O afastamento do presidente R. Castillo por setores nacionalistas das forças armadas na Revolução de 1943 e a conseqüente vitória eleitoral de Juan Domingo Perón (que havia ocupado no governo militar os cargos de Vice-presidente, Ministro da Guerra e Secretário do Trabalho) em 1946 promoveram uma importante inflexão histórica em termos de aceleração do desenvolvimento econômico e construção de um projeto avançado de nação. Se anteriormente a evolução econômica argentina esteve ancorada principalmente no dinamismo empresarial e em conjunturas externas favoráveis, a partir de então o Estado passaria a ser o principal agente promotor do desenvolvimento.
“En el intevalo entre la elección de Perón y su asunción al poder (24 de febrero – 4 de junio de 1946) el Consejo Nacional de Posguerra propuso la adopción de un paquete de medidas de gran trancendencia en materia financiera, crediticia, bancaria y monetaria, promulgado por decreto por el expirante gobierno de Farrel. Las más importantes fueron la nacionalización del Banco Central, la garantía de la Nación a los depósitos bancarios, y la reforma a las cartas orgánicas de los bancos Central, de la Nación, Hipotecario Nacional y de Crédito Industrial. En el conjunto de estas iniciativas también deben destacarse la creación del Instituto Nacional de Reaseguros y el Instituto Argentino para la promoción del Intercambio (IAPI). El Consejo Nacional de Posguerra esbozó, asimismo, un Plan mínimo de acción para el período de posguerra, que marcaba algunos objetivos en materia de obras e inversiones, así como de distribución de materias primas, combustibles y equipos industriales.”132
No período de 1946 a 1948, o governo Perón adotou uma política econômica altamente agressiva, aumentando o gasto público de 16% para 29% do PIB, o que provocou impactos positivos na oferta de bens e serviços e na recomposição da renda nacional, com a criação de leis trabalhistas de salários mínimos urbanos e rurais, controle de preços de artigos populares, etc. Ressalta-se a geração maciça de empregos, tanto na indústria substitutiva de importações, quanto nos serviços nacionalizados (sistema ferroviário, comunicações, navegação fluvial, etc) e nas obras de infra- estrutura, que tiveram que ser realizadas para suprir a crescente demanda energética do
132 LUNA, Félix (org); GERCHUNOFF, Pablo; PORTANIERO, Juan Carlos; outros. El Estado
país, como o gasoduto Comodoro Rivadavia – Buenos Aires e vários diques em La Rioja, Mendoza e Chubut.133
Além disso, elevado número de estatais é criado com o intuito de ampliar o nível de soberania econômica argentina e promover o desenvolvimento regional. As principais delas são: Gás del Estado, Sociedad Mixta Siderúrgica Argentina (SOMISA),
Aerolíneas Argentinas, Industrias Aeronáuticas y Mecánicas del Estado, Fábrica Nacional de Tractores, Sociedad Mixta Siderúrgica Argentina e Yacimientos Carboníferos Fiscales. Essas estatais se configurarão como compradoras de muitos
insumos da indústria nacional, que passou a contar com reserva de mercado (controle cambial, regime de permissões prévias, cotas e proibições de importações, financiamento de médio e longo prazo para projetos industriais, etc). A principal cidade beneficiada diretamente será Córdoba.
A criação do Instituto Argentino para la Promoción del Intecambio (IAPI) está entre os motivos de descontentamento da Sociedad Rural, uma vez que o Estado passou a monopolizar a compra de cereais e oleaginosas e se consolidou como agente financeiro do país no exterior. A planificação do comércio exterior foi componente chave da obtenção de recursos para financiar a montagem das estatais e a concessão de créditos industriais, inaugurando a tradição argentina de ancoragem do desenvolvimento na tributação das exportações.
A propósito da complexificação da economia nacional, correta avaliação é realizada por J.Katz-B.Kosakoff, para os quais “la industria de bienes de consumo durables, la fabricación de maquinaria agrícola y de máquinas-herramienta sencillas, y en general, todo el complejo de industrias eléctricas de consumo final, son las que en esos años toman la delantera, en tanto que los setores de indumentaria y de cueros y calzados pierden parte del dinamismo que exhibieran en la década anterior.” 134 Além de novos investimentos e da evolução das empresas que já atuavam em setores mais complexos, vários são os casos em que grupos ligados à produção de bens leves se transladam para o setor de bens duráveis e equipamentos. Torcuatto Di Tella e
Pescarmona são dois exemplos.
133 FERRER, Aldo. La economia argentina:desde sus orígenes hasta princípios del siglo XXI. Buenos
Aires: Fondo de Cultura Econômica de Argentina, 2004.
134 KATZ, Jorge ; KOSACOFF, Bernardo. El proceso de industrializacion en la Argentina: evolucion,
Nos anos de 1949 – 1955, a promoção do desenvolvimento foi apoiada pela entrada de empréstimos estrangeiros e pelo ingresso de fabricas mais modernas no país (Mercedes Bens, Kaiser Motors, etc). No período ocorreu o financiamento americano para plantas siderúrgicas (San Nicolas) e a concessão de reservas de petróleo para o grupo estadunidense California Petroleum Company. Monta-se um sistema industrial integrado do qual participam estatais, capitais privados nacionais (autopeças, químicos, etc) e multinacionais, cujo sócio externo principal já não é a Inglaterra.
TABELA 6
Produção industrial por setor (1935, 1946 e 1954) (em percentagem)
Actividades 1935 1946 1954
Alimentos, bebidas y tabaco 41,5% 33,8% 30,3%
Textiles, confecciones y cuero 20,6% 25,5% 22,6%
Caucho, químicos y petróleo 9,5% 11,2% 12,2%
Metalmecánica 13,9% 14,1% 20,8%
Resto 14,4% 15,4% 14,1%
Total 100% 100% 100%
Fonte: ROMÁN, Vivian, La Argentina y la industria. In: BARROETAVEÑA, Mariano. Ideas, política, economía y sociedad en la Argentina (1880-1955). Buenos Aires: Ed. Biblos, 2009.
A reação do imperialismo à construção de um projeto nacional-popular no hemisfério sul, com forte apoio de agro-exportadores, militares liberais e setores esquerdistas, promoveu a queda de Perón em 1955. Todavia, seu perfil desenvolvimentista e anti-aristocrático, converteu o peronismo na ideologia argentina de libertação nacional, configurando uma espécie de bonapartismo progressista como de G. Vargas (Brasil) e L. Cárdenas (México).
Futuros presidentes como A. Frondizi e A. Illia deram seguimento às políticas de crescimento econômico de Perón (forte apoio industrial), que predominaram anteriormente ao golpe militar de 1976, apesar de certas políticas liberalizantes sobretudo de P. Aramburu.
TABELA 7 INDICADORES INDUSTRIAIS – 1954-1961 (1954=100) Fonte: INDEC TABELA 8 INDICADORES INDUSTRIAIS – 1964-1974 (1964=100) Fonte: INDEC