5.2 Documents as process
5.2.2 Grand Design for the Prevention of Forest, Plantation, and Land Fires as process
Depois de realizada a apresentação dos resultados obtidos importa agora discuti- los e compreendê-los. A discussão visa compreender os resultados obtidos, mediante a comparação com a revisão de literatura efetuada, com o intuito de salientar os resultados mais significativos no âmbito da Imagem Corporal, Satisfação Sexual e Satisfação Conjugal em mulheres obesas e não obesas. Para facilitar a compreensão da discussão, esta será feita partindo das hipóteses inicialmente propostas.
Mediante a hipótese 1 relativa à correlação negativa entre a obesidade com a insatisfação com o corpo, satisfação com a vida conjugal e satisfação sexual. Apenas se verificaram associações fortes e de sentido positivo entre IMC e insatisfação com o corpo o que vai de encontro aos resultados obtidos de Assinakopoulos e seus colaboradores (2011), Assinakopoulos e seus colaboradores (2010) e ainda de Tribess e Petroski (2005). O resultado obtido é expectável sendo de sentido positivo considerando que o IMC é um índice que incide precisamente em medidas corporais, especular-se-ia que mulheres com índices de massa corporal mais baixa estariam também mais satisfeitas com a sua imagem corporal. O aprofundamento da análise estatística permitiu ainda verificar correlações significativas de grau forte e de sentido positivo entre a satisfação conjugal e as respetivas subescalas amor e funcionamento conjugal, o que não seria de estranhar considerando que o constructo sob análise, satisfação conjugal, possui estas duas dimensões, logo estariam correlacionadas, sendo que as correlações significativas de grau forte e de sentido positivo entre ambas as subescalas, parecem apontar para a hipótese de que as duas são complementares e não duas dimensões concorrentes. As correlações significativas de grau fraco e de sentido positivo entre insatisfação sexual e insatisfação corporal foram também encontradas por estudos anteriores tais como os de Assinakopoulos e seus colaboradores (2011), mas também prospectivamente os de Kinzl e seus colaboradores (2010), este último tendo como amostra mulheres obesas sujeitas a cirurgia de redução de peso. Tendo em consideração que a insatisfação corporal pode afetar outras esferas, a sexualidade deverá ser uma das mais afetadas, se não vejamos, o sujeito com elevada insatisfação corporal terá tendência para adotar estratégias que visem minimizar e expor o seu corpo precisamente em situações, por exemplo no ato sexual, em que deveria estar mais descontraída e aberta a novas experiências. Tal retraimento, por um lado não permitirá desfrutar da
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totalidade da experiência e por outro não permite criar outras situações desconfirmadoras das suas crenças acerca da imagem corporal. As correlações moderadas, mas de sentido negativo entre a insatisfação sexual com a satisfação conjugal e respetivas subescalas amor e funcionamento conjugal, vão de encontro ao senso comum, de que a sexualidade retro-alimenta positivamente a relação.
Mediante a hipótese 2 relativa à interação entre as variáveis sociodemográficas (estado civil e escolaridade) e a obesidade, ao nível das seguintes variáveis, satisfação com o corpo, satisfação com a vida conjugal e satisfação sexual. Os resultados obtidos permitem apenas destacar uma interação entre obesidade e estado civil ao nível da insatisfação sexual, bem como a existência de efeito principal do estado civil, considerado isoladamente sobre a insatisfação corporal, revelando uma diferença de médias entre grupos. Os resultados obtidos relativamente à interação entre obesidade e estado civil (insatisfação sexual) parecem parcialmente compreensíveis no sentido de que o estado civil (casamento), é a principal forma de “praticar” a sexualidade, sendo enriquecida pela conjugalidade, i.e., pela vivência comum com um outro significativo para o individuo. Por sua vez, o efeito principal do estado civil sobre a insatisfação corporal vai de encontro aos resultados encontrados por Trappnell, Meston e Gorzalka (1997), que indicam que pessoas obesas são mais propensos a permanecer solteiras toda a vida, são percebidos como menos ativos sexualmente e segundo Wiederman e Hurst (1998) têm menos oportunidades de namoro, paralelamente, Blaine e colaboradores (2002) e Folhas e Ajmere (2005) salientam que as pessoas obesas reservam-se psicologicamente nas relações de namoro, têm maior dificuldade em atrair um parceiro para o casamento, casam mais tarde, casam-se com parceiros menos desejáveis e com peso relativamente elevado.
Mediante a hipótese 3 relativa ao impacto que a obesidade tem ao nível da insatisfação com o corpo, em mulheres com sub-peso/normal e mulheres com sobrepeso/até obesidade tipo 3. Os resultados obtidos indicam que as mulheres com sobrepeso/até obesidade tipo 3 obtêm scores mais elevados que os seus pares com sub-peso/peso normal. Sendo que tais diferenças são estatisticamente significativas entre os dois grupos, mostrando que a obesidade interfere de forma diferenciada no nível da insatisfação corporal. Tal resultado é não só plausível como compreensível, indo de
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encontro às conclusões do estudo desenvolvido por Kolotkin (2006) que salienta o impacto da obesidade sobre a imagem corporal. Considerando que a imagem corporal é retroalimentada pelas perceções, cognições, mas também pela imagem real, pela forma e peso corporal, - assim sendo o IMC, uma medida complexa de obesidade, parece estar estreitamente relacionada com as dimensões valorizadas pela imagem corporal -. Fatores culturais, como a valorização de uma imagem corporal normativa, na qual as medidas esbeltas, estreitas, com formas bem torneadas e baixo peso contrastam com as medidas reais de mulheres reais, aumentando o fosso entre a imagem real e a imagem ideal, aumentando assim o grau de insatisfação.
