Importa mencionarmos primeiramente o conceito de Competências Comuns, definido pela OE, no Regulamento nº 122/2011 (2011c), como sendo aquelas que, partilhadas por todos os EE, independentemente da sua área de especialidade, são passíveis de ser demonstradas através da sua elevada capacidade de conceção, gestão e supervisão de cuidados e, ainda, através de um suporte efetivo à prática profissional especializada, no domínio da formação, investigação e assessoria. Foram então definidos quatro domínios de Competências: Responsabilidade Profissional, Ética e Legal; Melhoria Contínua da Qualidade; Gestão dos Cuidados; e, Desenvolvimento das Aprendizagens Profissionais.
Frequentando nós o Curso de MEMC, está implícita a necessidade de aquisição e desenvolvimento das competências supramencionadas. Por sua vez, o trabalho desenvolvido no PIS, anteriormente abordado, segundo a MTP, pressupõe por si só o desenvolvimento das referidas competências, porém, abordaremos especificamente cada um dos domínios, refletindo também sobre as atividades que no decorrer dos Estágios deram o seu contributo para este aperfeiçoamento, tal como as UC’s do plano de estudos.
No que concerne ao primeiro domínio, RReessppoonnssaabbiilliiddaaddee PPrrooffiissssiioonnaall,,ÉÉttiiccaa ee
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Leeggaall, e de acordo com o Regulamento, este compreende duas competências: Desenvolve
uma prática profissional e ética no seu campo de intervenção; Promove práticas de cuidados que respeitam os direitos humanos e as responsabilidades profissionais (OE, 2011c).
Relativamente a este domínio, referimos a importância dos aportes teóricos lecionados na UC de Filosofia, Bioética e Direito em Enfermagem (FBDE), na UT de Supervisão Clínica e das Questões Éticas em Cuidados Emergentes, revelando-se como uma mais-valia para o desenvolvimento desta competência, permitindo uma maior sensibilidade e aplicabilidade a determinadas questões da praxis. Denote-se a importância da capacidade de análise e adequação da ética e deontologia, bem como da epistemologia, às diferentes problemáticas do dia a dia, de forma a prestar cuidados seguros, dotados da componente ética tão importante e distintiva da profissão.
Deste modo, e tendo também por base os documentos enquadradores da profissão e legislação em vigor, como é o caso do Código Deontológico do Enfermeiro (CDE) e do Regulamento do Exercício Profissional dos Enfermeiros (REPE), de entre outros, podemos afirmar que a nossa conduta profissional assentou nestes princípios, respeitando a pessoa/família na sua idiossincrasia, nunca esquecendo as normas deontológicas e leis que regem a profissão, como referido no Artigo 79.º do CDE (OE, 2009), uma vez que a ética e a prática clínica são indissociáveis.
No que concerne à realização do PIS, existiu desde o seu início um compromisso efetivo com o cumprimento dos princípios ético-deontológicos, em toda e qualquer etapa do mesmo. Aquando do diagnóstico de situação, foi necessário conhecer as necessidades da população e comunidade onde nos encontrávamos inseridos, como vem referido na alínea a) do Artigo 80.º do CDE (OE, 2009). Respeitámos o Artigo 5.º do REPE (OE, 2012), no que se refere à utilização de uma metodologia científica, neste caso concreto, a MTP, em paralelismo com o Processo de Enfermagem. Respeitámos o Dever de Sigilo, conforme preconizado no Artigo 85.º do CDE (OE, 2009), pois garantimos o sigilo e anonimato das fontes, salvaguardando os participantes. Para além disto, e como já referimos no capítulo precedente, pedimos ainda autorização à Direção de Enfermagem para a realização do PIS, bem como para a Consulta dos Processos de Enfermagem.
Por fim, e atendendo ao tema do Projeto em si – Prevenção de UPP: avaliação do risco – consideramos que a aquisição e o aprofundamento de conhecimentos no âmbito
deste domínio específico se traduziu numa mais-valia para um exercício profissional de excelência, visto com este termos dado um contributo válido para a avaliação do risco de desenvolvimento de UPP e respetivo registo, pois é responsabilidade dos profissionais promover e salvaguardar a segurança das pessoas, reduzir os riscos e prevenir efeitos adversos (OE, 2006b), e ainda mais porque está comprovado que a grande maioria das UPP são evitáveis, através da identificação precoce do grau de risco, como já referido.
Antes de passarmos ao próximo domínio, referimos ainda a importância da presença desta competência em articulação com o PAC, como veremos mais adiante.
