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Segundo DiMaggio e Powell:

O conceito que melhor capta o processo de homogeneização organizacional é o de ‘isomorfismo’. Na descrição de Hawley (1968), “o isomorfismo constitui um processo de restrição que força uma unidade em uma população a se assemelhar a outras unidades que enfrentam o mesmo conjunto de condições ambientais” (2005, p.76).

Dessa forma, observa-se que as organizações respondem às suas demandas de forma similar a outras organizações que estão de alguma forma melhor ajustadas ao ambiente, buscando fora de sua realidade interna soluções para questões que não podem resolver por si mesmas.

O isomorfismo pode ser classificado em dois tipos distintos, o isomorfismo competitivo e o isomorfismo institucional. No caso do isomorfismo competitivo, que se configura na competição, como estabelecida no mercado capitalista, Orrú, Biggart e Hamilton (2001, p. 442) explicam que “[...] no calor da competição as organizações adotam estruturas e práticas eficientes ou se arriscam a sofrer um fracasso frente a concorrentes melhor adaptados”. Outros autores, contudo, explicam que esta mimetização não está relacionada exclusivamente com a eficiência, mas com a necessidade de não fugir a um padrão estabelecido, mantendo os consumidores dentro de uma área de conforto que não lhes permita fazer grandes distinções entre estas organizações concorrentes, aceitando-as com maior facilidade. Meyer e Rowan (2001, p. 79), em referência a este ponto-de-vista, afirmam que as organizações que adotam procedimentos institucionalizados, já estabelecidos e reconhecidos pela sociedade, aumentam sua legitimidade e suas possibilidades de sobrevivência independentemente da eficácia imediata das práticas e procedimentos adotados, buscam, antes da eficiência, sua legitimação dentro do campo organizacional no qual estão inseridas, tornando-se isomorfas, para não permitir que outras organizações deste campo se distanciem ou se destaquem.

Já no isomorfismo institucional, observa-se que:

[...] as organizações de um mesmo ambiente institucional tendem a parecer-se entre si à medida que respondem a pressões regulatórias e normativas similares, ou à medida que copiam estruturas adotadas por organizações que tenham obtido êxito em condições de incerteza (ORRÚ; BIGGART; HAMILTON 2001, p. 442).

Estando mais relacionado, conforme observado, com organizações que atuam fora do mercado competitivo, embora estas também possam estar inseridas no modelo.

O isomorfismo institucional pode acontecer por meio de três mecanismos diferentes, cada um com características e antecedentes próprios, conforme afirmam DiMaggio e Powell. São eles:

1) Isomorfismo coercitivo que deriva de influências políticas e do problema da legitimidade; 2) Isomorfismo mimético, que resulta de respostas padronizadas à incerteza; e 3) isomorfismo normativo, associado à profissionalização (2005, p.76).

Estes três mecanismos distintos representam modelos puros; embora na prática possam se misturar e derivar de condições diferentes das que foram listadas.

O isomorfismo coercitivo pode resultar de pressões formais ou informais exercidas sobre as organizações, por outras organizações das quais elas dependem, ou ainda pelas instituições governamentais que definem o ambiente legal, determinando e delimitando a ação das organizações. Uma característica importante dessa forma isomórfica é o fato de que as corporações que têm mais poder político, a ponto de definir as normas e padrões do campo organizacional, não sofrem consequências dessas imposições. Uma vez que possuem elementos que atuam nas instituições de poder, tais organizações se antecipam, patrocinando mudanças que, antes de prejudicá-las, as beneficiam em detrimento das demais, capitalizando para si vantagens competitivas ou institucionais. Além da forma imposta pela legislação, outra maneira de manifestação da mudança coercitiva acontece quando, conforme citado anteriormente, as organizações que dependem de outras mais poderosas passam a se submeter às regras por elas impostas. Exemplo disso são os grandes consumidores atacadistas, que determinam a forma de embalagem e a entrega de produtos por parte de seus fornecedores, ou grandes corporações que determinam padrões corporativos a suas subsidiárias. Por último, é interessante destacar uma forma mais sutil de isomorfismo coercitivo, que ocorre quando, por exemplo, para obter legitimidade, organizações coletivistas e igualitárias que exercem, em seu dia-a-dia, a democracia participativa, precisam desenvolver hierarquias, mesmo que apenas cerimonialmente, para se legitimar diante de organizações hierarquizadas e ter representação no ambiente externo.

