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5. DISKUSJON OG ANALYSE

5.3 H ØYDEENDRINGEN

A área de estudo está localizada no Alto Corumbá, especificamente nos municípios de Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás, Figuras 5 e 6. A primeira fica a uma distância da capital do Estado (Goiânia) de 132 km e a 120 km do Distrito Federal, enquanto Corumbá de Goiás fica a 112 km de Goiânia e 140 km de Brasília (http://portalsepin.seplan.go.gov.br/goiasemdados.../turismo.htm em 16/04/2005).

A seguir são apresentadas as principais características do meio físico, biológico e socioeconômico da região estudada.

Figura 5: Estado de Goiás no Brasil e na Região Centro-Oeste. Fonte: SEPLAN - Goiás em Dados, em 16/04/2005.

Figura 6: Municípios da Região de Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás. Fonte: SEPLAN - Goiás em Dados, em 16/04/2005.

4.1 - Pedologia, Geomorfologia e Geologia

A região de estudo localiza-se no Bioma Cerrado. O solo que predomina na área é o latossolo vermelho-escuro e amarelo em mais avançado estado de pedogênese. A baixa fertilidade desses solos e a pequena reserva de nutrientes na vegetação são conseqüências do alto grau de intemperismo e escasso conteúdo de bases das rochas (quartzitos, ardósias, filitos e micaxistos). Ocorrem também, nos vales junto aos cursos d’água, solos hidromórficos e nas encostas de maior declividade verifica-se a presença de cambissolo, pois a alta taxa de erosão impede a formação de um solo profundo {(Haridasan, 1990); (Nóbrega, 2002)}.

A geomorfologia da região do Cerrado apresenta características peculiares, em virtude de influências geológicas, climáticas e antrópicas. As formas de relevo predominante são residuais de superfície de aplainamento (chapadas) com topografia plana a levemente ondulada. Além disso, encontram-se áreas serranas, depressões periféricas e interplanálticas resultantes de processos de pediplanação, e vales fluviais alongados cujas encostas testemunham processos alternados de dissecação e de pedimentação (Pinto, 1990).

A paisagem geomorfológica do Cerrado tem sofrido alterações marcantes, em virtude da devastação intensa da flora e da extinção da fauna para projetos de urbanização e ampliação das áreas agrícolas (Pinto, 1990).

Quanto à geologia, segundo Dardenne, 2001, a área de estudo está inserida na Faixa de Dobramentos Brasília (FDB) nos Grupos Araxá, Canastra e Paranoá.

No segmento meridional da FDB, diversas ocorrências de cassiterita são relacionadas às intrusões sin a tarditectônicas dos granitos peraluminosos de tipo S, encaixados nos metassedimentos do Grupo Araxá (Dardenne, 2001).

4.2 - Flora

Os resultados sobre a flora e a fauna na área de estudo ainda são muito incipientes. A flora predominante no local de estudo é integrante do bioma Cerrado, com uma extensão de 200 milhões de hectares, ocupando 25% da área do Brasil (UNESCO, 2002). Ademais, o Cerrado possui uma flora considerada das mais ricas das savanas tropicais com alto grau de endemismo. De suas 10.000 espécies de plantas, 44% são endêmicas, incluindo quase todas as gramíneas (http://www.conservation.org.br/publicacoes/files/capa_hotspots.pdf em 09/04/2005).

Na região de estudo, é possível constatar diferentes fitofisionomias do Cerrado com as seguintes formações: campo limpo, campo sujo (Figura 7 fotos a e b), campo cerrado, cerrado sensu stricto (Figura 8 fotos a e b), cerradão, mata ciliar ou de galeria (Figura 9), mata seca (mesófila estacional), vereda ou buritizal (Figura 10), palmeiral (Figura 11 fotos a e b), campos rupestres, campos de altitude, campo úmido, segundo Fonseca, 2001 e os Planos Diretores dos dois municípios {(Geológica, 2005), (GCA e Interplan, 2005)}. É importante destacar que todas as Figuras da flora aqui apresentadas são do município de Cocalzinho de Goiás.

(a) (b) Figura 7:Campo sujo (a) e (b).

