4. METODEDEL
4.7 V ALIDITET OG RELIABILITET
4.7.3 Reliabilitet
A ênfase de Saúde da Família e Comunidade, objeto dessa pesquisa, iniciou suas
atividades em nove municípios de médio porte do interior do estado. As justificativas para a
implementação do programa com foco na interiorização da atenção primária, além das
justificativas já listadas para a implantação da RIS-ESP/CE, foram classificadas em cinco
eixos, conforme consta no Projeto Pedagógico da ênfase de Saúde da Família e Comunidade
(CEARÁ, 2013):
1) Interiorização da formação em Saúde da Família para qualificação da ABS
Motivação dos profissionais envolvidos na APS local e regional;
Formação contextualizada às necessidades locais;
Formação de lideranças técnico-científicas na ESF;
Integração das redes assistenciais;
Desenvolver na ESF os atributos de vínculo, longitudinalidade e
acessibilidade.
2) Capacitar profissionais para a atenção as doenças crônicas
Ampliação do NASF;
Inclusão de novas categorias na ESF com lacunas formativas para a atuação
na APS;
Equipes de referência com necessidades de compreensão sobre a política da
ESF.
3) Ceará pioneiro na ESF
Estruturação da ESF como coordenadora das redes assistenciais.
4) Interação efetiva da Estratégia Saúde da Família
Atuação na mesma rede de atenção, com ampliação do escopo de ações no
âmbito da APS;
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Nova proposta de atuação, com vistas à atenção integral;
Percepção e possibilidades de superação do desvio da função apoiadora do
NASF em relação a ESF.
5) Expansão da rede especializada e hospitalar no Estado
Exigência da coordenação do cuidado por parte da APS/ESF e integração das
redes
Dentro da proposta da RIS-ESP/CE, a ênfase de Saúde da Família e Comunidade
possui o objetivo de formar profissionais com papel técnico-científico-político para qualificar
a função de coordenação do cuidado da ESF junto às redes de apoio, com vistas à promoção,
proteção e recuperação da saúde, através da colaboração interprofissional, embasada nos
princípios e diretrizes do SUS (CEARÁ, 2013a).
Ao assumir o compromisso com a formação de profissionais mais críticos e
comprometidos com a transformação da realidade, a ênfase de Saúde da Família e
Comunidade tem como diretrizes pedagógicas: Educação Permanente em Saúde,
Aprendizagem pelo trabalho em ato, Produção da saúde em Defesa da Vida, Promoção da
Saúde e Educação Popular em Saúde (CEARÁ, 2013a).
O currículo baseado em competências (conhecer-saber-fazer-ser) busca contemplar
orientações legais e as diretrizes pedagógicas. Além disso, integram os diferentes núcleos de
saber e um campo comum de forma contextualizada localmente, conforme as falas dos
coordenadores:
[...] currículos integrados baseados no território onde a atuação interprofissional seja o centro da atuação e a integração em saúde seja centrada na necessidade da população e o paradigma da promoção da saúde ali com um pa radigma que ajuda a entender as práticas e construir o serviço e o processo de trabalho [...] (Coordenador da ênfase de Saúde da Família e Comunidade da RIS-ESP/CE)
Veja bem, na saúde da família são seis profissões, na residência, você tem que construir um currículo que desenvolva competências para todos. É um currículo, mas na verdade são sete, porque tem que dar conta do núcleo profissional das seis e do que é comum às seis, que não está dentro do núcleo das seis, pode ser que não tenha. É como se fossem sete áreas, sete currículos. (Coordenadora geral da RIS- ESP/CE)
O lócus de atuação da ênfase de Saúde da Família e Comunidade são os serviços
referentes à rede de Atenção Primária de cada município, dentre os quais: Centros de Saúde
da Família (CSF) e todas as atividades correlatas, o território de responsabilidade da equipe,
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envolvendo domicílios e outros equipamentos (rede de saúde, outros setores, equipamentos
sociais e não governamentais), serviços ambulatoriais especializados, rede de atenção
hospitalar, serviços de urgência e emergência e rede de saúde mental (CEARÁ, 2013a).
As equipes de residentes em cada município são compostas por profissionais de
referência (enfermeiro e dentista) e profissionais de apoio (assistente social, fisioterapeuta,
nutricionista e psicólogo), que atuam na perspectiva das equipes de referência de ESF e
equipes de apoio de NASF. Os profissionais residentes de referência possuem como
instituição de atuação-base o CSF de Lotação, sendo responsáveis por uma área do território
de responsabilidade do CSF. Já os profissionais residentes de apoio atuam no CSF de
Lotação, mesmo dos residentes de referência, e no CSF Integrado, apoiando equipes de
referência de cada CSF, incluindo equipes de não residentes de ambos os territórios (CEARÁ,
2013a).
Uma das principais estratégias de inserção nos territórios e na rotina dos serviços é a
territorialização seguida de planejamento participativo, em que residentes conhecem os modos
de vida da comunidade, interagem com equipes e usuários dos CSF de Lotação e Integrado,
visando traçar ações prioritárias a ser desenvolvidas. Com a construção desse vínculo
estratégico, os residentes aos poucos passam a integrar as equipes, assumindo uma
corresponsabilidade sobre o processo de trabalho do CSF. Ao longo de todo o processo,
terminam por proporcionar uma formação compartilhada no próprio local de trabalho,
fortalecendo a Educação Permanente em Saúde no cotidiano dos serviços (CEARÁ, 2013a).
De forma multi e inter, tudo feito junto, eles têm que fazer a territorialização da cidade, das questões culturais, epidemiológicas, históricas, políticas, das relações de poder daquela cidade, enfim, são ativados pra fazer esse percurso durante um mês, constroem um instrumento de coletividade e territorialização. A escola deu um tutorial, mas eles qualificam esse tutorial de territorialização e tudo vai sendo visto de forma coletiva. Aquilo que talvez eu como nutricionista olhasse só pras questões da nutrição, eu vejo também o que o farmacêutico, o fisioterapeuta, o profissional de odontologia está vendo. Um vai vendo o ver do outro e se fazendo, refazendo o olhar. (Coordenadora geral da RIS-ESP/CE)