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In document Status report June 2003 (.pdf) (sider 28-33)

Em Nova Escola há um total de nove seções, que podem ser agrupadas em dois blocos tendo-se como critério o tipo de leitura proposta nos textos. O primeiro bloco é composto por seções que estão localizadas no início da revista e que permitem, por sua diagramação38, uma leitura mais corrida e global, como é o caso das seções “Caro Educador”, “Sala dos professores”, “NE On-line”, “Visita”, e “Estante”. As outras seções – “Na Dúvida” “Fala, Mestre!”, “Grande Pensadores” e “Pense Nisso” – demandam uma atenção mais focalizada do leitor, e sua localização no suporte varia ao comparamos as edições de outubro e dezembro.

As seções em Nova Escola são fixas, ou seja, elas estão presentes em todos os números da revista39. Alteram-se os conteúdos, mas o objetivo e sua ordem de colocação na revista praticamente não se alteram. A estabilidade e a manutenção da ordem de aparecimento

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Evidenciaremos, posteriormente, quais são esses elementos que configuram a leitura global do texto.

39 Ao longo do tempo, observamos que algumas seções foram criadas, outras foram excluídas. Houve também em certos

dos textos no suporte dão segurança ao leitor, pois, com o tempo, ele vai incorporando uma série de informações sobre a organização do impresso e seu manuseio.

Vejamos no quadro 4 o resumo de cada seção a partir de alguns elementos que a caracterizam, tais como o gênero textual, conteúdo, vocabulário etc.

QUADRO 4 - Apresentação sumária das seções da revista Nova Escola (nº 196 e nº 198).

Caro Educador Sala dos professores Nova Escola On-line

Editorial da revista. O editorialista é diretor de redação de Nova Escola. Gabriel Pillar Grossi.

nº de páginas: 1

Esta seção apresenta as cartas dos leitores enviadas à redação. nº de páginas: 2

Esta seção veicula principalmente os conteúdos On-line disponibilizados no

site da revista Nova Escola e divulga

informações sobre eventos de formação (congressos e seminários).

nº de páginas: 1

Visita Estante Na Dúvida? Pergunte

A seção apresenta algum museu ou local que possa ser visitado pelo professor e alunos. O texto orienta como o docente pode encaminhar atividades no período que antecede a visita, como explorar a exposição no dia da visita e quais trabalhos podem ser realizados

posteriormente. O local pode ser sugerido pelos leitores.

nº196 - Museu afro nº198 - Museu de bonecos

nº de páginas: 1

A seção apresenta de15 a 20 livros classificados em três categorias. A primeira é composta, geralmente, por cerca de dez livros que poderiam ser considerados como aqueles que servem à formação do professor. A segunda e a terceira referem- se, respectivamente, aos livros juvenis e infantis.

nº de páginas: 3

Três perguntas enviadas por leitores são respondidas por especialistas e sujeitos que ocupam cargos hierarquicamente mais altos em determinadas instituições de Educação. Um delas recebe mais ênfase, pois é respondida por meio de infográfico. Questões focalizadas:

nº196 - Por que Plutão não é mais um

planeta?

nº198 - Como organizar a biblioteca?

nº de páginas: 2

Grandes Pensadores Fala, Mestre! Pense Nisso

O texto focaliza algum autor e explora suas idéias. É o que mais se assemelha a um texto produzido na academia. Utiliza vocabulário técnico e há menção aos conceitos abordados pelo autor e uma breve explicação destes.

nº196 - Edgar Morin nº198 - Pierre Bourdieu

nº de páginas: 3

Entrevista realizada geralmente com algum autor do campo acadêmico da área da Educação. Os entrevistados são geralmente autores estrangeiros, sendo que alguns deles são considerados como ícones da Educação.

nº196 - Bernard Charlot nº198 - Charles Hadji

nº de páginas: 3

O colunista, Luiz Carlos de Menezes argumenta sobre alguma questão a respeito da Educação.

Temáticas:

nº196 - A importância do docente e sua

função enquanto agente capaz de promover mudanças na sociedade.

nº198 - Qualidade do ensino público o

Brasil

nº de páginas: 1 Fonte: Dados compilados pelo autor.

A leitura do quadro mostra que há variedade de gêneros textuais, o que dá certa dinamicidade à leitura de Nova Escola e uma visão geral da composição das edições analisadas nesta pesquisa. Além disso, podemos considerar que as seções servem também àqueles leitores que não estão em sala de aula. Outro aspecto notado refere-se à quantidade de páginas destinadas a cada seção e a sua disposição no suporte, o que também deixa pistas do modo como o editor pensou que o leitor iria se movimentar no ato da leitura.

Tomando como exemplo a ordenação dos textos e anúncios publicitários, na edição nº 198, da página 6 a 26, as seções são intercaladas com publicidade. Suponhamos que o leitor

A revista Nova Escola

inicie a leitura de uma seção disposta ao seu lado esquerdo. Na página ao lado ele depara com uma matéria publicitária. Essa disposição força um movimento de virar a página para continuar a leitura do texto, criando uma pequena pausa. A intercalação da matéria publicitária com textos tem esse efeito de criar intervalos para a leitura.