(a) (b) Figura 8: Cerrado Sensu Stricto (a) e (b).

Fonte: Pesquisa de campo.

Figura 9: Mata Ciliar ou de Galeria. Figura 10: Buritizal. Fonte: Vice Prefeitura de Cocalzinho de Goiás. Fonte: Pesquisa de campo.

(a) (b) Figura 11: Palmeiral (a) e (b).

Fonte: Pesquisa de campo.

Neste trabalho a nomenclatura usada para a descrição dos remanescentes de vegetação, no item 6.4.1. (página 86), segue a metodologia usada por Veloso e Góes-Filho, 1982.

A grande e rápida expansão da agropecuária, à taxa de 3% ao ano em termos de superfície, e a consolidação de infra-estrutura urbanística, determinaram a conversão de 40% da área original do Cerrado para o manejo econômico, com a perda total da vegetação original (Klink et al,1995 apud Fonseca, 2001).

4.3 - Fauna

A região de estudo apresenta uma fauna típica do Bioma Cerrado, onde a maioria das espécies faunísticas encontradas nesse bioma, segundo Redford e Fonseca (1986) apud CTE (1999), são espécies de ampla distribuição encontradas em outros biomas, destacando-se animais como o lobo-guará, tamanduá, tatu, veado campeiro, dentre outros.

Segundo o CTE, 1999, os estudos relativos a zoogeografia do Cerrado são incipientes, fragmentários e pouco conclusivos, devido às dificuldades de levantamentos faunísticos bem conduzidos. Encontra-se maior concentração de animais nas matas ciliares e de galeria, que atuam também como zonas de refúgio e dispersão faunística de diversas espécies, que só temporariamente caminham pelos ambientes abertos em suas peregrinações em busca de alimentos e/ ou em suas atividades reprodutivas.

Como ocorre nas demais regiões do Cerrado, as comunidades faunísticas caracterizam-se por uma grande diversidade de espécies e por uma distribuição irregular, devido à diversidade de ambientes {(Rocha et al, 1990); (WWF/ PROCER http://www.bdt.fat.org.br/.../domínio em 20/03/2005)}.

Na área de estudo a fauna tem influência de três bacias hidrográficas: Paraná, São Francisco e Tocantins - Araguaia. Por causa das características hidrográficas, geomorfológicas e fitofisionômicas podem ocorrer migrações constantes da fauna pelos corredores aquáticos, mais especificamente pelas matas de galeria e áreas vizinhas dos cursos d'água que possuem suas nascentes nas chapadas do Distrito Federal (DF) e deságuam nos afluentes dessas três bacias citadas.

A fauna da área de estudo pode ser associada à fauna do DF, que possui estudos recentes e constantemente espécies novas são acrescidas a esses levantamentos. O inventário do Distrito Federal, segundo Rocha et al., 1994, apresenta 30 espécies de mamíferos, 45 de

répteis, mais de 400 espécies de aves, 39 de anfíbios. Há ainda, mais de 16 Filos de invertebrados, incluindo uma diversidade grande de insetos, ressaltando-se aí 91 espécies de formigas, 54 de vespas e 54 de cupins e mais de 500 espécies de abelhas. Entretanto deve-se ressalvar que não há estudo sistêmico na área de estudo e sendo provável que o número de espécies que está presente no local de estudo é menor que no DF, particularmente nas áreas protegidas.

4.4 - Clima

O clima da região está inserido no grupo Aw da classificação de Köppen, ou tropical chuvoso, segundo Nóbrega, 2002. A temperatura média anual varia entre 19 e 23°C e podem atingir mais de 30°C. A precipitação média anual é de aproximadamente 1.500 mm de chuva e mais de 90% da precipitação ocorrem de outubro a março, demarcando duas estações climáticas distintas: a chuvosa e a seca (WWF/PROCER http://www.bdt.fat.org.br/.../domínio em 20/03/2005).

Durante a estação seca, que pode durar 5 a 6 meses, a umidade relativa é baixa e a evaporação alta, sendo que a precipitação pode ser zero em alguns meses. Já a estação chuvosa (outubro a março) apresenta uma distribuição irregular com períodos de estiagem, segundo o site citado acima e Nóbrega, 2002.

