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GRUNNLEGGENDE UNDERSØKELSER 1.2

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As sequências prototípicas de Adam são definidas como “unidades textuais

complexas, compostas de um número limitado de conjuntos de proposições- enunciados: as macroproposições” (2008, p.204). As sequências têm um caráter

hierárquico, na medida em que as macroproposições se articulam entre si com vista à consecução de dado objetivo44, e são relativamente independentes, pois podem ser

analisadas de forma isolada do texto. Adam distingue vários tipos de sequência, organizadas em função das possíveis combinações de macroproposições, a saber: narrativa, descritiva, argumentativa, explicativa e dialogal45.

44 Por exemplo, numa sequência explicativa as macroproposições estão organizadas de forma

hierárquica, sendo o lugar de topo ocupado pela exposição do enquadramento, seguido do problema e da(s) respetiva(s) explicação(ões).

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Adam refere as sequências de um ponto de vista cognitivo, constituindo, portanto, um recurso didático. Não obstante admitir a variação de texto para texto, este autor não tem em consideração a influência da prática social na sua estruturação. Por este motivo, nesta tese procurar-se-á ampliar o sentido dado ao conceito, seguindo o caminho proposto por Bronckart (1999) e admitindo variações devido à indexação ao plano social.

Sequência narrativa

Por definição, a narrativa refere-se à exposição dos eventos e/ou ações produzidas e/ou sofridas por diferentes agentes reais ou imaginários. A sequência narrativa foi organizada por Adam em torno de cinco macroproposições narrativas que apresentam cinco fases do processo: a situação inicial, o nó, a reação, o desenlace e a situação final.

Esquema 9 - Estrutura da sequência narrativa (Adaptado de Adam, 2008, p.225)

Sequência argumentativa

A sequência argumentativa consiste num conjunto de macroproposições organizadas, cujo objetivo é demonstrar ou refutar uma tese ou certos argumentos de uma tese contrária. Para esse efeito, é necessário expor premissas (dados e factos) tidas como incontestáveis, que conduzem a determinada conclusão-asserção (Adam, 2008). A apresentação de premissas é realizada de forma articulada, por meio de diversos procedimentos argumentativos e de elementos linguísticos que denotam as relações entre aquelas. Uma vez mais, a estrutura da sequência argumentativa pode não ser fiel ao esquema que abaixo se reproduz, mas na sua base existe um dialogismo entre premissas e conclusão.

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Esquema 10 - Estrutura da sequência argumentativa (Adaptado de Adam, 2008, p.233)

Sequência explicativa

Na sequência explicativa apresenta-se uma justificação para determinado problema, que pode ter dimensão reduzida. Para Grize (1996), a sequência inclui a exposição de uma situação (Esq. i) que deu origem a um problema x (marcado pela questão porquê?), o qual vai ser esclarecido (Esq. expl).

Esquema 11 - Estrutura da sequência explicativa (Grize, in Adam, 2008, p.242)

Embora a estrutura preconize a existência de um quadro inicial que apresenta a situação, aquele nem sempre surge expresso no texto. Nestes casos, formulam-se pseudoquestões (porquês?) criadas a partir das informações colocadas à direita do problema que permitem a construção da sequência (Adam, 2008).

Segundo este autor, a estrutura periódica explicativa é composta pela conjunção condicional SE e pelas expressões É QUE, É PORQUE, É PARA QUE, É EM RAZÃO DE, É QUE ou ISSO SE DEVA A.

Esta sequência constitui uma inversão dos períodos hipotéticos de Aristóteles (Adam, 2008, p.238) e não reflete a lógica temporal normalmente associada à exposição de relações causa-efeito. As diferenças entre os dois períodos podem ser assim esquematizadas:

Período hipotético: SE p prótase > indução > ENTÃO q apódose

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Na estrutura periódica retroativa não há uma apresentação tão concreta da explicação, embora esta seja depreendida devido aos conectores POR ISSO, POR CAUSA DISSO. Nestes casos, a explicação pode surgir à direita ou à esquerda do conector, ou seja, pode surgir posterior ou retrospetivamente.

Sequência descritiva

A sequência descritiva é mais complexa do que as demais, porque não existe uma padronização relativamente à sua organização, em virtude de todo o enunciado conter em si mesmo uma parte descritiva (Adam, 2008). Apesar de as macroproposições poderem ser rearranjadas em função do ponto de vista do sujeito que está a descrever o objeto do mundo, podem-se identificar algumas operações descritivas.

1. Operações de tematização

1.1. Pré-tematização ou ancoragem (estabelece imediatamente qual o objeto da descrição.)

1.2. Pós-tematização ou ancoragem diferida (indica a posteriori o alvo da descrição, o que pode contribuir para a incompreensão ou dificuldade de compreensão do sentido do texto.)

1.3. Retematização ou reformulação (apresenta uma nova denominação do objeto, o que implica a existência de uma identificação precedente.)

2. Operações de aspetualização

2.1. Fragmentação ou partição (consiste na seleção de traços dos objetos a serem descritos.)

2.2. Qualificação ou atribuição de propriedades (atribui propriedades aos traços identificados durante a partição do objeto ou ao todo. Tal decorre por meio do uso de adjetivos qualificativos ou de frases cujo predicado é composto pelos verbos ser ou ter. No entanto, a descrição pode também focalizar-se em ações e não em qualidades.)

