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A análise dos dados das entrevistas foi realizada conforme a técnica de Análise de Conteúdo Temática proposta por Bardin (2008), que consiste em um conjunto de técnicas de análise das comunicações, utilizando procedimentos sistemáticos de descrição do conteúdo das mensagens para permitir a inferência de conhecimentos relativos a essas mensagens. A análise de conteúdo foi realizada em três fases: pré-análise; análise do material; e tratamento dos resultados, inferência e interpretação.

A pré-análise consistiu da preparação e da organização do material, simultaneamente à coleta de dados. Realizou-se a transcrição integral da gravação dos discursos das mães. Em seguida, foram eliminados os vícios de linguagem e realizada a codificação dos nomes dos sujeitos da pesquisa, bem como das pessoas e instituições citadas nas entrevistas, de forma a evitar a identificação. Nessa fase, foi realizada ainda a leitura flutuante das transcrições das entrevistas para se conhecer o material coletado, deixando-se invadir por impressões.

Para a codificação, os nomes das mães foram substituídos por códigos alfanuméricos, compostos pela letra M seguida de identificação numérica referente à ordem em que foram realizadas as entrevistas com as mães. A primeira mãe entrevistada recebeu a codificação M1, sendo assim, subsequentemente, até a última entrevistada que recebeu a

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codificação M14. Os nomes dos filhos, outros familiares, amigos e profissionais foram omitidos para se preservar o anonimato.

Os nomes dos estabelecimentos de saúde e assistência social foram substituídos pela sigla referente ao tipo de Unidade (CS: Centro de Saúde, CAE: Centro de Atendimento Especializado, SR: Serviço de Reabilitação, Amb.: Ambulatório, Amb. PS: Ambulatório de Plano de Saúde, UPA: Unidade de Pronto Atendimento, H: Hospital, Serv.: Serviço, Serv. Div.: Serviços diversos, IES: Instituição de Ensino Superior, FAE: Fundação de Assistência Especializada5, APAE: Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais), seguida de identificação de letra, de acordo com a ordem em que foram citados nas entrevistas, exceto para os Centros de Saúde.

Na fase de análise do material, as transcrições das entrevistas foram submetidas a uma leitura aprofundada e foram realizados os procedimentos de recorte, classificação e agregação das unidades de registro.

As unidades de registro correspondem ao segmento de conteúdo a considerar como unidade de base, visando à categorização. Dentre as diversas unidades de registro, optou-se por utilizar o tema que corresponde a uma frase ou frases compostas portadoras de significações isoláveis. Bardin (2008, p. 131) aborda que fazer análise temática “[...] consiste em descobrir os núcleos de sentido que compõem a comunicação e cuja presença ou

frequência de aparição podem significar alguma coisa para o objeto analítico escolhido.”.

A seleção dos temas foi realizada por meio da leitura aprofundada das transcrições das entrevistas, extraindo-se os recortes de enunciado que se destacaram em relação às questões norteadoras e aos objetivos da pesquisa, tanto por recorrência, quanto por relevância. Para que os recortes fossem posteriormente localizados no discurso, à medida que foram extraídos, receberam um código composto pela codificação da mãe entrevistada e pelo número referente à ordem em que apareceram na entrevista.

Posteriormente, os recortes foram classificados de acordo com sua unidade de sentido e agrupados, o que permitiu que emergissem as categorias empíricas. Após a definição das categorias empíricas, os recortes foram reorganizados dentro de cada categoria, permitindo que emergissem as subcategorias empíricas, apresentadas no QUADRO 2.

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A FAE é uma instituição pública que conta com equipe formada por profissionais da saúde (psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, médicos, dentistas, entre outros) e da educação para o atendimento a crianças, adolescentes e adultos com necessidades especiais. A instituição é mantenedora de uma escola destinada à educação especial.

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QUADRO 2 - Categorias e subcategorias empíricas, Belo Horizonte, Minas Gerais, 2012

Categorias empíricas Subcategorias empíricas

1. Trajetória da gravidez à internação em UTIN

1.1 Gravidez e assistência pré-natal 1.2 Assistência ao parto e ao recém-nascido 1.3 Vivência da internação do filho em UTIN

2. Condição crônica na infância: limites e perspectivas

2.1 A notícia sobre a condição crônica do filho e seu enfrentamento pela mãe

2.2 A evolução da condição de saúde da criança e as perspectivas da mãe

3. O cuidado da criança com condição crônica no domicílio

3.1 Os cuidados demandados pela criança no domicílio

3.2 A realização do cuidado pela mãe: dificuldades e adequações

3.3 A viabilização do cuidado no domicílio e na comunidade

4. A criança com condição crônica na rede de Serviços

4.1 O acesso da criança com condição crônica à atenção primária e aos Serviços especializados 4.2 Acompanhamento da criança com condição crônica: a relação entre os profissionais de saúde e as mães

4.3 O atendimento às agudizações da condição crônica da criança nos Serviços de Saúde

4.4 A intersetorialidade para o cuidado da criança com condição crônica

4.5 Desafios para a continuidade da assistência Fonte: Produção do próprio autor

Na fase de tratamento dos resultados, inferência e interpretação, inicialmente, realizou-se a descrição das características do conteúdo dos recortes de enunciado de cada categoria, buscando articulá-los. Procedeu-se, depois, ao aprofundamento das ideias e ao estabelecimento de relações a partir de uma reflexão acerca do material empírico e da articulação com o referencial teórico.

Para elucidar a descrição do conteúdo, foram apresentados trechos dos discursos das mães, com a seguinte padronização: reticências entre colchetes, [...], indicam recortes dentro do mesmo discurso e informações contidas entre colchetes, [informações], referem-se a informações contextuais ou observações importantes sobre comportamentos não verbais dos participantes. Os trechos foram identificados pelos códigos atribuídos aos recortes de

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enunciado nos quais se encontravam (composto pela codificação da mãe entrevistada e pelo número referente à ordem em que apareceram na entrevista); quando necessário, foram utilizados vírgula entre a numeração para indicar recortes não consecutivos e travessão para recortes consecutivos.

As anotações referentes às vivências da coleta de dados registradas no diário de campo foram digitadas e utilizadas para contextualizar os discursos dos entrevistados.

4.3.6 Procedimento para a análise do Inventário de Avaliação Pediátrica de