3 GUNNERUS’ INFORMANTER OG GIVERE
4 GUNNERUS-HERBARIET
350 Norte de Goyaz. Porto Nacional, 15/06/1919. p. 2-3.; 30/06/1919. p. 1.; 15/10/1919. p. 1. 351 Norte de Goyaz. Porto Nacional, 15/10/1919. p.1.
O Dr. Francisco Ayres da Silva, como homem influente, jornalista e líder local de partido político, com bom capital de relações sociais, com prestígio social e cultural devido a sua formação em medicina, com boa condição material decorrente dos negócios da família e os cargos públicos que ocupou, reconhecidamente forte liderança política com poder e autoridade, sobretudo, nos arredores de sua cidade, elegeu-se Deputado Federal em 1913, após frustrada tentativa no processo eleitoral anterior. O tão construído desejo de um representante legítimo da região norte de Goiás no congresso federal foi alcançado. Antes de Francisco Ayres da Silva outra liderança portuense já tinha conseguido se eleger em 1903 como deputado federal por Goiás, trata-se do Coronel Frederico Ferreira Lemos, que apesar de eleito não tomou assento. Ayres foi o primeiro portuense a tomar assento na câmara federal, mas seu primeiro mandato foi permeado por polêmicas e protestos.
Francisco Ayres só conseguiu ingressar no congresso nacional na vaga aberta pela eleição de Olegário Pinto para a presidência do estado, por isso foi eleito em 1913, mas só foi reconhecido deputado definitivamente no ano de 1915, após muita discussão sobre a validade e idoneidade do processo eleitoral goiano que o levou até o referido cargo. Os jornais do Rio de Janeiro acompanharam a polêmica. Depois da apreciação, feita por uma comissão de poderes da câmara, da documentação da eleição de Goiás, Ayres foi diplomado em junho de 1914, conforme noticiou o jornal Correio da Noite, sob o título de Os Novos Deputados,
foram reconhecidos os representantes de Minas e de Goyaz – a câmara aprovou os pareceres reconhecendo deputados pelo 7º districto de Minas o dr. Pedro da Matta Machado e pelo districto único de Goyaz o Dr. Francisco Ayres da Silva. A pedido do Srs Manuel Fulgencio e Ramos Caiado, respectivamente representantes de Minas e Goyaz, os novos deputados prestaram o compromisso regimental, tomando assento nas suas bancadas, depois de muito cumprimentados pelos seus colegas.352
A oposição protestou contra a eleição de Ayres, defendendo a ideia de que o processo eleitoral foi manipulado e a documentação forjada para favorecer o candidato diplomado, quando Sebastião Fleury Curado, deveria ser, na verdade, o candidato reconhecido para aquela vaga. Por isso o assento foi durante algum tempo disputado entre os dois representantes goianos supracitados, o primeiro como candidato
diplomado esperando a solução definitiva do caso para permanecer no cargo e o segundo como contestante, aguardando definição com esperança de substituir aquele. Cada qual se valendo das influências políticas que podiam mobilizar no cenário nacional para fazer valer seus interesses.353
O Jornal O Paiz fez menção das variações na composição da comissão criada para dar parecer ao “caso de Goyaz”, e da agitação na sessão em torno da questão. Para o jornal, o reconhecimento do deputado por Goiás, insistentemente protelado pela chamada “primitiva comissão”, como ironia pela demora ao desfecho, deu-se como uma manobra do deputado mineiro, Antonio Carlos, para manter a maioria da câmara sob o seu controle. Por isso, “patrocinou desabusadamente o reconhecimento do sr. Fleury Curado”, inclusive manipulando a formação da comissão responsável pelo estudo das eleições goianas. O relator do parecer final, Josino de Araujo, que deu voto em separado a favor de Fleury Curado, era “colega de bancada e amigo” de Antonio Carlos, o líder da maioria, de quem recebeu as instruções para tal proceder. O jornal utilizando do imbróglio para criticar o deputado mineiro conclui que mesmo “contra a geral expectativa, o sr. Ayres da silva foi reconhecido, mas, mais uma vez, os compromissos, as ordens, a palavra do sr. Antonio Carlos voaram pelos ares”.354
Assim o nome do político portuense circulou nos principais jornais do Rio de Janeiro, enquanto sua situação ainda era motivo de discussões. Estava de volta à Capital Federal, dessa vez não como estudante de medicina, mas como deputado representante goiano na câmara, eleito pelo distrito único de Goiás. No primeiro ano em que esteve na cidade carioca, nessa nova condição, sua origem foi tema em pauta para parte da imprensa, deixando pistas que permitem pensar o que significou para um político do interior do estado central atuar na metrópole.
