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2.1 Høring av søknaden

Conforme informado anteriormente, os participantes desta pesquisa estão envolvidos com o Movimento de Humanização do Parto e Nascimento em Alagoas. Participaram dos grupos de apoio ao movimento, contrataram equipe de parto domiciliar ou de doulas, buscaram conhecimento e apoio, seja na contratação de um/uma obstetra referenciado(a) por ser humanizado ou buscando junto ao(as) médico(as) plantonistas vivenciar o mais próximo possível desse modelo. Portanto, esse foi um tema recorrente no momento da oficina destinado ao compartilhamento das experiências durante o trabalho de parto, parto e nascimento. Os repertórios linguísticos que predominaram na discussão sobre o parto humanizado foram “sorte” e “confiança”, conforme identificamos no diálogo a seguir:

Rafael: Num momento como esse é... não deveria contar com a sorte né pra pegar um bom médico, isso é já era...

Luciano: Já era pra ser sempre né, ter médico bom, sempre humanizados...

André: E aí a falta de respeito né... Oh depois que a gente passou por isso é que a gente falou a importância de você já pegar o pré-natal com um médico bom né, porque se a gente soubesse que era bom, pagava o dia dele né, eu não ia pagar o dia da Maria (obstetra) lá... E a gente ficou né... Eu confiei muito no? Dr. Sandro né, “confia aí na turma”, ah... heheheh

Não identificável: Não foi bom negócio não...

André: É, mais assim, conclusão né, aí Maria nasceu super bem, a cesárea foi super bem feita, em casa a gente super bem, a recuperação da Mariana foi perfeita, foi ótima, e o resultado final foi ótimo, foi Maria com saúde, super bem, então pronto sabe...

Nesse diálogo a expressão “num momento como esse” enfatiza as características peculiares do parto e nascimento, por ser um momento tão especial para as famílias, ao mesmo tempo em que representa uma vivência de grande intensidade e complexidade emocional. Já o repertório “contar com a sorte”, indica que nem sempre os(as) profissionais prestam uma assistência humanizada, nas maternidades de Maceió, retratado pela expressão “era pra ser sempre”, que expressa o desejo de um cenário de assistência humanizado, em todos os serviços.

Quando o André fala que poderiam ter pago um/uma obstetra particular ao invés de se submeterem aos/às médicos(as) plantonistas, assinalamos que há um atravessamento socioeconômico importante nesse comentário porque essa família teria condições financeiras de buscar uma alternativa, mas e aquelas famílias que não têm essa opção, que realmente dependem dos plantonistas nas maternidades públicas. Para essas famílias, resta ter “sorte”?

A fala final de André também merece ser discutida porque expressa algo que acontece com frequência. É muito comum que mães e pais usem a justificativa de que no final tudo correu bem para buscar se conformar com os meios utilizados para chegar nesse resultado, no caso, com a cesariana. Com isso, acabam não reclamando, prestando queixas, denunciando ou indo atrás de seus direitos se os(as) filhos(as) nascem bem e saudáveis.

Luciano e sua esposa também tiveram a assistência médica de plantonistas, contudo, ao contrário de André, eles conseguiram um parto normal humanizado, mesmo tendo passando por situação de violência obstétrica. Ele também traz o repertório sorte “[...]. Ah inclusive a gente teve outra sorte que foi a sala de parto humanizado tava disponível no momento e a gente foi pra lá [...]”.

O fato de ainda precisar ter “salas de parto humanizado” nos faz pensar que não há as condições físicas e humanas para a humanização do parto e nascimento em toda a estrutura hospitalar, mas em apenas uma parte dela. Quem tiver a “sorte” de encontrar essa sala livre irá

usufruí-la, quem não tiver essa “sorte”, não terá acesso aos mesmos recursos, especialmente os não-farmacológicos para o alívio da dor, como: banheiras, banho quente, bolas de pilates, entre outros.

Por outro lado, o repertório “confiança” também aparece em outras falas, se referindo à relação entre cliente e profissionais de saúde, como um ponto fundamental do modelo de assistência humanista para a concretização de um parto e nascimento humanizados. Como identificamos na fala de Márcio, que justifica o fato de não ter estudado como alguns outros pais para compreender as intervenções no parto e nascimento, devido sua confiança no médico, que além de excelente profissional é seu amigo, e pela presença da sua cunhada que é enfermeira obstetra.

Ele é meu amigo [obstetra] é uma pessoa que eu sempre tive um respeito muito grande, por tudo isso eu confiei e não me interessei em ler muito, porque às vezes eu, quanto mais a gente absorve conhecimento, mas a gente ás vezes... crítico, aí eu falei “não, não quero”, e eu tava sossegado também pela minha, minha, é... cunhada, que é, trabalhou muitos anos no HU, ainda trabalha, com a parte de obstetrícia, então eu tava tranquilo.[...]

O Eduardo também relata a importância da confiança na relação entre a família e a equipe de parto domiciliar:

[...] a gente também pode confiar muito na equipe, na verdade houve uma confiança mutua a gente tinha que confiar na Renata [parteira] de que ela ia dar a melhor assistência pra gente e Renata confiou na gente que a gente foi corresponsável né,. No momento em que a gente decidiu, que a Maria decidiu continuar o trabalho de parto enquanto fosse seguro para a Alice, a gente tava assumindo um risco né, porque o mais obvio era levar para o médico imediatamente e a gente não levou. E assim, deu tudo certo, a Alice nasceu, nasceu saudável em casa, [...]

O repertório “confiança” está relacionado a experiências nas quais houve a contratação do(a) obstetra ou de uma equipe de parto domiciliar, enquanto que o repertório “sorte” está associado às experiências com os(as) médicos(a) plantonistas. Logo, para esse grupo de pais, a assistência humanizada ao parto e nascimento é uma questão de confiança nos(as) profissionais particulares, com os(as) quais foi estabelecido um vínculo anterior (tanto afetivo quando financeiro) e de sorte quando se trata dos(as) profissionais plantonistas.

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