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A opção pelo modelo de curso na modalidade EAD se deve ao fato de as formadoras não poderem permanecer nos locais por mais de dois dias consecutivos, por terem atividades profissionais paralelas e também devido aos recursos financeiros disponíveis. O modelo escolhido permitiu também contemplar os municípios que careciam de formação continuada em EA, devido à dificuldade de acesso ao seu território, como os casos de Parintins (AM), Barcarena (PA) e Mirassol D’Oeste (MT).

Nesse caso, a EAD mostrou-se um modelo interessante para a formação continuada, uma alternativa que possibilitou o aprimoramento da prática dos professores em municípios distantes que não contam com muitos recursos. Por outro lado, se todos os módulos fossem presenciais, provavelmente a formação não seria oferecida, porque os recursos disponibilizados para a pesquisa do grupo Educação do INAIRA não seriam suficientes: deslocamento das formadoras, estada e alimentação. Além disso, os professores não poderiam ser dispensados de tantos dias de aula, acarretando assim prejuízos, afinal há 200 dias letivos anuais no calendário escolar que são obrigatórios pela legislação.

Em se tratando do formato EAD, destaca-se a importância do modelo semipresencial, por permitir aos formadores permanecerem nos lugares de forma a conhecê-lo minimamente e criar um vínculo com o grupo de educadores nos dias de encontros presenciais. Essa presença mostrou-se extremamente relevante no processo. Os educadores eram dispensados das atividades com os alunos pelas respectivas Secretarias de Educação nessas datas.

Segundo os gestores das cidades atendidas, algumas outras formações ocorriam também nesse modelo, porém, sem os encontros presenciais. Elas eram voltadas para a alfabetização e letramento, geralmente oferecidas pelo Governo Federal. Ainda assim, alguns dos professores tiveram seu primeiro contato com o computador a partir desse curso, principalmente em Parintins, Barcarena e Mirassol D’Oeste.

Rosini (2007, p. 64) afirma: “cada vez mais a demanda por educação a distância (EAD) cresce, impulsionada pelos avanços da tecnologia e pela necessidade de o aprendiz ter seu próprio tempo e ritmo de aprendizagem”. Nesse caso, os professores organizavam-se em seus horários livres, pois é uma possibilidade de formação continuada para quem já possui uma grande jornada nas escolas. Os educadores faziam os módulos virtuais de acordo com a própria disponibilidade de tempo, fora do horário de trabalho.

Como aponta Souza (2010), nos últimos anos tem havido uma expansão de cursos na modalidade:

[...] Essa forma de ensinar e aprender tem tido grande crescimento, assim como cresce cada vez mais o investimento em tecnologias da informação e da comunicação na área educacional, sendo este apontado como um dos caminhos para a democratização da educação e, consequentemente, para suprir a demanda de formação. (SOUZA, 2010, p. 144)

Há demanda de formação continuada no país. Percebemos que o uso das TIC pelos alunos nas escolas públicas ainda é incipiente, devido também à falta de preparo e segurança dos professores para a sua utilização. Fica evidente que a aproximação dos educadores com as ferramentas virtuais colabora inclusive para esse trabalho.

Os módulos teóricos apresentados aos professores na plataforma virtual ofereciam um aporte básico sobre as temáticas e apresentavam algumas referências para o aprofundamento dos assuntos. Ao final de cada módulo teórico, os educadores faziam atividades de compreensão dos temas e participavam dos fóruns de discussão.

A princípio, a dúvida do grupo, em relação à EAD, era conseguir manter a participação frequente dos educadores nas discussões fomentadas nos fóruns virtuais, realizadas após cada módulo teórico. Era considerado importante que houvesse a interação dos professores, discutindo, opinando, trocando informações com seus pares e formadores, sobre as questões locais nas temáticas tratadas.

A construção da aprendizagem, por meio dessa interação, e o conhecimento e a análise dos problemas ambientais locais colocados na “roda” pelos educadores, era o diferencial. A hipótese era de que surgiriam dali posicionamentos mais críticos que poderiam conduzir a uma ressignificação das informações e ampliação do conhecimento, para possíveis intervenções na comunidade.

De acordo com Magdalena e Costa (2005, p.3):

Esses grupos formam verdadeiras comunidades, que ficam acessíveis quando nos conectamos na Internet, e são constituídos em função de interações sociais, que se realizam em torno dos interesses comuns de seus membros. [...] Aderir a uma ou mais comunidades virtuais e interagir com seus membros fornece, a cada um, um sentido de unidade e de pertencimento.

A comunidade de aprendizagem propiciada pelos fóruns permitiria a troca de saberes e de experiências. O conhecimento individual, sendo incorporado a outros conhecimentos, dando uma nova significação aos assuntos tratados. A comunidade de aprendizagem veio colaborar com a formação nessa perspectiva reflexiva.

O ideal seria o professor contar com a formação continuada dentro do próprio horário de trabalho, presencial, porém, essa realidade ainda é utópica em nosso país. Ao longo do

curso, ficou claro que muitos professores estão empenhados em se aprimorar utilizando o pouco tempo que possuem, ainda que sua jornada seja dupla, ou até mesmo tripla de trabalho. Nesse sentido, a EAD também tem sido uma estratégia utilizada para conciliar o tempo disponível com a formação continuada. Ainda que saibamos que a valorização da profissão docente é um fator que interfere na qualidade da educação e que vem sendo bastante discutida nas políticas educacionais, pouco é feito na prática.

É preciso reconhecer as fragilidades e limitações do desenvolvimento da EA no formato em EAD, principalmente àquelas que estão voltadas à necessidade do contato direto com os partícipes, porém, os encontros presenciais auxiliavam nesse sentido, permitindo a criação dos vínculos, o conhecimento das pessoas e a aproximação afetiva (no sentido de afetar, de ser sensível), fator importante para o sucesso das formações.

2 – AS REALIDADES INVESTIGADAS

Para o entendimento das realidades investigadas, apresenta-se a seguir o panorama socioambiental e as impressões dos grupos de educadores dos municípios atendidos. Trata-se aqui de uma visão sintética, porém, muito relevante para a compreensão da pesquisa no geral.

O estudo do local realizado in loco pelos sujeitos envolvidos na pesquisa em EA é essencial, porque aguça a percepção sobre as questões socioambientais. Há uma compreensão e uma sensibilização que ocorre na integração com o lugar e com a comunidade, obtendo-se assim impressões interessantes das diversas regiões atendidas (Norte, Centro-Oeste e Sudeste): características regionais da população, valores sociais, relacionamento com o ambiente, formas de diversão, culinária, vocabulário, artesanatos, enfim, peculiaridades que só podem ser “vistas e sentidas” convivendo no lugar.

Esse estudo foca as análises em Mirassol D’Oeste (MT). Os outros municípios atendidos terão suas questões investigadas e farão parte dos relatórios do INAIRA, fornecendo um panorama ampliado das possibilidades e limites do curso de EA em EAD semipresencial, com as experiências das cinco cidades.