O isomorfismo mimético ocorre em geral, quando, diante de um ambiente de incertezas, as organizações seguem os modelos definidos em outras organizações.

Esse comportamento mimético apresenta vantagens importantes, em termos de economia de ações humanas. Diante de um problema controvertido, para o qual a tecnologia interna de uma determinada organização não consegue desenvolver soluções nítidas, seguir os passos de outras organizações que já lutaram com problema semelhante pode render considerável economia. Isso não quer dizer que a organização copiada esteja ciente dessa imitação, uma vez que sua tecnologia pode ser difundida de forma involuntária, seja por meio da rotatividade de pessoal ou mesmo por organizações de consultoria. Nessa dinâmica, muitas vezes quem copiou a solução, finda, por meio de suas próprias particularidades, criando uma inovação sobre a inovação que desejava copiar. Este fato é abordado por Alchian ao afirmar que:

Enquanto certamente há aqueles que inovam conscientemente, há aqueles que, em suas tentativas imperfeitas de imitar os outros, inovam inconscientemente por meio da aquisição involuntária de atributos únicos inesperados ou não procurados (1950, p. 218).

Este comportamento das organizações acaba por criar um ciclo, no qual as organizações vão se copiando umas às outras, ao mesmo tempo em que criam inovações ao tentar realizar, em seu ambiente, esta cópia que, por sua vez, é copiada por outras, e até aquelas primeiramente copiadas, dessa forma, dando continuidade ao ciclo de mimetização.

Outra forma de manifestação deste isomorfismo mimético acontece nas organizações que, em busca de legitimação imitam outras melhor estabelecidas. É importante rememorar o que afirmaram Carvalho, Goulart e Vieira (2005): de forma geral, organizações mais frágeis ou periféricas sempre copiam organizações mais robustas, mais legítimas, o que reflete na geração da subalternidade nessas organizações.

Finalizando os mecanismos isomórficos, temos o isomorfismo normativo, aquele que deriva da profissionalização. Nesta forma, ele se manifesta tanto nas normas estabelecidas por categorias profissionais, quanto por meio daquelas estabelecidas pelo Estado. Outro aspecto importante diz respeito à educação formal. Segundo DiMaggio e Powell (2005, p. 78): “As universidades e as instituições de treinamento profissional constituem importantes centros de desenvolvimentos de

normas organizacionais entre os gerentes profissionais e seus funcionários”. Outra variação é aquela que explica que a profissionalização da gestão e a estruturação dos campos organizacionais caminham, em geral, de forma paralela, contribuindo para o estabelecimento de uma hierarquia de status, do centro para a periferia, tornando esta hierarquia uma matriz que se reproduz entre as diversas organizações componentes deste campo. Outro fator gerador desta forma isomórfica se estabelece quando o governo reconhece organizações-chave, conferindo-lhes legitimidade e visibilidade; nesse caso, empresas concorrentes buscam, por meio da imitação, estabelecer procedimentos operacionais e aspectos culturais que se assemelhem aos das organizações-chave, na busca de conseguir reconhecimentos análogos. Ainda ligado a este fator, há o caso de administradores dessas organizações-chave que, amparando-se em sua visibilidade, são levados aos quadros representativos de conselhos profissionais ou organizações técnicas, ou patronais, e acabam por transferir a estes uma boa parte do modus operandi de suas organizações, que em seguida são transformados nos chamados padrões de mercado.