A chegada de Francisco Ayres não passou despercebida, os comentários referentes a sua condição de morador de uma pequena e desconhecida cidade evidenciou certo estranhamento, espécie de mal estar, inadaptação, uma imposição da grande cidade sobre aquele que parece ou está supostamente desajustado. Ainda que o Rio de Janeiro não lhe fosse completamente estranho, devido suas passagens anteriores pela cidade, isso não foi levado em consideração. O lugar de origem se sobressaiu às demais informações biográficas na construção da sua imagem. O simples fato de ser de Porto Nacional, pela ótica do que se entendia como progresso, moderno e civilizado, já
353 A Noite. Rio de Janeiro, 25/05/1915. p. 2. 354 O Paiz. Rio de Janeiro. 9/06/1915. p.1.
lhe conferia uma imagem pejorativa de inadaptado ao grande centro, portanto, germinando sentimentos de inferioridade. Sobre esse aspecto exemplifico com duas situações ocorridas nas páginas da imprensa carioca.
A primeira situação, presente no Jornal O Paiz, nos dias em que Francisco Ayres prestou compromisso regimental para exercer o cargo a que foi designado.355 O deputado publicou no jornal supracitado uma retificação para “restabelecer a verdade dos factos”, de um “suelto incerto” publicado anteriormente sobre o Coronel Frederico Ferreira Lemos, ou seja, o ex-deputado por Goiás que assim como ele também residia em Porto Nacional. A nota dizia que Frederico Ferreira Lemos não tomou assento na vaga que lhe pertencia na câmara porque como morador de uma pequena cidade do interior de Goiás ficou atordoado com os progressos da civilização do Rio de Janeiro. Como não estava acostumado aos grandes centros, ficou com medo e preferiu continuar em seu Estado de origem, por isso foi acusado de onerar em vão os cofres públicos já que recebeu subsídios, mas não os utilizou como deveria, ou seja, para participar das atividades da câmara.
A retificação de Ayres foi para rebater as críticas feitas ao ex-deputado portuense que o antecedeu, principalmente para defendê-lo da primeira crítica. O leitor pode achar estranho, e perguntar por que Ayres aproveitou o espaço em O Paiz para defender um adversário histórico de sua família. Os motivos para tal defesa se explicam com relativa facilidade. A lembrança do Coronel Frederico Lemos veio à tona em razão da eleição do próprio Francisco Ayres, em outras palavras, essa menção foi feita para demonstrar que não é a primeira vez que a câmara federal recebia um morador de Porto Nacional. A primeira experiência não foi feliz, portanto, com base na primeira não se poderia nutrir boas expectativas em relação à segunda. Defender Lemos era se defender, pois a comparação era inevitável, já que ambos foram eleitos para o mesmo cargo e oriundos da mesma cidade, foi uma tentativa de fugir da imagem a ele imputada. A retificação se travestiu de explicação, para apresentar que embora ambos fossem de Porto Nacional, conheciam e estavam acostumados aos grandes centros urbanos. Ayres argumenta,
(...) o coronel Frederico Ferreira Lemos, é commerciante, residente em Porto Nacional, e por de mais habituado a frequentar o mercado de Belém do Pará, onde entretem suas transações comerciais. É bem de
vêr-se que, frequentando constantemente aquela praça, S. S. não poderia ficar atordoado com os progressos de sua civilização. Eleito deputado por seu estado, o coronel Lemos não veio tomar assento na Câmara, após seu reconhecimento, simplesmente porque sua saúde alterada o não permittira. Assim, pois, uma das cadeiras da representação goyana no parlamento nacional ficou vaga, não porque seu depositário temesse enfrentar a civilização da “corte” e as maravilhosas complicações do progresso dos grandes centros, mas simplesmente porque sua saúde combalida não permitia que empreendesse a viagem através de longo trajecto até esta cidade. Se Goyaz sentiu-se privado do concurso de seu representante, todavia os cofres públicos da nação nada soffreram com a ausência do Sr. Lemos, pois que S. S. coisa alguma recebeu, até o presente, em embargo de serem muito justos os motivos que o impediram de ocupar a cadeira que o eleitorado goyano lhe confiara.356
