1.4 Informal Consultations: Legitimate Bargaining or Democratic Deficit?
1.4.2 Green Room Consultations
Localizada na faixa da Mata Atlântica Ombrófila Densa Montana, a área de estudo escolhida corresponde à Reserva Florestal Morro Grande (23°39'- 23°48'S, 47°01'-46°55'W), situada no município de Cotia, estado de São Paulo (Figura 1).
Figura 1 – Localização da Reserva Florestal Morro Grande (RFMG), Município de Cotia, SP, Brasil. Fonte LEPaC
A reserva já era reconhecida por seu valor para a conservação, em particular, por seus recursos hídricos, desapropriada no início do Século XX, declarada Reserva Florestal em 1979 e incorporada à Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo em
1994 (METZGER et al., 2006). No entanto, o conhecimento biológico da floresta, até o ano de 2000, era incipiente (PARDINI, 2004), com apenas um levantamento mais detalhado realizado para a comunidade de abelhas (AGUILAR, 1998). Atualmente, tem-se mais conhecimento acerca das comunidades de pequenos mamíferos em geral, devido aos trabalhos de comunidade desenvolvidos na RFMG e seu entorno (NAXARA; PINOTTI; PARDINI, 2009; PINOTTI; NAXARA; PARDINI 2011; PINOTTI; PAGOTTO; PARDINI 2012). A Reserva abrange uma área de 9.400 ha de Mata Atlântica contínua, é constituída por um mosaico de florestas secundárias, em diferentes estádios de regeneração, e por florestas mais maduras e bem estruturadas que, provavelmente não sofreram corte raso (METZGER et al., 2006). No seu limite sul, a reserva possui continuidade com matas em áreas privadas e em unidades de conservação (BARBOSA; NUNES, 2000).
A formação florestal da região é classificada como Floresta Ombrófila Densa Montana (CATHARINO et al., 2006; VELOSO; RANGEL; LIMA, 1991) e representa uma transição entre a Mata Atlântica de Encosta e a Floresta Mesófila Semidecidual do interior do Estado (ARAGAKI; MANTOVANI, 1998), também possuindo espécies de floresta mista e do cerradão (CATHARINO et al., 2006). As famílias botânicas mais representativas são Myrtaceae, Lauraceae, Fabaceae e Rubiaceae (CATHARINO et al., 2006).
O clima predominante é Clima Oceânico (Cfb), temperado quente e úmido, e a temperatura e precipitação médias mensais variam, respectivamente, de 16,5 a 20,5 °C e 43 a 77 mm na época mais fria e menos úmida (abril a setembro), e de 20,7 a 23,5 °C e 125 a 196 mm na época mais quente e mais úmida (outubro a março). A altitude varia de 860 a 1075 m, e, em sua maior parte (98,28%), a reserva apresenta declividade abaixo de 25°. As litologias predominantes são migmatitos, granitos, rochas milioníticas e aluviões quaternários, e os solos predominantes são do tipo latossolo vermelho-amarelo, argissolo vermelho-amarelo e cambissolo (METZGER et al., 2006).
1.2.2 Desenho e esforço amostral
Para o presente estudo, foram utilizadas três grades de dois hectares (100 m x 200 m), aqui denominadas de M1, M2 e M3, dentro da Reserva Florestal Morro Grande. Essas grades foram montadas onde a cobertura vegetal corresponde a 100%, cada uma com sua peculiaridade fitofisionômica. No local em que foi montada a grade M1, a mata já sofreu corte raso, hoje está em processo de regeneração e não sofre qualquer interferência antrópica desde 50 anos atrás (METZGER et al., 2006). A grande M2 foi montada em uma área que sofreu corte seletivo, com estratos arbóreos maiores que M1 e mais estruturados, com 80 anos
sem interferência antrópica, mas com um subosque onde prevalece uma espécie arbustiva,
Psychotria vellosiana (Rubiaceae) (CATHARINO et al., 2006; METZGER et al., 2006). Em
M3, a área sofreu corte seletivo há mais de 100 anos, sem interferência antrópica desde então (METZGER et al., 2006). Nessa última área, encontramos uma mata mais estruturada, com indivíduos de várias espécies de Arecaceae e com um sub-bosque mais amplo com menos arbustos (CATHARINO et al., 2006; METZGER et al., 2006).
