• No results found

Hagen (Frp): Det var meget interessant nå å høre olje- og energiminister Akselsen si at det å få

Alexander de Seversky (1894-1974) nasceu 64 anos depois de Mahan e 33 anos depois de Mackinder, tendo falecido bastante mais tarde, já em meados da década de 70 do século XX.

Este valoroso aviador russo, que Pezarat Correia (2002, p.189) aprecia como sendo “…aquele que pode ser considerado o verdadeiro criador de uma teoria geopolítica do poder aéreo”, acabou a servir como Oficial da Força Aérea dos EUA. Esta situação - muito peculiar - só foi possível, como refere Mendes Dias (2010), porque Alexander de Seversky, na sequência da Revolução Comunista de 1917 se refugiou nos EUA e se naturalizou cidadão norte-americano.

Recordemos que a arma aérea foi utilizada pela primeira vez por ocasião da I Guerra Mundial, precisamente quando Seversky terminava o seu curso na Academia Naval Imperial72 e iniciava a sua carreira de Oficial.

Alexander de Seversky estava muito ciente, pela sua formação académica, e porque os meios aéreos assumiam protagonismo crescente nas várias batalhas, que estava a acontecer algo deveras novo, que acarretaria consequências enormes na forma como as guerras doravante seriam travadas, mas também nas consequências que poderiam ter.

Com efeito, “…o ar passou a materializar-se como espaço de circulação e acrescentou uma nova dimensão ao campo de batalha, até então bidimensional” (Dias, 2010, p.165). Os efeitos foram muitos: a velocidade dos aviões permitiu esbater significativamente o tempo necessário para percorrer determinada distância; o grande alcance dos meios aéreos permitiu prolongar o combate em profundidade e contribuiu para esbater conceitos como «linha da frente» e «retaguarda»; e, os alvos da aviação passaram a ser militares e civis, porquanto se tornava bastante remunerador atacar o coração económico do inimigo.

Seversky dava ênfase ao domínio do ar, ao bloqueio aéreo, à importância dos bombardeiros de longo raio de ação, à precisão dos bombardeamentos e, à importância da indústria aeronáutica. Também considerava que os EUA, com o aumento das autonomias das aeronaves e do armamento, passavam a poder ser atacados através do Ártico,

72

Mendes Dias (2010) refere que Seversky concluiu o seu curso em 1914, precisamente o ano em que teve início a I Guerra Mundial e, recordamos, faleceu Thayer Mahan.

57

advogando, inclusive, que seria através desta região polar que se travaria o confronto entre o Hemisfério Ocidental e o Hemisfério Oriental.

Assim, Seversky, fazendo uso de um mapa azimutal equidistante - uma projeção polar que evitava a tradicional distorção obtida pelas projeções Mercator e mostrava o quão próximas estão a massas terrestres da Eurásia e da América do Norte (Dolman, 2002) -, traça dois círculos com um diâmetro igual ao raio de ação dos bombardeiros da época (9000 km), centrando-os nas massas terrestres em apreço, o que gerava uma zona de sobreposição, que designou como área de decisão, pois, defendia, seria ali que se iria combater para obter a supremacia aérea (Dias, 2010) – ver Figura I-5.

Legenda: Fonte: (Dias, 2010, p.180)

Figura I-5 – Teoria de Alexander de Seversky

A zona de sobreposição ora referida tinha o seu centro no Estreito de Bering e envolvia todo o Ártico (Correia, 2002). Releve-se, por importante para o nosso estudo, que o pensamento de Seversky esteve na base da criação do «sistema de radar de aviso prévio» (Defense Early Warning) ao longo do norte do Alasca e do Canadá, para permitir a

Área de hegemonia americana Área de hegemonia soviética Área de decisão

58

monitorização das forças estratégicas da URSS (Dolman, 2002). Abordaremos este sistema mais à frente, quando discorrermos sobre o Fator Militar.

As áreas, interiores aos círculos desenvolvidas por Alexander Seversky, que ficam fora da área de decisão, concernem às áreas de hegemonia americana e soviética (IAEM, 1982), não deixando de ser curioso verificar que incluem “…territórios que se constituiriam como fonte ou reservas de matérias-primas destinadas a alimentar as indústrias: a América Latina, na maior parte da sua extensão (indústrias americanas) e grande parte de África e o Sudeste Asiático (indústrias soviéticas)” (Dias, 2010, p.179-180).

Seversky, como Oficial norte-americano e como geopolítico, estava propenso a desenvolver uma tese analisada na ótica americana, referindo, segundo Pezarat Correia (2002, p.191), que “…as características dos Estados Unidos, uma quase ilha-continente, favoreciam a inacessibilidade por superfície ao seu heartland pelo que, através do domínio do ar, nomeadamente da região a que chamou área de decisão, não só garantia a inexpugnabilidade do seu território, como podia projetar poder sem necessidade de bases no exterior. Dominado o ar, os Estados Unidos poderiam dominar o mundo, ou pelo menos partilhar o domínio do mundo”.

Pelo que vimos, em nosso entender, Alexander de Seversky foi o primeiro grande teorizador geopolítico a relevar a importância do Ártico, colocando-o no centro de gravidade da sua conceção global, graças às possibilidades agora que o avião proporcionava.

Com efeito, este geopolítico do poder aéreo relevou a centralidade do espaço Ártico, tendo muito presente que era nele que a URSS e os EUA estavam fisicamente mais próximos, diríamos mesmo «muito próximos», pois de permeio entre o gigante soviético e o Estado mais setentrional dos EUA – o Alasca – apenas existe o Estreito de Bering.

Consideramos que a tendência futura, com o degelo progressivo do espaço Ártico, será para a valorização das rotas aéreas mais setentrionais pela aviação comercial, pois são mais curtas e económicas e, ligam as regiões mais desenvolvidas e habitadas do planeta. Terão de se melhorar as condições de busca e salvamento, muito críticas nesta região do globo, e de ultrapassar as atuais dificuldades de navegação verificadas nas latitudes mais elevadas, próximas do Pólo Norte.

59

1.2 Pensamento dos teorizadores dos poderes conjugados