O objetivo de Ayres em se diferenciar dos seus conterrâneos para se aproximar dos homens dos grandes centros é nítido, não se trata de descontruir o estigma, mas de não se enquadrar nele, mostrando-se, através do exemplo de Lemos, não avesso às “maravilhosas complicações do progresso dos grandes centros”, embora sua cidade fosse supostamente alheia a elas. O contato com alguma metrópole, independente de onde se residia, tornou-se necessidade, quase uma obrigação. Belém não foi citada por acaso, a capital do Pará, naquela época, havia passado por uma profunda reforma urbana que a colocou no rol das grandes cidades, de acordo com o autor Aldrin Moura Figueiredo, “em 1902, a cidade de Belém já havia sido chamada de Paris n’América ou de Petit Paris”, a fisionomia urbana da cidade foi intensamente modificada com muitas demolições e edificações, junto com as transformações urbanas a cidade também se submeteu a um grande projeto cultural.
Estabelecimento de rígidos padrões de posturas urbanas, demolição de cortiços, construção de palácios, igrejas, teatros, bolsa de valores, grandes praças com lagos e chafariz, alargamento e calçamento das vias, aterramento e drenagem de rios, formação de sociedades científicas e literárias, entre outras transformações que aproximaram a capital do Pará dos grandes centros, tornando-a um espaço urbano reconhecidamente moderno, que foi referência e inspiração para outras cidades do Norte. Para muitos portuenses, de forma particular, Belém foi o contato mais próximo e acessível do ponto de vista geográfico do que se compreendia como grande centro. Foi o que se tinha de mais tangível dos elementos modernos de progresso e civilização, a forma mais consolidada e materializada de cidade moderna que parte dos portuenses pode
experimentar.357
A segunda situação pode ser observada em A Época, que narrou a posse dos novos candidatos em tom cômico. Sobretudo no suposto diálogo entre Francisco Ayres e o também deputado federal Irineu de Melo Machado, político carioca, um dos principais representantes do Distrito Federal e também de Minas Gerais. Segundo o periódico,
A câmara empossou ontem, dois novos deputados: os srs. Pedro da Matta, eleito pelo 7º districto de minas, e o Francisco Ayres da Silva, representante de goyaz. Os dois ditosos paredros prestaram o solene compromisso em má ocasião, porque, sendo dia do subsidio, a câmara estava regorgitante. E, entretanto não se apresentaram muito encabulados. (...) o representante de goyaz apenas comoveu quando ouviu o repinicar das campainhas electricas. O sr. Matta Machado, colado ao braço do sr. Alaor prata, percorreu todo o recinto ate a mesa, seguindo, depois, para a sua bancada. O representante goyano foi esquecido junto ao sr. Semeão Leal pelo sr. Ramos Caiado. Mas, quando as campainhas deixaram de repinicar e o imóvel legislador recebeu os cumprimentos da mesa, o sr. Irineu Machado subiu ate lá e ofereceu-lhe o braço.
– sou um grande admirador de v. ex., disse o sr. Irineu, e folgo em vel-o entre nós.
– pois que! – exclamou o novo paredro – v. ex. me conhecia?! – como não? O nome de v. ex. é muito conhecido aqui...
O representante de Goyaz, percebendo a maldade, agitou a sua sobrecasaca nova, ajustou a gravata e replicou:
– moço, eu sou um pobre suruby pescado no Tocantins!
