O esquete Amiguinho165 (2015, 4m), postado em 03 de outubro de 2015, expõe a meta Redução das Desigualdades por meio do combate ao racismo. No vídeo, um casal se reúne com a diretora da escola de seu filho para pedir que um de seus colegas (João) não seja expulso por ter explodido um cano da escola com uma bombinha. O casal argumenta seu pedido no fato de João ser o único aluno preto da escola, o que dava aos personagens uma suposta ‘aura’ não-racista por apoiar a amizade do filho com a criança negra. Via-se, então, um subterfúgio para afirmar que não eram racistas, pois, “inclusive, meu filho tem amigo preto. Eu recebo preto na minha casa. Ele almoça na nossa mesa”. A mãe chama o garoto de “nosso preto ostentação” e usa o garoto para se promover nas redes sociais, comparando o garoto ao personagem Cirilo da novela Carrossel166. Apelando para o jeitinho brasileiro, os
pais oferecem alternativas para que o garoto não seja expulso – como oferecer dinheiro ou pedir que expulsassem a filha mais velha deles – pois se o menino sair da escola não faria mais sentido conviver com ele, e os pais não querem perder o status de “boas pessoas”, dizendo que escolheram a escola por conta de ter um aluno preto – algo raro em escolas particulares. O discurso dos pais se mostra cheio de equívocos e preconceitos quanto à situação financeira de João e sua condição social. Por conta de ser negro, é tomado como pobre e favelado, quando, na verdade, mora no Leblon, em um apartamento de frente para o mar. Por ser irredutível, a diretora é chamada de racista pelos pais, mas ao argumentar que a
164 Fetos que não possuem a formação do cérebro, o que impossibilita a vida pós-parto.
165Disponível em: <https://www.YouTube.com/watch?v=NxzUU-cZD1o>. Acesso em: 10 fev. 2016.
166 Personagem negro da telenovela infantil Carrossel. Conhecido por se apaixonar pela menina loira e rica da escola que o destrata por ser negro e pobre. Carrossel é originalmente mexicana, gravada entre 1989 e 1990, foi exibida no Brasil, pela primeira vez, em 1991, pelo SBT. A segunda versão foi produzida pelo SBT entre 2012 e 2013, alcançando ótimos índices de audiência.
escola estaria pensando em um programa de promoção da diversidade no qual metade dos alunos seriam negros, os pais se sentem contrariados e dizem que esta medida é desnecessária. A reunião é interrompida por um funcionário da escola que avisa que uma aluna (Marta) jogou uma pedra em outro aluno. Os pais perguntam se Marta é a aluna lésbica e pedem que a diretora não a expulse, pois ela cumpre a mesma função social de João. O pai novamente, oferece dinheiro. A cena pós-vinheta mostra os pais pesquisando na Internet por um “preto” que possa substituir João.
Além do racismo, o texto também fala do preconceito de classe e orientação sexual. A família apresentada deseja apresentar-se superior aos seus pares por conviver com segmentos sociais marginalizados, mas sem se aprofundar em manter ligações e relacionamentos íntimos de amizade ou empatia pelos conflitos que estes enfrentam no cotidiano devido ao não pertencimento às maiorias. João e Marta possuem apenas caráter ornamental e de status na convivência com a família, que se desinteressa por suas vivências, uma vez que não sabiam que o menino não morava na favela, mas em um bairro nobre. A família quer a proximidade controlada e funcional. Ter um negro por perto os faz imaginar que não são racistas. No entanto, não querem que a escola tenha metade dos alunos negros. Portanto, não apoiam a invasão dos negros em seu espaço segregado.
