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Uma das contribuições da EaD é que esta, por atingir um maior número de pessoas, acaba disseminando o conhecimento não só no ensino superior, mas também no técnico e nas escolas, fazendo com que haja uma democratização do ensino, pois o acesso abrange um grande número de brasileiros, que num país de proporções como o nosso e diferenças socioeconômicas pode ser vista como uma solução para sanar a curto e médio prazos essa disparidade. Contudo, a ideia de democratização ou socialização do ensino é anterior ao que conhecemos hoje.

O ser humano quando nasce aos poucos vai aprendendo a se comunicar, inicialmente através do choro quando bebê e posteriormente com gestos e palavras. Ao longo de sua visa faz escolhas têm preferências, aprende a raciocinar, a concordar e a discordar. Para Motta (2005, p. 11), o indivíduo se rebela frente aos padrões ditados como “certos” ou adapta-se a eles e “criando maneiras diversas de viver, com isto vai criando relações sociais”. Através de experiências vividas desde a infância, do relacionamento familiar, com colegas e amigos, os “arroubos” da adolescência, o convívio com o outro na comunidade a que pertencemos, no trabalho, nas preferências de lazer, nos acontecimentos que marcaram nossa vida, vamos moldando a nossa forma de ser. Fazemos parte de um contexto social, econômico, político onde preconceitos, valores, ideias são absorvidos influenciam e são influenciados e por esses processos iniciamos a nossa socialização.

Rousseau, já dizia que “o homem é afetado, desde o nascimento, por uma série de disposições que, firmando-se ao longo do tempo, são transformadas em hábitos” (SILVA, 2005, p. 93). Com isto somos levados a inferir que tanto a escola

quanto a instituição de ensino superior são lugares onde o processo de socialização se inicia e, consequentemente, a educação torna-se um fator dessa socialização. Para Freitag (1979, p. 14), “o processo educacional é mediatizado basicamente pela família, mas também por instituições do Estado como escolas e universidades”.

Diferentemente do que ocorria na Idade Média, onde a educação acontecia na família e na Igreja, com a lógica capitalista esta foi transferida para a escola. Assim, nasce a escola nas bases que se conhece hoje: diretores, professores, alunos, orientadores pedagógicos, serviço de orientação educacional (SOE), toda uma estrutura e sua hierarquia. O propósito da escola é

preparar o indivíduo para a vida em sociedade ao mesmo tempo em que desenvolve suas aptidões pessoais, com isto uma nova estrutura de ensino é criada onde há muitas salas de aula, muitos alunos numa só sala, provas, notas, controle de freqüências, mesas em filas, diplomas. (MEKSENAS, 2000, p. 28)

Percebemos que naquela época havia o objetivo de educar um contingente grande de indivíduos, adaptando-os “aos valores da nova sociedade capitalista que surgia no século XVIII e que se estende até hoje” (2000, p. 28).

Para Meksenas (apud DURKHEIM, 1965, p.40) é função do Estado no que se refere à educação tornar o indivíduo um ser social e prepará-lo para desempenhar uma “função útil na sociedade”. Para este mesmo autor deve existir na sociedade uma

vinculação íntima entre o Estado e educação. Ao Estado cabe o papel de senão manter pelo menos supervisionar e orientar a educação. Uma vez que os interesses do coletivo é que devem sobrepujar os interesses individuais. “É o Estado o único capaz de organizar a educação com fins sociais. (MEKSENAS, 2000, p. 40)

De acordo com Freitag (1979, p. 21), as teorias de Dewey e Mannheim veem na educação “um instrumento de mudança social, já que é através dela que a sociedade democrática será realizada e imposta. Em verdade, a educação é concebida como o agente de democratização da sociedade”.

Tendo feita essa consideração sobre a educação e sua importância para a socialização do indivíduo, e como foi referenciado no início deste item sobre as desigualdades educacionais faremos agora algumas observações no que se refere à educação superior, pois é um dos pontos deste trabalho.