As reportagens vêm em seguida e ocupam as páginas 26 a 57. Na seqüência, vemos a seção “Grandes Pensadores”40, caracterizada pelas marcas de um texto acadêmico. Assim sendo, entre as páginas 26 e 62 o leitor se entretém com textos que demandam dele uma atenção focalizada, mais demorada, seja pelo conteúdo temático seja pelo modo como o texto figura na página ou mesmo pela sua extensão (enquanto a maioria das seções tem até duas páginas, as reportagens têm entre duas e quatro páginas, excetuando-se a reportagem de capa, que tem 10 páginas). Além da extensão, há outros dois fatores que configuram a leitura. O primeiro é que não há nenhuma publicidade entre as reportagens, o que faz com que a leitura ocorra sem interpelações de matéria publicitária, como se o editor desejasse que o leitor ficasse fixados nas idéias do texto e aos pensamentos suscitados por elas. O outro fator que configura a leitura dos textos compreendidos entre as páginas 26 e 62 são os gêneros nos quais eles figuram: reportagem e um texto que se aproxima do gênero acadêmico. Em conformidade com esses gêneros, o leitor depara com porções maiores de texto, que lhe exigem uma atenção maior. A última seção “Estante” é colocada na edição nº 198 após esse conjunto de textos mais extensos. Esta seção apresenta pequenas porções de texto com resumos, resenhas de livros. Poderíamos afirmar que “Estante” recupera a leveza das seções iniciais, funcionando como um intervalo, uma pequena pausa, em que o editor “autoriza” a realização de uma leitura mais panorâmica. Nesse intervalo o leitor recupera o fôlego para ler as reportagens que se seguem (do caderno de Educação Infantil) e que exigem uma leitura mais atenta.

Um outro aspecto curioso é que a seção “Estante” é interrompida por publicidades de livros didáticos. Com isso, parece haver um intuito de destinar as páginas 63 a 69 para a divulgação de livros, seja pelo texto editorial na seção “Estante” ou pela publicidade veiculada.

A edição de outubro (nº 196) apresenta uma ordenação dos textos semelhante à da edição de dezembro. Entre as páginas 6 e 14, o leitor depara com quatro seções – “Caro

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Esta seção se aproxima do gênero acadêmico não por sua “construção composicional”, mas sim por seu “conteúdo temático” (ênfase dada aos aspectos teóricos), pela linguagem técnica empregada e pelo modo de representar discursivamente a voz do autor focalizado. O “conteúdo temático” e a “construção composicional”, ou seja, à macro- estrutura peculiar a cada gênero (carta, bula de remédio, conta de água, catálogo telefônico) são dois elementos que caracterizam um gênero, segundo Bakhtin (1997). Um terceiro elemento mencionado pelo autor é o estilo dos textos

Educador”, “Sala dos Professores”, “Nova Escola On-line”, “Visita” – que propõem uma leitura mais ligeira e são intercaladas com publicidade. Em seguida ele encontra, entre as páginas 15 e 26, as seções “Fala, Mestre!” e “Grandes Pensadores”41, que são mais extensas e exigem mais atenção do leitor. Por isso os textos que se seguem (três páginas de publicidade e a seção “Na dúvida? Pergunte”) permitem um pequeno descanso na leitura. Até a página 31, o leitor depara com essas sete seções e publicidade. Daí em diante vem o conjunto de reportagens, que tem seu início na página 32 e vai até a 57. Na edição de dezembro, não há nenhuma publicidade interrompendo as reportagens, mas, na edição de outubro, há uma única, da própria editora Abril. Após esse conjunto de reportagens que se configuram como uma seqüência mais densa de textos, o leitor encontra as duas últimas seções, que não exigem tanto esforço do leitor: “Estante”, que é intercalada com publicidade, e “Pense Nisso”.

Nesta seção apresentamos de forma sumária a composição da revista por meio das seções e reportagens. Vimos que há textos que focalizam diferentes segmentos do ensino e, portanto, diferentes leitores-professores. Além disso, algumas reportagens e seções não estão exclusivamente direcionadas à sala de aula, o que faz com que a revista amplie seu público leitor. Tecemos posteriormente, algumas considerações sobre o efeito produzido para leitura em relação à ordenação destas no suporte. Destacamos que a ordem dos textos no suporte não se faz de forma aleatória. Há propósitos diferentes ao se dispor um texto do lado direito ou esquerdo do leitor, ao intercalar o texto editorial com esta ou aquela publicidade, e há uma lógica no agrupamento das seqüências de seções e reportagens.

41 Entre essas duas seções há um informe publicitário que propõe uma atividade pedagógica para ser realizada. Das

A modelagem do leitor nas seções de Nova Escola

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