Após a realização do presente trabalho podemos chegar a algumas conclusões sobre o mercado de distribuição em Portugal, o espaço do cinema independente diante desse cenário e o lugar da distribuidora Midas Filmes dentro desse contexto. Por mais que distribuidora não represente uma quota de mercado muito significativa, é um importante agente dentro do sistema do cinema independente português, e representa a possibilidade de contacto, através das salas de cinema, da televisão, dos DVDs, e mais recentemente também através do VOD, do público português com realizadores e filmes incontornáveis do cinema mundial, que se não fosse o trabalho da distribuidora talvez sequer fossem exibidos, distribuídos ou editados no país. Acrescenta-se a isso ainda o trabalha das outras empresas que integram o grupo, que são extremamente relevantes para a visibilidade de cinema independente em Portugal, principalmente no sector de exibição, através do Cinema Ideal, um espaço de excelência para a difusão para esse nicho de mercado.
As novas tecnologias de fruição de filmes, principalmente através dos canais de
streaming não parecem ser um fator de risco a curto prazo para o segmento dos filmes
independentes em Portugal, pelo contrário, surgem como uma nova janela de contacto com o público e de receita para as distribuidoras, e devem continuar seu movimento de expansão nos próximos anos. A venda de DVDs neste segmento se mantém, com alguma queda, mas não tão acentuada quanto em outros segmentos, e continuar a ser responsável por uma parcela significativa das receitas das distribuidoras de cinema independente.
Já no âmbito da distribuição de cópias, as novas tecnologias permitiram baixar os custos de circulação e reprodução das obras, mas no caso específico português, essa redução dos custos não foi tão significativa quanto poderia ter sido porque quem financiou a digitalização das salas acabaram por cobrar uma taxa de exibição, o virtual print fee (VPF).
No plano infraestrutural, a ausência de salas voltadas para a exibição de filmes independentes coloca a continuidade da atividade de distribuição de cinema independente em risco. As distribuidoras com esse foco não dispõem de ecrãs de cinema suficientes para distribuir as obras que gostariam. Há pouquíssimas salas para filmes de arte em Portugal, e há cada vez mais filmes para serem lançados todos os anos. A falta de políticas públicas mais robustas para a criação e apoio de salas de exibição voltadas para cinematografias minoritárias, em conjunto com a ausência de programas que incentivem principalmente as camadas mais jovens a irem assistir esse tipo de filme nos cinemas, a necessidade de um maior apoio aos cineclubes, que tem um papel fundamental na difusão dos filmes independentes em cidades
menores, e por último a perda de espaço na televisão pública, são os principais desafios para a distribuição de cinema independente em Portugal, e devem ser levados em conta na construção de medidas que venham a assegurar a sustentabilidade da distribuição desse tipo de conteúdo no país.
Em relação aos filmes produzidos em Portugal, podemos concluir que mesmo com a implementação de um cinema comercial desde o início desse século (Ribas, 2016), o cinema português, nos últimos quinze anos, continuou a apresentar baixos índices de quota de mercado, e parece persistir na sociedade, o que Cunha (2007) denominou como um sentimento de desconfiança de base frente aos filmes nacionais. Nesse aspeto nos chama a atenção a falta de espaço disponível para os filmes portugueses independentes, que muitas vezes nem conseguem ser distribuídos.
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