A educação superior no Brasil sempre foi vista como um ensino para a elite, inicialmente quando foi criada. “Hoje a universidade pública atende a trinta por cento (30%) da demanda de matrícula de nível superior que, por sua vez, representa apenas dez por cento (10%) da população potencialmente demandante” (MELLO, 2004, p. 29). Em se tratando de um país com dimensões como o nosso é muito pouco. Entre as causas que se pode apontar para isto, está a baixa renda das famílias que impossibilita que seu filho possa continuar os estudos ao invés de trabalhar para ajudar em casa, também a baixa qualidade do ensino nas escolas públicas que faz com que os alunos que ao terminarem o ensino médio tenham que fazer um cursinho pré-vestibular para posterior ingresso em universidades públicas quando conseguem a aprovação ou tentar vestibular nas universidades particulares o que pouco ocorre devido aos altos custos destas. Com isto vai se criando uma grande massa de adultos que não conseguem fazer um curso superior.

Uma outra causa que pode ser apontada é que muitos desses sujeitos por terem uma extensa carga horária ou morarem fora dos centros das grandes cidades com difícil acesso a uma universidade – pois muitas vezes a universidade mais próxima fica a 100 km de sua casa – e muitos deles não tendo condições de morar na capital, o que implicaria em custos de deslocamento, despesas de moradia e alimentação, que muitos não têm condições de arcar, acabam desistindo de fazer a faculdade. E aí podemos incluir a desistência do sonho do indivíduo em cursar uma faculdade. E é neste contexto que entra a educação a distância. Inicialmente, por meio de material impresso que se configurava pelo ensino por correspondência e hoje através do uso da internet e das novas tecnologias de informação e comunicação. Isso, traduzido em números (já citado no item 2.1) pelo Anuário Brasileiro Estatístico de Educação a Distância, significa que “2,2 milhões de números de matrículas de brasileiros em cursos a distância, o que significa que um em cada 80 brasileiros frequentou um curso a distância, só nas instituições ouvidas pelo ABRAEAD” (ABRAEAD, 2007, p. 23). Vê-se que a EaD contribui para a democratização do ensino, pois partimos do princípio de que os custos com computador + linha telefônica + acesso a um provedor de internet ou mesmo o acesso a uma Lan House ou cybercafe, são bem menores que a mudança para um grande centro. Dessa forma a EaD colabora para que mais brasileiros tenham acesso ao ensino superior.

Educação (MEC), lançou o projeto E-tec Brasil cuja ideia é levar o ensino técnico a jovens de baixa renda. De acordo com o Sr. Carlos Eduardo Bielschowsky, atual Secretário da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação (Seed/MEC), este projeto

será implementado para jovens que moram na periferia das grandes cidades, visando dar uma oportunidade para estes jovens percorrerem uma trilha de empregabilidade. Esse ensino técnico será concomitante ao ensino médio. Ou seja, o jovem está fazendo o ensino médio numa escola pública e estadual da periferia de uma grande cidade e, durante seu curso, ele já começa a fazer um ensino técnico voltado para o profissional. Um meio que possa colocá-lo no mercado de trabalho. (SEEDNET, 2008, p.2)

Para o Secretário é importante dar suporte e encaminhar esses jovens ao mercado formal de trabalho para que “possam construir a vida dentro da sociedade e contribuir para a evolução da mesma”.

Com isto o ensino a distância vai criando mais ramificações e possibilitando aos brasileiros menos afortunados o acesso à educação tirando-os da marginalidade, resgatando o seu valor como indivíduo.

CONSIDERAÇÕES

De forma sucinta pretendemos neste Capítulo ratificar a importância da EaD, tanto no que se refere à sua facilidade na obtenção do conhecimento por parte daqueles que não possuem tempo para se deslocar até uma universidade, quanto para as Organizações Corporativas, que viram nesta modalidade a oportunidade de capacitar seus colaboradores objetivando uma melhor competitividade no mercado e dando possibilidade para que os mesmos se mantenham atualizados. Por outro lado, a EaD é vista como uma forma de democratização do ensino, tanto no ensino superior como no ensino técnico, através da forma que está sendo socializada.

CAPÍTULO III – DELINEANDO O ALUNO VIRTUAL: CONHECIMENTO, PERFIL E