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4.10 Skjellmateriale av sjøørret

4.11.2 Gytefisk i Eira

A análise do papel da hierarquia na sociedade brasileira aparece no trabalho da maioria dos autores estudados. É um traço dos mais freqüentes em todos os estudos analisados.

Barros (2003) não cita um traço com o nome exato de Hierarquia. No entanto a importância da separação hierárquica em seu sistema, mostrado no fluxograma 2, é evidente. A dimensão hierárquica está expressa por meio do subsistema dos líderes e, no seu oposto, o dos liderados. Pode-se dizer que esta separação, conforme descrita no sistema, está de acordo com a elevada distância do poder detectada por Hofstede (2001). A relação do brasileiro com a hierarquia é analisada no trabalho de Barros (2003) por meio de suas conseqüências: a concentração do poder, a atitude de espectador, o paternalismo e o medo de errar. Além destes traços, Barros (2003) menciona o personalismo e a aversão ao conflito que também apresentam relações com o traço hierárquico.

A concentração de poder, na interseção do subsistema dos líderes com o subsistema impessoal é muito próxima com a atitude de espectador que se encontra na interseção dos subsistemas institucional e liderados. Na visão de Barros (2003), as origens deste traço remontam ao autoritarismo patriarcal, proveniente do Brasil agrário, que foi trazido para as cidades com o processo de urbanização. Práticas como o mandonismo, o protecionismo e a dependência, características sempre presentes nas atitudes paternalistas continuam vigentes ainda hoje com os brasileiros funcionando orientados pela autoridade externa (BARROS, 2003). Esse processo resultou na postura de espectador descrita no trecho a seguir:

Nas empresas pode-se observar esta postura em várias manifestações, como a baixa iniciativa, a pequena capacidade de realização por autodeterminação e, quando ocorre alguma dificuldade, a transferência de responsabilidade para os líderes. Nesse caso existe uma lógica: ‘se o poder não está comigo, não estou incluído nele e não sou eu quem tomou a decisão, a responsabilidade também não é minha’ . (BARROS, 2003, p. 105)

A transferência de responsabilidade pelas decisões ocorre em todos os níveis. Os subordinados desejam que os gestores tenham respostas precisas e sejam do tipo sabe-tudo conforme ilustra o Gráfico 1 extraído da pesquisa de Laurent6 (1996, apud BARROS, 2003). Da combinação da concentração de poder com o personalismo, surge o paternalismo. Segundo Barros (2003, p.108): “Nossa sociedade valoriza o patriarca, que tudo pode e a quem se obedece para não ser excluído do grupo ou do âmbito das relações. Patriarcalismo é a representação supridora e afetiva do pai, que atende o que deles esperam os membros do clã.”.

O medo de errar é decorrente da combinação da postura de espectador com a aversão ao conflito. Seria proveniente do desejo de acertar sempre para obter o reconhecimento dos níveis superiores de poder (BARROS, 2003).

"É importante que o gerente tenha respostas precisas para a maioria das questões colocadas pelo subordinado sobre assuntos referentes

ao seu trabalho?" 18% 38% 23% 27% 46% 10% 44% 53% 17% 66% 83% 0% 20% 40% 60% 80% 100% EUA Dina mar ca Alem anha Holan da Bras il % d e C o n co rd ân ci a Gráfico 1 - O sabe-tudo. Fonte: Barros (2003. p. 106).

Na visão de Freitas (1997), a Hierarquia é um traço proveniente das relações entre senhores e escravos que imperavam no complexo da Casa Grande e Senzala. Já teria vindo com os portugueses como reflexo da escravidão a que foram submetidos os mouros após a 6 LAURENT, A . The cross-cultural puzzle of international human resource management. Human Resource

vitória cristã. A família patriarcal que foi o núcleo do sistema agrário no Brasil forneceu a idéia da normalidade do poder, da respeitabilidade e da obediência irrestrita. Também deu origem ao grande modelo moral, quase inflexível, que regula as relações entre governantes e governados, definindo as normas de dominação, conferindo a centralização de poder nas mãos dos governantes e a subordinação aos governados.

O paternalismo também é tratado por Freitas (1997) para explicar a busca por proximidade nas relações em uma sociedade hierarquizada como a brasileira. Este traço teria sido herdado das relações vigentes na família patriarcal durante a época da escravidão. A relação senhor-escravo teria sobrevivido em muitos aspectos nos dias atuais, com o patrão oferecendo proteção em troca de lealdade. Significa “uma relação em que o pai (superior), ao mesmo tempo em que controla o subordinado e o ordena (relação econômica), também o agrada e protege-o (relação pessoal)” (FREITAS, 1997, p.47)

Para Motta e Alcadipani (1999) o traço paternalista, seguindo conclusões semelhantes às de outros autores, seria proveniente das relações entre senhores e escravos. Como exemplo são citadas as relações de trabalho no início do período republicano que eram pautadas pela figura do Coronel o qual exercia seu domínio por meio do afeto e da violência. As relações paternalistas com envolvimentos cordiais-afetivos e autoritários-violentos são lugares comuns na história da formação da sociedade brasileira. Observa-se, portanto, uma relação pautada pela ambigüidade entre os diferentes níveis hierárquicos (MOTTA e ALCADIPANI, 1999).

Barbosa (1996) observa a relação do brasileiro com a hierarquia classificando a sociedade como relacional, ou semitradicional, a qual conjugaria uma visão hierárquica e tradicional do mundo com outra igualitária e individualista. Isso significa que, para os brasileiros, as relações sociais têm maior valor do que os indivíduos que a compõe. Já nos EUA, ao contrário, predomina uma única ética, que é individualista e igualitária (BARBOSA, 1996). Esta característica será tratada posteriormente no traço sobre Sociedade Relacional.

Por fim, Shimonishi e Machado-da-Silva (2003), apontaram dois traços relacionados com a Hierarquia que são o personalismo e o protecionismo. Os indicadores do personalismo são o favoritismo, paternalismo, ênfase nas relações pessoais, apropriação do público pelo privado e a igualdade moral, mas não jurídica. Já os indicadores do protecionismo são a postura de espectador, a orientação pela autoridade externa e a transferência de responsabilidade.