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Agricultural robotics

2.2 Guidance of agricultural robots

As creches estudadas fazem parte do programa ―Nova Semente‖ do município de Petrolina -PE, o qual é apresentado a seguir:

Contexto da pesquisa: O programa “Nova Semente”

Esse programa integra as políticas de saúde, assistência social e educação infantil e corresponde a um modelo alternativo de atendimento às crianças e suas famílias, em situação de vulnerabilidade social. Caracteriza-se pela participação do poder público e da comunidade em todo o processo de construção, instalações e funcionamento da creche; pelo atendimento integral e flexível, de forma a adequar-se às necessidades das crianças e demandas de suas famílias, desde a gestação até os seis anos de idade; pela captação precoce da gestante e vinculação ao programa ―Nova Semente‖ (entrada, registro e protocolos únicos); pela melhoria da qualidade e resolubilidade na assistência ao pré-natal, parto e puerpério; e pela uniformidade de procedimentos entre as várias unidades. As creches onde esta pesquisa foi realizada foram criadas entre os anos de 2012 e 2013.

As atividades da creche começam às 6h00 horas e terminam às 18h00 horas. A figura a seguir apresenta a rotina de funcionamento das creches do programa ―Nova Semente‖:

Figura 7: Rotina das crianças nas creches dos contextos estudados

Horário Rotina

6h00 Chegada/acolhida/brincadeiras individuais e coletivas 6h30 Desjejum, higiene

7h15 Atividade dirigida (individual e coletiva) 8h15 Recreação (interior e exterior)

9h30 Lanche da manhã/higiene

10h00 Atividades dirigidas (individual, grupal ou coletiva)

10h30 Banho

11h00 Cantigas e contação de histórias 11h30 Almoço/higiene

12h00 Higiene bucal e preparação para o sono 12h30 às 14h00 Descanso

14h30 Lanche da tarde, higiene

15h00 Atividades dirigida (individual ou coletiva) 16h00 Recreação/passeio/atividade externa

16h30 Cantigas e contação de história, banho 17h00 Jantar, higiene

17h30 às 18h00 Leitura, brincadeiras (interior ou exterior), despedida

Fonte: Programa “Nova Semente”.

O horário das creches do programa ―Nova Semente‖ funciona de acordo com o horário de trabalho da maioria dos pais do contexto não urbano estudado, o horário de ida e volta do trabalho na roça. Esse horário de funcionamento está de acordo com a LDB (1996), no que se refere ao contexto não urbano. Observa-se, na figura 7, que há um processo de recepção das crianças na chegada à creche. Elas são recebidas com brincadeiras e, depois,

seguem para a sua primeira alimentação do dia, o café da manhã. Além dessa refeição, as crianças têm os lanches, almoço e jantar.

Por meio das observações assistemáticas, verificou-se que, no horário da alimentação, as crianças formavam filas a caminho da cozinha, onde havia uma mesa extensa com cadeiras de tamanho adaptado à idade das crianças. Elas, por sua vez, comiam sozinhas, com exceção dos bebês, que recebiam ajuda das educadoras. Durante as refeições, as educadoras conversavam com as crianças, e estas também conversavam entre si. Em algumas situações, as crianças brincavam de colocar sua colher com comida na boca do colega.

O banho das crianças podia ser realizado nos banheiros da creche ou na área externa, onde havia um chuveirão para brincadeiras com água e banho coletivo. Durante o banho, as meninas eram separadas dos meninos e todos recebiam a ajuda das educadoras para se banhar e se vestir. Ao realizar tais atividades, as educadoras conversavam com as crianças sobre a atividade que estava sendo realizadas. Após o almoço, as crianças descansavam em colchonetes e dormiam.

Em relação à estrutura física, as creches estudadas apresentavam quatro salas correspondentes às faixas etárias das crianças: berçário, com 05 crianças de 04 a 11 meses; maternal I, com 10 crianças entre 12 e 23 meses; maternal II, com 20 crianças de 24 a 47 meses; e a pré-escola, com 16 crianças de 48 a 72 meses.

Figura 8: Sala da turma do maternal II

As creches contavam, ainda, com dois banheiros, um masculino e outro feminino; cozinha; refeitório; área externa para recreação, com chuveiros para banho ao ar livre e cantinho de areia. Possuía livros de histórias e brinquedos educativos, assim como decorações com desenhos, material pedagógico e atividades dos alunos nas paredes das salas.

Figura 9: Refeitório de uma das creches estudadas

Figura 11: Quintal da creche

Cada creche tinha dezesseis educadoras, que desempenhavam diferentes funções: uma coordenadora, doze professoras, duas cozinheiras e uma faxineira. O número de professoras era dividido em três turnos: quatro professoras no horário das 6h00 às 10h00; quatro no horário das 10h00 às 14h00; e quatro no horário das 14h00 às 18h00.

De acordo com as educadoras, a proposta pedagógica das creches do programa Nova Semente é baseada nos princípios da educação infantil do Instituto Alfa e Beto (IAB), cujo objetivo é promover o desenvolvimento integral da criança, nos aspectos pessoal-social, cognitivo e psicomotor. Como metodologia, trabalha o aprendizado infantil por meio da brincadeira. Além dos jogos e brincadeiras, os livros também são utilizados na prática pedagógica, com objetivos de estimular a leitura e preparar a criança para a alfabetização, que se iniciará no ensino fundamental.

