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Haldningar til utvalde stader i regionen

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3 Kva er Ryfylke?

3.4 Haldningar til utvalde stader i regionen

Ao longo da história da humanidade, a morte sempre foi acompanhada por rituais. Desde os tempos mais remotos, os homens já registravam a morte nas paredes das cavernas e adornavam os corpos de seus entes falecidos em cerimônias fúnebres, como uma forma de lidar com esse fenômeno. É possível constatar que os rituais mortuários são comuns a todas as culturas, em especial, quando associados à religião. Ao contrário das análises pessimistas que apostam no desaparecimento total das práticas ritualísticas nas sociedades modernas, pesquisadores como Erving Goffman (2011; 2012), Richard Schechner (2013) e Victor Turner (1974; 1982; 1987) creem que a existência de rituais nos dias de hoje está relacionada à constante repetição de comportamentos individuais em diferentes situações da vida cotidiana: em rituais religiosos; nas artes em geral (teatro, dança, música); em eventos esportivos; nas rotinas, hábitos e obsessões do dia a dia (higiene pessoal, culinária, trabalho, socialização etc); nos meios de comunicação, entre outros117.

117 Martine Segalen (2002) afirma que, com o enfraquecimento da religião e do sagrado nas sociedades

modernas, surgiram algumas perspectivas que acreditam na profunda racionalização da humanidade e na ausência de ritos e rituais. Contra essa visão, Segalen (Ibid., p. 15) presume que “uma das características do rito é a sua plasticidade, a sua capacidade de ser polissêmico, de acomodar-se à mudança social.” Para a autora, os rituais deixaram de ocupar um lugar central na vida cotidiana, deslocando-se para sua margem.

O conceito de ritual como performance, no sentido de um conjunto de ações estruturadas e repetitivas, tem sido defendido por diversos estudiosos. Na obra As formas

elementares da vida religiosa, Émile Durkheim (1989) introduz a ideia de ritual como

performance, afirmando que a performance de rituais cria e mantém a “solidariedade social”. A seu ver, embora os rituais sejam capazes de comunicar ou expressar conceitos religiosos, eles não são necessariamente ideias ou abstrações, mas sim performances que executam comportamentos e discursos padronizados. O autor ainda ressalta que os rituais não apenas expressam ideias, mas as incorporam. Nesse sentido, “rituais são pensamento em/como ação.”118 (SCHECHNER, 2013, p. 57, tradução nossa).

O sociólogo e diretor de teatro Richard Schechner (2013, p. 52, tradução nossa) segue a linha de pensamento elaborada por Durkheim, ao sustentar que “os rituais são memórias coletivas codificadas em ação”119, cuja realização se dá através de uma sequência de ações formais repetidas e/ou encenadas no cotidiano. Compreendendo o ritual a partir de sua funcionalidade, o autor acredita que os atos performáticos dos rituais ajudam pessoas (e animais) a lidarem com situações difíceis, conflitos e desejos sobrepujantes que desrespeitam, de alguma maneira, as normas da vida social. Schechner (2013, p. 28, tradução nossa) sugere ainda que “performances marcam identidades, dobram o tempo, remodelam e adornam o corpo, e contam histórias.”120

Performances de arte, de ritos religiosos ou da própria vida ordinária consistem em “comportamentos restaurados”, comportamentos duplamente exercidos, codificados, estruturados e transmissíveis. São ações que exigem treino e ensaio dos indivíduos para desenvolverem atuações eficazes. É evidente, no caso do teatro e das artes em geral, a necessidade de uma preparação intensiva com o objetivo de garantir uma boa apresentação artística. Porém, é igualmente verdadeiro que a vida cotidiana envolve anos de treinamento e prática no que diz respeito à aprendizagem de hábitos culturalmente estabelecidos, fazendo com que as pessoas atuem e se ajustem conforme papéis socialmente aceitos, na busca pela

