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O objeto de estudo desta pesquisa são agricultores familiares produtores de café com registro de IG. Para caracterizar os agricultores foram escolhidas algumas variáveis importantes, tais como: idade, grau de escolaridade, tempo na atividade, cadastro de DAP, tamanho da propriedade, empregados permanentes e temporários, número de familiares que contribuem com a atividade e outras atividades desempenhadas. Para melhor compreensão dos dados, foram elaboradas tabelas que sintetizam as informações para ambas as regiões analisadas (Tabelas 1 e 2).

No território da Serra da Mantiqueira em Minas Gerais foram entrevistados sete agricultores familiares que residem no município de Cristina e têm entre 29 e 57 anos, com grau de escolaridade de ensino fundamental ao médio. Em sua maioria são proprietários e têm experiência com a cultura do café. Três estão na atividade de 10 a 20 anos, dois de 21 a 30 anos e dois de 41 a 50 anos. Verificou-se que a cultura do café é uma tradição familiar que continua a ser desenvolvida pelos entrevistados.

Tabela 1- Caracterização dos entrevistados no território da Mantiqueira de Minas.

Idade Escolaridade Tempo na atividade DAP Tamanho Propriedade Empregados permanentes Empregados temporários N° de familiares que contribuem Outras atividades AF1 37 Fundamental 21 a 30

anos Não 5,41 hectares Não Não 1 Sim AF2 37 Fundamental 10 a 20

anos Sim 2 hectares Não Não 7 Sim

AF3 29 Médio 10 a 20

anos Sim 0,67 hectares Não

Sim, na

colheita 4 Sim

AF4 29 Médio 10 a 20 anos Sim 4 hectares Não Não 2 Sim

AF5 53 Fundamental 41 a 50

anos Sim 11 hectares Não Não 3 Sim

AF6 44 Fundamental 41 a 50

anos Sim 3,6 hectares Não Não 4 Sim

AF7 57 Fundamental 21 a 30

anos Sim 9 hectares Não Não 5 Sim

Fonte: elaborado pela autora com os dados da pesquisa.

Dos entrevistados apenas o entrevistado AF1 não tem DAP. Considerando a Lei 11.326 de 24 de julho de 2006, ele não se enquadra nos critérios estabelecidos por esta Lei para acessar programas da política pública voltados para o agricultor familiar. Contudo, este

entrevistado contempla os critérios estabelecidos, sendo proprietário da terra e gestor de sua propriedade, cujo tamanho é de 5,41 hectares, conforme o permitido, e conta com mão de obra familiar, não contratando empregados permanentes ou temporários. Por isto este produtor foi considerado na pesquisa.

Todos os produtores utilizam mão de obra familiar. O entrevistado AF3 é o único que contrata empregado, mas somente em época de colheita. Os demais destacaram que no período de colheita contam com a ajuda mútua dos agricultores familiares vizinhos produtores de café, trabalhando em sistema de mutirão. Tal fato contribui para que os laços estabelecidos entre os produtores sejam mais fortes, favorecendo o sucesso das ações coletivas.

Com relação às características das propriedades, todas as propriedades têm algum tipo de diversificação, principalmente a cultura da banana. O entrevistado AF5 cria gado leiteiro, além de cultivar banana e café. Para todos os entrevistados, o café é a principal atividade, representando de 80 a 90% do faturamento anual. Alguns entrevistados relataram que a renda obtida com a comercialização da banana é destinada para as despesas mensais e a renda obtida com o café é para as despesas de longo prazo. Isto sugere que o agricultor familiar aja de forma estratégica ao diversificar sua produção e, assim, garantir o bem estar da sua família e a continuidade da atividade.

No território do Norte Pioneiro do Paraná foram entrevistados cinco agricultores familiares dos municípios de Ribeirão Claro e Pinhalão (Quadro 7). Estes apresentaram idade entre 28 e 64 anos de idade, e considerando o grau de escolaridade, apenas o entrevistado AF1 tem ensino fundamental. Os demais informaram ter ensino médio e o entrevistado AF2 tem formação técnica em informática. Com relação ao tempo na atividade, três estão na atividade há muito tempo. Como no território da Serra da Mantiqueira de Minas Gerais, percebe-se que há a continuidade do cultivo do café nas famílias.

Tabela 2 - Caracterização dos entrevistados no território do Norte Pioneiro do Paraná. Idade Escolaridade Tempo na atividade DAP Tamanho Propriedade Empregados permanentes Empregados temporários N° de familiares que contribuem Outras atividades AF8 64 Fundamental 41 a 50

anos Sim 5 hectares Não

Sim, na colheita. 2 Não AF9 28 Médio/ técnico em informática 10 a 20

anos Sim 8 hectares Não

Sim, na

colheita. 4 Sim

AF10 29 Médio 10 a 20 anos Sim 3,21 hectares Não Não 2 Sim

AF11 32 Médio 10 a 20

anos Sim 2,9 hectares Não

Sim, na

colheita. 5 Não

AF12 47 Médio 31 a 40

anos Sim 3,1 hectares Não

Sim, na

colheita. 2 Não

Fonte: elaborado pela autora com os dados da pesquisa.

Apesar de todos os entrevistados terem DAP e contarem com a mão de obra da família, apenas o entrevistado AF10 não necessita contratar empregados temporários para auxiliar na colheita. Verificou-se também que os entrevistados demonstraram maior dependência econômica da cultura do café. Apenas os entrevistados AF9 e AF10 informaram que suas propriedades eram diversificadas. Além do café, o entrevistado AF9 produz morango, milho verde e cria gado de corte, o que respectivamente representa 20%, 10% e 10% no seu faturamento. Este entrevistado também escoa sua produção por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), instrumentos de compras públicas.

O entrevistado AF10 produz mel e própolis, cujas caixas estão localizadas na área de reserva legal de sua propriedade, representando 5% do faturamento. Iniciou em 2014, o cultivo da ameixa e ainda não obteve produção para comercialização. Enfatizou que aderiu a esta diversificação para se proteger quando houver problemas climáticos que interfiram na produção do café.

O fator clima, sobretudo as geadas que ocorrem na região, tem se demonstrado a maior incerteza na produção de café. Verificar esta ação estratégica do entrevistado AF10 demonstra que o mesmo está além do desejo de produzir o necessário para a sua subsistência.