Abordando agora o domínio da MMeellhhoorriiaa CCoonnttíínnuuaa ddaa QQuuaalliiddaadde, segundo o e Regulamento nº 122/2011 (2011c), este subdivide-se em três competências: Desempenha um papel dinamizador no desenvolvimento e suporte das iniciativas estratégicas institucionais na área da governação clínica; Concebe, gere e colabora em programas de melhoria contínua da qualidade; Cria e mantém um ambiente terapêutico e seguro.
Também neste domínio referimos a relevância dos conteúdos abordados em
diversas UC’s, como a de Enfermagem, GPR, Ambientes em Saúde, e Investigação, pela
aquisição/desenvolvimento de conhecimentos e pelos momentos de reflexão proporcionados, indispensáveis ao contínuo processo de melhoria da qualidade dos cuidados, que se constitui como um imperativo nacional.
Atualmente as instituições de saúde têm como missão a promoção e transmissão de uma cultura de melhoria contínua da qualidade, tendo esta sido definida pelo Departamento da Qualidade na Saúde, na Estratégia Nacional para a Qualidade na Saúde (DESPACHO nº 14223/2009). Foram então definidas uma série de prioridades estratégicas e de ações, de entre as quais destacamos as seguintes, por estarem diretamente relacionadas com o PIS: difundir NOC’s a nível organizacional; estabelecer um sistema de indicadores de qualidade a nível nacional; construir um sistema nacional de registo de incidentes e de acontecimentos adversos; fomentar a segurança da pessoa através de normas de procedimento que previnam equívocos do foro clínico, cirúrgico e terapêutico.
Assim, e relacionando este domínio das CCEE com o PIS, e dado as UPP serem consideradas um indicador de qualidade dos cuidados, tivemos como objetivo geral - Promover a melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem prestados às pessoas internadas num SCG, no âmbito da Prevenção das UPP, o que por si só justifica o desenvolvimento destas competências, na medida em que, enquanto dinamizadores, concebemos e gerimos um Projeto de melhoria contínua da qualidade, inserido nas iniciativas estratégicas do CH, na área da governação clínica.
Com este Projeto não pretendemos de todo, e como referiu MEZOMO (2001), identificar culpados pelo facto de não estar implementada a NOC no SCG, onde realizámos o PIS, mas sim identificar oportunidades de melhoria, com vista à resolução do problema, já que a prevenção das UPP foi consagrada como um direito universal, e este evento adverso se torna numa ameaça à segurança das pessoas, segundo a DECLARAÇÃO DO RIO DE JANEIRO (2011). Deste modo, também através do PIS consideramos ter dado um contributo para a promoção de um ambiente terapêutico e seguro.
Relativamente à praxis diária, promovemos proactivamente um ambiente físico, psicossociocultural e espiritual gerador de segurança e proteção da pessoa, gerindo os riscos inerentes à prestação de cuidados, condições estas imprescindíveis para a efetividade terapêutica e prevenção de incidentes, como referido nas últimas unidades de competência. Realizámos atividades como a verificação do ventilador, malas de transporte e carro de
emergência, que se inscrevem no plano de manutenção de materiais e equipamentos, garantindo uma prestação de cuidados seguros. Colaborámos em auditorias no âmbito do controlo de infeção, realizámos sessões de sensibilização às visitas e Posters, atividades que aprofundaremos no subcapítulo seguinte.
No que respeita ao domínio da GGeessttããooddoossCCuuiiddaaddooss, e conforme o Regulamento,
este ramifica-se em duas competências: Gere os cuidados, otimizando a resposta da equipa de enfermagem e seus colaboradores e a articulação na equipa multiprofissional; Adapta a liderança e a gestão dos recursos às situações e ao contexto visando a otimização da qualidade dos cuidados (OE, 2011c).
Relatamos igualmente aqui o contributo dos conteúdos abordados em UT’s como a Segurança e Gestão do Risco nos Cuidados de Enfermagem, a Supervisão de Cuidados e a UC de GPR, dotando-nos de ferramentas que nos capacitaram para uma gestão mais eficaz dos cuidados, não descurando a qualidade dos mesmo. Permitiram ainda a utilização de ferramentas de diagnóstico de gestão, nomeadamente a aplicação da SWOT no PIS, por forma a analisar pormenorizada e cautelosamente a pertinência/relevância dos problemas diagnosticados, facilitando a avaliação da viabilidade do Projeto.