Em 2015, um acontecimento midiático que tomou grandes repercussões nas redes sociais envolveu a apresentadora Fernanda Lima e as babás de seus filhos. No dia 03 de agosto, a apresentadora postou uma foto, na rede social Instagram, na qual apareciam as babás de seus filhos – duas jovens negras. Fernanda colocou a seguinte legenda na imagem: “Aqui em casa não tem essa de babá vestida de branco! Olha o grau das mina (sic)”. A postagem da fotografia, então, levou a dois debates: a questão da obrigatoriedade do uniforme branco para babás, por famílias de alto poder aquisitivo167; e críticas à apresentadora, por usar
a imagem para se promover. Uma usuária da rede social, em que a foto foi postada, escreveu o seguinte comentário168:
O mais triste desse país não é o fato de estarem vestidas de branco ou não, é o fato de sempre vermos pelo passado escravocrata esse tipo de foto, a sinhá branca falando 'olha, minhas negras não vivem na senzala, são da casa'. Pode até tratar bem, mas infelizmente elas sempre serão as babás e a sinhá sempre será a boazinha, tipo Princesa Isabel. Um dia, neste país ainda vamos ver os negros no poder e não só subalternos como essa foto.
167 Disponível em: <http://www.diariodocentrodomundo.com.br/as-babas-usam-branco-para-continuar- invisiveis/>. Acesso em: 10 fev. 2016.
168 Disponível em: <http://ego.globo.com/famosos/noticia/2015/08/apos-postar-foto-de-babas-fernanda-lima-e-
A apresentadora rebateu ao comentário, argumentando que as babás “são parte de sua família” e são bem remuneradas para fazer seu trabalho:
Querida, essas meninas são filhas de uma grande amiga e não trabalhavam. Quando tive meus meninos, liguei pra ela perguntando se elas queriam uma oportunidade de trabalho porque eu estava disposta a ensinar, já que saquei que, apesar de difícil, a profissão de babá pode ser muito rentável. Desde então elas convivem com nossa família, comemos na mesma mesa, conversamos e trocamos confidências como amigas e ainda as remunero muito bem. Sem queixas, nem crises por parte de ninguém. Boa tarde pra você também.
O esquete do Porta dos Fundos remete ao texto de Casa Grande e Senzala, de Gilberto Freire (1986), ao falar da convivência – até certo ponto cordial – cotidiana entre negros e brancos na sociedade brasileira, mas que é simbolicamente segregadora e opressora, buscando sempre impor ao outro – não apenas ao negro, mas ao pobre, ao nordestino, ao homossexual – um papel secundário e desvalorizado dentro do cenário político, econômico e social, delimitando seus espaços de circulação e sua função na sociedade. O vídeo apresenta o questionamento destes valores que estão amalgamados na cultura brasileira, mas velados pelo caráter pacífico e cordial.
3.6 Considerações finais do capítulo
O consumo de produtos da mídia é também um espaço de produção, não mero consumo, e deve ser analisado como tal, pois o que interessa é o modo que a recepção/produtor se apropria e age em relação a este produto e o insere em seu cotidiano. No cotidiano dinâmico, as apropriações e ressignificações na recepção dos textos culturais são imprevisíveis, o que resulta em momentos de resistência ou passividade quanto às imposições sociais:
A análise das imagens difundidas pela televisão (representações) e dos tempos passados diante do aparelho (comportamento) deve ser completada pelo estudo daquilo que o consumidor cultural ‘fabrica’ durante essas horas com essas imagens. [...] A fabricação que se quer detectar é uma produção, uma poética – mas escondida, porque ela se dissemina nas regiões definidas e ocupadas pelos sistemas de ‘produção’ (televisiva, urbanística, comercial etc.) e porque a extensão sempre mais totalitária desses sistemas não deixa aos ‘consumidores’ um lugar onde possam marcar o que fazem com os produtos. (CERTEAU, 2004, p. 39)
Neste sentido, os esquetes do Porta dos Fundos abordam situações cotidianas, levadas ao exagero, pois satirizam acontecimentos. São constantes as temáticas que abordam pontos de vista relacionados à religião, sexualidade, política, relacionamentos de casais e familiares, conflitos em ambiente de trabalho, entre outras. O canal faz apontamentos a respeito da sociedade contemporânea e das dinâmicas sociais existentes no ambiente cultural a que
pertence. Seus textos são de alcance de todo público, mesmo sendo direcionados a consumidores preferenciais, que realizam a decodificação concordante com os sentidos propostos.
