trazidas à tona nas interpretações que marcam a construção discursiva das identidades sociais (LUNT e LIVINGSTONE, 1996, p. 96).

Segundo De Antoni et al. (2001), o Grupo Focal promove insight, ou seja, os participantes se dão conta das crenças e atitudes que estão presentes em seus comportamentos e nos dos outros, do que pensam e aprenderam com as situações da vida, através da troca de experiências e opiniões.

Morgan, por seu turno, também evidencia o efeito de grupo, ou seja, o fato de que “os participantes fazem perguntas uns aos outros e explicam suas posições de forma recíproca” (MORGAN, 1997, p. 139), sendo essa habilidade de observar a extensão e natureza do acordo ou não entre os participantes algo único do grupo focal. O autor é muito claro quando assegura que os grupos focais trazem à tona aspectos que não seriam acessíveis sem a interação do grupo e que o processo de compartilhar e comparar oferece rara oportunidade de compreensão, por parte do pesquisador, de como os participantes entendem as suas similaridades e diferenças.

O tamanho do grupo é outro aspecto de destaque. Existe uma variação na literatura, mas a média de participantes está em torno de cinco a doze pessoas, dependendo do nível de envolvimento com o assunto de cada participante. O número total de grupos também deve ser pensado à luz dos objetivos da investigação, mas em se tratando de abordagem qualitativa, ainda que se faça uma previsão inicial, o indicador deve ser a saturação das alternativas de resposta, ou seja, quando os grupos não são capazes de produzir novidades nas suas discussões é sinal de que se conseguiu mapear o tema para os quais a pesquisa foi dirigida.

Segundo Morgan (1997), a realização de três a cinco grupos é suficiente para atingir tal ponto de saturação, mas o autor destaca ainda que a realização de apenas um Grupo Focal poderá ser suficiente para uma análise qualitativa, já que a sinergia do grupo forma um processo dinâmico e único que permite que cada grupo seja compreendido como um contexto diferenciado.

2.1.1 Composição dos Grupos Focais

Para o desenvolvimento da pesquisa por nós proposta, foram realizados dois grupos de foco, com oito participantes cada, sendo um grupo composto por homens e outro por mulheres. No que tange à situação econômica, ambos foram compostos por pessoas de classe média, mais especificamente da classe C, cuja faixa etária oscilava entre 25 e 40 anos, cujo nível de escolaridade era ensino médio completo.

Para selecionar e convidar os componentes do grupo, assim como para garantir seu pertencimento à classe socioeconômica e ao perfil escolhido para pesquisa, foi contratada uma empresa de pesquisa, a Focus Estratégia e Pesquisa. O questionário de recrutamento para o grupo de foco encontra-se no Anexo A.

Os membros do grupo eram desconhecidos entre si. 3

2.2 Aplicação

Os grupos focais foram realizados nos dias 16 e 17 de junho de 2010, em uma sala especialmente desenvolvida para tal fim, e foram conduzidos pela pesquisadora. Todos os trabalhos foram filmados e gravados em áudio pela equipe da empresa contratada, com posterior transcrição dos depoimentos (ANEXOS B e C).

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A opção por grupos de conhecidos ou desconhecidos também merece atenção. Os primeiros, quando realizados em organizações formais, facilmente reproduzem acordos implícitos sobre o que deve ou não deve ser dito e é preciso considerar isto na análise dos resultados, que pode exigir o cruzamento dos dados resultantes com aqueles obtidos por meio de outras técnicas de coleta de dados.

Para o desenvolvimento dos trabalhos dos grupos foi elaborado um roteiro, ou seja, foram estipuladas questões de orientação a serem seguidas pela pesquisadora, que objetivavam cobrir os tópicos relevantes referentes ao assunto e promover uma discussão produtiva.

Cada sessão de trabalho iniciou-se pela explicação do método, tendo o pesquisador informado aos participantes que o processo estava sendo gravado. Também foram apresentadas pelo pesquisador as regras para o desenvolvimento dos trabalhos: a) só uma pessoa falaria de cada vez; b) evitar-se-iam discussões paralelas para que todos participassem; c) nenhum participante poderia dominar a discussão; d) todos poderiam dizer o que pensavam.

Logo após essa explicação inicial o pesquisador, atuando como moderador, colocou as perguntas do roteiro para debate:

1) Vamos falar sobre o que vocês consomem: o que significa consumir para vocês?

2) Que tipos de produtos vocês consomem?

3) O que é bom comprar e o que não é bom comprar? 4) O que vocês consideram imprescindível?

5) O que vocês acham da expressão “sonho de consumo”?

6) Vocês gastam muito tempo com atividades relacionadas a compras? Quanto? Mais ou menos do que estar com a família, que o lazer, que estudar?

7) Como vocês lidam com o que vocês consomem? Vocês acham que precisam, que merecem, que exageram?

8) Vocês acham que os bens e serviços que vocês compram mostram para as outras pessoas quem vocês são? Ou quem vocês gostariam de ser?

9) Vocês já passaram a consumir ou já deixaram de consumir algum produto só porque alguém seu relacionamento (familiares, amigos) consome ou acha importante ter o produto?

10) Vocês já compraram alguma coisa só porque alguém do seu relacionamento comprou?

11) Vocês compram ou deixam de comprar um produto devido a algum tipo de crença/valor/ideologia? Por exemplo, produtos reciclados, que

não utilizem determinada matéria-prima, ou simplesmente porque “não fica bem”?

12) Ao escolher um produto ou definir a marca do que vão comprar, como vocês se informam?

13) Quando vocês resolvem comprar um produto, vocês decidem sozinhos ou compartilham a decisão com alguém?

14) Vocês já utilizaram o PROCON, seja citando-o em uma relação de compra, seja para formalizar uma reclamação?

15) Vocês acham que o Código de Defesa do Consumidor trouxe melhorias para as relações comerciais? Como isso se refletiu na vida das pessoas?

16) Vocês utilizam ou já utilizaram fontes de financiamento para adquirir algum produto?

17) Vocês já tiveram algum problema financeiro por gastarem excessivamente?

18) Para vocês, o que é ser consumista? 19) Vocês se acham consumistas?

20) Alguém do seu relacionamento (familiares, amigos) já disse que vocês compram ou gastam muito?

21) Alguém do seu relacionamento (familiares, amigos) já fez algum comentário negativo sobre alguém com relação a gastos excessivos? 22) Você já escondeu de alguém da sua casa algo que você comprou? O

quê e por quê escondeu?