3.4 Technological Challenges
3.4.1 Hardware
Em Maracanaú, as crescentes taxas de crescimento demográfico e de urbanização, a limitada capacidade de absorção de mão de obra da atividade, o que é característico do Município, a indústria, e a busca, por parte da população, por meio do trabalho, de uma cidadania secundária, apontam para algumas tendências referentes à dinâmica territorial deste Município. A primeira é que nessa urbanização dispersa ou metropolização, se estendem e se reproduzem os modos de vida metropolitanos (modos de circulação e consumo) (LENCIONI, 2006). Deste modo, a circularidade da população é um elemento essencial nas relações sociais deste espaço, pois evidencia a condição social do morador, as relações de poder e os conflitos, permeando a produção do espaço urbano metropolitano.
Na bibliografia sobre a temática em foco evidencia-se o fato de que, hoje a mobilidade parece ser a regra. “O movimento se sobrepõe ao repouso. A circulação é mais criadora que a produção. Os homens mudam de lugar (...) mas também os produtos, as mercadorias, as imagens, as idéias.” (SANTOS, 2004, p. 328). Assim, a mobilidade para as camadas mais pobres da população é uma condição necessária à vida nas cidades. Além disso, na espacialidade estudada, excetuando-se aqueles deslocamentos que não representam um obstáculo quanto à renda e às formas de acessibilidade de direitos, dos quais as pessoas se distanciam voluntariamente, buscando amenidades fora da metrópole, isto é, em relação aos que se direcionam de Fortaleza para Maracanaú, o movimento inverso, a pendularidade da parcela mais pobre da população, revela: as desigualdades socioeconômicas no interior da área metropolitana, a segregação socioespacial e a busca constante pela inserção no mercado de trabalho ou pelo acesso aos bens e serviços não encontrados em Maracanaú.
A estreita relação entre a migração (como a mudança definitiva de uma unidade administrativa para outra) e os deslocamentos cotidianos (e sua itinerância) se dá pela permanente avaliação individual e familiar dos sujeitos que se movimentam diariamente e, as possibilidades econômicas e materiais para manter o deslocamento, bem como, esperar que ele represente um saldo positivo. Quando a virtualidade não existe o movimento diário pode resultar numa mudança permanente.
A pesquisa objetivou delinear um caminho metodológico para o estudo deste tipo de mobilidade. O aprofundamento de algumas questões referentes aos sujeitos envolvidos nesse movimento além da origem e destino, como o seu perfil socioeconômico, as perspectivas do movimento e como se dá a relação deste com o município foram algumas questões abordadas na investigação.
Apesar de se constatar que esse movimento, por meio dos ônibus, “topics” e o trem, fosse realizado por pessoas com uma renda média entre 1SM a 3SM, apresentando assim certa homogeneidade, percebe-se que as motivações, a frequência e a percepção do deslocamento e do lugar em que moram são bem diversificadas. As observações de campo indicam que, nas trajetórias vividas por homens e mulheres que moram em Maracanaú, este fenômeno se materializa como uma condição de classe e (re)define no cotidiano urbano sua concepção de espaço, tempo e direitos sociais. Deste modo, o ato de se deslocar reflete, numa perspectiva de classe, uma segregação do “sujeito sujeitado”, porém, posto na perspectiva individual, mascara esta situação, mostrando um sujeito ativo que procura seu lugar na sociedade.
Os atos da vida cotidiana, como acordar cedo, esperar o ônibus, deslocar-se durante uma hora (em pé, muitas vezes) até chegar ao trabalho ou à escola, laborar durante oito horas e no fim do dia retornar a sua casa, enfrentando todos os transtornos do percurso (congestionamentos, barulho, cansaço), tudo isto, de uma forma recursiva, são os elementos que dão significado à vida e à ação desses sujeitos nos espaços que vivenciam. A energia que lhes restar e a condição familiar que imperar no momento (necessidades) vão determinar a miséria (a sobrevivência na penúria, o repetitivo, o prolongamento da escassez, o alienante) ou a grandeza do cotidiano (a apropriação do corpo, do espaço, do tempo e do desejo) (LEFEBVRE, 1991).
Nestes termos, o cotidiano é a essência da práxis, refletindo o movimento da vida, encarnando uma historicidade e expressando as possibilidades de transformação, numa instabilidade que ameaça o urbano, o urbanismo assim posto. O direito à cidade
para estes sujeitos decorre primeiramente da sua condição de mobilidade, de ter acesso aos meios de transporte a fim de continuar vivendo sua cotidianidade. A cidade, assim, para Lefebvre emerge como
Lugar de equilíbrio é também o lugar em que se manifestam os desequilíbrios ameaçadores. Quando as pessoas, numa sociedade assim analisada, não podem mais continuar a viver sua cotidianidade, então começa uma revolução. Só então, enquanto puderem viver o cotidiano, as antigas relações se reconstituem” (ibidem, p. 39)
Nessa perspectiva, será a não-mobilidade uma condição de marginalização/ exclusão socioespacial? Como um apontamento, o aprofundamento deste tema em futuras pesquisas torna-se essencial para a apreensão dos estudos de mobilidade nas urbes.
Na espacialidade Maracanaú-Fortaleza, a busca por se conhecer os sujeitos, suas motivações, os vínculos que eles criam na cidade onde moram e para onde se deslocam, sob o ponto de vista deles, dá os caminhos para outros trabalhos acerca deste novo aspecto da mobilidade - a mobilidade intrametropolitana.
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Anexo A – Croqui da área conurbada – Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Eusébio, Maranguape/ RMF
Elaborado por: Francisco Oliveira Fonte: Google Earth Pro 4.2 - 2007
Elaborado por: Francisco Oliveira Fonte: Google Earth Pro 4.2 - 2007
LEGENDA Área conurbada Limite dos municípios Municípios
Anexo B – Reportagem de Érika Alessandra sobre a poluição causada pela NUFARM – Maracanaú/CE. ! "# $ % & ' ( $ ) $ * +,-. /' 0 /' & 12 01 . 3 %
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Anexo C – Reportagens relatando o processo de emancipação do município de Maracanaú.
Anexo D - Matéria sobre a emancipação de Maracanaú – jornal de veiculação na Capital.