Estas narrativas dialogam, tanto com os conteúdos sociais presentes no cotidiano, quanto com os conteúdos produzidos pelas outras mídias, como televisão, cinema, rádio, jornal, quadrinhos e, inclusive, Internet. Por esta razão, é percebido que o Porta dos Fundos fala de seu tempo, apresenta questões pertinentes ao seu contemporâneo, mas codificadas segundo a perspectiva de seus produtores.
Mais que partilhar dos mesmos códigos e assim transgredi-los, o diálogo ajustado com os conteúdos sociais depende das escolhas e tratamentos temáticos realizados na elaboração da narrativa. É interessante lembrar que a feitura dos produtos midiáticos acompanha as atualizações sociais. O objeto que possui valor risível pode perder este valor. As temáticas abordadas e seus tratamentos expõem, criticam ou confirmam, portanto, os valores, conflitos e anseios predominantes em determinado ambiente cultural.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em seu contexto comunicacional, o canal Porta dos Fundos, do YouTube, surge como a consequência da combinação de condições que contribuíram para trazer ao público um conjunto de narrativas que dialogam com o espírito de seu tempo. Esta pesquisa buscou entender três dos elementos que compõem esta combinação: a mídia suporte (Internet), a herança de linguagens audiovisuais anteriores (televisiva) e o ambiente cultural em que as narrativas se apresentam (sociedade). Cada um destes itens traz impactos diretos à elaboração das narrativas. O processo de contar uma narrativa é atravessado, então, por diversos fatores que determinam as escolhas de sua feitura (suporte, contexto social, cultural e financeiro, escolhas estéticas, gênero etc.) e incidem no resultado do produto.
O objeto da pesquisa é caracterizado por ser um produto realizado essencialmente para o consumo na Internet e, portanto, carrega traços deste ambiente midiático. Por ser um ambiente que privilegia a presença de múltiplos discursos que trafegam pelas redes e alcançam a qualquer um que esteja conectado a ela, a Internet possibilita a visibilidade de imagens e vozes de grupos minoritários que anteriormente dispunham de recursos limitados para promover a exposição de seus debates. Desta forma, discussões a respeito de gênero, etnias, classes, entre outros assuntos pertinentes aos interesses sociais, ganham maior visibilidade e são pautas não apenas para conteúdo de produções factuais e educativas, mas também são apresentadas por meio do entretenimento. O humor, por ser ferramenta de confirmação ou questionamento de valores, tem papel importante no universo web quanto a apresentação de reflexões acerca de conteúdos sociais que participam do cotidiano dos indivíduos. Assim, mesmo que a finalidade primeira seja entreter, intencionalmente ou não, as narrativas do Porta dos Fundos também são responsáveis por promover diálogos e considerações ligadas às estruturas ideológicas que constituem e orientam a sociedade em que os textos são apresentados.
Ao observar as narrativas do Porta dos Fundos, percebe-se que o canal busca fazer humor a partir de assuntos pertencentes ao cotidiano de seu público, tratando desde temas (aparentemente) triviais, como relacionamentos amorosos, relações de trabalho e familiares, a questões que interessam à sociedade de modo amplo, como política, feminismo, homossexualidade, segurança pública etc. Assim sendo, a análise do tratamento das temáticas foi fundamental para entender a maneira como as narrativas do Porta dos Fundos se alinham
aos debates propostos pelas minorias, por meio de textos que fogem de ideologias conservadoras e fazem rir ao questionar valores e pontos de vista hegemônicos.
As narrativas do canal, então, buscam colaborar com a revitalização das identidades, por meio das imagens que são construídas nos textos audiovisuais, proporcionando um espaço para outra abordagem das identidades a partir do humor, que evite o uso da estereotipação dos indivíduos não pertencentes às classes hegemônicas, mas do questionamento de discursos anteriormente propostos como dominantes. Desta maneira, o humor na Internet pode se posicionar como lugar de reivindicação de direitos sociais e políticos ao fazer visíveis os grupos que foram desassociados dos discursos das grandes mídias de massa.
