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In document Alléer langs vei og gate (sider 136-139)

Professor Imigrante Digital com menor nível de percepção das NTIC:

“São quatro pilares que eu acho superimportantes. E quando você fala em educando, você fala em professor, você fala em tecnologia, você fala em construção de novos conhecimentos, tudo começa com uma palavra simples, que eu procuro trazer, não só trago no meu dia-a-dia, mas eu ministro isso no meu dia-a-dia com o maior prazer, com a maior alegria, que é o amor, que é a alegria, que é a dedicação, que é o gostar de você estar ali, junto com seus alunos, sejam eles da Educação Infantil, sejam eles do Ensino Fundamental, sabe? É aquele fazer com prazer, é aquilo que você busca, pode ser na escola, fora da escola, em qualquer ambiente você lembra que você é professor, você tem aquele amor naquilo que você faz. Quando você fala em tecnologia, talvez eu me sinto um pouco leiga ainda nesse espaço, mas eu procuro sempre aproveitar as oportunidades que me dão para melhorar meu conhecimento e melhorar esse conhecimento tecnológico através da construção, para construir novas maneiras de ensinar, novas maneiras de fazer o meu aluno sair daqui feliz, com vontade de voltar para a escola”.

Professor Imigrante Digital com maior nível de percepção das NTIC:

“Eu acho assim, que uma coisa está interligada à outra. É o aluno que vem com informação de fora, o que ele já conhece. O que a gente traz de diferente, ou o que a gente não sabe e aprende com o aluno. A tecnologia que faz a ligação desses dois. E o resultado é a construção da aprendizagem ali. Eu acho que é como se fosse um ciclo, que um está ligado ao outro, não tem como não estar ligado. Hoje é um com o outro, o professor, aluno, tecnologia e a construção do conhecimento. Tem muita coisa, vamos supor, que eu levo para a aula pensando num objetivo e na hora que a criança ela fala eu vejo que estou atingindo outro. Então ali estou aprendendo com ele. E tem muita coisa que eu gravo de vídeo, de alguma coisa, que eles falam assim: “Ah professora, você viu isso que está passando na televisão? ”, coisas que eu não sabia. Então o que acontece, o aluno ele começa a refletir através do que você está dando, ele tem o conhecimento dele e através do conhecimento dele ele passa para você, aí que vem a construção do conhecimento, da aprendizagem [...]. Eu acho que ali ninguém está acima de ninguém”.

Professor Nativo Digital com menor nível de percepção das NTIC:

“[...]. Atualmente a gente não precisa mais reter a informação, a gente pode a qualquer momento buscar essa informação. Então acho que a tecnologia é bem isso, a qualquer momento a gente pode buscar essa informação. Então o professor ele não é o dono da verdade, ele é apenas o mediador do conhecimento, e para mediar um conhecimento para um educando que está aí cheio de novidades, cheio de tecnologias, que está nessa geração nova, é necessário também ele estar por dentro disso. Então é necessário ele se capacitar, tem que se orientar, tem que conhecer para poder saber mediar corretamente. Como buscar essa informação, o que é importante nessa informação, o que vem a ser essa internet, o que de bom e construtivo essa internet nos traz e também de prejudicial e maléfico ela também pode nos trazer. Eu acho que é por aí”.

Professor Nativo Digital com maior nível de percepção das NTIC:

“O educando hoje, eu vejo, que ele não pode ser uma tábula rasa como era visto antigamente. Eu também aprendo muito com os meus alunos. Também na questão da nossa área ser Educação Física, a questão cultural que cada aluno traz, a gente pode perceber que você aprende com a cultura aonde aquele aluno está inserido. [...]. Eu aprendo a escutar aquele aluno que tem um pouco a mais para me auxiliar. E o professor hoje, ele não pode passar, ele não pode fazer apenas o papel de ser ele o detentor do saber. Eu acho que o professor tem que ser um pouco mais humilde e saber escutar essas crianças. Para o professor hoje ele tem que estar sempre inteirado, e ele não pode ser focado apenas naquele método tradicional, nos anos que estamos agora a tecnologia nos auxilia [...]. E a construção de conhecimento hoje eu vejo que ela é simultânea, você aprende e ensina, a criança também constrói o conhecimento através da socialização [...]. O professor tem que saber aproveitar esse conhecimento que a criança tem, não tem que privar a criança, fala ‘não pode isso não pode aquilo’, desenvolva projetos, desenvolva projetos que auxiliem na sua aula focando nesse conhecimento que a criança já detém e aí vai ser uma construção de conhecimento para ambos, tanto para o professor como para a criança e a criança vai se sentir estimulada a aprender”.

Neste trecho da pesquisa encontramos nos argumentos apresentados pelos professores elementos de grande valor para o empreendimento de ações educativas no âmbito escolar. Destaquemos dois componentes que valem nossa contemplação e análise aprofundada: a

noção de não-hierarquização das relações educador-educando em sala de aula baseado no respeito aos saberes dos educandos; e a consciência de que seus próprios saberes são inacabados.

Com base nas respostas dos professores verificamos a existência do reconhecimento que as relações entre educador e educando permeiam um mesmo nível, isto é, enxergam em sua atuação profissional uma ação social concreta horizontalizada com superação de uma dimensão autoritária (FREIRE, 2005). Esta concepção é incontestavelmente um fator de extrema relevância para a educação na Era da Informação e mediatiza por recursos da nova tecnologia. Neste contexto, em consonância com a reflexão de Freire (2005, p. 79), que cita: “já agora ninguém educa ninguém, como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão, mediatizados pelo mundo”, verificamos um cenário favorável à ação de construir novos saberes e conhecimentos, dimensão esta claramente exposta nas respostas dos professores.

