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Guds Hus. En meditation

A coluna vertebral é constituída por uma sucessão de trinta e três a trinta e quatro unidades individuais sobrepostas - as vértebras. As vinte e quatro vértebras superio- res articulam-se entre si enquanto as restantes vértebras se encontram fundidas em dois ossos únicos - o sacro e o cóccix [32].

Distinguem-se quatro regiões principais na coluna vertebral. Da parte superior para a inferior, estas regiões designam-se por: coluna cervical, que corresponde à zona do pescoço e é constituída por sete vértebras; coluna dorsal ou torácica, que se localiza na zona do toráx e é constituída por doze vértebras; coluna lombar, que se encontra na porção inferior das costas e é constituída por cinco vértebras; e coluna sacro-coccígea, da qual fazem parte o sacro, com cinco vértebras, e o cóccix, que é composto por quatro ou cinco vértebras. Tanto as vértebras sagradas como as vértebras coccígeas estão fundidadas, pelo que ambas as regiões se caracterizam por falta de mobilidade [32, 33].

De uma forma geral, uma vértebra (figura 2.2) é constituída por duas partes prin- cipais: o corpo vertebral, na porção anterior, e o arco vertebral, na porção posterior. O corpo vertebral, que corresponde à parte mais espessa e volumosa da vértebra, é uma massa compacta, maioritariamente composta por tecido esponjoso, e possui uma forma cilíndrica e achatada, com as superfícies superior e inferior praticamente planas [37]. O arco vertebral apresenta uma concavidade anterior e é composto por dois pedículos (um esquerdo e um direito), duas lâminas, um processo espinhoso, dois processos transversos e quatro processos articulares (dois superiores e dois inferiores) [30]. Os pedículos são extensões posteriores, finas e estreitas, que existem de cada lado do corpo vertebral e onde se inserem músculos e ligamentos. As lâminas são estruturas que se estendem desde os pedículos unindo-se uma à outra na linha média e possuem facetas articulares para se ligarem às vértebras adjacentes [37]. A partir desta junção, alonga-se posteriormente uma saliência, o processo espinhoso, no qual se inserem músculos. Os vértices dos processos espinhosos, situados na sua extremidade posterior, podem ser observados e sentidos cuta- neamente como saliências ao longo da linha média da face posterior do tronco [30]. Por sua vez, os processos transversos e os processos articulares estão implantados na junção dos pedículos e das lâminas [32].

O conjunto formado pelo arco vertebral e pelo lado posterior do corpo vertebral deli- mita o buraco vertebral. Com a sobreposição das vértebras, os vários buracos vertebrais originam o canal vertebral, que é preenchido pela medula óssea, pelas raízes do nervo raquidiano e pelas meninges [37].

Figura 2.2: Anatomia da vértebra [38].

Apesar da sua estrutura elementar ser semelhante, as vértebras apresentam carac- terísticas próprias em cada região. Por outro lado, na mesma região, há vértebras que evidenciam particularidades que as diferenciam das restantes [29, 30, 32].

As vértebras cervicais típicas caracterizam-se por um corpo vertebral pequeno e largo, um buraco vertebral com uma forma triangular, processos espinhosos curtos e bífidos (possuem uma fenda na sua extremidade posterior) e buracos nos processos transversos, que permitem a passagem de vasos sanguíneos para a cabeça. Das sete vértebras cervicais, três delas são atípicas: a primeira vértebra cervical (C1), também designada por atlas, é bastante mais larga que as restantes vértebras cervicais e não apresenta corpo vertebral nem processo espinhoso; a segunda vértebra cervical (C2) ou áxis, apresenta lâminas mais espessas e processos transversos mais pequenos; e a sétima vértebra cervical (C7), também denominada proeminente, tem o processo espinhoso mais longo e não é bífido [29].

As vértebras torácicas ou dorsais distinguem-se por apresentarem um buraco vertebral circular, facetas articulares compridas (através das quais se ligam às costelas) e processos espinhosos estreitos e dirigidos para baixo. No entanto, três destas vértebras apresentam algumas particularidades: a primeira vértebra dorsal (D1) assemelha-se a uma vértebra cervical; a décima primeira vértebra dorsal (D11) não possui faceta articular nos seus processos transversos; e a décima segunda vértebra dorsal (D12) apresenta as facetas articulares inferiores semelhantes às facetas articulares inferiores das vértebras lombares [29–31].

Na região lombar, os corpos vertebrais são bastante volumosos comparativamente a outras regiões da coluna vertebral. Além disso, os pedículos das vértebras lombares são curtos e espessos, o buraco vertebral é triangular (mas de tamanho inferior ao que está presente nas vértebras cervicais) e os processos espinhosos são longos, largos e horizontais. Apenas a quinta vértebra lombar (L5) apresenta a particularidade do seu corpo vertebral ser mais alto na porção anterior [30, 31].

Para formar uma estrutura coesa como é a coluna vertebral, as vértebras adjacentes articulam-se entre si por meio dos arcos vertebrais e dos corpos vertebrais. Os arcos

vertebrais adjacentes ligam-se entre si através dos seguintes elementos: cápsulas articu- lares, que unem os processos articulares; ligamentos amarelos, que estão presentes entre as lâminas; ligamentos interespinhosos, que unem os processos espinhosos; ligamentos supra-espinhosos, que ligam os vértices dos processos espinhosos; e ligamentos intertrans- versários, que estão presentes entre os processos transversos. No que respeita aos corpos vertebrais, estes unem-se através dos discos intervertebrais e dos ligamentos longitudinais anterior e posterior. O sacro e o cóccix também estão unidos por um disco, originando a articulação sacrococcígea [31, 32, 37].

Os discos intervertebrais são pequenas estruturas fibrocartilaginosas e localizam-se entre os corpos de duas vértebras contíguas. Proporcionam uma maior estabilidade entre as vértebras, evitam o atrito entre os corpos vertebrais, distribuem carga entre vértebras adjacentes e podem ser comparados a amortecedores, pois absorvem e distribuem forças que actuam na coluna vertebral durante o movimento. Além disso, possibilitam a reali- zação de movimentos articulares devido à sua elevada capacidade de deformação [36]. Distinguem-se duas unidades funcionais em cada disco intervertebral: o anel fibroso, que corresponde à parte exterior do disco e, como o próprio nome indica, é constituído por fibrocartilagem; e o núcleo pulposo, que é viscoso e está presente no centro do disco [35, 37].