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3     TEORI  KAPITEL

3.1     H OFSTEDES  KULTURELLE  DIMENSJONER

De acordo com Bogdan e Biklen (1994), as provas recolhidas durante o processo de investigação-ação denominam-se por dados. Estes autores sublinham que o investigador deve recolher muitos dados com o objetivo de documentar as suas posições de forma consistente e,

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assim, estar apto para sugerir mudanças. Logo, é fundamental que o investigador seja “(…) sistemático, completo e rigoroso na recolha de dados.” (p. 299).

Latorre (citado por Coutinho et al., 2009) afirma que existe um conjunto de técnicas e de instrumentos de recolha de dados que se organizam em três categorias: técnicas baseadas na observação (centram-se no investigador e na observação direta da realidade em estudo); técnicas baseadas na conversação (focam-se na perspetiva dos participantes e implicam diálogo e interação entre estes e o investigador) e análise de documentos (o investigador pesquisa e analisa através da leitura de documentos escritos, que se constituem como fontes de informação). No quadro seguinte, Quadro 2, é possível observar alguns instrumentos, técnicas e meios audiovisuais utilizados na recolha de dados, referidos por Coutinho et al. (2009).

Segundo Máximo-Esteves (2008), os professores recorrem preferencialmente aos diários, às entrevistas e à análise do trabalho das crianças, enquanto instrumentos de recolha de dados utilizados em projetos de investigação-ação relacionados com o processo de ensino- aprendizagem. Para avaliar as intervenções efetuadas, nos dois projetos de investigação-ação que fazem parte do presente relatório, foram recolhidos dados recorrendo à análise documental, à observação participante, à elaboração de notas de campo e ao seu registo no diário de bordo e aos registos fotográficos. Estas estratégias encontram-se descritas, sob o ponto de vista teórico, nos pontos seguintes.

3.4.1. A Análise Documental

Segundo Sousa (2009), a análise documental consiste em analisar documentos, que são normalmente textos. O seu objetivo é tratar a informação de um documento primário, transformando-o num documento secundário (uma síntese do primeiro), que seja facilmente compreensível e tenha o máximo de informação pertinente para o investigador.

38 3.4.2. A Observação Participante

De acordo com Sousa (2009), “observar é olhar atentamente.” (p. 108). Máximo-Esteves (2008) afirma que observar permite conhecer diretamente os fenómenos tal como eles acontecem num determinado contexto, o que contribui para compreender o próprio contexto, os indivíduos que nele atuam e as interações entre estes.

Segundo Sousa (2009), existem várias formas de classificar as técnicas de observação. Carmo e Ferreira (2008) mencionam que uma das formas mais usuais de as distinguir diz respeito ao envolvimento do indivíduo no campo do objeto em estudo: se participa ou não- participa no mesmo.

De acordo com Carmo e Ferreira (2008), quando o observador faz parte da vida da população observada, estamos perante uma “observação participante”. Sousa (2009) especifica que o investigador observa “(…) a vida do grupo a partir do seu interior, como seu membro.” (p. 113). Logo e segundo Fortin (2009), o papel do investigador participante é o de estudar o grupo social do interior do mesmo, a partir de uma participação direta e pessoal. É de salientar que normalmente nos primeiros dias de observação participante o investigador fica um pouco de fora, esperando que o observem e o aceitem (Bogdan & Biklen, 1994). Posteriormente, a sua participação vai aumentando progressivamente em função do desenvolvimento da relação entre ele e os membros do grupo em estudo.

Segundo Carmo e Ferreira (2008), depois de realizar a observação é imprescindível o seu rápido registo para que a informação não se perca. Máximo-Esteves (2008) destaca que as notas de campo e os diários são os instrumentos metodológicos a que os docentes mais recorrem para registarem os dados resultantes da observação.

3.4.3. As Notas de Campo e o Diário de Bordo

De acordo com Bogdan e Biklen (1994), as notas de campo são o relato escrito resultante do que o investigador escuta, observa, experiencia, pensa e reflete no decurso da investigação. Assim sendo, originam material do tipo descritivo e do tipo reflexivo. É de salientar que estas devem ser detalhadas, precisas e extensivas, privilegiando observações em vez de suposições ou inferências. Máximo-Esteves (2008) afirma que alguns docentes utilizam o diário como principal estrutura de registo escrito para anotar dados, em que se incluem as notas de campo. Segundo Máximo-Esteves (2008), “os diários são colectâneas de registos descritivos (…)” (p. 89). Carmo e Ferreira (2008) afirmam que o diário de bordo6 é um instrumento em

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que o investigador regista, por ordem cronológica, os procedimentos da investigação, o resultado das observações efetuadas e os acontecimentos relevantes. Já Sousa (2009) afirma que as páginas do diário de bordo são constituídas pela programação das etapas de intervenção, bem como pelos relatórios das mesmas (relatos descritivos que explicam como decorreu cada etapa do plano de investigação). O mesmo autor especifica, ainda, que esses relatos podem conter o que correu bem na intervenção, o que não resultou, o interesse dos discentes, caminhos alternativos de atuação e outras observações pertinentes.

Em suma e de acordo com Máximo-Esteves (2008), o diário enquanto recurso metodológico ao serviço da investigação caracteriza-se pela sua riqueza descritiva, interpretativa e reflexiva. Deste modo, a partir de uma análise final e retrospetiva do diário de bordo, o investigador pode retirar conclusões de elevado interesse relativas à problemática em estudo, que originam conclusões para a investigação (Sousa, 2009).

3.4.4. Os Registos Fotográficos

De acordo com Bogdan e Biklen (1994), as fotografias fornecem fortes dados descritivos: dão uma perceção geral do meio ou oferecem informação factual específica. Nesse sentido, Máximo-Esteves (2008) refere que os recursos fotográficos podem servir, por exemplo, para inventariar os objetos da sala ou para registar atividades de encenação/dramatização ou, ainda, para ilustrar, demonstrar ou exibir.

Segundo Bogdan e Biklen (1997), a fotografia é comummente utilizada em conjunto com a observação participante, para “(…) lembrar e estudar detalhes que poderiam ser descurados se uma imagem fotográfica não estivesse disponível para os reflectir.” (p. 189). Nesse sentido, Máximo-Esteves (2008) declara que os docentes registam regularmente observações através da imagem. Nessa perspetiva, as imagens constituem documentos, que contêm informação visual, que podem ser consultados posteriormente, sem grande perda de tempo. Para tal, devem ser convenientemente arquivados, ou seja, devem conter uma referência temporal e espacial. Para além disso, as fotografias devem estar acompanhadas de uma autorização, pois para poderem ser publicadas “(…) é imperativo que cada indivíduo reconhecível em cada fotografia assine um documento que dê permissão para publicar a sua fotografia.” (Bogdan & Biklen, 1997, p. 193). No caso de crianças, essa autorização é feita pelo seu encarregado de educação.

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