Distante de uma concepção ‘bancária de ensino’, a educação na era da expansão incontrolável da informação deve estabelecer parâmetros que vinculam a noção de interpretação das ações e informações mediadas pelo mundo, este mundo que agora bombardeia as mentes dos educandos constantemente com inúmeras informações. Enxergar essa perspectiva como potencial para os processos de ensino é função do educador, como também, não mais distinguir quem ensina e quem aprende. Todos ensinam, todos aprendem, sem a necessidade de hierarquização dos papéis (FREIRE, 2005). Trata-se de um mecanismo que se retroalimenta, todavia, não só um processo de alostase, é o efetivo de uma ação dialética que perpassa pela consciência de sua própria prática, ou seja, uma práxis reflexiva (VASQUEZ, 1977), uma atividade recíproca individualizada. Como Gusdorf (2003, p. 189) exemplifica:

Tal como Guliver entre os anões, ligado à terra por uma infinidade de pequenos fios que o imobilizam, o mestre está ligado à sua classe não somente por uma mutualidade maciça, mas também por uma reciprocidade detalhada com cada um daqueles que o escutam.

Outra nuance evidenciada nas respostas dos professores perpassa pela consciência de seus saberes inacabados. Essa expressão consciente e humildade de uma visualização própria, condiciona uma ação auto reflexiva que favorece o aprimoramento da ação docente. Segundo Freire (2011, p. 50) “o inacabamento do ser ou sua inconclusão é próprio da experiência vital. Onde há vida, há inacabamento”. Na atuação do educador a noção de inacabamento estimula

a busca pelo preenchimento das lacunas, que muito das vezes são encontradas nos próprios saberes dos alunos. Este entendimento refaz a atitude valorativa dos conhecimentos destes. A consciência dos saberes inacabados reforça a visão da não existência de autoridade plena em sala de aula, como também, de uma falsa ilusão de uma capacidade indubitável do professor. Aliado a esta reflexão, Gusdorf (2003, p. 121) cita: “o verdadeiro mestre duvida da sua capacidade mesmo quando ela é unanimemente reconhecida por aqueles que o cercam”, e completa, “o mestre não possui a verdade e não admite que alguém possa possuí-la. Faz-lhe horror o espírito de proprietário do pedagogo e sua segurança na vida” (p. 249), pois compreende que a verdade parte da construção mútua na relação entre educador e educando.

Nesta linha de raciocínio, vemos uma postura positiva do professor Imigrante Digital com menor percepção das NTIC, quando afirma:

Quando você fala em tecnologia, talvez eu me sinto um pouco leiga ainda nesse espaço, mas eu procuro sempre aproveitar as oportunidades que me dão para melhorar meu conhecimento e melhorar esse conhecimento tecnológico.

Essa declaração corrobora com uma conduta reflexiva que provoca o engajamento na busca do preenchimento da apropriação dos saberes técnicos para utilização dos recursos tecnológicos na prática educativa, isto é, no atendimento desta demanda com a procura dos conhecimentos diagnosticados como necessários pelo próprio professor. Cabe ressaltar que esta lacuna de conhecimentos acerca das novas tecnologias sofre uma compensação admirável neste caso, pois fica evidenciado quando este professor, ao buscar argumentos para sustentar sua tese sobre o que chama de quatro “pilares superimportantes”, em resposta ao questionamento, alega:

Eu ministro isso no meu dia-a-dia com o maior prazer, com a maior alegria, que é o amor, que é a alegria, que é a dedicação, que é o gostar de você estar ali, junto com seus alunos.

Para analisar esta argumentação, lançamos mão do que Freire (2011, p. 138) compartilha:

E que dizer, mas sobretudo que esperar de mim, se, como professor, não me acho tomado por este outro saber, o de que preciso estar aberto ao gosto de querer bem, às vezes, à coragem de querer bem aos educandos e à própria prática educativa de que participo. Esta abertura ao querer bem não significa, na verdade, que, porque professor, me obrigo a querer bem a todos os alunos de maneira igual. Significa, de fato, que a afetividade não me assusta, que

não tenho medo de expressá-la. Significa esta abertura ao querer bem a maneira que tenho de autenticamente selar o meu compromisso com os educandos, numa prática específica do ser humano.

O amor, sentimento citado como um dos fundamentos de sua prática pelo professor, é visto como algo próprio do diálogo, um objeto do homem, único ser capaz de expressar este sentimento. “Sendo fundamento do diálogo, o amor é, também, diálogo” (FREIRE, 1979, p. 45). Ao expressar esse sentimento em sua prática, demonstrando ainda consciência de saberes inacabados no que se refere a utilização das novas tecnologias em suas aulas, o professor permite o estabelecimento do diálogo, forma plena da expressão de equidade nas relações mantidas entre educador e educando nos processos educativos. Ao nosso ver, essa leitura do professor, dentro das circunstâncias que englobam as necessidades educacionais específicas manifestadas pelo educando Nativo Digital, e, sua apropriação deficitária a respeito da prática mediada pelos recursos da nova tecnologia, é o caminho para o efetivo do compromisso na causa de um ensino responsável na dimensão das demandas educacionais na Era da Informação.

In document Alléer langs vei og gate (sider 136-139)