Os conteúdos apresentados pelo Porta dos Fundos tendem, sempre, a assumir um ponto de vista alternativo em relação à temática apresentada, pois o humor possui total acesso ao território de negociações de significados nas trocas culturais, podendo participar da produção e reprodução de conhecimento, sem, contudo, ter que respeitar os contratos sociais impostos nestas relações. As narrativas do canal não estão interessadas em apresentar uma cópia da realidade ou transmitir conhecimentos, mas em vaguear entre todos os assuntos, estabelecendo diversas conexões e desconstruindo convenções, sabendo que o humor pode atuar como agente da relação entre a ordem social e a liberdade criativa individual, podendo trabalhar a serviço da subversão ou reproduzindo valores estabelecidos culturalmente. Na página do YouTube onde cada esquete é exibido, o momento de recepção se dá no espaço de produção de sentido, no qual as mensagens recebidas são interpretadas segundo a vivência de cada receptor, sendo re-apropriadas e transformando-se em novas mensagens que, muitas vezes, são produzidas e publicadas no próprio ambiente de recepção (seja nos comentários, nas redes sociais, blogs, ou outros locais).
Neste sentido, é observada a concepção e apresentação de conteúdos sociais como uma via de mão dupla, na qual a elaboração do produto midiático busca na sociedade seus costumes, para confirmá-los ou questioná-los, e então promove diálogos – e produção de sentido – ao codificar estes valores e levá-los ao público segundo a visão que é exposta na mídia, tendo a mídia web como espaço propício para a produção coletiva de sentidos, já que as discussões dos conteúdos expostos saiu dos pequenos espaços (salas de estar, vizinhança, salas de aula etc.) e ganhou a rede mundial de computadores, em ambientes amplos de debates simultâneos entre indivíduos antes desconectados entre si.
Conteúdos realizados para Internet, geralmente, são direcionados a um público de nicho. Os textos do Porta dos Fundos também são orientados a um nicho e, portanto, tratam de temas que interessam a este público: no caso, universo de vivência de jovens e adultos. Por
conseguinte, os temas propostos nas narrativas são tirados das realidades cotidianas que este público vive, seus valores e ideais, buscando proporcionar a identificação ao apresentar acontecimentos com os quais estes sujeitos vivem no dia a dia, assim como questões de vida com as quais se deparam e situações que são comuns a eles. Os receptores do Porta dos
Fundos consomem o cotidiano diluído em esquetes de humor. O produtor de conteúdo deve conhecer seu receptor modelo e o universo de expectativas, experiências e valores pertencentes a ele, uma vez que a narrativa precisa está ligada às práticas sociais e culturais do ambiente em que é produzida e desta relação depende a identificação da obra com seu público.
Portanto, pode-se constatar, também, que os tratamentos das temáticas das narrativas do canal são influenciados por diretrizes políticas e ideológicas que direcionam os modos como são abordados os conteúdos sociais. De modo geral, o Porta dos Fundos apresenta ideias que se aproximam dos discursos dos grupos de resistência, apropriando-se deste discurso que está presente e disperso nas redes, sendo receptor deles. Em seguida, o Porta dos
Fundos produz, a partir de sua leitura destes discursos, sentidos e os transforma em novos códigos, que são transmitidos para o seu público – não produzindo apenas para as minorias, mas para todo o público de Internet. Os textos apresentam elementos que buscam discutir o mundo que rodeia a recepção, proporcionando reflexões acerca de valores e costumes por meio do discurso irônico, sarcástico ou incoerente, como é típico do humor do Porta dos
Fundos.