Mediante a hipótese 4, relativa ao impacto que a obesidade tem ao nível da satisfação com a vida conjugal, em mulheres com sub-peso/normal e mulheres com sobrepeso/até obesidade tipo 3. O grupo constituído pelos elementos com sub-peso/peso normal obtêm scores ligeiramente mais elevados que o segundo grupo. Contudo, os resultados obtidos indicam que não existem diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos, mostrando que a obesidade não interfere de forma diferenciada no nível da satisfação com a vida conjugal. Por sua vez, os resultados obtidos por subescala, revelam também eles uma não diferença estatisticamente significativas entre os dois grupos, no Amor e no Funcionamento conjugal. Os resultados obtidos parecem mais uma vez ir contra a restante literatura, - escassa diga-se de passagem -, que se debruçou sobre a obesidade e satisfação conjugal (e.g. Assinakopoulos e seus colaboradores, 2011). Na literatura sobre satisfação conjugal se destacam antes a associação entre esta e a qualidade da relação (o desempenho na e da relação) (Narciso, Costa & Prata, 2002), processos cognitivos, tais como perceções, atribuições e expectativas, bem como padrões cognitivos; e ainda os processos afetivos, amor, intimidade, - revelação mútua, escuta recíproca, preocupações e cuidados com o parceiro, a amizade, a compreensão mútua, o apoio emocional e a preocupação com o bem-estar do outro (Narciso, 2001). Parece-nos a nós que a obesidade é uma variável individual que tem um impacto reduzido na satisfação com a vida conjugal ou com as áreas limítrofes desta, por serem constructos não só distintos, mas também dispares, i.e., embora sejam variáveis paralelas, raramente se entrecruzam, talvez com a exceção de casos agravados de obesidade com complicações (e.g. diabetes mellitus).
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Mediante a hipótese 5, relativa ao impacto que a obesidade tem ao nível da satisfação com a vida sexual.em mulheres com sub-peso/normal e mulheres com sobrepeso/até obesidade tipo 3. O grupo constituído pelos elementos com sub-peso/peso normal obtêm-em scores relativamente mais elevados de insatisfação que o segundo grupo (sobrepeso/até obesidade tipo 3). Os resultados obtidos indicam que não existem diferenças estatisticamente significativas entre os dois grupos, mostrando que a obesidade não interfere de forma diferenciada ao nível da satisfação sexual. Tal parece revelar um impacto reduzido de uma variável sobre a outra, possivelmente este resultado pode estar relacionado com a utilização de estratégias cognitivas, - valorização da obesidade como uma “mais valia” sexual -, comportamentais, - uso de práticas e posições sexuais que aumentem o desempenho sexual da mulher obesa, nivelando assim a satisfação sexual entre mulheres obesas e não obesas.
Mediante a hipótese 6.1, relativa ao impacto que as perceções subjetivas de peso aparente têm ao nível da satisfação com o corpo, com a vida conjugal e satisfação sexual. Os resultados obtidos indicam que existem diferenças estatisticamente significativas, mostrando que a perceção de peso aparente interfere de forma diferenciada ao nível da satisfação com o corpo, bem como a dimensão Amor da EASAVIC, mais precisamente com a subescala sexualidade. Se a relação encontrada entre perceção de peso aparente (menor peso) e a satisfação corporal, parece indicar um estreitamento de constructos, se não vejamos, a satisfação com o corpo é influenciado por entre outros fatores, pelas perceções corporais, na qual o peso, parece assumir um valor de referência tanto para o sujeito, como para a sociedade. Já relação entre a perceções subjetivas de peso aparente (menor peso) e o amor e a sub-escala sexualidade, não se encontram nenhum tipo de explicação para este resultado.
Mediante a hipótese 6.2 relativa ao impacto que as perceções subjetivas de peso desejado têm ao nível da satisfação com o corpo, com a vida conjugal e satisfação sexual. Os resultados obtidos indicam que existem diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, mostrando que a perceção de peso desejado interfere de forma diferenciada ao nível da satisfação com o corpo, satisfação sexual, bem como a dimensão Amor da EASAVIC, e com as correspondentes subescalas sexualidade e intimidade, com a dimensão Funcionamento Conjugal, mais precisamente com Relações
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extraconjugais e Continuidade da relação e ainda com a Pontuação total da escala.
Mediante a hipótese 6.3, relativa ao impacto que as perceções subjetivas de peso atraente Os resultados obtidos indicam que existem diferenças estatisticamente significativas, mostrando que a perceção de peso atraente interfere de forma diferenciada ao nível da dimensão Funcionamento Conjugal da EASAVIC, nas correspondentes subescalas Funções familiares e Comunicação e conflitos. Constata-se no geral que as perceções relativas ao peso, na qual se debruçaram as hipóteses 6.1, 6.2 e 6.3, são dimensões psicológicas subvalorizadas na literatura encontrando-se pouca sustentabilidade teórica para os resultados encontrados. Podemos genericamente afirmar que a componente subjetiva da obesidade possui um impacto maior que a componente objetiva (IMC), o que vai ao encontro dos estudos de Leonhard e Barry (1998), Nunes et al, (2001), Tantleff e Gokee (2002), e Branco et al. (2006). Tal, revela que o Homem é um ser não necessariamente racional, por outras palavras, o homem está imbuído de subjetividade, criando essa mesma subjetividade no seu relacionamento consigo e com o mundo.
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