No decurso deste estudo contabilizaram-se cerca de 22 estabelecimentos que leccionam de forma exclusiva ou não exclusiva jazz. Destes 22 estabelecimentos, 4 oferecem Cursos Superiores em Música, com especialização em jazz (ESJ), 7 são escolas não superiores dedicadas exclusivamente ao ensino do jazz (EEJ) e as restantes 14 são escolas de música com modelo de conservatório ou academia que possibilitam a frequência de um curso de jazz ou de disciplinas ligadas ao jazz (NEJ).
Na seguinte lista podemos ter um panorama mais exacto destes dados:
Escolas Superiores (ESJ)68:
ESMAE – Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo – Porto A funcionar desde 2006
Licenciatura em Música, variante Jazz e Mestrado em Música, Interpretação, especialização em Jazz
UE – Universidade de Évora – Évora A funcionar desde 2008
Licenciatura em Música, ramo de Jazz
ESML – Escola Superior de Música de Lisboa – Lisboa A funcionar desde 2008
Licenciatura em Música, variante Jazz e Mestrado em Música, especialização em Jazz ULL – Universidade Lusíada de Lisboa – Lisboa
A funcionar desde 2009
Licenciatura em Jazz e Música Moderna
Escolas de jazz não superiores de ensino exclusivo de jazz (EEJ)69
Escola de Jazz Luís Villas-Boas, Hot Clube de Portugal – Lisboa A funcionar desde 1979
Duração do curso: 5 anos
Número de alunos inscritos em 2009/2010: 142
Musicland, Escola de Jazz e Música Actual de Mafra – Mafra A funcionar desde 1998
Duração do curso: 4 anos
Número de alunos inscritos em 2009/2010: dados não fornecidos Escola de Jazz do Barreiro – Barreiro
A funcionar desde 1999 Duração do curso: 5 anos
Número de alunos inscritos em 2009/2010: dados não fornecidos JBJazz Clube – Lisboa
A funcionar desde 2001 Duração do curso: 3 anos
Número de alunos inscritos em 2009/2010: 147
Escola de Jazz e Música Moderna, Almada-Seixal – Corroios A funcionar desde 2001
Duração do curso: 4 anos
Número de alunos inscritos em 2009/2010: dados não fornecidos Jazz ao Norte – Porto
A funcionar desde 2006 Duração do curso: 4 anos
Número de alunos inscritos em 2009/2010: dados não fornecidos Atelier de Jazz e Música Moderna do Algarve – Lagos A funcionar desde: 2008
Duração do curso: 4 anos
Número de alunos inscritos em 2009/2010: dados não fornecidos
Escolas de música que oferecem cursos ou disciplinas de jazz, mas não exclusivas de jazz (NEJ)70
Academia de Amadores de Música – Lisboa Curso Geral de Jazz
Academia de Música de Ançã – Coimbra Curso Geral de Jazz
Conservatório – Escola das Artes – Eng.º Luís Peter Clode – Funchal, Madeira) Curso Profissional de Jazz
Conservatório Nacional de Lisboa – Lisboa
Combo de Jazz
Conservatório de Palmela Sociedade Filarmónica Humanitária – Palmela Disciplina de Combo
Conservatório Regional do Baixo Alentejo – Beja História do Jazz
Escola das Artes de Sines – Sines Curso Geral de Jazz
Escola Valentim de Carvalho – Lisboa Curso Geral de Jazz
Flauta de Hamelin – Oficina de Artes – Braga Curso Geral de Jazz
Oficina de Música de Aveiro – Aveiro Curso Geral de Jazz
Sítio dos Sons – Coimbra Curso Geral de Jazz
Perante os dados acima apresentados, podemos verificar que: 18,1% das escolas são ESJ
31,9% das escolas são EEJ; 50% das escolas são NEJ.
Por outro lado, podemos, também verificar que71:
63,7% do total das escolas se situa nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto;
36,3% do total das escolas se situa fora das regiões das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto.
Das escolas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto: 80% das escolas são ESJ ou EEJ;
20% das escolas são NEJ;
Enquanto que:
22% das escolas que se situam fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto são ou ESJ ou EEJ; 78% das escolas que se situam fora das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto são NEJ.
Ou seja, observa-se uma incidência considerável das escolas de ensino superior ou de ensino exclusivo de jazz nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto (80% do total de escolas) e uma incidência assinalável de escolas não superiores nem de ensino exclusivo de jazz fora dessas áreas metropolitanas (78% das NEJ).
Pode-se daqui concluir que a cidade pode potenciar o ensino superior ou exclusivo do jazz, enquanto que os meios fora dos grandes centros urbanos podem potenciar o ensino do jazz apenas em paralelo a outros modelos do ensino da música.
E esta poderá ser uma tendência a acentuar-se no futuro, pois, recordando os casos distintos da Escola de Jazz de Torres Vedras e do Curso de Jazz e Música Moderna da Universidade Lusíada de Lisboa, vê-se como o ensino exclusivo do jazz no meio interior rural foi preterido pela autarquia e o ensino superior de jazz numa cidade já servida por um curso superior público nessa área mostra indicadores de optimismo. Interessa, por isso mesmo, centrarmo-nos, neste momento, nos modelos organizacionais das escolas observadas neste estudo.
Por todos estes motivos, entende-se que a observação directa de uma escola não superior de jazz, de uma área metropolitana, nascida no advento da proliferação de escolas de jazz pelo país, nos anos 90, com um número substancial de alunos – a JBJazz – e de um curso superior de Jazz e Música Moderna, igualmente numa área metropolitana, nascida no investimento muito recente nessa área académica – a Universidade Lusíada de Lisboa – se justifica perante escolhas diversas de outro corpus.