Ao se refletir a respeito da coexistência dos meios de comunicação, percebe-se que, assim como a Internet não é um meio separado e avulso dos demais, mas que realiza trocas com o ecossistema comunicacional, o Porta dos Fundos não é, também, um produto inédito ou autêntico, pois ele trouxe/recebeu influências dos modos de produzir e fazer humor que foram elaborados e construídos no decorrer de décadas de desenvolvimento de produção audiovisual. Para tanto, adaptou as características do meio Internet. Por exemplo, quanto ao formato em que as narrativas do Porta dos Fundos são apresentadas, salvo algumas exceções, a Internet é o meio mais propício para a exibição de seriados com episódios unitários de curta duração – de dois a cinco minutos – e que se aproximam das comédias de situação. Por não exigir que um produto caiba em uma grade de programação e se molde a exigências rígidas do meio, a flexibilidade da Internet é um estímulo a este tipo de produção. Assim, os produtores do Porta dos Fundos puderam aliar seus conhecimentos técnicos, estéticos e estruturais, herdados da televisão e do cinema, com as liberdades proporcionadas pela web para criar suas narrativas.
Além disso, por estar na Internet, a narrativa do Porta dos Fundos segue o direcionamento para um público de nicho. Por se apresentar no YouTube, segue as lógicas dos vídeos que são postados e produzidos para a plataforma usando para isso, esquetes curtos – de dois a cinco minutos – ou episódios de séries entre 13 a 30 minutos. Os textos produzidos pelo Porta dos Fundos são desenvolvidos para se ajustar as exigências de produção e recepção da mídia Internet, além de carregar as marcas características do humor realizado pelo canal, marcado pela subversão de valores e uma aproximação de acontecimentos do cotidiano.
Como estrutura seriada, o canal Porta dos Fundos produz episódios unitários e tem como principal característica um único aspecto temático que está presente em todos os episódios: o humor – situações cômicas. Apesar de preservar o mesmo grupo de atores (que se revezam entre os episódios), roteiristas e diretores em todos os episódios, cada esquete possui personagens e tramas diferentes, caracterizados por histórias únicas com início, meio e fim, que esgotam sua proposição na unidade e nela se encerra. O que torna estes episódios unitários um tipo de estrutura seriada é o fato de que eles possuem a mesma temática geral, formato e proposta estética. Por ser uma narrativa seriada produzida exclusivamente para
Internet, dividida em episódios – mesmo que unitários –, exibida com periodicidade e servindo-se dos recursos disponíveis pela mídia web para compor seu produto, o Porta dos
Fundos também cabe nos critérios propostos para a definição de uma websérie. Da linguagem televisiva, além da mestiçagem dos formatos, o Porta dos Fundos carregou as estruturas de composição e montagem de cenas. O canal aproxima-se mais dos enquadramentos e montagens televisivos que cinematográficos. Esta aproximação também rendeu ao canal a realização de um percurso inverso ao realizado anteriormente, pois transportaram suas narrativas para a televisão.
Interessante notar que, primeiramente, o Porta dos Fundos resolveu produzir na
Internet um tipo de humor para o qual se pensava não existir um público na televisão, principalmente a aberta. Em sua lógica de produção e mercado, a televisão busca produzir um conteúdo que agrade o maior número de pessoas, no intuito de garantir o maior índice de audiência possível. A Internet, pelo contrário, trabalha com nichos e não possui compromisso com nenhum grupo executivo que a controle. Assim, os produtos podem tanto ser feitos por diversão, quanto para obter lucro. No entanto, optar por produzir conteúdo para a Internet não significa deixar de agir segundo interesses comerciais que busquem o lucro por meio da produção cultural, mas sinaliza a escolha por utilizar-se de um suporte que possui uma lógica mercadológica afastada, mas não completamente diferente, da televisiva e cinematográfica.
No esquete O Porta dos Fundos na TV169, o grupo ironiza as diferenças entre fazer
humor na televisão e na Internet, apontando tanto as diferenças entre montagem de cenários, caracterização de tipos de personagens, figurinos e da estruturação dos diálogos, que na televisão é marcado com uso predominante de bordões. No esquete, o canal se coloca em paralelo apenas com os programas humorísticos tradicionais da televisão brasileira, não considerando que seu formato é um híbrido entre seriados e humorísticos. O grupo buscou na
Internet, portanto, o espaço para criar um tipo de narrativa que no momento inicial – no caso,
em 2012 – não encontrava espaço na televisão brasileira, principalmente nos canais abertos. Desde seu primeiro episódio, foi pensado como uma resposta ao meio televisivo. Este fato