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Na revisão de literatura do presente trabalho, foram relatadas pesquisas que enfatizam a importância do desenvolvimento de mais estudos sobre o fenômeno da evasão em cursos a distância e em ambientes corporativos.

Existem poucos estudos avaliando cursos a distância e, mais especificamente os índices de evasão, apesar desses poucos estudos evidenciarem alta evasão em cursos a distância. Há baixa produção tecnológica em avaliação de TBWs e TBCs e a utilização de instrumentos com baixa qualidade psicométrica. A baixa eficácia de ações educacionais a distância com as TICs, podem levar essa modalidade ao descrédito, motivo que impulsiona a necessidade de estudos na área de avaliação de treinamentos a distância. Parker (1999) ressalta a necessidade de pesquisas para investigação dos preditores de evasão na EAD, visto que as taxas de abandono nesta modalidade de ensino têm sido elevadas.

Uma sugestão de pesquisa de Abbad et al. (2006) é a inclusão de características motivacionais (valor instrumental do treinamento) em modelos de investigação de evasão em cursos a distância mediados pelas TICs. Em coerência com esta sugestão, Borges-Ferreira (2005) propõe agenda de pesquisa relacionada à analise de como variáveis relativas ao indivíduo, como motivação, por exemplo, influenciam a evasão em cursos a distância. Lacerda (2002) apresentou evidências do papel preditivo do valor instrumental com o resultado do treinamento no Brasil, e sugere a aplicação da escala em outros cursos, organizações, modalidades e com diferentes variáveis critério. Pilati (2004), validando o instrumento de valor instrumental do treinamento desenvolvido por Lacerda (2002), ressalta a necessidade de novos estudos, buscando a análise dos fatores encontrados e o aprimoramento das medidas.

Abbad et al. (2003) lançaram como um dos tópicos da agenda de pesquisa a análise cuidadosa de treinamentos a distância por meio de estudos científicos que identifiquem variáveis explicativas e seus resultados. Nesse mesmo sentindo, Coelho Júnior (2004) afirma que a área de EaD necessita do desenvolvimento de estudos que relacionem variáveis individuais com os resultados desta modalidade.

Xenos et al. (2002) sugerem a execução de novos estudos para verificar a consistência dos dados referentes a características demográficas e evasão, em outros contextos. Seguindo agenda de pesquisa proposta por Zerbini (2003) e Carvalho (2003) o estudo de variáveis demográficas é particularmente importante em cursos na

modalidade a distância, visto que estas podem apresentar maior importância do que em estudos presenciais, considerando que o aluno a distância precisa de habilidades relacionadas à auto-gestão da aprendizagem e administração do tempo, por exemplo.

De acordo com Henke e Russum (2000), há carência de estudos com modelos teóricos válidos para medir a evasão em cursos a distância. Kember (1989) citado por Whittigton (1995) confirma a complexidade do fenômeno da evasão, afirmando a necessidade de desenvolvimento de modelos teóricos. O autor enfatiza que um modelo teórico para a evasão que abarque todos os aspectos explicativos é inviável, em função da complexidade do mesmo, no entanto é possível o desenvolvimento de um modelo que não se prenda em detalhes e sim, nos fatores centrais deste complexo fenômeno.

Amidani (2004), cuja pesquisa teve foco na análise da evasão em contexto de cursos de graduação a distância, propõe a realização de estudos que analisem a evasão em cursos a distância de graduação e também em outros cursos.

Brauer (2005) sugere que os instrumentos relacionados à evasão sejam aplicados em concluintes e evadidos, para verificar a diferenças de percepções com relação às restrições situacionais.

Esta é uma pesquisa de avaliação de treinamentos a distância cujo principal objetivo é propor e testar um modelo teórico de investigação do poder preditivo de variáveis individuais (idade, gênero, participação anterior em curso a distância, pagamento do curso pelo aluno e valor instrumental do treinamento), características do curso (totalmente a distância e semipresencial) e comportamentos e atitudes do aluno em relação a cursos a distância, sobre a evasão em cursos oferecidos nesta modalidade. Espera-se que essas variáveis expliquem uma porção significativa da variabilidade de evasão em cursos a distância.

Dessa forma, esta pesquisa pretende contribuir para o desenvolvimento da área de avaliação de treinamentos a distância e em especial, para a investigação das variáveis preditoras de evasão. Essa pesquisa foi desenvolvida em três fases e, por isso, o método e os resultados estão apresentados em termos de três estudos:

Estudo 1

Objetivou a construção e validação estatística da escala de Comportamentos e Atitudes do Aluno em Relação a Cursos a Distância;

Estudo 2

Objetivou a revalidação estatística da escala de Valor Instrumental do Treinamento, no âmbito da EaD;

Estudo 3

Objetivou a análise do relacionamento entre características da clientela (idade, gênero, participação anterior em curso a distância, pagamento do curso pelo aluno e valor instrumental do treinamento), características do curso (totalmente a distância ou semipresencial) e comportamento e atitudes do aluno em relação a cursos a distância com a variável critério evasão.

Com a finalidade de viabilizar a análise do relacionamento entre as variáveis mencionadas, foi constriudo um modelo teórico de investigação, conforme apresentado a seguir.

5.1. Modelo de Investigação

O modelo de avaliação do presente estudo é baseado nos modelos MAIS (Modelo de Avaliação Integrado e Somativo de Sistemas Instrucionais, Borges- Andrade, 1982) e Modelo IMPACT (Modelo Integrado de Avaliação do Impacto do Treinamento no Trabalho, Abbad, 1999).

A Figura 8 apresenta os componentes, as variáveis e modelo geral de investigação do relacionamento entre variáveis preditoras (1, 2 e 3) e variável critério (4).

Figura 8 – Modelo proposto de avaliação de evasão em cursos a distância.

O modelo de investigação adotado neste estudo é multivariado e composto por quatro componentes: (1) Características da Clientela, (2) Características do Curso, (3) Comportamentos e Atitudes do Aluno em Relação a Cursos a Distância e (4) Evasão.

O componente Características da Clientela refere-se à idade, gênero, participação anterior em curso a distância e pagamento do curso pelo aluno. Além disso, dentro desse componente, há o Valor Instrumental do Treinamento, entendido em termos de valência e instrumentalidade e diz respeito à importância/valorização dada pelo indivíduo às conseqüências/resultados que obterá por meio de sua participação no curso (valência) e o quanto fazer o curso ajudará o indivíduo a obter conseqüências/resultados que deseja (instrumentalidade).

O componente Características do Curso refere-se à modalidade do curso: totalmente a distância ou a distância com encontros presenciais (semi-presencial).

O componente Comportamentos e Atitudes do Aluno em Relação a Cursos a Distância refere a fatores facilitadores e dificultadores que podem ser encontrados por alunos que realizam cursos nessa modalidade e a forma como as pessoas se comportam diante desses fatores.

1. Características da