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H VORDAN IDENTIFISERER FORVALTERNE POTENSIELLE VEKSTBEDRIFTER ?

Retomando a tentativa de explicitação da noção de Verwindung – que aparentemente é marginal nos escritos de Heidegger, já que ele o utiliza com moderação listando apenas em três delas: Holzwege (Caminhos de floresta), Vorträge und Aufsätz (Ensaios e Conferências) e, sobretudo, em Identität und differenz (Identidade e diferença) – Vattimo faz uma releitura muito acurada, mas também muito peculiar, transformando este termo em algo central em sua filosofia e mesmo da teoria do pós-moderno.

Como dissemos anteriormente, é no capítulo 5 (“An-denken. O pensar e o fundamento”) de As aventuras da diferença que aparece pela primeira vez alguma referência de Vattimo feita à Verwindung, no qual ele a utiliza com o intuito de falar sobre a insuperabilidade da metafísica, como também abordamos linhas atrás: “A superação da metafísica exige um exercício do pensar que se dê fora das categorias metafísicas”163. Com

isto presente, podemos afirmar que a Verwindung é o agente operador da aceitação-distorção da metafísica, mas, a um só tempo, também de sua crítica e censura. É esta a única maneira pela qual podemos recuperar-nos dela. Assim, ao tomar este termo emprestado de Heidegger,

162 MOTA, Maurício Sandro de Lima. A verdade frágil: Gianni Vattimo, leitor de Nietzsche e Heidegger.

Campina Grande: EDUEPB, 2013 (Subtractum), p. 60.

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Vattimo pretende indicar uma espécie de “torção livre” da tradição que, ao mesmo tempo, não deixar de manter certa relação com ela.

Vattimo fala em termos de recuperação e convalescença por entender que uma superação total não é possível. Assim, se se pode falar em alguma espécie de “princípio- fundamento”, não será mais feito naquela concepção de um fundamento que “funda e sossega”164, senão como “ponto de partida de um processo”165. Com o risco de não ser uma

boa analogia, evocamos a imagem de alguém que chega ao fundo, mas que lá não fica, no lugar, toma impulso para de lá sair. Vale a pena tomar aqui a reflexão que faz Santiago Zabala me seu artigo Being is conversation (2011):

Entre as mais importantes consequências da “destruição” do Ser como presença preconizada por Heidegger, para além da “superação” da metafísica e da elevação da hermenêutica à uma categoria central no interesse filosófico despertado por esta matéria, está o enfraquecimento do Ser aos seus próprios vestígios166.

Portanto, a Verwindung é um pensamento de desfundação (Ab-grund), pensamento rememorante (An-denken)167, por isso, pensamento transmetafísico. Numa

palavra, se a Aufhebung é uma forte superação, a Verwindung, ao contrário, supõe uma espécie de “superação imprópria”, porque enfraquecida... Este caminho distorcionante das categorias apresentadas por Vattimo, a partir de sua leitura dos filósofos alemães aqui elencados, faz com que ele alcance um ponto de união entre os dois, chegando Vattimo a afirmar que em ambos os pensadores reside uma noção de “niilismo”168.

As etapas do itinerário heideggeriano podem muito claramente aproximar-se das de Nietzsche: o efeito niilista da autodissolução da noção da verdade e de fundamento em Nietzsche tem o seu paralelo na “descoberta” heideggeriana do caráter “epocal” do ser; também em Heidegger o ser (já) não pode funcionar com Grund, nem para as coisas nem para o pensamento169.

164 Cf. VATTIMO, Gianni. Introdução a Nietzsche, p. 45. 165 Cf. VATTIMO, Gianni. Introdução a Nietzsche, p. 45.

166 “Among the most important consequences of Heidegger’s destruction of Being as presence, in addition to the

overcoming of metaphysics and the elevation of hermeneutics to the center of philosophical concern, is the weakening of Being to its own remains” (ZABALA, Santiago. Being is conversation, p. 94. Tradução nossa).

167 Que pensa o ser como envio e destino, ou seja, trata-se do pensamento que está contido dentro do horizonte

linguístico da tradição em que é lançado.

168 Por certo que se entende estes termos naquela concepção originária de Nietzsche: como dissolução de todo e

qualquer fundamento último e que, na cultura ocidental em geral e na história da filosofia, “Deus morreu” e “mundo verdadeiro tornou-se fábula” (Cf. VATTIMO, Gianni. Nihilismo y emancipación, p. 9). Apesar disso, também Vattimo concebe uma carga niilista em Heidegger, um niilismo histórico-ontológico. Assim, enquanto para Nietzsche o niilismo consiste na “desvalorização dos valores supremos”, para Heidegger, o niilismo é o “esquecimento do ser”. Ambos encontram seus caminhos na autodissolução da verdade.

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Outro importante aspecto importante para a compreensão pós-heideggeriana no contexto em que Vattimo situa o trabalho deste filósofo é o seu entendimento de que Heidegger, em seu trabalho, realiza uma desconstrução da história da metafísica ao compreender esta como “esquecimento do ser”170. Apesar de o “ser” ser um dos principais

temas da metafísica, uma das grandes contribuições de Heidegger à filosofia está em conceber a história da metafísica como esquecimento do ser. Uma das maneiras mais elementares da metafísica vir a se tornar esquecimento do ser é justamente o fato de pensar o ser como um objeto representável, ou seja, que conduz a um pensamento de fundação. É o que o termo ontoteologia pretende bem representar como isto acontece.

De forma que, para Heidegger, a tarefa da filosofia estaria albergada na tentativa de “recordar” (An-denken) o ser por meio da desconstrução da história da metafísica e sua aliança entre a metafísica e a teologia. Tal tarefa está em sua investida em distinguir o ser do ente. Com isso, ao buscar este recordar do ser, Heidegger termina por desenvolver, também, uma forma não-fundacional de pensamento, que Vattimo promove com o seu pensamento fraco. Portanto, Vattimo aceita a análise heideggeriana da constituição ontoteológica da metafísica. Veremos adiante que o retorno vattimiano ao cristianismo está marcado também por uma tentativa de distinção entre o cristianismo metafísico e uma certa instância pós- metafísica dele.