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3. Operações de relação

3.1. Relação de contiguidade temporal ou espacial

3.2. Relação de analogia (tece a caracterização de um objeto, através da aproximação, por comparação ou metáfora, entre duas realidades distintas.)

4. Operação de expansão por subtematização (procede ao alargamento descritivo por meio da apresentação de subtemas.)

No corpus em análise procurar-se-ão identificar os vários tipos de sequência acima descritos. Embora as sequências sejam muito importantes para a coesão do texto, visto que estabelecem a articulação entre unidades textuais menores, também têm um papel de relevo na construção do ethos, por exemplo na explicação de afirmações necessárias à demonstração de dada imagem. Uma vez mais se prova que, ainda que se tenha optado, por questões didáticas, em separar os critérios, não é possível separar o plano linguístico do ethos do plano textual.

5.3. Reflexão crítica

Nos subcapítulos anteriores passaram-se em revista os critérios de análise a serem observados nos textos dos corpora, mas em alguns casos convocaram-se os posicionamentos de diversos autores, ora porque se sentiu a necessidade de consultar estudos em língua portuguesa, ora porque se considerou imperativo compreender as diversas perspetivas existentes para, depois, estabilizar o conceito.

O próximo quadro procura clarificar as categorias de análise definidas e justificar a sua utilidade para a prossecução dos objetivos da tese, a saber identificação das marcas linguísticas que tipificam os ethè e dos segmentos textuais que compõem os textos.

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Categorias de análise

Elementos linguísticos Autor de base Função Correferências, anáforas e catáforas Pronomes pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos e relativos, numerais, artigo definido, advérbios

locativos, lexemas

Koch (2004) Estabelecem a relação entre frases e parágrafos,

promovendo a relação de sentido entre estas unidades. Durante a análise textual apenas se usará o termo genérico anáfora.

Isotopias Lexemas Adam (2008) Criam percursos de sentido que

auxiliam a argumentação. Conectores e

marcadores discursivos

Conjunções, locuções ou advérbios com as/os seguintes funções/valores: estruturadores, reformuladores, temporais, contrastivos, aditivos, explicativos e conclusivos, confirmativos, exemplificativos, causais, finais, hipotéticos, conclusivos e alternativo

Indicam o posicionamento dos enunciadores relativamente ao que é enunciado e o

encadeamento entre frases e parágrafos.

Sustentam a argumentação.

Índices de pessoa Pronomes pessoais, apóstrofes, nomes qualificativos, pronomes demonstrativos Mateus et al. (1989); Geffroy (1985) Revelam os enunciadores. Geffroy será importante para a distinção da 1.ª pessoa do plural, em especial nós nacional e nós institucional.

Tempos verbais Verbos e perífrases verbais Adam (2008); Barroso (2000)

Mostram a

disjunção/conjunção do Locutor com a situação de enunciação. Indicadores

espaciais e temporais

Advérbios, grupos nominais, grupos preposicionais, adjetivos, determinantes demonstrativos

Cunha & Cintra (1992)

Localizam de forma vaga ou absoluta o tempo ou o local da situação e revelam a atitude de locução.

Atos de discurso Verbos, expressões e tipos de frase Mateus et al. (1989) Indicam a intencionalidade subjacente ao enunciado. Modalidades (deôntica, apreciativa e epistémica)

Verbos e tempos, adjetivos, expressões, advérbios de opinião, lexemas afetivos, avaliativos e axiológicos

Campos (2004) Denunciam o posicionamento dos enunciadores em relação ao que é enunciado.

Ponto de vista Referências, predicações, verbos que focalizam a perceção/cognição, verbos de atribuição de fala, nomes e adjetivos (sensoriais e cognitivos), tempos verbais, marcadores discursivos (quadros mediadores ou de fontes de saber)

Rabatel (2001) Revelam o posicionamento dos enunciadores em relação ao que é enunciado.

Sustentam algumas argumentações.

Escolhas lexicais Pronomes pessoais, demonstrativos, formas verbais, nomes e adjetivos

Kerbrat- Orecchioni (2002); Carreira (2001)

Indicam os temas dos textos; Revelam a relação entre entidades discursivas. Progressão

temática

Grupos sintáticos Adam (2008) Asseguram a coesão do texto, expondo a ligação existente entre frases

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Implicitações Pronomes pessoais, nomes, formas verbais

Grice (1975); Adam (2008); Koch (2004).

Caracterizam-se pela omissão de informações, normalmente referentes ao plano

enunciativo. A identificação das implicitações é importante para perceber o sujeito das orações. Sequências

prototípicas

Tempos verbais, conjunções, nomes e adjetivos

Adam (2008) Revelam a articulação entre as macroproposições com vista à consecução de um objetivo comunicativo.

Quadro 7 - Síntese das categorias de análise

Foram ainda consideradas outras categorias de análise de ordem semântica e lógico-argumentativa. As figuras de estilo e os esquemas argumentativos de Walton (2008) têm um papel mais relevante na construção do ethos do que no plano textual, sobretudo porque reforçam a relação entre aquele e o pathos. Normalmente, estes dois elementos são usados para manipular os pensamentos e emoções.

Já a progressão temática, as implicitações (elipses, implícitos e subentendidos) e as sequências asseguram, sobretudo, a coesão do texto. No entanto, as implicitações são relevantes no plano enunciativo, dado que em português é muito comum omitir-se o sujeito, e as sequências podem ser utilizadas como forma de sustentar um ethos.

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