Os locais para a montagem das grades foram obtidos e delimitados pelas análises de imagens de satélites e por estudo da ecologia da paisagem pelo Dr. Jean Paul Metzger e pela Dra. Renata Pardini. A primeira grade implantada - M1, a mais próxima à borda da Reserva Florestal está afastada da segunda grade - M2 por dois quilômetros. Já a grade M2 está afastada da terceira grade - M3 por uma distância de quatro quilômetros (Figura 2). Estas distâncias foram determinadas para analisar a dinâmica e o fluxo da população de pequenos mamíferos presentes na área.
Figura 2 – Reserva Florestal Morro Grande com as três grades amostrais M1, M2 e M3 inseridas na área de estudo. (LEPaC adaptado)
Cada grade foi composta por 11 linhas de 100 m de comprimento, distantes 20 m entre si. Em seis linhas intercaladas, foram instaladas 11 estações de captura a 10 m uma da outra, e em cada ponto, foi instalada, no chão, uma armadilha do tipo Sherman (tamanho 37,5 x 10,0 x
12,0 cm ou 23,0 x 7,5 x 8,5 cm), já que as espécies são predominantemente terrestres. Intercaladas às linhas de armadilhas Sherman, foram instaladas 11 estações de captura a 10 m uma da outra composta por armadilhas de queda (baldes de 60 litros enterrados no solo, conectados por cercas-guia de 50 cm de altura). Nessas estações, foi disposta também uma armadilha do tipo Sherman perto de cada balde, para aumentar a capturabilidade de espécies que são capazes de sair do balde ou não cair neles. Nas seis linhas que continham somente armadilhas do tipo Sherman, instaladas em estações intercaladas, a cada 20 metros, as armadilhas para a captura de artrópodes (copos plásticos com volume de 400 ml enterrados no nível do solo). No total, cada grade contou com 121 armadilhas do tipo Sherman, 55 armadilhas de queda e 36 para capturar artrópodes. Portanto, as três grades montadas, M1, M2 e M3, têm a disposição das armadilhas conforme indicado na Figura 3.
Figura 3 – Disposição e arranjo das armadilhas de captura tipo “Sherman”, armadilhas de queda (tipo balde) e dos coletores de artrópodes nas grades
A importância do uso de armadilhas de queda se deve ao fato de não dependerem de isca, por serem menos seletivas e capazes de capturar mais de um indivíduo, sendo mais eficientes do que as armadilhas Shermans tanto em relação ao número de espécies e quanto ao número de indivíduos capturados (CÁCERES; NÁPOLI; HANNIBAL, 2011; UMETSU; NAXARA; PARDINI, 2006). Além disso, as armadilhas de queda capturam mais indivíduos jovens, contrastando com as Shermans que tendem a capturar mais adultos (UMETSU; NAXARA; PARDINI, 2006). A capturabilidade de jovens é extremamente importante por ser um dos pressupostos requeridos para a avaliação da estrutura populacional (BERGALLO; MAGNUSSON, 1999; GYÖZÖ; DÁNIEL; GERGELY, 2005), sua sobrevivência, desenvolvimento e reprodução dos indivíduos (GADGIL; BOSSERT, 1970;
MOSCARELLA; BERNARDO; AGUILERA, 2001; ROFF, 1992; STEARNS, 1976; STEARNS, 1992) e para a distinção via emigração e imigração (NICHOLS; POLLOCK, 1990). No fundo dos baldes, foram feitos pequenos furos para escoar a água da chuva. Cada balde tinha uma placa de isopor, para que os animais não morressem afogados nos dias mais chuvosos. As armadilhas “Sherman” e os baldes foram iscados com uma pasta composta de banana amassada, fubá, paçoca de amendoim e sardinha. As revisões das armadilhas foram feitas nas primeiras horas da manhã e iscadas novamente caso fosse necessário.