Segundo a adaptação das informações obtidas na ANA, a Figura 12 mostra a precipitação total anual dos últimos dez anos na bacia do rio Corumbá. Como se pode observar nessa Figura a média da precipitação total anual dos últimos dez anos foi de aproximadamente 1.400 mm na região de estudo, o que corrobora as informações de Nóbrega, 2002 e WWF/PROCER, 2005. Assim, é possível concluir que a área de estudo ainda não está com déficit na oferta de água.

1284,2 1506,4 1000,9 1880,3 1569,1 1469,5 1608,0 1475,1 1516,6 1145,0 1137,1 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 média de 1996 a 2005 Ano Preci p ita çã o (mm)

Figura 12: Precipitação anual total dos últimos dez anos na bacia do rio Corumbá. Fonte: ANA, http://hidroweb.ana.gov.br/ em 25/06/2006 (adaptação).

4.5 - Hidrografia

A hidrografia da região do Cerrado é muito preciosa, pois possui uma riqueza hídrica importante para a sua biodiversidade. Ademais é nessa região que se encontra o divisor de águas mais importantes do país, dividindo as três maiores bacias nacionais, Tocantins – Araguaia, São Francisco e Paraná. É na Serra dos Pirineus que se localiza o divisor de águas das bacias do Tocantins e Paraná, onde nascem os córregos que formam, de um lado o Rio Corumbá, afluente do Paranaíba (bacia Paraná), e do outro o Rio das Almas, que se torna mais ao norte um afluente do Rio Tocantins.

O rio Corumbá nasce na Serra dos Pirineus a 1.200 m de altitude, próximo a divisa dos municípios de Cocalzinho e Pirenópolis, na porção central do Estado de Goiás, {(CTE, 1999); (http://www.agenciaambiental.go.gov.br/...._3_1ambi.php em 14/ 02/ 2005)}.

Em todo o seu percurso há aproximadamente 576 km até desaguar no rio Paranaíba, no reservatório do AHE Itumbiara, na cota 477, na divisa dos municípios de Corumbaíba e Buriti Alegre, no sul do Estado {(CTE, 1999), (http://www.agenciaambiental.go.gov.br/.... _3_1ambi.php em 14/ 02/ 2005)}.

Ainda segundo CTE, 1999, de uma maneira geral o leito do rio Corumbá se destaca pela presença de trechos com pequenos saltos, desníveis e corredeiras, ao longo de um vale encaixado, constituindo um dos mais importantes potenciais hidrelétricos do Estado. Na área de estudo o maior destaque é dado para o Salto Corumbá, onde é um local de grande atração turística.

Seus principais afluentes da margem esquerda são os rios Areia, Descoberto e São Bartolomeu e, pela margem direita, os rios das Antas, Peixe e Piracanjuba, constituindo importantes sub bacias, Figura 13.

Quanto à Limnologia, não foram encontradas informações referentes à área de estudo.

4.6 - Sócio - Economia

4.6.1 - Cocalzinho de Goiás

Cocalzinho de Goiás faz divisa com Águas Lindas de Goiás, Corumbá de Goiás, Padre Bernardo, Pirenópolis, Santo Antônio do Descoberto e Vila Propício; possui, 15.940 habitantes, sendo que destes dos quais 6.074 estão na área urbana e 9.866 em área rural. A

densidade demográfica é de 8,92 hab/ km2

(http://portalsepin.seplan.go.gov.br/anuario/...demografia.htm em 07/ 03/ 2005).

Quanto à educação, o município possui na rede pública escolas que atuam desde a pré-escola até o ensino médio, contando com 16 unidades de ensino municipais, em que 12 dessas estão em área rural. Dispõe, também, de 3 escolas estaduais, sendo duas localizadas na área urbana de Cocalzinho e outra no distrito de Girassol. Conta, ainda, com uma escola particular. A cidade de Cocalzinho de Goiás não possui educação profissional nem instituições de ensino superior {(http://portalsepin.seplan.go.gov.br/anuario/... educacao.htm em 07/ 03/ 2005); (Martins, 2005)}.