– tomem nota! – grita o sr. Irineu, dirigindo-se aos representantes da imprensa – esse ao menos, fez uma frase...358
Não interessa saber se a ocasião da posse foi precisamente conforme narrado na citação, menos ainda se o diálogo existiu efetivamente e se foi fiel ao exposto. O que interessa nessa citação é perceber, a despeito de ser ou não real, a forma como Francisco Ayres naquele contexto foi transformado em algo cômico, de que maneira o seu lugar de origem e sua postura se tornam motivo de gozação, matéria prima para os jornalistas produzirem um discurso capaz de provocar riso em seus leitores. Notem que Ayres aparece como um desajustado, ao mesmo tempo deslumbrado e perdido naquele cenário, aproveitando a analogia mencionada, espécie de peixe fora do seu habitat natural. Não se mostrou encabulado com a agitação da câmara, mas se comoveu com o
357 FIGUEIREDO, Aldrin Moura. Pretérito imperfeito: arte, mecenato, imprensa e censura em Belém do Pará 1898-1908. In: KUSHNIR, Beatriz. Maços na gaveta: reflexões sobre mídia. Niterói: EdUFF, 2009. p. 12-15.
repinicar das campainhas elétricas. As modernas novidades da eletricidade impressionavam de tal maneira que deixou o deputado portuense, não familiarizado com tais tecnologias, imóvel. Dos dois novos deputados o representante de Goiás foi apresentado nitidamente mais deslocado que o representante de Minas Gerais, um desconhecido e esquecido no parlamento federal, que precisou ser conduzido por alguém que já transitava seguro pela casa.
O diálogo apresentado por A Época entre Irineu Machado e Francisco Ayres evidencia o estereótipo construído em torno de homens oriundos de pequenas cidades distantes e destoantes dos grandes centros, que parecem ver tudo maior do que realmente é. Que consideram aquilo que é tido como corriqueiro e comum para a maioria como grande evento digno de uma sobrecasaca nova. Homens tipicamente interioranos facilmente intimidados e inibidos diante das expressões do moderno, dos quais não se nutre grandes expectativas, pois até mesmo o simples pronunciar de uma frase é motivo de surpresa, feito considerável digno de nota por parte da imprensa.
A frase atribuída ao deputado portuense como defesa diante da percepção de que estava sendo ironizado é emblemática e de alguma maneia representa a sensação de Ayres durante o exercício do cargo legislativo no Rio de Janeiro. Ser “um pobre suruby pescado no Tocantins” significa uma distinção tanto em relação aos nortenses, como em relação aos seus pares no parlamento. Não é mais como um cidadão portuense, mas ainda não é também igual a uma liderança política da metrópole. A expressão reafirma a ideia de que independente do esforço de aproximação ao homem metropolitano e da assimilação dos valores culturais correspondentes dificilmente se tornaria um. Independente de onde estivesse e da posição social que ocupasse seria sempre um “suruby pescado no Tocantins”. 359
Há um sentimento de inferioridade, principalmente em homens como Ayres, considerados mais evoluídos e civilizados, do qual se tenta livrar insistentemente, assimilando os valores da cultura metropolitana e/ou rejeitando sempre que possível os estigmas da sua origem. Existe uma necessidade de aproximação do jeito de ser
359 O suruby, ou cientificamente pseudoplatystoma, é um peixe encontrado nas principais bacias hidrográficas da América do Sul. O peixe também conhecido como pintado, da família Pimelodiae, alimenta-se de outros peixes e por esse motivo tem uma função ecológica importante em seu habitat como predador. Para um especialista no estudo desse peixe, trata-se de uma “espécie nobre dos Rios, representam um troféu para os pescadores, por ser uma espécie de grande porte”.
BENITES, Celso. Caracterização genética do pintado, Pseudoplatystoma Currascans (Siluriformes: Pmelodidae) da Bacia Hidrográfica Paraná-Paraguai, formadores moleculares tipo microssatélite. Jabticabal, 2008. Tese de Doutorado – Centro de Aquicultura. UNESP. p.18.
