A grande maioria dos exemplares modernos do BNB foi concebido para atender ao mesmo programa de necessidades básico de uma agência. Mas o resultado formal apresenta uma grande diversidade, não apenas analisando-se os exemplares selecionados, mas considerando todo o conjunto, conforme pode ser observado em outros exemplares destacados para salientar essas variações formais (figura 3.83).
Figura 3.83 – Agências do BNB: diversidade formal.
Fonte: arquivo histórico digital do BNB. Agência de Oeiras-PI, projeto: Tito Lívio
Correia, 1978.
Fonte: arquivo histórico digital do BNB. Agência de Batalha-AL, projeto: Ana Célia
Fonte: arquivo histórico digital do BNB. Agência de Lavras da Mangabeira-CE, projeto:
José Neudson Braga, 1975.
Fonte: arquivo histórico digital do BNB. Agência de Picos-PI, projeto: José e Francisco
Nasser Hissa, 1975.
Percebe-se, portanto, uma grande variação de soluções, evidenciando como a abstração moderna permitia diferentes possibilidades de síntese, indo de encontro ao seus críticos que a taxavam de repetitiva. Mahfuz (2004) salienta essa liberdade ao afirmar que a forma não é uma consequência de uma relação direta de causa e efeito de um esquema funcional, a ser construído de um certo modo, em um lugar dado. Possui um caráter de subjetividade, ligada ao repertório cultural e ao modo como o arquiteto interpreta as condicionantes internas do problema projetual.
Desse modo, apesar de ser uma síntese do programa, do lugar e da construção, a questão formal é resultante da atitude e da liberdade de expressão da abstração, que é própria da arquitetura moderna. Essa postura projetual livre reforça a afirmação de Piñón (2006) de que a arquitetura moderna não pode ser reduzida a um conjunto de características, nem a uma coleção de preceitos morais ou ideológicos, mas sim reconhecida como um modo de enfrentar e resolver a construção, de forma radicalmente distinta do classicista. Sobre essa assertiva, Mahfuz (2004) complementa que na origem de toda obra verdadeiramente moderna há um empenho construtivo (no sentido formal) capaz de conter o programa funcional da obra sem que sua forma seja determinada por ele.
Especificamente em relação aos protótipos de agências bancárias, é importante ressaltar que os projetos foram concebidos, a princípio, apenas para um determinado local. Contudo, devido às já mencionadas necessidades tempestivas de construção, esses projetos foram então selecionados, diante de outras opções de projetos já elaborados para o BNB, para serem uma referência a ser utilizada em
outro local. A escolha de determinada proposta para ser reproduzido, constituindo-se num protótipo, evidenciava atributos que os destacavam dos demais.
Neste contexto e dentro da autonomia projetual que arquitetos possuíam e se expressavam na liberdade formal, observa-se que os projetos nos quais propunham mais experimentações e inovações, ou na forma de organização da planta ou na proposta estrutural ou, ainda, nos detalhes construtivos, provocavam maior resistência, num momento posterior, a serem reproduzidos.
Analisando-se os casos, para assumir o caráter de protótipo, o projeto deveria ser fundamentado em três critérios da contribuição com relação a estratégia projetual moderna. De acordo com Mahfuz (2004), seriam os conceitos de economia, rigor e universalidade.
O critério de economia envolve resolver um problema arquitetônico com o menor uso possível de elementos, tanto dos meios físicos quanto conceituais de que uma obra é composta. A elementaridade é condição indispensável para se alcançar uma autêntica complexidade (MAHFUZ, 2004).
O conceito de rigor significa voltar o focar nos aspectos mais relevantes e essenciais do problema arquitetônico, como o programa, lugar ou processo construtivo, deixando de fora o que for meramente acessório. Mahfuz (2004) afirma que ser rigoroso não implica austeridade, mas sim, na capacidade de eliminar de um projeto tudo aquilo que não contribui para a sua consistência formal.
Já a universalidade de um projeto é a condição de algo ser reconhecido por si mesmo e dotado de flexibilidade, sem perder sua qualidade intrínseca. Objetos com essa característica adquirem uma qualidade de permanência, permitindo perdurarem com dignidade e utilidade.
Observando-se os protótipos analisados, esses critérios de fato permearam os projetos e se manifestaram, de forma prática, em: custo de construção adequado, facilidade de execução, bom dimensionamento e organização dos diversos ambientes do programa. Tornaram-se os fatores de êxito maior de alguns projetos que geraram a escolha desses para a repetição em detrimento de outros, que até possuíam características dimensionais similares.
O Protótipo 2, por exemplo, não apresenta a transparência de outros projetos, uma característica da arquitetura bancária moderna. Isso se deve a uma preocupação com o valor a ser gasto para construção, aliada à concepção de um edifício projetado para minimizar o uso do ar-condicionado, equipamentos de custo
elevado tanto para aquisição como para manutenção. Essa racionalidade se apresenta inclusive na sua conformação num único pavimento, buscando-se facilitar e desonerar o processo de construção.
Deste modo, o projeto se mostrou bastante adequado para acomodar as unidades de pequeno porte, ou seja, em locais de menor perspectiva econômica e, teoricamente, de menor retorno financeiro ao BNB. O edifício era funcional, pois atendia adequadamente às atividades bancárias, tinha uma composição formal adequada, de acordo com a imagem de modernidade requerida pela empresa e com os pressupostos modernos defendidos pelos arquitetos. E com a questão construtiva facilitada com relação aos aspectos de custos e exequibilidade.
O autor, Paulo Cardoso, definiu o projeto com uma palavra: simplicidade. O mesmo termo foi utilizado para expressar o menor exemplar, como o maior, no caso o CAPGV. A forma é então resultado do mesmo conceito, seja num edifício para agência de menos de 400m², seja em um centro administrativo constituído de vários blocos e com mais de 20.000m² de área construída. Isso ocorre porque a ideia por trás da palavra, utilizada para definir ambos os projetos, expressa critérios modernos de economia, rigor e universalidade.
Desse modo, projetos singulares como o CAPGV, como também os dos edifícios de Penedo e João Pessoa, por exemplo, indicam na sua concepção formal uma síntese eficiente de comprimento das condicionantes categorizadas por Mahfuz (2004): os requisitos do programa, as sugestões do lugar e a disciplina da construção. Evidenciando que a característica de protótipo era apenas um atributo dentro da diversidade de possibilidades dentro do processo projetual moderno em busca da “forma pertinente”.