A praxis diária, no decorrer dos Estágios, requereu uma eficaz gestão dos cuidados, implicando uma otimização do processo ao nível da tomada de decisão e inevitavelmente uma orientação e supervisão das tarefas delegadas, por forma a garantir a segurança e a qualidade dos cuidados, pois não trabalhamos de forma isolada mas sim em equipa. Pressupôs uma otimização dos recursos às necessidades de cuidados, oferecendo assim cuidados equitativos, procurando a máxima satisfação da pessoa e sua família.
Foi-nos também possível verificar níveis e validades de produtos em stock na enfermaria/UCIC, efetuar pedidos de reposição e devolução de produtos à farmácia e armazém, de entre outros, atividades consideradas pertinentes porque apesar de não estarem diretamente ligadas à Gestão de Cuidados, influenciam-na, pois caso não estejam assegurados os recursos materiais, não podemos prestar determinados cuidados. Daí a importância de uma adequada gestão dos recursos, quer humanos, quer materiais. A verificação periódica do ventilador, do carro de emergência e do desfibrilhador, tal como referimos anteriormente, são atividades que garantem o bom funcionamento do material, permitindo aos profissionais atuar com segurança e prontidão em situações urgentes.
Confrontando este domínio com o PIS, considerámos importante a capacidade de gestão dos recursos (humanos e materiais) disponíveis, para o sucesso do mesmo,
relembrando o seu contributo para a melhoria da qualidade dos cuidados prestados. Através de uma adequada intervenção no seio da equipa de enfermagem promovemos a sua adesão ao Projeto, demonstrando simultaneamente e de forma motivadora, os benefícios que este traria, sem implicar um grande acréscimo de trabalho.
Finalmente, resta-nos abordar o domínio das AApprreennddiizzaaggeennss PPrrooffiissssiioonnaaiis, s subdividido em duas competências: Desenvolve o autoconhecimento e a assertividade, Baseia a sua práxis clínica especializada em sólidos e válidos padrões de conhecimento (OE, 2011c).
UC’s como a de Investigação revelaram grande utilidade, relembrando a importância da sua utilização no contínuo desenvolvimento da profissão. A UT de Enquadramento conceptual de EMC também foi bastante facilitadora do nosso desenvolvimento, dando o seu grande contributo para a moldura teórica apresentada no presente Relatório. Conjuntamente, a UC de Enfermagem favoreceu o desenvolvimento deste domínio, atribuindo um papel fulcral à Formação Contínua, para podermos basear a
praxis clínica especializada em sólidos e válidos padrões de conhecimento, razão pela qual frequentamos o presente Curso, tal como outras formações ao longo do percurso profissional, sempre com o intuito de melhorar o exercício profissional. Por sua vez, o desenvolvimento do autoconhecimento e assertividade decorreu essencialmente na praxis, facilitando o estabelecimento de relações terapêuticas e multiprofissionais.
O presente domínio das CCEE também está diretamente relacionado com a MTP, e por consequência com o PIS. Um projeto desta natureza implica uma série de etapas, desenvolvidas no capítulo anterior, que no seu todo requerem um processo de aprendizagem de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades, com vista à resolução de um problema real, onde as tomadas de decisão e intervenções se basearam em padrões de conhecimento válidos, atuais e pertinentes. Envolveu a formação da equipa de enfermagem, onde assumimos o papel de elemento facilitador da aprendizagem dos pares. Esta metodologia, e de acordo com NUNES et al, traduz-se na ponte entre a teoria e a prática, pois ancora-se no conhecimento teórico para posterior aplicação na prática (2010).
Já na etapa de avaliação do PIS, e porque aos profissionais de enfermagem lhes é exigido uma atualização permanente dos conhecimentos, com recurso a grande investimento pessoal no decorrer do seu exercício, para utilizarem adequadamente as tecnologias, sem esquecer a formação permanente e aprofundada nas ciências humanas, mencionada na alínea c) do Artigo 88.º do CDE (OE, 2009), tivemos oportunidade de
frequentar o Curso de Prevenção e Tratamento de UPP promovido pelo CH, que teve por objetivo major a implementação de boas práticas nesta área. Anteriormente havíamos assistido a uma formação sobre Promover a Segurança e Gestão do Risco – acrescentar Prevenção e Melhorar atuação na queda do doente, para uniformização das práticas.
Posto isto, e de acordo com BENNER (2001), a aprendizagem ao longo da vida é indispensável, porque os Enfermeiros são profissionais cuja complexidade e responsabilidade profissional requerem desenvolvimento contínuo e a longo termo, como referimos anteriormente.
Dando por terminada a análise crítica do desenvolvimento das CCEE, passamos a apresentar a análise das Competências Específicas do EE em EMC.