metropolitano, sobretudo nas formas exteriores de civilidade, modo de vestir, agir e se comunicar, tudo panejado para se confundir com o homem civilizado da/na metrópole com o propósito de se conquistar um sentimento de igualdade. Pois a ideia que está sendo construída permanentemente é de que o homem da metrópole é mais evoluído e civilizado do que o homem da pequena cidade do interior goiano. Nessa perspectiva, Francisco Ayres, apesar de ser de Porto Nacional, parece superior aos portuenses porque estudou na metrópole e tem transitado ao longo de sua existência pelos grandes centros. Ou seja, está mais próximo de ser metropolitano do que outros nortenses, mas ao ser reconhecido como portuense e/ou nortense se percebe um esforço em mostrar que existe civilização em Porto, como se percebe na defesa que fez do coronel Frederico Lemos. A presença de Francisco Ayres da Silva como deputado no Rio de Janeiro torna evidente o arsenal de complexos construídos no âmago do debate sobre a cidade, especialmente como espaço urbano moderno.360
O deputado portuense, o “político de mãos limpas”, conforme ponderou Altamiro Pacheco, exerceu o mandato mesmo antes de ser diplomado definitivamente, cumpriu seus deveres sempre que possível, hora se esquivando dos estigmas, hora se valendo deles para ratificar a necessidade de investimentos no estado de Goiás. Uma das primeiras ocasiões em que seu voto nominal foi solicitado se deu no momento da votação da câmara federal referente ao parecer da comissão de finanças sobre a acusação de corrupção, desvio de verbas e gastos abusivos envolvendo o Presidente da República Wenceslau Braz. A votação seria para aprovar a conclusão da comissão e efetuar a responsabilidade criminal dos culpados do abuso, ou desaprovar a conclusão. Francisco Ayres da Silva fez coro com 82 deputados que votaram não desaprovando a conclusão, contra outros 27 que votaram sim. Não poderia ser diferente já que o referido presidente favorecia o grupo oligárquico caiadista na obtenção de poder em Goiás.361
Após o caso da disputa entre Francisco Ayres da Silva e Sebastião Fleury Curado ter se resolvido definitivamente em favor do primeiro, o deputado federal intensifica suas viagens do Rio de Janeiro para Porto Nacional e vice-versa; para seguir em direção ao norte utilizava normalmente os serviços dos paquetes, que saíam do Rio em direção à Bahia, para de lá chegar até Goiás e assim até Porto Nacional. Essas viagens frequentes eram custeadas pelo governo federal como ajuda de custo aos
360 FANON, Frantz. Pele negra, máscaras brancas. Salvador: EDUFBA, 2008. p.25-52. 361 Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro, 29/10/1914. p.5.
deputados.362 As viagens foram frequentes porque esse período marcou uma fase agitada de sua vida, tanto no aspecto familiar, como na vida política que exigiu sua presença em Porto Nacional.
Quanto à vida familiar o jornal O Imparcial anunciou em maio de 1915, “em Porto Nacional, Estado de Goyaz, consorciaram-se o dr. Francisco Ayres da Silva, estimado clinico e dlle. Edmunda Pereira da Silva, dilecta filha do coronel Carolino Pereira da Silva”. 363 Este foi o primeiro dos três casamentos de Francisco Ayres da
Silva, casou-se com uma mulher pertencente à importante família da cidade portuense, certamente naquela altura o casamento foi mais vantajoso para a família de Edmunda do que para ele, caso se pense do ponto de vista de interesse pela influência política e recursos financeiros.364
No aspecto da vida política, a presença de Ayres em Porto Nacional era decisiva como parte de um projeto de dominação política das regiões Goianas a partir de cidades estratégicas, dentre as quais Porto se enquadrava em relação ao Norte, como foi Morrinhos em relação ao Sul. Goiás passava por um momento de instabilidade política em que os diversos grupos oligárquicos lutavam pelo controle político do Estado. Situação que exigiu intervenção do governo federal para mediar a conciliação necessária para sucessão presidencial em 1917, como parte de um projeto para promover estabilidade política. Houve então um acordo entre as oposições, nesse período, representadas pelo grupo ao qual Francisco Ayres pertencia organizado em torno do Partido Democrata, tendo como oposição o Partido Republicano, controlado pelos Bulhões. Segundo Ana Lúcia, “o acordo consagrou a hegemonia do Partido
362 A Época. Rio de Janeiro, 31/07/1915. p.4.; O Paiz. Rio de janeiro, 31/07/1915. p.5. Sobre a ajuda de custo sempre solicitada por Francisco Ayres, de aproximadamente 3:000S, para custear seus gastos com viagens e estadia ver: A Época. Rio de Janeiro, 25/06/1916. p.4.; “O Senhor Ministro da Justiça pediu ao da Fazenda providencias no sentido de ser paga a ajuda de custo ao deputado Francisco Ayres da Silva”.
O Paiz. Rio de Janeiro, 21/06/1916. p.1.