Em relação à saúde, Cocalzinho de Goiás possui três Unidades da Saúde, um hospital público e outro particular {(http://portalsepin.seplan.go.gov.br/anuário/saude.htm em 07/ 03/ 2005); (Martins, 2005)}.

Na economia de Cocalzinho de Goiás 34,58% provém da atividade agropecuária, destacando-se a produção de soja, milho e algodão; e a criação de gado bovino e aves, ambos para corte. Já o setor secundário participa com 11,36% na economia do município e o setor terciário com 54,06%. Deve-se ressaltar ainda que o turismo vem crescendo na região

{(http://portalsepin.seplan.go.gov.br/...arquivo=home.htm, em 16/04/2005); (http://portalsepin.seplan.go.gov.br/pib2000/tabela4.htm, em 16/04/2005); (Martins, 2005)}.

Quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH - M), a Quadro 1 mostra como foi a evolução entre os anos de 1991 e 2000, verificando-se uma queda do município no ranking em relação aos outros municípios do Estado.

Fone: http://portalsepin.seplan.go.gov.br/anuario/indsocioeconomicos/indsocioeconomicos.htm em 07/03/2005.

4.6.2 - Corumbá de Goiás

Corumbá de Goiás foi uma das primeiras cidades a ser fundada no Estado e por isso é tombada como patrimônio histórico nacional, e faz divisa com Abadiânia, Alexânia, Cocalzinho de Goiás, Pirenópolis e Santo Antônio do Descoberto. Esta possui 9.795 habitantes, sendo que destes 6.048 estão na área urbana e 3.747 em área rural. A densidade demográfica é de 9,22 hab/ km2 (http://portalsepin.seplan.go.gov.br/anuario/...demografia.htm em 07/ 03/ 2005).

Quanto à educação, o município possui 24 escolas, sendo duas urbanas e 22 rurais, atendendo aos alunos desde a pré-escola até o ensino médio e o curso normal. Essa localidade conta ainda, com quatro escolas estaduais e uma particular. A cidade de Corumbá de Goiás não possui os sistemas de educação de jovens e adultos nem de educação profissional, e muito menos instituição de ensino superior {(http://portalsepin.seplan.go.gov.br/anuario/... educacao.htm em 07/ 03/ 2005); (Martins, 2005)}.

Longevidade Educação Renda Longevidade Educação Renda Cocalzinho

de Goiás 0,699 0,685 0,578 0,654 108º 0,73 0,782 0,635 0,716 182º Classificação segundo IDH:

Baixo (abaixo de 0,500) Quadro 1 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - IDH - M de Cocalzinho de Goiás - 1991 e 2000.

Municípios 1991 2000 IDH-M IDH-M Ranking IDH-M IDH-M Ranking

Elaboração: SEPLAN-GO / SEPIN / Gerência de Estatísticas Socioeconômicas - 2003.

Elevado (0,800 e superior) Médio (0,500 - 0,799) Fonte: PNUD / IPEA / FJP / IBGE

Na área da saúde dispõe de um posto de saúde, um hospital público e uma clínica particular na cidade e ainda de dois postos de saúde localizados nos povoado de Mamoneira e Aparecida de Loyola.

Na economia de Corumbá de Goiás 33,49% provém da atividade agropecuária, destacando-se a produção de soja, milho e cana-de-açúcar; e a criação de gado bovino e aves, ambos para corte. Já o setor secundário participa com 17,81% na economia do município e o setor terciário com 48,70%. Deve-se ressaltar ainda que o turismo vem crescendo na região

{(http://portalsepin.seplan.go.gov.br/...arquivo=home.htm, em 16/04/2005); (http://portalsepin.seplan.go.gov.br/pib2000/tabela4.htm, em 16/04/2005); (Martins, 2005)}.

Quanto ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH - M), a Quadro 2 mostra como foi a evolução entre os anos de 1991 e 2000, verificando-se uma queda do município no ranking em relação aos outros municípios do Estado.

