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A arquiteta Scaglione18 explora as possibilidades de utilização da cor19 nas práticas

gráficas de arquitetos contemporâneos, na relação entre os tradicionais meios de represen- tação e as mais recentes tecnologias de comunicação e informação e determina a cor como um ponto comum entre estes meios, reconhecendo o seu “significado poderoso na troca de ideias”.

“[…] the use of colour, not only as a smooth finish for works but also as a power- ful meaning of exchanging ideas” (Scaglione, 2010, p. 426)

O uso de cor no desenho reflete as necessidades e escolhas do autor/arquiteto e depende do objetivo/solução procurada. Os desenhos monocromáticos realizados apenas com linha ou com mancha parecem ser a tradicional e mais comum forma de expressão. As formas são explicadas pelas suas arestas e pelo efeito de luz e sombra modelada com trama ou mancha. Estas observações convergem com as ideias expressas pelos restantes autores.

“(…) the play of shapes and materials is given by the effects of light and shadow of the pencil and stretch from skill and confidence with the design of author.” (Scaglione, 2010, p. 428)

Através da apresentação de quatro desenhos [3. 7] de quatro arquitetos internacio- nais esta arquiteta desenvolve algumas considerações breves que oferecem algumas pistas para a nossa investigação:

A propósito do desenho do Renzo Piano (1937 - ) explica que a cor não descreve a realidade mas é utilizada como um meio de comunicação. A cor ajuda a compreender de modo imediato os conceitos ou ideias expressos através do seu poder narrativo. Como o desenho não é uma simples transposição do real, ou seja, não é uma representação natura- lista, o carácter abstrato da imagem concentra a atenção nos objetivos do projeto em que o arquiteto se foca20, destacados pelas cores verde e vermelho;

18 Scaglione, M., 2010. The representation of colours in contemporary architecture: contemporary archi-

tects/designers drawings. Verona, Knemesi, pp. 421-431.

19 Scaglione (2010) procura analisar a contribuição da cor no desenho de projeto e compreender como esta

pode concorrer para a disseminação e criação da ideia do arquiteto. Apresenta algumas observações sobre o uso da cor no desenho realizado à mão mas sem grandes desenvolvimentos, pois é apenas um breve artigo. A investigadora foi contactada no sentido de ajudar e contribuir na recensão bibliográfica e para saber se o seu trabalho havia sido mais aprofundado. Neste contacto ficou claro que não há realmente muita bibliografia disponível, e tal como nesta investigação, ela analisou desenhos de arquitetos para proceder à investigação e compreensão sobre o uso da cor no desenho: “There is not so much bibliography about, the most part of the article is realized with my personal opinions from the comparson of different drawings made by famous architects.” (Scaglione, Email de 7 Jun 2014)

20 “In the designs of Renzo Piano, for example, the colour is not used to accurately depict the reality but as a

means of communication, in which case the colour contributes greatly to the immediacy of the understanding of the concepts and expresses its narrative power. It is not a simple transposition of the real color of a project or of a place with its abstract character separates the observer from the objective image by concentrating only on the project.” (Scaglione, 2010, p. 428).

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Massimiliano Fuksas (1944 - ) também usa cor para esboçar as suas primeiras ideias, optando por empregar tons fortes transmitindo força e inovação no projeto21;

Em Steven Holl (1947 - ) é valorizada a exploração da técnica de aguarela, medium de eleição neste autor, independente do sistema de representação utilizado. Recorrendo às qualidades plásticas e expressivas da aguarela, este arquiteto constrói uma visão idílica e quase onírica do seu projeto22;

Toyo Ito (1941 - ) explora os meios gráficos e plásticos de acordo com as suas ne- cessidades expressivas e comunicativas23.

3. 7 - Imagem de fragmentos de desenhos de 4 arquitetos como incluídos no artigo de M. Scaglione, esboços de: R. Piano (1), M. Fuksas (2), S. Holl (3), T. Ito (4).

