3.3 Mechanical Testing
4.2.3 Grain Size and Texture
As pesquisas iniciais em imagem corporal iniciam-se no séc. XX, a partir de investigações realizadas por neurologistas em pacientes com lesões cerebrais que apresentavam distúrbios de percepção corporal. Estas pesquisas enfocavam-se, predominantemente, no aspecto biológico e fisiológico do corpo (CASH; PRUZINSKY, 1990).
Em 1911, o neurologista inglês Henry Head criou o termo ‘esquema corporal’, definido como um modelo postural padrão que cada indivíduo constrói acerca de si mesmo e que serve de referência para ele contrapor a esse modelo suas diferentes posturas e movimentos. A construção do esquema corporal é uma necessidade básica para que as pessoas tenham a possibilidade de moverem-se e localizarem-se no espaço de maneira adequada (TURTELLI, 2003).
Em 1935, Paul Schilder em seu principal livro ‘A imagem do corpo: as energias
construtivas da psique’, trouxe contribuições à imagem corporal, ao introduzir ao conceito
aspectos mentais, afetivos e sociais. Schilder é considerado precursor das diversas pesquisas em imagem corporal que foram desenvolvidas posteriormente. Vale ressaltar que suas contribuições continuam sendo referências atualizadas (TURTELLI, 2003).
Salienta-se que Schilder (1994) compreende tanto a imagem corporal como o esquema corporal, o modelo postural do corpo e a imagem postural como termos equivalentes, pois todos se referem a uma mesma realidade, perspectiva esta utilizada neste estudo, pois se acredita que a diferenciação entre esquema e imagem corporal promove uma fragmentação do sujeito.
Mas, afinal, o que é imagem corporal? Como ela é formada em nossa mente? Tavares (2003) nos esclarece que os estímulos dados a cada pessoa ao longo de sua vida só existem à medida que eles são vivenciados corporalmente. E cada um os vivencia de acordo com suas possibilidades fisiológicas, características subjetivas, circunstâncias socioambientais e culturais. Portanto, cada pessoa se transforma a todo o momento. E todas essas transformações constituem uma identidade singular relacionada ao próprio corpo, isto é, constituem uma identidade corporal.
Nas palavras da autora:
A imagem corporal reflete a história de uma vida, o percurso de um corpo, cujas percepções integram sua unidade e marcam sua existência no mundo a cada instante. Percepções que se concretizam em um corpo. Nossa história é, antes de mais nada, a história de nossas experiências perceptivas (TAVARES, 2003, p. 16).
As memórias corporais, advindas dessas experiências perceptivas vivenciadas ao longo da vida, formam a identidade de cada indivíduo e é a representação dessa identidade corporal que se constitui a imagem corporal (TAVARES, 2003).
Portanto, a imagem corporal é um conceito que abrange três estruturas corporais: fisiológica, emocional e sociológica, em um intercâmbio contínuo entre elas. A estrutura fisiológica é responsável pelas organizações anatomofisiológicas; a estrutura emocional refere-se ao conjunto de experiências emocionais vivenciadas ao longo das inter-relações; e a estrutura sociológica baseia-se nas relações interpessoais e na aprendizagem de valores socioculturais (SCHILDER, 1994).
Neste sentido, a imagem corporal pode ser entendida como “[...] a figuração de nossos corpos formada em nossa mente, ou seja, o modo pelo qual o corpo se apresenta para nós”
(SCHILDER, 1994, p. 11). Refere-se à percepção que o indivíduo possui acerca do próprio corpo, baseada nas sensações e experiências vivenciadas no decorrer de sua vida, cuja influencia se dá por fatores físicos, psíquicos, sociais e culturais no âmbito da subjetividade de cada um.
Para uma melhor contextualização dos conceitos relacionados à imagem corporal, Cash; Pruzinsky (1990) elaboraram sete afirmações que melhor abrangem o conceito. São elas:
1. A imagem corporal é uma experiência subjetiva: refere-se às percepções, aos pensamentos e aos sentimentos sobre o corpo e suas experiências;
2. As imagens corporais são multifacetadas: suas mudanças podem ocorrer em diferentes dimensões;
3. As experiências da imagem corporal são permeadas por sentimentos sobre si mesmo: o modo pelo qual o indivíduo vive o próprio corpo relata como ele percebe a si mesmo; 4. As imagens corporais são determinadas socialmente;
5. As imagens corporais não dinâmicas: a experiência corporal é constantemente modificada;
6. As imagens corporais influenciam o processamento de informações: a maneira como o indivíduo sente e pensa seu corpo influencia o modo como ele percebe o mundo;
7. As imagens corporais influenciam o comportamento e as relações interpessoais.
Pode-se perceber que a imagem corporal é um conceito multifacetado, que abrange como salientado anteriormente, processos fisiológicos, psicológicos, sociais e culturais. É uma experiência vivida a todo o momento e nunca é unilateral (BARROS, 2005).
Portanto, a imagem corporal se autoconstrói e se autodestrói constantemente, sempre em processo de mudança, crescimento e desenvolvimento. Dessa construção relacionam-se os processos conscientes e inconscientes, de modo que a imagem corporal não é somente definida como uma construção cognitiva, mas também como um reflexo dos desejos, das emoções e das interações socioculturais (SCHILDER, 1994).
Assim como Schilder, Feldenkrais (1977) afirma que a imagem corporal nunca é estática, pois ela muda de ação para ação. Tavares (2003) concorda com os autores ao afirmar que a imagem corporal é um processo em constante transformação, que se caracteriza pela interação da realidade interna com o mundo externo.
Por ser dinâmica, a construção da imagem corporal envolve a interferência sobre a auto- imagem de cada um. Ela, então, é definida a partir das interferências socioculturais sofridas e dos
hábitos criados, “moldando nosso aspecto de existir como seres corporais” (BARROS, 2005, p.
Por ser mutável e influenciada por fatores fisiológicos, emocionais, sociais e culturais, a imagem corporal torna-se vulnerável aos efeitos de traumas, doenças e incapacidades físicas (TAVARES, 2003). Do mesmo modo, Van Kolck (1984) acrescenta que alterações corporais provocam mudanças na imagem corporal.
Como se pode notar, todos os autores citados concordam que a imagem corporal é dinâmica e, neste sentido, deve ser construída e elaborada continuamente. Portanto, ela é “um fenômeno social [...], pois há um intercâmbio contínuo entre nossa própria imagem e a imagem
corporal dos outros” (SCHILDER, 1994, p. 240).
Em relação ao aspecto social da imagem corporal, Tavares (2003) afirma que a imagem corporal relaciona-se ao sentido das imagens corporais que circulam na sociedade. Isto remete à afirmação que em qualquer meio sempre existirá uma imagem social do corpo, isto é, um símbolo por meio do qual os indivíduos rejeitam ou se identificam.
Portanto, tanto o corpo como a imagem corporal são elementos simbólicos e materiais que ocupam um determinado momento no tempo e no espaço por meio do conhecimento.
“Transforma-se na razão direta de sua fugacidade em saber e exigir ser entendido a partir de um lugar: um lugar que o reconheça no pormenor, mas que o identifique no todo” (SILVA, 1999, p.
26).