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H ABERMAS ’  TEORI OM STRATEGISKE OG KOMMUNIKATIVE HANDLINGER

O saber da teoria Construtivista é mais um dos saberes que compõe o discurso da alfabetização dos blogs investigados. Ele aparece em 3 dos 31 blogs investigadoslxiv. Esse número pode parecer insignificante, mas serve para mostrar que há links específicos sobre o Construtivismo nos blogs investigados e que eles parecem tratar de modo diferenciado aquilo que antes tratei como saber da Psicogênese da Língua Escrita. Dois desses blogs divulgam uma lista com 50 perguntas e respostas sobre o Construtivismo, na qual ele é definido como uma “nova linha pedagógica que vem ganhando terreno nas salas de aula há pouco mais de uma década”lxv. Para esses blogs, “O construtivismo propõe que o aluno participe ativamente

do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estímulo à dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos”. O construtivismo no currículo dos blogs investigados condena, pois, “a rigidez nos procedimentos de ensino, as

avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno”. Contudo, ainda assim, “as maiores autoridades do

construtivismo” “não costumam admitir que se trate de uma pedagogia ou método de

ensino”lxvi. Contudo, ao mesmo tempo em que o construtivismo faz críticas a tais características, os blogs investigados parecem ressaltar essa mesma lógica da padronização das avaliações e da proposição de um método quando divulgam suas postagens. Os comentários feitos no blog O Mundo da Alfabetização mostram algumas das reações das blogueiras-visitantes frente a essa temática do Construtivismo. O post aqui referido suscitou 18 comentários no totallxvii, dentre os quais destaco os seguintes:

Olá sou professora alfabetizadora há alguns anos. Não sou tradicional, porém me chateio quando vejo colegas fazendo "um construtivismo nas coxas". Tudo pode e de qualquer jeito pode. Assim o educando é preparado para uma postura "oba, oba". Isso me deixa preocupada.

Adorei a reportagem. Embora eu tenha tantos anos de magistério, estou sempre revendo minha postura...Concordo quando se diz que feio é ser má professora por isso, sempre procurei extrair o melhor das duas linhas(tradicional e construtivista) e fazer o que acredito, procurando melhorar sempre!

Adorei o Blog, estou desenvolvendo um trabalho sobre construtivismo e sua postagem sobre o assunto é bastante esclarecedora! =)

Tinha ainda muitas dúvidas sobre o construtivismo, consegui esclarecer algumas delas. Me ajudou muito! bJSS!

Este artigo sobre o construtivismo é ótimo!!! Parabéns pela postagem! Ótimo!!! Me tirou muitassss dúvidas!! Parabéns!!

Tais comentários, primeiramente, mostram que as professoras-alfabetizadoras- blogueiras consideram que o construtivismo tem sido mal interpretado, mal utilizado e que há uma recusa de algumas professoras-alfabetizadoras-comentaristas em aceitar “qualquer coisa” ou qualquer prática como Construtivista. Se, por um lado, há uma condenação em relação ao modo como a teoria Construtivista é executada, por outro lado, há outras blogueiras que parecem confiar no que foi postado sobre o assunto, sendo inclusive utilizado na realização de trabalhos acadêmicos. Há, pois, uma relação de poder aqui que busca demarcar o que é o que não é o Construtivismo, o bom e o mau dele, o Construtivismo usado “adequadamente” do usado “nas coxas”. Para alguns blogs, a teoria Construtivista parece boa, desde que feita em conformidade com o que a teoria propõe.

Já no blog Cantinho da Edna, divulgam-sem no link “Pós-Construtivismo”lxviii, posts com atividades pós-construtivistas69, algumas delas realizadas pela blogueira no GEEMPA70. Esse curso busca a melhoria da qualidade do ensino, junto a professores/as e técnicos/as que atuam na área educacional. Ainda assim, com a ajuda desse grupo de formação, o post intitulado “Pós-Construtivismo”lxix disponibiliza atividades que são mais tradicionais do que Construtivistas (Imagem 11).