“Eles são encontrados no domínio dos esportes, do extralaboral (ou na dimensão extralaboral do trabalho, como festas de aposentadoria, aniversários, nascimentos de filhos de funcionários etc.)” (Ibid., p. 36). Logo, essa habilidade adaptativa dos rituais às novas circunstâncias sociais da contemporaneidade, assegurou-lhes a existência. Todavia, Segalen se incomoda com a utilização excessiva e incorreta dos termos “rito” e “ritual”, o “que arrisca fazê-los perder toda a sua eficácia semântica” (Ibid., p. 13). Destarte, com o objetivo de evitar o uso inadequado de tais terminologias, Segalen (Ibid., p. 31) elabora uma definição precisa dos termos: “o rito ou o ritual é um conjunto de atos formalizados, expressivos, portadores de uma dimensão simbólica. O rito é caracterizado por uma configuração espaço-temporal específica, pelo recurso a uma série de objetos, por sistemas de linguagens e comportamentos específicos e por signos emblemáticos cujo sentido codificado constitui um dos bens comuns do grupo.”

118

“Rituals are thought-in/as-action.” (SCHECHNER, 2013, p. 57).

119

“Rituals are collective memories coded into action.” (Ibid., p. 52).

adequação às diferentes circunstâncias sociais as quais se expõem diariamente. Segundo Schechner (2013, p. 29), as fases da infância e da juventude servem como “escolas da vida” para os seres humanos, que aprendem, desde muito cedo, como devem se comportar em público e, com isso, ter (ou não) sucesso na vida adulta. Ele assinala inclusive que algumas pessoas se adaptam melhor do que outras à convivência social, conseguindo assim tirar maior proveito de certas ocasiões.

No campo das Ciências Sociais, Schechner dialoga com outro teórico que também trabalha o conceito de performance: Victor Turner. Na perspectiva de Turner (1982), a “estrutura social” é marcada por inúmeros contrassensos e contradições, sendo preciso realizar um “deslocamento de olhar” antropológico para ser capaz de enxergar as características “antiestruturais” inerentes à ela e, assim, conhecê-la com profundidade. Na definição do autor, as performances são expressões de experiências que ocorrem em situações “liminares” ou “liminóides”, suspendendo o fluxo da vida rotinizada de determinada sociedade, mesmo que seja por um breve intervalo de tempo. Essa ruptura das normas e regras formais propicia aos atores sociais a possibilidade de (des)construir e transformar suas experiências, afastando-os dos papéis normatizados aos quais são submetidos desde a infância, e proporcionando-lhes um momento de reflexão e de (re)formatação da própria “estrutura social” em que vivem.

Destarte, Turner está interessado nessas situações e momentos em que “as próprias sociedades sacaneiam a si mesmas, brincando com o perigo, e suscitando efeitos de paralisia em relação ao fluxo da vida cotidiana.” (DAWSEY, 2005, p. 165). É na ausência de formalidades e formalismos controladores das ações e dos comportamentos das pessoas que emergem sonhos, desejos e novas ideias com potencial para modificar os valores, os símbolos e as imagens que sustentam a coesão social, “através de ritos, festas, carnavais, música, dança, teatro, procissões, rebeliões e outras formas expressivas. Universos sociais e simbólicos se recriam a partir de elementos do caos.” (DAWSEY, 2005, p. 165).

Ao contrário de Turner, Goffman (2011) se preocupa com situações comuns da vida cotidiana, nas quais os atores sociais interagem “face a face” entre si. Nesses encontros presenciais com outros indivíduos, os atores representam papéis preestabelecidos socialmente, no intuito de transmitir intencionalmente uma determinada imagem de si mesmos para os demais (“plateia”). Ao esboçar um relato sobre a dimensão teatral ou dramatúrgica da realidade, Goffman define o “mundo social” como um “palco”, onde os indivíduos

desempenham seus papéis sociais através de comportamentos performáticos121 e ritualizados, construindo intencionalmente ou não suas “fachadas”122. O autor admite que o modelo sociológico de estudo da realidade social criado por ele possui algumas “insuficiências”, pois “a vida apresenta coisas reais e, às vezes, bem ensaiadas.” (GOFFMAN, 2011, p. 9). No entanto, ele não confere importância a esses detalhes, optando pela análise das performances encenadas pelos mais diversos atores sociais em ocasiões ordinárias.

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