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10.4 Gumbel Distributions

Por entender, que os saberes das professoras estão de fato, interligados à história de vida das docentes, às diversas relações sociais mais amplas e aos conhecimentos oriundos da família rural e de seu processo de escolarização, utilizamos a entrevista com foco na história de vida segundo Bauer & Gaskell (2002), com cinco professoras selecionadas intencionalmente para esta pesquisa, conforme a escuta dos companheiros de trabalho na escola e de pais e alunos. Consideramos esta pesquisa como uma investigação exploratória dessa área de estudo, face aos poucos estudos sobre saberes docentes na Educação Rural em Minas Gerais, visando identificar a partir das vozes das professoras, o que elas consideravam de sucesso em suas práticas docentes.

Atualmente existe um verdadeiro movimento sócio-educativo em torno da história de vida, com enorme profusão de abordagens, que necessitam de um esforço de

elaboração teórica baseada numa reflexão sobre as práticas e não sob uma ótica normativa e prescritiva.

Esse movimento tem origem numa mistura de anseios de fazer nascer um outro tipo de conhecimento mais próximo da realidade educativa e do cotidiano do professor. Progressivamente, este movimento tem dado atenção especial às práticas de ensino, aos saberes dos professores, o que tem sido refinado pelo olhar reflexivo sobre a vida e a pessoa do professor.

Sobressai nas pesquisas de formação docente, a utilização da abordagem metodológica centrada em histórias de vida de professores, que segundo

(GOODSON apud NÓVOA, 2000, p.69), considera que:

Particularmente no mundo da formação dos professores, o ingrediente principal que vem faltando nas investigações é a voz do professor sobre seu próprio exercício profissional e esclarece a necessidade de escutar acima de tudo, a pessoa a quem se destina o desenvolvimento do trabalho pedagógico.

Entendemos, que a voz que se pretende dar ao professor, é reconhecê-lo como sujeito de sua história e dos saberes que produz, cria, aprende e ensina em momentos de ação coletiva na escola. Segundo Diniz-Pereira (2008), é preciso amplificar as vozes dos professores para explicar o complexo processo de ensino e aprendizagem que eles vivenciam no cotidiano da escola, principalmente, quando esse processo se encontra atrelado nas vivências e nas histórias de vida dos docentes.

Os estudos em torno dos saberes docentes, dentre outros, os realizados por Therrien (1991-2003), definem que as histórias de vida são fundamentais para identificar os referidos saberes que são necessários à solução dos problemas de ensino-aprendizagem, de gestão do conhecimento para crianças em turmas multiseriadas e para acompanhar o desenvolvimento e a formação do aluno na escola, nas famílias e na comunidade rural resiliente.

Supomos, que para compreender as formas de construção dos saberes docentes nas práticas pedagógicas do professor em contextos situados (diferenciados), há necessidade de se entender a partir da história de vida de professores, como as estratégias de ensino são utilizadas em seu trabalho cotidiano, na cena das diferentes modalidades de aula, determinando as habilidades específicas e globais, delineando o perfil desses professores como profissionais da educação.

Neste sentido, (BORGES, 2004, p. 35) esclarece:

A questão dos saberes dos docentes emerge tendo em conta as ações e o contexto no qual os professores intervêm. Seus saberes ultrapassam as fronteiras de um modelo de formação disciplinar e de pesquisa educacional, dissociados da prática. A prática é vista como um espaço de edificação de saberes e competências.

Assim, esta pesquisa deve privilegiar algumas relações sociais fundamentais para atingir os objetivos, tais como: até que ponto a prática da professora deve estar bem articulada com o contexto da realidade fora da escola e dentro da escola para oferecer ao aluno e a comunidade, uma aprendizagem significativa? A realidade dos sujeitos do processo educacional isto é: os alunos e suas famílias,

os professores e demais profissionais da escola, o projeto político pedagógico da escola e a realidade do campo, como estão relacionados em direção à inclusão e ao direito à educação?

Quando nos referimos à aproximação das práticas com o contexto escolar rural, queremos buscar os saberes dos professores utilizados no espaço físico e social do território global do Município, da escola e da sala de aula. Como captar estes saberes diferentes e re-criados pelos professores que vivem inseridos no campo?

Os professores tecem, cotidianamente, o seu fazer experiencial, mantêm relações diversas, que lhes são fundamentais na construção dos seus saberes e percebem que:

Diferentes regimes do eu e formas de subjetivação concorrem para uma definição e luta pela imposição de significados acerca de quem o professor deve ser, em determinadas conjunturas e como devem agir, [...] docentes e escolas [...] perante aos

desafios da cultura e do mundo contemporâneo.(HYPÓLITO et

all. 2005, p. 23).

Neste sentido, as marcas de subjetividade são atravessadas pelas relações sociais, no âmbito da escola e da comunidade atendida por ela. Na direção apontada por Dominicé (1988), o professor passa a ser visto como „pessoa‟ de muitas histórias formadoras de vida e de trabalho que tomam assim, espaço considerável como metodologia de pesquisa qualitativa nos estudos educacionais. O sujeito-professor se coloca como objeto de investigação científica de seus

saberes, de suas histórias que nomeadamente tomam lugar na Ciência da Educação, nos debates educativos e nas problemáticas de investigação.

(DOMINICÉ apud BUENO, 2002, p. 140), em uma de suas reflexões sobre o uso das histórias de vida, esclarece bem esta concepção, afirmando que:

A história de vida é outra maneira de considerar a educação. Já não se trata de aproximar a educação da vida, como nas perspectivas da educação nova ou da pedagogia ativa, mas de considerar a vida como espaço de formação. A história de vida passa pela família. É marcada pela escola. Orienta-se para uma formação profissional, e em conseqüência, beneficia de tempos de formação contínua. A educação é assim feita de momentos que só adquirem o seu sentido na história de vida.

O estudo com a história de vida reclama por uma reflexividade crítica do sujeito, porque, em dado momento, o professor é objeto de sua própria investigação. Nóvoa (2002) tem as histórias de vida como uma nova epistemologia de formação, enquanto o norte-americano Schön (2000) aponta para uma nova epistemologia da prática através da reflexão. Ambos os autores ressaltam a dimensão do contexto social para se elaborar, coletivamente, o significado dos saberes identificados.

O professor como sujeito é interrogado. Surge um movimento que desloca o professor para a reflexão em torno da sua própria história de vida, construindo possibilidades para a compreensão em torno do professor, como sujeito produtor

de saberes necessários para o seu trabalho cotidiano e como sujeito dos processos sociais com os quais dialoga na sociedade.

Tendo em vista a concepção de professor como sujeito de relações sociais, esta pesquisa prioriza também os sujeitos contextualizados e sua relação com as estruturas mais amplas da comunidade escolar. Autores como Cole e Knowles (2001) apud Diniz - Pereira (2006) reconhecem o contexto sóciopolítico como dimensão fundamental para interpretar as relações e os papéis que os sujeitos assumem na produção das relações sociais.

2.4.1.2. Registros de práticas em encontros de discussão coletiva