5. DRØFTING
5.1. H VORDAN BESKRIVER ANSATTE I FULLINTEGRERT TJENESTE ARBEIDSGLEDE ?
A chamada crise urbana das metrópoles globais se expressa em dados oficiais da ONU, condensados em ONU Habitat-2010/2011 (BOTELHO 2014). Desde 2008, mais da metade da população mundial vive em cidades44. O inchaço urbano global, acentuado ano após ano, se intensificou, no Brasil, a partir da segunda metade do século XX. A superpopulação contribui para a evolução de um quadro de insustentabilidade no panorama de crescimento das cidades brasileiras.45Um retrato desse quadro é o número de moradias sem condições apropriadas para habitação que cresce vertiginosamente no país.
A capital cearense não foge à regra deste quadro. Fortaleza saltou de 180 mil habitantes em 1940, para quase dois milhões em 1990 (BARREIRA, BRAGA, 1983). Hoje, possui 2.551.805 habitantes.46 Segundo artigo publicado pelos pesquisadores Renato Pequeno e Clarissa Freitas (2012),
O estado do Ceará apresenta tradicionalmente em sua rede urbana a visível predominância da Capital Fortaleza como município que mais concentra população (2.452.185 habitantes), destacando-se inclusive, na escala nacional, como a capital estadual mais densa do país com 7.786,52 habitantes/km. A população da RMF já corresponde a 3.615.767 pessoas, equivalendo a mais de 42% da população estadual. Em termos de população vivendo em setores urbanos, o percentual urbano da RMF representa quase 55% da população estadual residindo em setores urbanos, configurando a macrocefalia da metrópole frente ao Estado do Ceará. Os desdobramentos desta condição podem ser percebidos nos demais 14 municípios da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), dentre os quais se destacam por seu contingente demográfico: Caucaia (325.441 hab.), Maracanaú (209.057 hab.) e Maranguape (113.561 hab.).
Do Forte de Nossa Senhora da Assunção, com seus canhões voltados para o interior, içado no século XVIII para garantir a posse do território colonizado, ao desenvolvimento da urbe, como pólo intermediário entre a produção agropecuária e o mercado nacional, a capital cearense apresenta-se num quadro social semelhanteao de outras capitais do nordeste brasileiro - cidades com grande número de habitantes e um profundo quadro de desigualdade social. Essa condição
44No Brasil, desde a década de 1970, a população urbana já era majoritária, correspondendo a 55,9% da população total, percentual que em 2000 elevou-se para 81,2% (ROLNIK, 2005 apud GONDIM; GOMES, 2012, p. 509).
45No Brasil, De 2000 a 2010, ampliou-se em número de 4,2 milhões o número de moradores de favelas, num total de 10,7 milhões. Em paralelo ao crescimento da economia brasileira nos últimos dez anos em 42%, o número de favelas cresceu em números absolutos 75%. (MARICATO, 2011) 46Censo Populacional 2013, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), visitado em 20 de
se relaciona com a posição histórica do Brasil no mundo do trabalho e do atraso econômico em meio ao lento desenvolvimento das forças produtivas do Nordeste perante o Centro-Sul brasileiro.
O acelerado crescimento demográfico fortalezense se diferencia do quadro de outras metrópoles que construíram a sua hegemonia com base no capital industrial, como por exemplo, São Paulo. O desenvolvimento em âmbito populacional, econômico e político também sofreu influência da sua localização como praça de mercado, resultando no crescimento e consolidação do comércio como principal atividade econômica. Estas atividades foram hegemonizadas por tradicionais famílias, que se reafirmam como classes dominantes, buscando implementar na cidade uma versão modernizada do poder exercido no campo, através de investimentos oriundos da produção rural na infraestrutura urbana. (BARREIRA; BRAGA, 1991; SILVA, 2001).
O crescimento de Fortaleza e a formação dos seus primeiros movimentos populares ocorreram em meio a mudanças globais e nacionais no modelo de intervenção estatal.Estasespecificidades da formação econômica de Fortaleza influenciaram a sua formação metropolitana e o seu cenário político, com repercussões diretas no desenvolvimento das lutas populares. (BARREIRA, 1992).
Dialogando com esse quadro está a relação entre os movimentos populares e o Estado em âmbito local (e nacional), marcada historicamente pelo atrelamento de lideranças populares ao próprio Estado, em meio à inclusão e subordinação destas às políticas públicas, vinculadas às secretarias governamentais sob a direção de políticos tradicionais (AMANN, 1991; BARREIRA, 1992; JACOBI, 1993). Estas especificidades da produção do espaço urbano de Fortaleza podem nos auxiliar a compreender o modo contemporâneo de fazer política dos Movimentos Sociais Urbanos, MSUs47 nesta cidade.
Hoje,oEstado do Ceará tem obtido crescimento econômico a níveis superiores à média brasileira. Segundo dados do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) no ano de 2013, o crescimento foi de 3,4%, perante os 2,3% da média nacional, e, no primeiro trimestre de 2017, de 1,87% perante o
47Compreende-se aqui por movimentos sociais urbanos os processos de organização e contestação efetivados por moradores que agregam um conjunto amplo de lutas sociais, cujo objetivo básico é a posse mediata e imediata de bens de consumo individual e coletivo, compatíveis com a inserção no “habitat” urbano e com os padrões culturais e coletivos de reprodução da força de trabalho. (BARREIRA, 1992, p.33)
1,00% da média nacional com ênfase nos índices da sua capital Fortaleza. Esta, entre os anos de 2000 e 2010, tornou-se a metrópole brasileira de maior crescimento proporcional, produzindo o maior PIB do nordeste, destacando-se os setores de prestação de serviços e construção civil.
Dentre as consequências desse incremento econômico, ocorre o aumento no valor da terra e dos aluguéis, elevando-se o défice habitacional. Essa valorização, intensificada pela especulação imobiliária, aprofunda o cenário da segregação urbana, removendo diversas famílias, tais como em áreas próximas à praia e ao Centro, dotados de infraestrutura e serviços públicos.
O crescimento urbano, junto à intervenção das políticas públicas, molda essas condições, influenciando na valorização dos preços dos imóveis periféricos na cidade. Segundo Gondim e Gomes (2012), “como a oferta de habitação popular pelo Poder Público tem sido historicamente insuficiente, os pobres têm que recorrer a mecanismos informais, como ocupações ou aquisição de terrenos em loteamentos irregulares” (p.508).