Fonte: http://portalsepin.seplan.go.gov.br/anuario/indsocioeconomicos/indsocioeconomicos.htm em 07/03/2005 Longevidad e Educação Renda Longevidad e Educação Renda Corumbá de Goiás 0,632 0,633 0,576 0,614 201º 0,735 0,78 0,596 0,704 206º

Classificação segundo IDH: Elevado (0,800 e superior) Médio (0,500 - 0,799) Baixo (abaixo de 0,500) Quadro 2 - Índice de Desenvolvimento Humano Municipal - IDH - M de Corumbá de Goiás - 1991 e 2000.

Municípios 1991 2000 IDH-M IDH-M Ranking IDH-M IDH-M Ranking

Elaboração: SEPLAN-GO / SEPIN / Gerência de Estatísticas Socioeconômicas - 2003.

5 - METODOLOGIA

5.1 - A natureza da pesquisa na presente dissertação

A definição de pesquisa, tantas vezes confundida com a mera coleta de dados, requer daquele que a conduz, o equilíbrio para imprimir à atividade o rigor metodológico em todas as etapas de sua execução, o que é, muitas vezes, dificultado pelo número de envolvidos, pela diversidade de sua formação básica, enfim, por variáveis que só podem ser controladas pela seriedade dos envolvidos e pelo acompanhamento estrito e pontual de todas as fases do processo por parte do pesquisador responsável (Torres, 2002).

Ressalta-se que nesta dissertação a pesquisa qualitativa foi adotada como opção metodológica {(Almeida, 1996); (Almeida Júnior, 1998); (Barros e Lehfeld, 1990); (Barros e Lehfeld, 1986); (Cervo e Bervian, 1.983); (Koche, 1997)}. Dentre as características desta abordagem qualitativa destacam-se:

a) a pesquisa qualitativa tem o seu ambiente natural como fonte direta de dados; b) os dados coletados são predominantemente descritivos;

c) a preocupação com o processo é muito maior do que com o produto, devendo o pesquisador verificar como um determinado problema se manifesta nas atividades, nos procedimentos e nas interações cotidianas;

d) o significado que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador;

e) a análise dos dados tende a seguir um processo indutivo.

O presente trabalho envolve a observação da ação antrópica frente a novos conceitos que propõem uma reeducação do ser humano em relação ao meio ambiente, procurando atingir o desenvolvimento sustentável, no qual existe uma tendência de apoio na

multi, inter e transdisciplinaridade (Dias, 1994). Diante disso, pode-se encontrar base para esta pesquisa em diferentes pontos da ciência e nas diferentes áreas do conhecimento, incluindo a Ecologia Humana (Fox, 1987).

Assim a presente dissertação contextualiza o problema por meio da abordagem qualitativa quando enfoca o predomínio descritivo dos dados coletados à medida que se buscou o embasamento conceitual em diversos pesquisadores e no pensamento sistêmico para explicar a participação e envolvimento da comunidade nas questões e conflitos ambientais estudados. Caracteriza-se, também, como investigação quantitativa, quando faz uso dos dados estatísticos para mencionar, por exemplo, a cobertura vegetal da área pesquisada, o número e percentual dos entrevistados na pesquisa, dentre outros dados estatísticos apresentados no trabalho.

Consultar a literatura, verificar documentos, identificar problemas junto com a comunidade, conversar com as pessoas, fazendo perguntas para obter respostas, são formas de pesquisa, considerada como sinônimo de busca, de investigação e de indagação. Em outras palavras como proposto por Lakatos e Marconi, 1993, a pesquisa "é um procedimento reflexivo e sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo do conhecimento". Assim, preconiza-se o rigor metodológico em todas as etapas de execução, instituindo um caráter de relevância na interpretação dos dados levantados, considerando para isso o modelo referencial teórico pressuposto pela pesquisa.

Segundo Barros & Lehfeld (1986), a escolha do foco ou problema da pesquisa nunca se dá no vazio. Ela é sempre influenciada pelos fatores internos correspondentes ao próprio investigador (curiosidade, imaginação, experiência, filosofia) ou por fatores externos à realidade circundante.