Podemos concluir, com base nas observações de Scaglione, que a cor não descreve a cor dos materiais, não procura apenas a aparência dos objetos mas corrobora a constru- ção de um imaginário expressivo que acompanha a conceção arquitetónica. Estas ideias avançam um pouco mais sobre o espaço que a cor pode ter no desenho e que pode ir além da mera descrição mimética e organização gráfica da composição dos componentes repre- sentados.

Scaglione distingue três tipos de representação nas técnicas digitais: “Photorealistic Rendering”; “Emotional rendering” e “Conceptual rendering”, aqui traduzidos como mo- delação foto realística, modelação emocional e modelação conceptual, respetivamente. Pela descrição desta investigadora fica evidente que nas técnicas digitais as cores são utilizadas na fase de ilustração do projeto. Ainda que estas técnicas não sejam objeto de estudo nesta

21 “Massimiliano Fuksas also uses color to define the first part of his new project in his sketches with markers

from strong tones and decided wants to transmit all the strength and innovation of its projects.” (Scaglione,

2010, p. 428).

22 “Steven Holl, by contrast, uses the technique of watercolors to make images of his work, not only perspec-

tive, but also its plans and sections are stained with this technique. Through the transparency of watercolor constructs an idyllic view of his project, almost fairy-tale illustration to make the delicate poetry of its out- put.” (Scaglione, 2010, p. 428).

23 “Toyo Ito, for example, passed peacefully from monochrome to color sketch, depending on the purpose to

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investigação, parece importante observar os conceitos apresentados, uma vez que podem ser extrapolados no domínio do desenho.

Na modelação foto realística a cor mimetiza o real aproximando ao máximo as co- res utilizadas na representação com a aparência da arquitetura, a cor é um veículo para re- presentar a realidade. Na modelação emocional as cores são próximas do real mas fantásti- cas e fantasiosas e são protagonistas na comunicação das ideias do projeto. Na modelação conceptual as cores estão totalmente afastadas do real. São utilizadas apenas uma ou duas cores, geralmente cores fortes ou as primárias, concentradas num aspeto ou característica do projeto, destacando-o.

Em resumo, na modelação digital as cores podem corresponder às cores reais ou afastar-se destas. Quando correspondem às cores reais são naturalistas, quando se afastam podem ser cores emocionais ou conceptuais. Em todas as situações as cores ajudam a cons- truir um imaginário gráfico que se aproxima da ideia do projeto, convergindo com a conce- ção arquitetónica do autor/desenhador. Isto vem reforçar a ideia, encontrada na conceção do desenho como pensamento projetivo, de que as decisões gráficas não são acidentais mas tomadas de modo consciente.

Das reflexões de Scaglione podemos destacar a valorização da cor como um ele- mento do desenho que permite ir além da descrição naturalista das cores do projeto e que, dependendo do tipo de material ou das dimensões de cor, pode transmitir diferentes con- ceitos: cores fortes e saturadas podem expressar “strength and innovation”, enquanto téc- nicas transparentes e suaves como a aguarela podem constituir a “idyllic view” do projeto. Com o estabelecimento destas relações, cores fortes - força e inovação, ou cores transpa- rentes - visão idílica, a autora constitui um significado simbólico para os esquemas de cores.

A cor e os esquemas de cor podem ser explorados pelo seu potencial significado, pelas suas dimensões plásticas e expressivas, para atribuir outras qualidades à comunicação e conceção do projeto. Desta forma é possível adicionar qualidades ao desenho que não podem ser explicadas apenas pela medida mas que implicam a inclusão de um recurso vi- sual e significante que possa ser expressivo e simbólico. Neste sentido a cor pode ser um elemento que resulta das necessidades comunicativas e simultaneamente das preferências pessoais do desenhador. Estas considerações afastam-se da conceção de cor como algo objetivo e racional e que a valoriza como um elemento subjetivo e emocional.