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Grunnvann

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3 Virkning for miljø, naturresurser og samfunn

3.3 Grunnvann

Backheuser tinha em vista um homem completo, não atingido por mutilações na alma e nem limitado pela fragmentação de teorias que o recortavam em sua totalidade, em sua humanidade. Descartava, de início, as proposições que excluíam a alma imortal, bem como aquelas que afrontavam o sagrado. Em seguida, posicionava-se partidário de uma teoria psicológica que, mesmo não pressupondo uma alma católica, não a excluía, a priori. Visitando as Psicologias, o autor associava o processo de conhecer ao de classificar e interpretar cada uma das teorias em pauta, buscando aquela que mais se aproximasse, ou menos se distanciasse, das sagradas escrituras (CUNHA; ERRERIAS, 2000, p. 39).

Sendo uma das principais marcas desta nova versão do manual, a apropriação feita da Psicologia e o uso desta ciência no campo pedagógico, o objetivo central deste subcapítulo é matizar a interlocução feita entre ciência e religião católica a partir da defesa de uma Psicologia integradora, com o intuito de contribuir para o campo pedagógico e, mais, diretamente, para o seu projeto educacional. Pretendo pois, realçar o ramo da Psicologia eleito pelo autor como o mais afinado ao seu ideal de educação. Para tanto, almejo desvelar indícios da importância da

Psicologia para os projetos educacionais escolanovistas baseados numa Pedagogia Científica, ressaltando o esboço backheusiano.

Pioneiros e católicos, ao disputar a dominação do campo educacional, se apropriaram desta ciência. Interessa dar a ver como um ramo psicológico ou outro foi adotado por dois dos principais representantes destes grupos em conflito. Primeiro, aponta-se pistas do uso da Psicologia em Lourenço Filho, representante do grupo dos pioneiros, no seu livro Introdução ao Estudo da Escola Nova e acerca dos Testes ABC; e, depois, mais detidamente, por Everardo Backheuser, representante do grupo oponente, que, no manual de 1948 se apropriou do ramo da Psicologia que julgou mais afinado com o seu projeto educacional. Ele, da mesma forma que o pioneiro, defendeu a aplicação de testes para a padronização das turmas e a Psicologia como pedra angular na compreensão da personalidade da criança.

Sganderla e Carvalho (2008) afirmam que a Psicologia contribuiu de forma significativa para a constituição do campo educacional brasileiro. Ao lado da Sociologia e da Biologia, foi uma das ciências que fundamentou a formação de professores e os debates educacionais, a partir do início do século XX, no mesmo contexto em que o campo educacional forneceu importantes elementos que respaldaram a sua constituição como campo científico reconhecido no país. A defesa de uma pedagogia científica foi uma das características do movimento educacional da década de 1930. Num contexto em que a educação era considerada a via mais eficaz para a transformação da sociedade, cabendo à escola (nova) conduzir o indivíduo a um ideal de nação, a Psicologia emergiu como ciência eficaz para a modelagem dos cidadãos esperados pelo projeto republicano.

Nessa conjuntura fortalecia-se o movimento de aplicação da Psicologia à educação através do uso dos testes e medidas. Para os psicólogos da época, os testes representavam a cientificidade e objetividade necessárias para que a Pedagogia se firmasse como campo do conhecimento. O chamado “Movimento dos testes” adquiriu uma grande proporção, tanto que a Diretoria Geral da Instrução Pública do Distrito Federal organizou cursos sobre testes psicológicos para diretores de escolas (MONARCHA, 2001).

Em vários Estados foram instituídos laboratórios de Psicologia aplicada, os quais promoveram cursos sobre aplicação de testes. Um dos mais conhecidos foi o conjunto elaborado por Lourenço Filho em 1933, os Testes ABC, que além de consistirem uma forma de aplicar experimentalmente a psicologia no campo educacional, serviam para verificar a maturidade necessária à aprendizagem da leitura e escrita. Segundo Sganderla e Carvalho (2008, p. 183):

Esses testes visavam à classificação dos alunos que ingressavam na escola ou eram repetentes quanto a sua maturidade para a aprendizagem da leitura e escrita, propiciando um perfil individual e um perfil da classe. Dessa forma, permitia alcançar o objetivo de homogeneização das classes quanto ao nível de maturidade dos estudantes, separando-os em classes seletivas para a alfabetização, a fim de que fossem consideradas as diferenças individuais e se alcançasse maior eficácia nos resultados escolares.

Na concepção de Lourenço Filho, com base em Watson76, a educação consiste num

processo de condicionamento do comportamento. Ele defende a formação integral da criança, processo no qual a aprendizagem depende tanto de fatores orgânicos como psicológicos e sociais. Sendo assim o indivíduo pensa, age e se desenvolve a partir da necessidade de se adaptar ao meio social no qual está inserido, e para o autor, esta adaptação ocorre de acordo com a influência da motivação, aprendizagem e personalidade (fatores psicológicos). Esses elementos se desenvolvem de acordo com características biológicas (orgânicas e hereditárias) e individuais em interação com o meio (fatores sociais), dependente das relações com as pessoas e com os objetos materiais. Portanto, na sua concepção, a aprendizagem consiste na variação do comportamento por efeito da experiência desenvolvida na prática ou exercício em busca de ajustamento individual.

Para Lourenço Filho as diferenças individuais no espaço da escola prejudicavam o processo de ensino-aprendizagem, por isso era importante avaliar as crianças e agrupá-las pelas semelhanças em classes homogêneas. Apesar de partir da individualidade, da diferença, o objetivo maior deste projeto era a padronização. Aos Testes ABC, aplicados já na matrícula da criança, cabia selecionar e nivelar em grupos de fortes, médios e fracos e à Psicologia cabia fornecer “subsídios para a modificação, a alteração do comportamento do educando por meio do entendimento de seu desenvolvimento psicológico, com base em um modelo explicativo genético-funcional” (SGANDERLA; CARVALHO, 2010, p. 113).

O papel atribuído aos testes, portanto, era de permitir a intervenção do professor e evitar práticas do senso comum, que não estivessem calcadas num paradigma científico de atuação. Em suma, os Testes ABC se atêm a três pontos fundamentais: o diagnóstico das condições de maturidade para aprender; o prognóstico do comportamento das crianças nas situações sucessivas de ensino e à necessidade de uma maior atenção a determinados alunos, comumente considerados “crianças-problema” (LOURENÇO FILHO, 1974). Pois, a identificação das

76 John B. Watson, doutor em Psicologia e suas ideias se tornaram um ponto de referência da Psicologia vigente

na época, sendo denominada de behaviorismo. Disponível em: <http://www.uniriotec.br/~pimentel/disciplinas /ie2/infoeduc/teowatson.html>. Acesso em: 7 set. 2016.

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