Dessa forma, a área de estudo foi selecionada após a realização de visitas exploratórias na região, sendo composta pelos municípios de Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás, onde

se encontram nascentes do rio Corumbá, um dos motivos para tal escolha. Neste contexto é importante ressaltar que os dois municípios são os primeiros a serem drenados pelo rio, situando- se no que se pode chamar de Alto Corumbá. Ademais, essa decisão se baseou no fato de as localidades fazerem parte de um importante pólo turístico do estado goiano que se encontra em expansão, baseado nas atividades dos turismos rural e ecológico, lazer, além de contar com um rico patrimônio natural, histórico e cultural. Daí a necessidade de se implementar ações visando à conservação da área.

Outra importância do presente trabalho é a avaliação das ações antrópicas que podem afetar os recursos hídricos direta ou indiretamente, daí a importância da pesquisa em levantar dados concernentes à relação homem, cultura e meio ambiente.

5.1.1 - Elementos de constituição da presente pesquisa

Para atingir as metas propostas, a investigação percorreu os seguintes passos, segundo Barros & Lehfeld, 1986:

a) A pesquisa descritiva - partiu da observação, registro, análise e correlacionamento

dos fatos ou fenômenos da área de estudo.

b) A pesquisa documental - teve como ponto de partida o recolhimento, análise e

interpretação dos Planos Diretores dos dois municípios legislação, a nível federal, estadual e municipal. Ademais foram consultados sites da: Ministério do Meio Ambiente, Agência Nacional de Águas, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Secretaria do Planejamento e Desenvolvimentos do Estado de Goiás, Agência Goiana de Turismo.

c) A pesquisa bibliográfica - Aconteceu a partir da seleção, fichamento e

estado de arte do material concernente ao tema proposto pela pesquisa e buscando uma argumentação e referencial teórico fundamentado que pudesse contribuir para a operacionalização do trabalho de campo. A investigação percorreu os seguintes passos:

i) levantamento e análise de documentação, de diagnósticos e de relatórios sobre o Cerrado brasileiro, especialmente sobre a área da pesquisa;

ii) levantamento e análise da literatura concernente à história, hidrografia, vegetação, fauna, clima e geologia e pedologia do Cerrado brasileiro, principalmente na área de abrangência da pesquisa, com o objetivo de entender a contextualização histórica desse bioma, referente ao surgimento e solução de conflitos sociais, ambientais e culturais;

iii) análise de documentos relativos ao planejamento e gestão de recursos hídricos e da bacia hidrográfica do rio Corumbá, na área de estudo;

iv) levantamento e análise dos usos da água e seus conflitos decorrentes da utilização desse recurso na área pesquisada;

v) levantamento e análise do uso do solo e de seus conflitos;

vi) levantamento e análise das principais ações antrópicas nas áreas urbana e rural da região estudada;

vii) levantamento e análise da área de pesquisa, visando conhecer os aspectos mais relevantes dos municípios de: Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás, objetos de estudo desta pesquisa;

viii) levantamento e análise sobre os aspectos limnológicos do rio Corumbá na região de estudo;

ix) levantamento e análise da legislação pertinente ao meio ambiente da área pesquisada, incluindo as legislações federal, estadual e municipal, que envolvem o objeto de investigação no que se refere aos aspectos sócio-

ambientais, de modo a entender a mobilização desse processo gerenciado pelas políticas públicas nos municípios estudados;

x) investigação sobre a percepção dos usuários das águas do rio Corumbá na área de pesquisa;

xi) acompanhamento do processo criação do Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Corumbá;

xii) levantamento e análise da literatura referente aos princípios básicos da Educação Ambiental e seu histórico evolutivo, buscando com isso entender as políticas públicas relativas a esse momento conceitual da Educação Ambiental;

xiii) outras informações pertinentes ao tema investigado.

d) A pesquisa–ação - é uma pesquisa social de base empírica, concebida e realizada

em estreita associação com as ações ou soluções de problemas coletivos com envolvimento dos participantes representativos da situação de modo cooperativo ou participativo.

Esta afirmativa complementa o processo de desenvolvimento da investigação, a partir da qual criou-se um envolvimento entre a pesquisadora e os pesquisados que juntos procuraram