69 O Pós-Construtivismo é entendido por Fachin (s.d) como continuação do Construtivismo, mas acrescentando a

dimensão social nos fenômenos da aprendizagem (FACHIN, s.d.). Disponível em:

<http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=2304&secao=281>. Acesso em: 16 ago. 2016.

70 O GEEMPA (Grupo de Estudos sobre Educação, Metodologia da Pesquisa e Ação) é uma organização

privada, independente das Universidades, das Secretarias de Educação e do Ministério de Educação, guardando com estas instituições uma relação de colaboração e apoio. Conforme se apresenta no seu site na internet, a instituição presta serviços às redes de ensino público na forma de realização de projetos de pesquisa, mediante retribuição financeira por convênios de dois tipos: cedência de funcionários ou contrato de tarefas. Disponível em: <http://www.educaedu-brasil.com/centros/geempa--grupo-de-estudos-sobre-educacao-metologia-de- pesquisa-e-acao-uni3227>. Acesso em: 30 jul. 2016.

Imagem 11: Atividades do post intitulado “Pós-Construtivismo” divulgadas no Blog Cantinho da Edna

Uma pergunta feita no mesmo post citado acima – “Construtivismo”lxx – indaga: “O

aluno formado pelo construtivismo fica bom de raciocínio, com mais senso crítico, porém mais fraco de conhecimentos?”. A resposta a essa pergunta disponibilizada nos blogs foi a

seguinte: “Não é bem assim. Os construtivistas insistem em que, embora o construtivismo

enfatize o processo de aprendizagem, este não ocorre desligado do conteúdo: simplesmente não há como formar um indivíduo crítico e vazio. Portanto a aquisição de informações é fundamental”. Frade (2015) esclarece que, atualmente, “não se pode pensar em metodologias de alfabetização sem considerar a criança que aprende e o modo como ela aprende” (FRADE, 2015, p. 279) e que “não basta diagnosticar uma fase sem criar uma estratégia para que a criança progrida”. Talvez por isso, na tentativa de aplicar as teorias nas práticas pedagógicas, algumas/alguns professoras/es tenham transformado de modo distorcido “a teoria em método” (FRADE, 2015, p. 279).

É possível verificar que polêmicas em torno do Construtivismo, bastante presentes no meio acadêmico na primeira metade dos anos 1990, também se fazem presentes nos blogs sobre alfabetização investigados. Problematizando o Construtivismo pedagógico nos anos 1990, Silva (1994) enfatiza que “entender como a criança aprende o alfabeto pode ser importante, mas pouco revela sobre o alfabeto como invenção social e histórica e tudo que

isso implica” (SILVA, 1994, p. 12). Tal posicionamento vem responder à provocação feita por Becker (1994, p. 94), que, defendendo o Construtivismo, naquele período, falava da necessidade de “ultrapassar o dogmatismo do conteúdo”, de “recriar cada conhecimento que a humanidade já criou” para se construir um “mundo que se quer” (BECKER, 1994, p. 94). Silva (1993), contudo, argumenta que o Construtivismo normaliza a “professora construtivista” (SILVA, 1993, p. 10) e também a seus alunos/as. Isso porque, para o autor, o saber construtivista impõe uma “verdade científica sobre a criança e a educação, funciona para desacreditar, desautorizar e deslegitimar outras formas de descrição, análise e intervenção educacional” (SILVA, 1993, p. 13). Isso equivale a dizer que o indivíduo e a Pedagogia a que estão submetidos estão envolvidos inevitavelmente em uma “relação de controle e de poder” (SILVA, 1994, p. 13). Assim, o saber construtivista tem se constituído como “a grande narrativa da educação e da pedagogia” (SILVA, 1994, p. 13) na atualidade, que normaliza e desacredita aquelas/es professoras/es que não operam com essa narrativa. Esse saber também faz funcionar uma tecnologia da formação docente nos blogs sobre alfabetização, valorizando um certo modo de agir e de atuar das professoras alfabetizadoras. Os blogs investigados também apresentam o Construtivismo como uma narrativa que “condena” determinadas “práticas” e, portanto, desacredita certas práticas para se mostrar como um saber mais verdadeiro e, portanto, melhor.