Durante a permanência da pesquisadora nas creches, foi observada a realização de atividades como: contação de histórias, dança, desenhos, montagem de blocos de madeira e quebra cabeça, brincadeira de roda, batucadas com tambores de lata, dramatização da história de Os Três Porquinhos por meio de fantoches, além de atividades de leitura e escrita. Ao realizarem a contação de histórias, as educadoras solicitavam que as crianças dessem continuidade às narrativas, conforme sua criatividade. Cada história contada apresentava conteúdo relacionado ao seu contexto sociocultural, como animais (vaca, jumentos, cabras) e utensílios de trabalho na roça, como carroças. A narrativa é uma importante ferramenta para o desenvolvimento das habilidades sociocomunicativas, assim como para o processo de letramento (Ramos & Salomão, 2013). De acordo com Cavalcante e Mandrá (2010), em torno dos 24 meses de idade a criança é capaz de relatar suas experiências, evocando vivências passadas. Para esses autores, o uso da narrativa em diferentes contextos contribui para a sua produção e a participação do interlocutor faz-se necessária nesse processo, tendo em vista seu papel como mediador da aprendizagem da criança.

Observou-se que as crianças interagiam bem uma com as outras na creche, cooperavam em atividades realizadas na sala de aula e dividiam brinquedos com os colegas. Em alguns momentos, havia discordância entre o grupo de pares sobre a divisão de alguns brinquedos e movimentação pela sala de aula, enquanto a educadora explicava as atividades a serem realizadas. Nesse momento, as educadoras intervinham, de forma a solucionar o conflito. Observou-se, também, expressões de afeto entre as educadoras e as crianças, como abraços, beijos no rosto, pegar a criança no colo, etc.

Ressalta-se que as crianças do maternal II, turma na faixa etária entre 24 e 36 meses já usavam o banheiro de forma independente. As educadoras as incentivavam a controlar os esfíncteres nos primeiros anos de vida, orientando-as a irem ao banheiro sozinhas para fazer

xixi e cocô, assim como higienizar-se após essas atividades. Em algumas situações, elas intervinham, ajudando as crianças a realizarem esses comportamentos.

Dados sociodemográficos das educadoras

A tabela a seguir apresenta os dados sociodemográficos das educadoras participantes desta pesquisa:

Tabela 14: Dados sociodemográficos das educadoras (n=21)

Dados sociodemográficos f % Idade 19- 29 anos 30-40 anos 41-51 anos 13 06 02 61,9 28,6 9,5 Escolaridade 2° grau Superior completo 12 09 57,1 42,9 Tempo de trabalho na creche

05-12 meses 13-20 meses 21-28 meses 08 07 06 38,1 33,3 28,6 Estado civil Solteira Casada União estável 09 07 05 42,9 33,3 23,8 Renda familiar Até um salário mínimo

um salário e meio a dois salários 17 04 81 19 Religião Católica Evangélica Não tem 13 07 01 62 33,3 4,7

Participaram desta pesquisa 21 educadoras de duas creches do projeto ―Nova Semente‖, de contextos não urbanos do município de Petrolina - PE. Essas creches faziam parte dos contextos onde foram entrevistadas as mães participantes da primeira parte do estudo, apesar de a maioria de seus filhos não frequentarem as creches. A idade das educadoras variou entre 19 e 45 anos, com média de 26 anos. A maioria era solteira (42,9%), possuía o 2° grau completo (57,1%) e era de religião católica (62%). De acordo com a LDB (Brasil, 1996), os educadores de creche devem ser formados em curso superior ou formados por treinamento em serviço. No caso das educadoras entrevistadas, menos da metade possuíam essa titulação, embora muitas delas estivessem iniciando o curso superior. Para aqueles que ainda não possuem esse título, admite-se que eles tenham, no mínimo, o diploma de magistério de ensino médio. No Apêndice IX, encontra-se uma tabela com os dados sociodemográficos de cada educadora participante dessa pesquisa.

Em relação ao tempo de trabalho das educadoras na creche, observa-se que 38,1% apresentou um período entre 05 e 12 meses, o que significa um tempo insuficiente para o contínuo acompanhamento do desenvolvimento das crianças. A rotatividade de educadores ainda é um problema nas instituições de educação infantil, e essa realidade pode interferir na construção de vínculos de confiança entre educadores e a criança, como também no aprimoramento das atividades educativas.

A renda salarial variou entre meio salário e dois salários mínimos, com média de R$ 505,14 (Quinhentos e cinco reais e quatorze centavos), considerando o valor do salário mínimo de R$ 724,00 na época da realização da pesquisa de campo. Destaca-se a baixa remuneração das educadoras das creches estudadas, fato que desvaloriza seu papel como profissional. Para Becker (2008), quanto mais nova a criança, menor o prestígio profissional e menor a remuneração das educadoras. Ainda segundo esse autor, a desvalorização desses educadores tem raízes no modelo assistencialista que deu origem às creches, no qual as

educadoras assumiam o papel materno nos cuidados à criança. Sendo assim, à educadora, então considerada cuidadora, bastava saber cuidar de crianças, dispensando formação profissional e, consequentemente, sua remuneração seria baixa em relação aos demais profissionais da educação infantil e de outras etapas do ensino. Essa situação se repete nas creches dos contextos urbanos (Campos, Fullgraf, & Wiggers, 2006).

Todas as educadoras eram moradoras do contexto não urbano onde foi realizada a entrevista, e sua inserção na creche foi realizada por meio de contratos firmados com a Prefeitura do Municipal de Petrolina. Elas deixavam o currículo na secretaria do programa Nova Semente, e a coordenadora do programa fazia a seleção das profissionais. Conforme fala das próprias educadoras, muitas delas participaram da fundação das creches onde trabalhavam, colaborando na sua construção e com a doação de material.